Tapa não educa os filhos. Proibí-lo não educa os pais.
2A famosa Lei da Palmada – que proíbe que pais, professores e outros usem de castigos corporais em crianças - tem caráter assertivo, tal como a política de cotas amplamente adotada para acesso às universidades. Há quem ache ótimo medidas assertivas e afirmativas para intervir com imediatismo em “equívocos” sociais e culturais. Eu não gosto. Tenho receio. E explico.
De fato, nenhuma criança será melhor educada a tapas do que sem eles. A violência não educa, e ainda serve de contra-exemplo para os valores que realmente desejamos deixar para as novas gerações. Pais bem instruídos sabem disso. Os ignorantes não sabem, e não vão aprender com a proibição. Provavelmente continuarão a fazê-lo, e terão novos problemas com isso. Ou deixarão de fazê-lo, sem nenhuma substituição, simplesmente deixando para lá, criando crianças ainda mais sem limites.
No entanto, diferentemente do que penso sobre as cotas raciais, não sou totalmente contra a tal Lei da Palmada. Pode servir ao menos para que as famílias repensem seus hábitos e suas crenças na educação dos menores. Ao contrário das cotas, que não contribui para que os negros sejam mais respeitados, mas aumentam a segregação e discriminação, por basear-se na distinção de raças para reserva de direitos.
Não, proibir as palmadas não gera distorções deste nível, mas também não melhora a qualidade da educação dos filhos, porque não melhora a qualidade da educação de quem os educam.
A melhor maneira de garantir uma boa educação às crianças é investindo na educação dos pais e educadores, assim como a melhor forma de equilibrar a proporção de negros nas universidades é dando acesso à educação de qualidade para todos. Mesmo que leve mais cem anos até que formemos pais que entendam, de uma vez por todas, que dor física não forma caráter.
“Ser Campeão é Detalhe”
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Cheguei um pouco tarde para ver a brilhante passagem do Dr. Sócrates pelo Timão. Nascido em 80, tinha apenas dois anos em 82, três em 83, e minhas lembranças mais remotas de torcedor Corinthiano são de 85, mais ou menos. Ainda assim, vi Sócrates exibir seu elegante futebol na Copa de 86, que foi tão intensa para mim. E sempre o via como um ídolo da Fiel. Mas, por razões óbvias, meus primeiros grandes ídolos alvinegros foram Ronaldo, Biro-Biro, Neto… Ou seja, jogadores que me trouxeram as alegrias das conquistas em 88, 90, e daí por diante.
Minha admiração maior por Sócrates começou tardia, conforme me aprofundava na história do nosso Todo Poderoso, e foi se solidificar e intensificar mais e mais muito tempo depois, quando já maduro, comecei a delinear minhas orientações políticas e valores pessoais.
Quando finalmente entendi o que significou aquela tal de Democracia Corinthiana no contexto histórico brasileiro, eu já conhecia muito sobre a história de fundação do clube, sua origem popular, a brava luta operária para prevalecer num universo dominado pela elite paulistana, e etc. E a partir de então, Sócrates Brasileiro passou a representar, para mim, a personificação mais clara do que é o Corinthians, da sua razão de existir e de seus valores indeléveis. E esta razão pode ser expressada em uma só palavra que o Doutor adorava usar: povo.
Por tudo isso, ontem, ao saber de sua morte, resumi dizendo que:
Sócrates talvez não seja o melhor jogador da história do Corinthians (mas é um dos melhores), e certamente não é o mais vencedor com a camisa do Timão. Mas é aquele de quem mais me orgulho.
A perda
Ao saber da notícia, senti uma tristeza profunda, como é difícil sentir por alguém que não conhecemos pessoalmente. Mas às vezes acontece, como já contei aqui recentemente.
Esse tipo de dor é maior quando sentimos que havia muita contribuição a ser dada ainda. E na cabeça do Doutor ainda fervilham idéias geniais e um espírito crítico aguçado como poucos, como podemos detectar em sua crônica recentíssima, de menos de 10 dias, no Carta Capital.
Perdemos alguém que nos levava a pensar diferente. E eu perdi a esperança de um sonho: ver Sócrates e Wladimir, de alguma forma, no comando do Sport Club Corinthians Paulista. Algo que volta e meia era levantado por torcedores, mas que eu sei que dificilmente aconteceria, e que nem sei se seria uma boa mesmo. Mas seria no mínimo diferente – como tudo que o Doutor fazia.
O Penta
Para Sócrates, ser campeão não era o mais importante. Para a Fiel também não é. Mas é ótimo! E o Doutor sempre soube disso. Costumava dizer que as conquistas do campo amplificavam a voz do povo.
E como bem disse o Magrão certa vez…
Num país em que os mais fracos social, política e economicamente não têm voz nunca, neste caso têm. Através do Corinthians, eles conseguem se manifestar, quer dizer, a torcida corinthiana utiliza o seu clube, o seu time, a sua expressão física, como forma de contestação de tudo aquilo que não lhe é dado de direito
Ontem o povo do Dr. Sócrates chorou sua morte, mas bradou feliz: Corinthians Pentacampeão Brasileiro! Uma conquista com cara de Corinthians, com cara de povo. Sofrida, batalhada com gana mais do que técnica. E só nós, Corinthianos, sabemos o quão longa e difícil foi essa batalha. Quanta coisa ouvimos, quanto preconceito enfrentamos, quanta inveja e “secadeira”… Tudo porque o Corinthians se tornou o time mais odiado do país. Em partes por culpa de seus dirigentes e suas alianças obscuras, é verdade, mas principalmente por conta de perseguições e maquiavelismos com os quais temos que lutar todos os dias, desde 1910.
Tivemos que aturar um técnico que parece ter sido feito para o Corinthians, pois garante sofrimento extremo até o último instante, e que ontem abusou da irritabilidade. Colocamos medalhões no banco e vencemos com guerreiros incansáveis, com o Liédson que, mesmo com dores, foi um dos principais responsáveis pela arrancada final, com gols decisivos, como sempre. Seguramos e enervamos nossos rivais, com provocações malandras, mas dignamente populares, como Luizinho fazia ao sentar na bola em frente ao zagueiro deles, ou como Edílson e suas embaixadinhas…
Eu não sei até que ponto a morte do Doutor pode ter influenciado o desempenho dos jogadores… É difícil imaginar isso. Mas certamente ajudou para que a Fiel, ainda mais emotiva, ainda mais “louca”, bradasse e cantasse pelos quase 100 minutos de jogo!
E circula pela Web uma frase que ele teria dito em entrevista nos anos 80. Não pude confirmar a veracidade da autoria, mas nem é preciso: se ele disse isso, fantástica coincidência, mas se não disse, certamente pensava. Tem a cara dele.
Quero morrer num Domingo, e com o Corinthians Campeão
Este título é para você, Doutor! O título que lhe faltou com a camisa do Timão, mas que ajudou a conquistar ontem, inflamando os corações da Fiel que empurrou o time em mais uma batalha contra o maior rival.
A homenagem
Senti muita vontade de estar no Pacaembu ontem, para sentir a emoção daquele título mais de perto. Lamentei um monte de decisões que me levaram a não estar lá. Mas o que mais queria ter presenciado e vivido foi o momento da homenagem da Fiel nas arquibancadas e dos Mosqueteiros em campo. Uma das imagens mais lindas desses mais de 30 anos de torcida pelo Timão. E que infelizmente as TVs não souberam captar em sua essência. Queria estar lá… Mas essa torcida me enche de orgulho! Obrigado a todos os amigos Corinthianos que estavam lá, gritaram por mim e que cerraram seus punhos ao alto para eternizar este ídolo!
Um busto é justo
Sócrates nunca abraçou a atual diretoria corinthiana. Discordava de uma série de coisas que aconteceram na gestão Sanchez, como os altos valores para manter o Ronaldo na equipe para pouco retorno técnico, e estratégias de “business” que só afastam o que há de mais popular nesses 101 anos de história do Time do Povo.
Por conta disso, ou por medo da força política do Doutor, dirigentes e principalmente adestrados dessa administração achincalharam e tentaram manchar a imagem do ídolo da Fiel.
Com sua morte, vejo os mesmos que o chamavam de coisas que nem quero repetir aqui agora reverenciando seu nome. Ótimo. Tarde, mas melhor assim. E se o medo político se foi com sua morte, seria justo agora dedicar a ele um busto no clube. Ou uma estátua de sua imagem com o punho cerrado. Simbólico.
O filme
A frase do título deste post também está no título do documentário “Ser Campeão é Detalhe: Democracia Corinthiana”, que, coincidentemente, será lançado nesta semana (dia 8/12, quinta-feira). O projeto vem sendo trabalhado há 3 anos. No início, de forma independente, a partir de um trabalho de conclusão de curso de estudantes da Midialogia da Unicamp. Agora, com produção da DNA Filmes.
O filme conta com vários depoimentos de jogadores do time da democracia (82-83), inclusive, é claro, o nosso eterno Dr. Sócrates.
Não dá pra não assistir. A boa notícia é que a partir de Sexta-feira, dia 9, ele estará disponível gratuitamente pela Internet!
Homônimos
3Não sei se todo mundo já teve a curiosidade de procurar na Web por homônimos. Às vezes nem é curiosidade, simplesmente esbarramos em algum ao tentar criar um perfil, um nick, ou num dígito errado que colocamos, ou num endereço indisponível que queremos saber quem está usando…
No meu caso, um homônimo completo, ou seja, outro Anderson Canale Garcia, eu duvido que vá encontrar por aí. Os Canales são mais raros e cheios de variações (na minha família mesmo tem Canali, Canales, Canalles)… Já quando resumo o nome a Anderson Garcia, são vários os homônimos. Váááários! Muito mais do que eu poderia imaginar!
Dia desses, já há algum tempo, eu verificava no Twitter a disponibilidade do endereço @AndersonGarcia. Encontrei um cara que trabalha exatamente com o que eu trabalho! Ou pelo menos parte do que trabalho (PHP, JQuery, etc). E tem um blog sobre isso.
Aí fiquei curioso, e resolvi ver o que mais eu achava. No próprio Twitter tinha outro, @andgarcia, cuja assinatura estava assim “Brasileiro, Paulistano, Publicitario, Corinthiano (Maloqueiro e Sofredor…Graças a Deus!)”. E quem se lembra da minha vai achar no mínimo estranha a coincidência. Mas esse pelo menos não é computeiro, o que parece ser o grande carma do nome. Veja, por exemplo, a lista dos Andersons Garcias do Linkedin. Eu contei pelo menos oito diretamente ligados a TI.
O mais curioso dos homônimos, no entanto, não é computeiro, publicitário, corinthiano… Sequer brasileiro é! Trata-se do Prof. Dr. Anderson García Chávez. Quem?! Nem eu sei. Mas de tanto receber e-mail no meu Gmail que na verdade se destinava a ele, resolvi pesquisar. Parece tratar-se de um professor peruano da área da psicologia. E foram inúmeras as mensagens que já recebi de entrega de trabalhos e principalmente pedidos de desculpas por atrasos (pensava que era coisa de brasileiro é?). E tudo bem que o e-mail dele seja realmente parecido com o meu (uma subtração das duas letras finais), mas é incrível que algumas das mensagens que me chegaram por engano eram respostas a mensagens do tal professor. Será que peruano não conhece o objetivo do botão “responder”?
O mais insistente dos alunos resolveu me interpelar via bate-papo. Eu gastei todo o meu parco espanhol tentando explicar, com toda a paciência que Deus me deu, que não, eu não era o Anderson Garcia que ele procurava. E ele custou MUITO a acreditar. Ou talvez ainda não acredite, já que essa semana voltou a abrir o chat “me perguntando” se eu estaria no laboratório “mais tarde”…
Mas quem sabe um dia eu chegue a Professor Doutor mesmo… Talvez aumente a confusão, mas não vou me importar.
Pequenas dicas para quem quer discutir o caso da PM na USP sem passar vergonha
6Eu já era contra a incursão da PM na USP desde antes dela acontecer, porque o desfecho era previsível. E não precisa voltar aos anos 60 para entender, basta lembrar disso ou disso.
Não estou muito a fim de me alongar nesse debate de prós e contras, porque os argumentos que costumam apresentar colocam muitos defensores da PM na Cidade Universitária lado a lado com os defensores do armamento da sociedade civil como forma de “proteção”. Mas, vá lá, são opiniões condizentes com os perfis dessas pessoas – muitas delas de dentro da própria USP.
O que gostaria de fazer neste post é questionar algumas das inúmeras e incontáveis baboseiras que se espalham pela Web desde o início da polêmica ocupação da FFLCH e posteriormente da Reitoria da USP por estudantes que são contra a presença policial no campus.
Independente da sua posição nesse debate, considere dar uma olhada nos “toques” que dou abaixo, já que alguns fatos parecem não ser do conhecimento da maioria que se pronuncia sobre o assunto. E se depois disso continuar achando que “tem que descer o cacete mesmo nesse bando de playboy maconheiro”, aí tudo bem. Pelo menos já saberei como pensa o debatedor.
- A concentração dos estudantes que participam dessa manifestação está, basicamente, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. E, francamente, o perfil de estudante da fefeleche costuma passar longe do perfil “playboy”.
- Sim, a maior parte dos alunos da USP preenchem o tal perfil “reaça”, mas isso também passa longe da FFLCH. E em hipótese alguma esses alunos agora revoltosos estão entre os que pediam a presença policial no campus. São perfis completamente opostos!
- Já o esteriótipo de “maconheiro” costuma ser mais atribuído aos alunos da unidade. Mas acredite: há mais ideologia por trás de toda essa confusão do que gente preocupada em fumar um sossegado. Troque dois minutos de conversa com esses alunos e identificará isso. Aí você pode achar a ideologia uma porcaria, e que a PM tem todo o direito de estar lá e prender quem infringe a lei. Só não saia por aí falando que a questão se resume ao consumo de drogas que pega mal pra você mesmo.
- Preocupe-se mais com a “juventude perdida” do lado de fora da universidade. A que é incapaz de indagar ou entender onde a força militar indevida é nociva, dentro ou fora do campus. Contestação nunca foi sintoma de alienação – é justamente o contrário.
- Troque um pouco de canal. Recupere o hábito de ler textos maiores que 140 caracteres. Talvez isso te leve a uma realidade um pouco diferente do que está vendo. Porque um lado da história vocês já tem. Está todos os dias em todos os veículos de mídia e na boca dos “formadores de opinião” de quinta que influenciam a nova geração. Agora é bom ouvir o outro lado também, desprovido de preconceitos. Deixo até boas sugestões de leituras abaixo. E não espero que com elas você mude sua opinião. Mas é bom saber um pouco mais do assunto antes de replicar humoristas bobalhões ou figurinhas de incitação ao ódio aos estudantes.
Dicas de leitura:
- Reitoria promove a militarização para não discutir a USP, dizem manifestantes – no Blog do Sakamoto
- A USP, a polícia, o futuro – no blog Dia de greve, dia de trabalho, onde também vale a leitura do texto Violência e estupidez, de maio de 2011, ou seja, de antes do convênio PM-USP.
- O verso e o anverso na USP – de Jorge Luiz Souto Maior, Professor livre-docente da Faculdade de Direito da USP, no blog Ocupa USP Contra a Repressão, que também merece outras leituras.
Quando um ídolo se vai
4Devo confessar que comecei este texto pelo título, embora normalmente deixe-o por último. A razão para esta inversão foi a decisão sobre usar ou não a palavra “ídolo”. Normalmente ela causa certa repulsa nas pessoas. Se nos restringirmos à definição mais estrita do verbete, realmente, não há adoração devida que não seja a Deus (pela minha crença). Mas para mim a palavra “ídolo” sempre denotou algo bem mais simples. Ídolo é aquela pessoa famosa que mesmo distante é capaz de afetar nosso humor ou influenciar nossos gostos. Não a ponto de fazer aceitar prontamente qualquer palavra dita por esta personalidade, muito menos fazer seguir seus passos. Mas que nos comova com intensidade suficiente para, por exemplo, nos fazer chorar sua morte.
Quando morreu Sid Vicious, vocalista da banda punk inglesa Sex Pistols, em Fevereiro de 1979, um jovem de Brasília de 18 anos chorou. “Nada me atingiu do jeito que a morte de Sid me atingiu. Chorei a noite toda, e era como uma espécie de grito, doloroso…”, disse ele em uma carta enviada a uma revista inglesa, assinada como Eric Russel. Mas o nome dele não era Eric. Era Renato.
Quando Renato Russo morreu, há exatos 15 anos, eu tinha 16. E chorei, como só chorara na morte de outro ídolo, Ayrton Senna, dois anos antes. Mas diferente de 94, onde o choro foi crescendo aos poucos, e se arrastando pelo resto do dia – e talvez por alguns outros – a morte de Renato me causou reação explosiva imediata. Uma inquietação que martelava em minha cabeça dizendo: “acabou”. Meu irmão, ao meu lado, tirou sarro, mas como disse o próprio Renato em sua carta sobre a morte do Sid: “Pode rir, você não entende”. Me lembro até hoje, recebi a notícia no horário do almoço. A tarde fui trabalhar vestindo uma camiseta com a imagem de Renato que tomava toda a frente, e nas mãos o CD “A Tempestade ou O Livro dos Dias”, recém-lançado, e que claro, eu já possuía. A camiseta era preta, o álbum fúnebre (para muitos, o mais depressivo da banda). E no encarte os dizeres:
O Brasil é uma República Federativa cheia de árvores e gente dizendo adeus.
Abaixo a íntegra da carta enviada por Renato Manfredini Júnior, publicada no Melody Maker, da Inglaterra, sobre a morte de Sid Vicious. (retirei daqui)
Acho que meu pai sabia, ele provavelmente viu na TV ou leu nos jornais, mas não me contou. Um amigo me disse e eu não acreditei. Tive que ligar para meu professor de violão e perguntar se ele tinha ouvido alguma coisa. Aconteceu numa sexta-feira, mas eu só soube da notícia domingo à noite. Nada me atingiu do jeito que a morte de Sid me atingiu. Chorei a noite toda, e era como uma espécie de grito, doloroso, não só por Syd, mas por tudo. Perdi completamente o controle de mim mesmo. Sabe, nada acontece aqui, nunca. Eu sempre recebo as notícias duas semanas atrasado. Não se lança nada de new wave (ou qualquer outra coisa boa que interesse) aqui, eu tenho que comprar importados no Rio. Tudo é discoteca, Travolta ou samba.
Quando a coisa do punk começou, eu e meus amigos entramos de cabeça porque alguma coisa estava acontecendo. Nos envolvemos com a música como não acontecia desde os Beaties e os Stones. Era diferente. Sid, John e o Clash, eram todos heróis. Eles pensavam do jeito que a gente pensava; nem mesmo o Airplane (Jefferson Airplane, grupo psicodélico formado em São Francisco, no auge do flower power) tinha batido tão perto em mim. Dava um certo medo, era como dividir alguma coisa, não era apenas ser um fã burro. (…) Ele morreu por causa do que era. E como Brian (Jones, guitarrista dos Stones), Jim (Morrison, vocalista dos Doors) e Gram (Parsons, ex-The Byrds, pioneiro do country rock que morreu em 1973, de uma overdose de morfina e tequila, em Joshua Tree, Califórnia), as pessoas só vão entender depois de alguns anos. Alguns vão esquecer, outros não, alguns já esqueceram, mas quando um herói éde verdade (eu digo herói mesmo), ele sobrevive. Aposto que alguém vai rir lendo isso. Pode rir, você não entende. (…) Eu cresci milênios de 75 para cá. Mas ainda tenho 18 anos. Vejo as coisas um pouco diferentes agora, e odeio… Mas vou passar por isso e não vou perder (ganhar) como Sid Vicious fez. E eu vou fazer por ele porque ele fez por mim
A morte do parágrafo
2Há uma tendência crescente entre jornalistas-blogueiros.
A de escrever tudo assim…
Uma coisa por linha.
Sem parágrafos.
Ou com todas as orações tranformando-se em um novo.
Eu não sei quem começou com isso.
Mas virou moda.
Gente boa, que admiro, ou admirava, agora escreve assim…
Talvez porque sintam-se mais inteligentes.
Querem reinventar a escrita.
Dizem que torna a leitura mais prática pra Web.
Não torna.
É chato!
É sem sentido!
É linguisticamente pobre.
E nem é correto.
Embora eu não seja nenhum especialista para dizer isso.
Quebra o fluxo natural da leitura.
Tira a coesão do texto.
Voltem para o ensino básico.
E reaprendam as regras para quebra de parágrafos.
E parem com essa frescura do cacete!
Madrigal
0Meu texto preferido dos vigésimos terceiros dias de setembro, por razões óbvias, desde 2004, quando o publiquei no Mondo Redondo.
A julgar por tua beleza natural,
pela fragrância que emites silenciosa,
pelo néctar que ofereces ao admirador,
ou pelas cores que de ti a mim refletem,
poderia afirmar que és a mais bela flor,
fruto da Primavera, que com ela nasceste,
e a ela concedeste mais beleza e vida.Mas revelou-me um sonho primaveral,
por um arcanjo de feição formosa,
que era invertida a intenção do Criador.
“Pela autoridade que a mim competem,
e pela afeição que demonstraste a teu amor,
conto-te que cada Primavera floresceu
em celebração ao nascer de tua querida”.
Manter o “técnico” é bom quando ele é bom
0No futebol brasileiro, a troca dos “técnicos” de tempos em tempos, de acordo com a sequência recente de resultados tornou-se uma coisa banalizada. Diante disso vieram as críticas ferrenhas dos formadores de opinião, “comentaristas esportivos”, e etc. A alegação é que os clubes que trocam menos de técnico conseguem melhores resultados. E de que boa parte dos problemas dos clubes é pelo imediatismo na troca do treinador.
De fato, a crítica é válida em muitos casos. Por exemplo, em 2009, quando o São Paulo demitiu Muricy Ramalho após eliminação da Libertadores daquele ano, fazia algum sentido? Futebolisticamente, nenhum. O cara havia ganho os últimos três campeonatos brasileiros pelo clube do Morumbi, mesmo sem ter sempre em mãos muitos talentos. Fez com jogadores medianos um time extremamente eficaz e regular. O resultado da demissão foi o óbvio: Muricy voltou a ser campeão brasileiro em 2010, pelo Fluminense, e em 2011 já acumula os títulos Paulista e da Libertadores. E segue muito bem. Já o São Paulo não ganhou mais nada, e trocou novamente de comandante mais três ou quatro vezes.
Agora, vamos combinar, todo esse discurso politicamente correto não vale para quando a opção escolhida para o cargo é obviamente um grande e absurdo equívoco desde o início! Nenhuma empresa manda embora um diretor que sempre deu bons resultados no primeiro período de baixa, com o mercado enfraquecido… Mas também é verdade que nenhuma empresa minimamente séria e organizada contrata um profissional fracassado, despreparado, e o dá um cargo de alto escalão! E se comete esse equívoco de avaliação inicial, não pensa duas vezes para rever e substituir a diretoria. Imediatamente!
Quando Andrés Sanchez, o presidente do Corinthians, vem a público dizer que “não mando técnico embora”, e que “se o problema fosse treinador, eu já teria tirado”, ele não está sendo um dirigente diferenciado. Ele está, no mínimo, relutante em assumir o erro de sua escolha, que nunca, NUNCA funcionou! Como não poderia funcionar mesmo! O Tite nunca teve sucesso por clube algum! Nunca conseguiu um bom trabalho de longo prazo. E nunca, jamais poderia ser técnico de um clube do tamanho do Corinthians!
Mas, claro, no fundo eu não acredito que o problema do Sanchez seja só erro de avaliação. É que para uma gestão em que “futebol é business”, “futebol é detalhe”, ganhar ou perder, tanto faz…
#ForaTite
“O problema não é o Tusca”
1Ano passado, depois da morte do aluno da Poli, que caiu no córrego voltando “pra casa”, bêbado, na noite do Corso do TUSCA (Taça Universitária de São Carlos), eu falei aqui no blog sobre o chato embate que sempre acontece nesse período entre os estudantes com seus excessos e os minhocas que acham que “é tudo culpa desses estudantes vagabundos que só querem encher a cara e se drogar”.
Ontem aconteceu novamente o Corso, dessa vez numa região sem muitas casas. E mais uma tragédia aconteceu. Ironicamente, a vítima é um são-carlense, não-universitário, o que deveria eliminar a teoria provinciana (mas não duvido que alguns ainda façam a relação descabida). E se em 2010 eu achei exageradas as críticas ao evento e sua organização, pelo fato de a morte do estudante ter ocorrido enquanto ele voltava pra casa – e, como eu disse na época, “não há evento no país que se responsabilize por entregar todos os bêbados (ou não) sãos e salvos às suas casas” – dessa vez a coisa é mais polêmica, já que a morte aconteceu no próprio percurso do Corso.
Fatalidade? Falha na organização? Teremos que lamentar esse tipo de consequência todos os anos, ou o TUSCA deve acabar? Sinceramente, não gosto de nenhuma das idéias, mas também não tenho mais opinião definitiva formada para o assunto. Coloquei abaixo algumas das argumentações e contra-argumentações que tenho ouvido. Por último a de um jornalista da EPTV, em seu Facebook, que de tudo que li, é o que mais faz sentido pra mim, até então.
- O evento é mal organizado. Uma festa com 30 mil jovens não pode mais ser tratada como uma simples festa universitária.
- Mas como impedir que, em meio a dezenas de milhares de pessoas, aconteça uma briga que acabe como acabou esta?
- A culpa é do poder público. Quando o Corso era organizado só pelos estudantes, não ouvíamos falar de mortes. Desde que passou a ser um evento oficial do município, em 2010, acontece isso.
- Não acontecia ou não ficávamos sabendo? Se não chegava a tanto, um rastro de destruição era deixado no percurso. A maior organização trouxe melhorias importantes, através de exigências mínimas, como atendimento médico de urgência, banheiros químicos, e etc.
- É fatalidade. E se for pensar, um único incidente como este num evento deste porte não é absurdo.
- Se fosse assim, todo show popular e todo jogo de futebol seria seguido por uma manchete trágica, e Graças a Deus não é assim.
- Mas em nenhuma dessas festas ocorrem excessos na proporção que ocorrem no TUSCA.
- Se fosse assim, todo show popular e todo jogo de futebol seria seguido por uma manchete trágica, e Graças a Deus não é assim.
- O problema é que, para os estudantes, a proposta básica do TUSCA é o famoso “pode tudo”. O dia dos exageros. Não pode ser assim.
- Mas se fizerem um negócio comportado, regrado, controlado em excesso, não vai ser o TUSCA. Vai minguar.
- Mas tem que acabar mesmo!
- É, aí daqui a pouco não tem uma festa, nada, porque excesso tem em todas, e fatalidades podem acontecer em qualquer uma.
- Mas tem que acabar mesmo!
- Por Luis Antonio Garmendia: “O problema não é o Tusca senhoras e senhores. O problema é nossa juventude sem limites. Onde é preciso beber até passar mal, e perder o melhor da festa, aliás… O que acontece no Tusca não é diferente de nenhuma outra festa com jovens no nosso país. Ou alguém acha que o carnaval, orgulho nacional, é diferente? Mais do que proibir ou mudar eventos, precisamos mudar e educar nossa juventude“.
- Mas se fizerem um negócio comportado, regrado, controlado em excesso, não vai ser o TUSCA. Vai minguar.
A praça não é nossa
4A Prefeitura de São Carlos iniciou – ou melhor, reiniciou, já que processo semelhante foi feito em 2009 – a retirada de quiosques e ambulantes de praças ou outros espaços públicos. Por exemplo, a remoção do garapeiro que ficava em frente ao cemitério Nossa Senhora do Carmo, ou dos quiosques da Praça Brasil, na Vila Nery. É lei, eu sei, mas a quem isso beneficia? De uma só vez detonam com tradições locais e com o sustento de famílias honestas, que estavam ali trabalhando, e do dia para a noite estão sem nada. E tudo isso sem oferecer uma única alternativa equivalente aos comerciantes ou mesmo à população, que utilizavam-se do serviço ou dos produtos desses autônomos.
Recordo que há coisa de dois ou três anos critiquei duramente a atitude da Prefeitura de São Paulo de proibir as famosas barracas de sanduíche de pernil nos arredores dos estádios. Agora, me fala: quer coisa mais tradicional, bacana e popular que ir ao Pacaembu e, enquanto espera a hora do jogo, saborear um suculento sanduíche de pernil? Imagina o cidadão que sai de casa cedo, leva duas horas pra chegar ao estádio, mais duas até o jogo começar, mais duas de jogo e, pra terminar, outras duas para chegar em casa… São oito horas, e quais são alternativas? O mini dog seco e caro da lanchonete do estádio; Alguma padaria abarrotada e distante das imediações; Com sorte, encontrará algum ambulante com uma cesta ou caixa de isopor vendendo o sanduíche que fez em casa bem mais cedo, mais enxuto e já frio. E nessa já morre o argumento da vigilância sanitária.
A ironia é que quando me contaram sobre o fim das barracas no entorno do Paca, eu usei justamente a Prefeitura de São Carlos como exemplo. Ainda nos primeiros anos do primeiro mandato do Prof. Newton Lima, a administração municipal quis remover todos os ambulantes da “baixada do Mercado”. Mas ao invés de simplesmente “limpá-los” dali, dizimando o sustento de muita gente e o tradicional comércio popular, optou-se por regularizá-los e alocá-los em espaço apropriado, com boxes feitos com alvenaria, com mais estrutura e etc. O tal “camelódromo”, popularmente conhecido em Sanca com “Shopping Beira-Rio” (se bem que deveria ser Beira-Córrego).
Agora, já com outro prefeito – mas praticamente a mesma gestão – simplesmente varrem essas pessoas das praças, em que, vamos falar a verdade, só íamos para consumir deles. Dizem estar cumprindo a lei de autoria do vereador Dorival Mazola – que por sinal, faleceu hoje, que Deus o tenha. Mas qual o sentido disso? Deixar as praças mais limpas e vazias? Ou alguém ainda vai às praças, sobretudo a noite, só para passear? Eu me lembro que no período em que estudei no Industrial, a Praça Brasil à noite era virtualmente dividida em duas. A parte de cima, próxima à escola, onde estavam as barracas e o pessoal frequentava para comer algo, e a parte de baixo, populada por usuários e vendedores de drogas. Agora a praça é toda dos traficantes, suponho, assim como a Praça Charles Miller (em frente ao Paca) continua dominada pelos cambistas. E esses ninguém remove!
Admito que é injusto que comerciantes sofram para manter seus comércios regularizados, com alta carga tributária, enquanto outros simplesmente instalam-se em espaços públicos estratégicos, de forma irregular e sem nenhuma preocupação legal ou sanitária. O que defendo é que instalações de décadas, tradicionais e de grande aceitação e benefício popular, não sejam simplesmente extirpadas desses locais, mas sim regularizadas, seguindo requisitos mínimos e factíveis. E que se proíba apenas novas instalações.







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