Há um senso-comum de que as músicas antigas é que eram boas, e que todos os “hits do momento” são de baixíssimo nível. Já os defensores das músicas da moda entendem que música boa é a que o povo gosta. E se toca mais é porque as pessoas querem ouvir.

Eu vejo essa relação da música com o tempo de uma perspectiva um pouco diferente…

Assim, a música quando é boa, boa mesmo, sobrevive ao tempo. Não deixa de ser boa, independente das variações dos gostos pessoais. Se você gostava há anos ou décadas atrás, continuará gostando hoje. Ela seguirá no playlist do carro e lhe dará prazer ao ouvir. Não enjoa. Não sai de moda. A pasta dos Beatles está sempre no meu pen drive, não importa quanto varie o restante. Os rocks brasucas dos anos 80 ainda são os meus preferidos. As músicas românticas dos filmes antigos continuam entre as mais pedidas nas programações noturnas das rádios, e continuam agradando e trazendo boas sensações. Claro que sempre respeitando o momento: a música certa na hora certa.

Já a música ruim perece com o tempo. Nós sequer lembramo-nos que ela existiu. Ou temos vergonha de lembrar. Ou enjoou. Ou achamos que foi uma onda do momento e não tem mais nada a ver. Ou você acha que alguém que ouvia É o Tchan há 15 anos ainda tem as músicas no playlist? Quem bota pra tocar Virgulóides em algum lugar que não seja para tiração de onda? Esse tipo de música faz sucesso ou como piada – e ninguém quer saber de piada repetida – ou principalmente porque há quem pague para que elas toquem. E quando param de pagar, elas somem, e assim, quase que subitamente, caem no ostracismo.

Essa noção de imperecibilidade é um pouco parecida com os critérios comumente usados para definir um bom livro, um bom filme, e etc. E não é por acaso.

Música boa é arte. Musica ruim é mercadoria.

Existe sim muita coisa boa sendo feita hoje em dia. E provavelmente vou continuar gostando de ouvir o In Rainbows ou O Disco do Ano aos 40. Mas a grande vantagem de ser um fã das antigas é a certeza de que se eu ainda gosto da música após, sei lá, 20 anos, e se ela ainda agrada 50 anos depois de sua criação, é porque ela é eterna! É música para sempre. Imperecível.

E mais: se eu descubro quase todos os dias uma nova fonte inesgotável de músicas boas do século passado, que posso passar o resto da vida ouvindo e redescobrindo, para que ficar peneirando o que há de bom, que não vá perecer, dentre os lançamentos da semana?

Deixemos que a seleção natural cuide de separar o que ouviremos daqui 10, 20 anos. E curtamos a música do século XX!

 

 

anderson

5 Responses to “A música e o tempo”

  1. A boa música, apesar de ser um retrato de sua época, é atemporal. Já se passaram 188 anos (e contando!) desde que a Sinfonia nº9 de Beethovenfoi composta e ela ainda é considerada uma das mais belas obras musicais da humanidade. Vida longa à boa música!

    • “Atemporal”. Tava tentando lembrar essa palavra quando falei de literatura e cinema… É bem a denominação que gostam de dar para definir os clássicos. Mas acho que eu nunca entendi muito bem. Quer dizer, na teoria eu sei o significado de “atemporal”, mas ainda tenho dificuldade de ver grande diferença de temporalidade entre um Paulo Coelho e um Machado de Assis, por exemplo. Embora reconheça facilmente o segundo como clássico, e o primeiro não. E aí entra a mesma ideia que escrevi sobre a música: eu não tenho a menor vontade de reler Alquimia. Mas leria Memórias Póstumas tantas vezes quanto já assisti a cada episódio do Chaves. Hehe.

  2. Acho música um prazer tão essencial! Mais ainda, a boa música… Ela eterniza momentos vividos, transporta a lugares nunca antes visitados… Palavras me são insuficientes para definir essa maravilha. Viva a boa música! 🙂

    • Com certeza, Carla. Vai ver é isso que torna “musicas velhas” aparentemente melhores. O saudosismo e as boas lembranças. Mas que seja, bom mesmo é ouvi-las.

      Um prazer ter sua visita aqui, viu? 🙂

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