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Rapsódia do canto

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Cantar
Tudo o que vier na cabeça eu vou cantar
Até que o dia amanheça e
u vou tocar, tocar, tocar

Cantar não deixa a alegria ir embora
O meu cantar não deixa a alegria ir embora

Cantar quase sempre nos faz recordar sem querer
Um beijo, um sorriso, ou uma outra aventura qualquer
Cantando aos acordes do meu violão
É que mando depressa ir-se embora a saudade que mora no meu coração

Por isso uma força me leva a cantar,
Por isso essa força estranha no ar
Por isso é que eu canto, não posso parar
Por isso essa voz tamanha

Tem gente que recebe Deus quando canta
Tem gente que canta procurando Deus
Eu sou assim com a minha voz desafinada
Peço a Deus que me perdoe no camarim
Eu sou assim, canto pra me mostrar de besta

Quando eu soltar a minha voz, por favor entenda
É apenas o meu jeito de viver o que é amar

 

 

Legenda
(Clique, ouça e veja a letra completa)

Cantar – Raul Seixas
Cantar – Natiruts
Cantar – Beto Guedes
Força Estranha – Roberto Carlos
Quando Eu Estiver Cantando – Cazuza
Sangrando – Gonzaguinha 

46ª Festa do Clima - Chiqueirinho dos privilegiados

A gente diferenciada são-carlense

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46ª Festa do Clima - Chiqueirinho dos privilegiados

São Carlos teve neste feriadão do Dia do Trabalho a 46ª edição da tradicional Festa do Clima. As principais atrações foram os shows de Lulu Santos, no Domingo, e da dupla Cesar Menotti e Fabiano na Segunda, véspera do feriado. Tudo de graça na Praça do Mercado Municipal. Um pontaço da administração municipal, não fosse um pequeno detalhe. Um certo espaço VIP, oferecimento da Prefeitura Municipal de São Carlos exclusivamente a seus mais “nobres” “”convidados”".

Todos os eventos foram gratuitos. O espaço disponível na praça era muito amplo, a ponto de manter relativamente tranquila a movimentação das pessoas, em que pese o enorme obstáculo no meio da praça (uma “ilha” de iluminação de palco muito inconveniente). Não havia absolutamente nada que justificasse reservarem um espaço restrito aos amigos do prefeito – que, claro, também estava presente. Assim que vi aquele cercadinho imaginei que pudesse ser algum isolamento de segurança, ou, forçando a barra, um “espaço de imprensa”, para registros em foto e vídeo, ou coisa do tipo. Quando o lugar começou a encher de pessoas ostentando uma pulseira verde no pulso e a empáfia na face foi que me dei conta do ridículo da situação.

Eu fico imaginando o que se passa na cabeça dos caras quando decidem uma coisa dessas. “Pô, vamos trazer o Lulu, e se quisermos assistir vamos ter que nos misturar com essa gente diferenciada? Vamos reservar um espaçinho  aqui só pra nossa patota, o que acham?”. Deve ser algo do tipo.

Um prefeito que carrega como lema de sua administração uma “cidade moderna e humana” não deveria demonstrar tanto medo e distanciamento de seu povo. E me sinto à vontade para criticá-lo por essa atitude elitista e impopular por ser seu eleitor no último pleito, e provavelmente no próximo, se o cenário previsto se confirmar.

A careca da foto é a do excelentíssimo Prefeito Oswaldo Barba. Eu juro que tentei depois tirar uma mais próxima, mas a bateria do celular miou.

PS: Também não engulo esse tal de Recape São Carlos. Os caras estão recapeando asfalto que não tem dois anos e não apresenta uma falha sequer! Só para aumentar os números e estender o tapete novo onde o santo passa? Enquanto um monte de ruas continuam parecendo um queijo suiço? Ou quando muito, fazem o que fizeram da minha: um monte de remendo espalhando piche na rua toda, e que não deve resistir à próxima temporada de chuvas.

Alternativas às cotas

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De novo esse assunto… Como está em julgamento pelo STF a constitucionalidade das cotas universitárias, não resisti a comentá-lo novamente. Já abordei o tema de forma direta há muito tempo atrás, ainda no blog antigo. Desde então, já mudei demais minhas opiniões (por isso preferi nem linká-lo aqui), muito devido à maturidade e aos intensos debates e leituras sobre o tema. No entanto, reafirmei minha posição contrária às cotas ao citá-las, de forma indireta, recentemente por aqui.

Vou admitir pela primeira vez: já não sou totalmente contra as cotas. Assim, eu entendo a razão delas existirem. Entendo as intenções, e a maioria dos argumentos de quem as defende. Com alguns até concordo, outros não, principalmente quando tentam resumir o debate a provar que o preconceito ainda é forte no país, e que isso por si só justifica a política adotada. Só que eu ainda sou daqueles que entendem que, se o preconceito existe – e existe muito claramente, não é preciso três laudas com números e números para provar isso – não podemos ignorá-lo, mas também não devemos aceitá-lo! O objetivo final deve ser, sempre, que todos sejam visto como iguais! Claro que respeitando as origens culturais de cada povo, mas indissociando as raças. Até porque, o conceito de raça já me parece mais e mais anacrônico.

Isso não quer dizer que precisamos esperar mais 512 anos para agir. As ações podem e devem ser imediatas, ou negros e índios assistirão calados mais algumas gerações de injustiças, que possivelmente se perpetuariam. Mas então, como agir, a curto e médio prazo, sem intensificar as distinções de pessoas pelo tom de pele?

Eu tenho algumas ideias. Se são boas e eficazes ou não, eu não sei, mas me parecem mais interessantes socialmente, e gostaria de ao menos poder debatê-las, em algum momento, sem a ojeriza dos pró-cotas.

A ideia mais básica que defendo desde 2001, quando ouvi pela primeira vez sobre a proposta das cotas, é a da criação de cursos preparatórios pré-vestibulares. Pois entendo que reservar cotas diretas nas universidades é pressupor colocar lá pessoas que não tem ainda a mesma base educacional que os demais aprovados. E para os que acreditam que, depois que entrarem, os cotistas terão total capacidade de acompanhar o ritmo de seus cursos, então vão concordar também que se um ou dois anos de cursinho não vão sanar todo o déficit educacional desses, no mínimo servirão como uma sustentação maior. Além de ser uma oportunidade quase única de dar a essas pessoas formação e espírito crítico muito mais amplo do que teriam em suas graduações específicas.

Já existem muitas iniciativas de cursinhos populares espalhadas pelo país, e são louváveis. Eu mesmo me beneficiei de um desses, e foi uma das melhores experiências de vida que já tive. Mas não basta. O que eu proponho é que existam alternativas públicas, governamentais, e de qualidade igual ou superior aos melhores colégios privados do país, e que sejam voltados exclusivamente à pessoas de baixa renda. Ou seja, nem seria necessária a dissociação de pessoas por tons de pele para isso. Embora seja bastante razoável pensar em algo mais direcionado à população negra e indígena, nesse sentido, o que poderia ser feito de forma menos discriminatória.

Essa alternativa poderia, ao médio e longo prazo, fundir-se ao ensino médio público (que já deveria ter essa qualidade garantida, mas não tem), e, eventualmente, com acréscimo de trabalhos orientados à capacitação – diferente do modelo de ensino profissionalizante atual – para que não haja retardo na inserção desses jovens no mercado de trabalho, em comparação aos mais abastados.

Associado a isso, seria salutar que fossem desenvolvidos programas de bolsas de estudo para investir nesses jovens a fim de que se dediquem exclusivamente às suas formações. É preciso entender que muitos deles tem as alternativas populares que mencionei acima, mas que simplesmente não podem cursar pois possuem realidades difíceis, ou simplesmente porque não vêem perspectivas. Não é nenhum absurdo o que estou pedindo, afinal, se o Estado não pôde garantir educação de qualidade para todos, para deixá-los em condições de igualdade, cabe ao mesmo agora suprir essa falha e investir em seus jovens. E se já há programas de distribuição de renda eficientes no país, criar um que seja associado à educação e com retorno a médio prazo tão forte é algo que deveria ser considerado com prioridade!

Se com tudo isso a elite alva ainda permanecesse prevalecendo esmagadora nas melhores universidades, aí talvez as cotas pudessem ser definidas, mas considerando todo esse processo preliminar. Ou seja, a cota seria reservada aos que participaram desses programas e cursos sugeridos.

Em paralelo a tudo isso, e ainda mais importante, continua sendo mandatório o intenso fortalecimento da educação de base, não só para melhorar a qualidade da educação dos marginalizados, mas principalmente para melhorar o tipo de informação que é passada aos privilegiados. É similar à ideia que defendi para a lei das palmadas: precisamos, acima de tudo, formar uma geração que seja intolerante ao preconceito, para que nada disso seja necessário.

Não sei se são alternativas viáveis, concretas, ou sequer se são boas. Talvez hajam outras melhores. A proposta é justamente ampliar este debate, fugindo das mesmices da negação e prova da existência de preconceitos. E não ser contra apenas porque “fere o direito de outras pessoas” – como se os direitos dos cotistas fossem respeitados em algum momento em nossa sociedade – mas sim propor alternativas que não nos façam regredir no pouco avanço que já tivemos para extirpar essa tolice que é o preconceito, de qualquer espécie.

Sobre o que está em pauta no STF, deve ser facilmente aprovada a legalidade das cotas, o que considero correto. Não discuto (pelo menos não mais) se as cotas ferem ou não a constituição, apenas se são boas alternativas para o problema. E eu ainda entendo que existem melhores.

 

Homem Primata

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Seja na carreira ou na vida mesmo, nossa cultura nos ensina desde cedo algumas regras básicas para sobrevivência. Nasce com um “faça a sua parte”, um “não seja bobo” e um “não confie em ninguém”, mas logo evolui para algo como “o mundo é dos espertos”, “garanta sua parte, doa a quem doer” ou um “antes ele do que eu”.

É difícil afirmar se há dolo ou perversidade. Muitos acreditam agir com verdadeiro senso de justiça, talvez até busquem isso, quando na verdade estão apenas seguindo seus instintos. Deve ser da natureza humana. Talvez venha das lutas por um punhado de fogo, uma fração de terra ou um prato de comida. Como hoje o que parece ser realmente vital aos homens é o dinheiro, é por ele que se engalfinham. “Meu pirão primeiro”.

Eu sou humano, logo, sujeito a todos esses instintos. Tenho minhas ambições, pequenas ou grandes, mas a forma como prefiro buscar meus objetivos não passa, e pretendo que nunca passe por cima da cabeça de outras pessoas. Porque eu não gosto de atalhos. Não acredito neles. Acredito sim em trabalho, esforço próprio. Merecimento. Se algo me é negado, não importa com que motivação, o que vou fazer é arregaçar as mangas e investir em mim, em meu desenvolvimento pessoal, até que o meu valor seja, não apenas reconhecido, mas inequívoco. Porque isso me torna mais independente, e menos sujeito ao “mundo dos espertos”.

Se há quem prefira outro caminho, e esteja disposto a sobrepujar qualquer coisa por isso, vá em frente. Não tomará nada do que é meu, posto que não quero nada que não mereça de forma inequívoca. A única coisa que eu verdadeiramente não aceito é a hipócrita justiça dos mesquinhos. Aquela justiça dos que se fartam de pão, e com o bucho cheio oferecem as migalhas aos pobres. Para esses talvez eu seja um tolo. Mas quando reconheço um deles – e não é difícil – sei exatamente em quem não confiar. Essa lição eu aprendi.

 

Casar engorda

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Sempre ouvi dizer que as pessoas engordam depois que casam. Claro que não são todos (e os magrelos de plantão não precisam se revoltar), mas é uma tendência. Só que a idéia passada junto com essa “brincadeira” (ou “constatação”?) é de que os recém-casados engordam por puro relaxo! Algo do tipo “já estou casado mesmo, dane-se”.

Não é assim.

Eu não demorei três meses após casado para ultrapassar 10 kg além do peso em que estava no dia da boda. Vale ressaltar que aquele também não era meu peso real, já que recorri a alguns artifícios às vésperas do casório para caber no casacão. Mesmo assim, foram aí uns seis quilos, no mínimo, logo de cara. E vieram mais uns três depois, ao longo dos dois anos seguintes.

Eu não decidi que, depois de casado, “tanto faz”. Talvez tenha me cansado de tanta dieta, sobretudo depois dos radicalismos pré-nupcial. Mas ninguém quer viver obeso. E ninguém vive de dieta! E nem engorda por falta delas. O que nos faz assumir o peso que ostentamos, sobretudo a longo prazo, é a rotina alimentar que adotamos! E é essa rotina que se altera completamente no matrimônio.

Talvez alguns tenham a sorte de só ter alterações positivas (do ponto-de-vista nutricional) após casar-se. Mas provavelmente para a maioria é como foi para mim. Você passa mais tempo em casa (porque quer ou porque precisa, afinal, tem novos afazeres); passa a preparar comida para dois, sempre tentando agradar o máximo possível o paladar do cônjuge; ou, em muitos casos, acaba de deixar a casa da mamãe, e o repertório na cozinha limita-se a macarrão e ovo frito – ou outras coisas fritas ainda mais calóricas. E os números dos serviços delivery preferidos, é claro!

Para quem já morava sozinho, também há diferenças. Por exemplo, passar uma refeição batida se não houver nada fácil para comer não era nada demais. Mas, casado, você não vai deixar a pessoa amada com fome! Mesmo que ela diga que não quer comer nada!

Aliás, outra situação bastante comum é essa: você não está com fome, mas a outra pessoa está. Ou você não teve uma vontade súbita de um bolo de chocolate com cobertura de brigadeiro, mas ela(e) sim! Aí vocês fazem, e claro, você come!

Isso para não falar no futebol que deixa de jogar (tudo bem, não era o meu caso), na academia que abandona porque “vou fazer em casa, para ficar mais tempo perto da(o) esposa(o)”, mas nunca faz, e etc.

Depois de meses nessa rotina você está um bolo fofo, e as pessoas vêm dizer que você “desandou depois que casou”. Isso não é relaxo, é amor! De um jeito meio torto, mas é!

 

A boa notícia é que, sabendo que o problema é esse, para corrigi-lo basta cuidar de criar novos hábitos, estabelecer uma rotina alimentar mais saudável. E aí o benefício (e sacrifício) também é compartilhado. :)

Embala a taça que o saci cruzou as pernas e o morcego doou sangue

Embala a taça que o saci cruzou as pernas e o morcego doou sangue

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Depois do texto anterior, não consegui mais escrever por aqui (não por culpa do texto, claro, foi só falta de inspiração). Mas foi até bom, porque hoje finalmente aconteceu o desfecho do caso.

E aí não pude esquecer os comentários no Facebook de quando divulguei meu post por lá…

 

Da possível (ou provável) queda de Ricardo Teixeira e suas consequências

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Quem acompanha os noticiários esportivos que tratam dos bastidores do mundo da bola deve estar atento aos rumores crescentes de uma possível (e cada vez mais provável) saída de Ricardo Teixeira do comando da CBF. Há inclusive quem diga que isso tem data para acontecer: nesta quinta-feira, dia 16/02.

Bom demais para ser verdade? Mais ou menos. Na verdade, não é tão bom quanto parece, e sim, pode ser verdade. A conferir amanhã, ou num futuro breve. Ou não.

Mas como o cara que “sobreviveu” à CPI do futebol em 2001, e tem mandato assegurado até 2015, com uma Copa do Mundo para sediar um ano antes, iria perder força e ceder o cargo justo agora? Os reais motivos não sabemos, e talvez nunca venhamos a saber, mas dá para elencar algumas possibilidades.

  1. Saúde. Esse deve ser o motivo alegado – lembrando que o presidente da CBF passou por internação há quatro meses e tem histórico de problemas cardíacos. Pode ser que tenha mesmo que se cuidar, mas certamente não é razão para afastá-lo do cargo pelo qual tem tanto apreço.
  2. Manobras do Planalto Central. Dizem alguns cronistas que Ricardo Teixeira perdeu força com a saída de Lula. E que Dilma “não vai com a cara” do sujeito. Sabemos que Dilma é um tanto quanto intolerante mesmo com esse tipo de coisa, mas que não pode interferir diretamente na Confederação Brasileira de Futebol. Mas trocar Orlando Silva, que já havia tornado-se amiguinho de Teixeira, por Aldo Rebelo, justamente o relator da CPI do Futebol em 2001, pode ter sido o caminho que ela encontrou para pressioná-lo. 
  3. FIFA. Os planos de Ricardo Teixeira provavelmente envolviam deixar a presidência da CBF em 2015 para tentar a da Fifa, no mesmo ano. Joseph Blatter, o atual presidente da entidade máxima do futebol, não quer isso, e trabalha forte nos bastidores para queimar Teixeira. Na briga entre ambos, sobram ameaças de denúncias de participação em esquemas de suborno e coisas do tipo. Essa briga só não teria eclodido até então porque ambos tem cartas na manga, e ninguém quer pagar para ver. 
  4. Superfaturamento em amistosos da seleção. A Folha de S. Paulo publicou na edição desta quarta provas da ligação de Ricardo Teixeira com empresas “fantasmas” que receberam milhões de dólares para a organização de amistosos da Seleção Brasileira de Futebol. Essas denúncias ligam-se a outras, que em cascata desenham um cenário do qual o dirigente dificilmente conseguirá se desvincular. 

Para mim, toda essa história lembra alguns mitos antigos, como o de Ícaro, que quis voar cada vez mais alto, e o sol derreteu suas asas e o fez cair e morrer afogado. Teixeira, de tanto ter poder e de tanto querer mais, não soube medir corretamente sua força, e pode sucumbir diante de forças não mais justas, mas certamente mais poderosas.

E quais seriam as consequências imediatas do fim de uma gestão de nada menos que 23 anos? Bom, tenho alguns palpites.

  1. Antes que muitos se animem, é preciso cautela. A saída de Teixeira, se ocorrer, não significa nenhum ganho imediato para o futebol brasileiro. Seu sucessor mais provável é José Maria Maurin, sujeito de índole talvez pior que o Ricardão, se é que isso é possível.
  2. Maurin, dizem, é estreitamente ligado a Marco Polo Del Nero, atual presidente da Federação Paulista de Futebol. Que, IMHO, tem se mostrado péssimo administrador esportivo (para não falar de suas “qualidades” morais).
  3. Se muitos apostavam que a ida do ex-presidente corinthiano Andrés Sanchez para o esquisito cargo de Diretor de Seleções da entidade era um passo para começar a direcioná-lo para suceder Teixeira em 2015, a queda precipitada do dirigente em meio a escândalos e perda de força política deve fazer sucumbir também os planos de Sanchez, que sequer manteria o atual cargo.
  4. No mundo dos clubes, alguns que recentemente entraram em rota de colisão com o comando da CBF poderiam voltar a sonhar com os conchavos de antigamente. Porque, não se engane, TODOS estão interessados apenas no benefício próprio. A única variante é o alinhamento de interesses, ora com uns, ora com outros.
  5. Para as TVs, talvez nada mude. É verdade que a Globo foi velha aliada de Teixeira nesses 23 anos, e que o presidente da CBF exerceu papel importante nos bastidores da renovação dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro, assunto bastante polêmico do ano passado. Mas também é fato que a relação Globo-Teixeira andava estremecida, cheia de represálias de parte a parte, talvez já sintoma da perda de força do dirigente (e a Globo não é boba de morrer abraçada com ele).

Enfim, até mesmo quando algo tão desejado pelos apaixonados pelo futebol brasileiro está prestes a acontecer, as perspectivas são pouco animadoras. O único alento que fica é que, normalmente, derrubar uma gestão de décadas é sempre um bom primeiro passo. Talvez seu sucessor, por pior que seja, e talvez justamente por isso, não consiga se manter por muito tempo no cargo. E, quem sabe, por que não sonhar, dias melhores virão… Só não sabemos quanto tempo isso ainda vai levar!

Ou pode ser que nada aconteça, e numa manobra acrobática de bastidores, num nó político bem dado, toda a costura seja feita para salvar Teixeira e manter intacto os planos ambiciosos de sua trupe. Dá para duvidar?

E tudo isso faltando apenas dois anos para a Copa no Brasil!

Sobre o direito de compartilhar opiniões

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A maioria dos visitantes deste blog e/ou meus amigos (normalmente as duas coisas coincidem) já devem conhecer o site Os Comilões. Ele foi criado com o propósito de compartilhar opiniões e dicas sobre restaurantes, bares e lanchonetes de São Carlos (a princípio).

A idéia nunca foi apresentar uma opinião formal, como explicamos na seção Quem Somos do site, posto que não somos especialistas da culinária ou turismo gastronômico. A idéia é mesmo fazer uma troca de experiências, dar aquela dica de amigo, sempre com o intuito mais de divulgar boas opções do que sair criticando os lugares (e eu até já recebi críticas por essa opção). Afinal, como costumo dizer, se o serviço é honesto, gostar ou não é questão de preferência pessoal. Cada um tem a sua. Inclusive é uma das propostas do site torna-lo uma ferramenta colaborativa, aceitando postagens de colaboradores, e principalmente comentários que agregassem opiniões diversas sobre cada lugar visitado.

Nesses oito meses de existência, o site não tornou-se nenhuma referência no assunto na cidade, mas muita gente que visita sempre volta para pegar algumas dicas diferentes de lugares para conhecer. Acaba sendo um meio legal e democrático de divulgação das opções gastronômicas da cidade. Bom para os comerciantes. Nós nada ganhamos com isso, a não ser o prazer de compartilhar opiniões e boas dicas. Porque aquilo que você dá, também recebe.

Infelizmente, apesar das boas intenções do site e da boa vontade na maioria das resenhas feitas, Os Comilões estão sob risco. Lamentavelmente, o que deveria ser um aliado dos comerciantes, devido à publicidade gratuita e incentivo à atividade, parece transformar-se em ameaça para alguns deles.

Eu brinco com meus colegas comilões que, não importa quanto elogio seja feito, se houver uma única crítica, é essa que vai doer ao dono do estabelecimento. É até natural e saudável, posto que a maioria busca (ou deveria buscar) incessantemente a excelência no atendimento. Mas não deixa de ser irônico que, entre dez elogios e um único comentário mais crítico, seja este último a chamar mais a atenção, e fazer parecer que o texto todo foi para falar mal do lugar. E não foi. Nunca é. Não temos essa pretensão.

Se nossas críticas pontuais em meio a outros elogios incomoda, que dirá os comentários de nossos visitantes – sobre os quais o único controle que temos é o da aprovação ou reprovação, e que por princípio democrático optamos pela primeira opção em 90% dos casos (os 10% restantes são os reservados para os que partem para ameaças físicas, acusações graves sobre a reputação dos comerciantes, ou coisas do tipo, quase sempre com uso de palavrões). E é com os comentários que começaram a surgir os primeiros problemas…

Primeiro foi uma pizzaria delivery que não gostou de um comentário dizendo que o pizzaiolo era ruim, e alegando estar sob nova direção, exigiu que o comentário – e o texto – fosse retirado, o que recusamos. O que poderia ser feito neste caso é uma nova experiência, sem aviso prévio, para que tenhamos a nova impressão do lugar. Mas as opiniões expressas nos comentários são pessoais, e de responsabilidade do visitante.

Mais recentemente, no texto sobre um estabelecimento do qual já escrevemos três vezes (tratando serviços diferentes), e em que todos haviam muito mais elogios do que críticas, e as críticas eram sobretudo pela demora no atendimento, um comentário de um visitante que não conhecemos criticando justamente este problema – talvez de forma agressiva e até preconceituosa, é verdade – causou uma reação desproporcional de pessoas envolvidas com o restaurante (alguns se identificando como funcionários, outro que parecia ser o dono, e por aí vai).

Eu entendo que esses comerciantes sejam pessoas honestas que dão o duro para manterem seus negócios, e é difícil receber críticas, sobretudo as agressivas. Mas não pode ser que eles achem que reações agressivas contra clientes insatisfeitos melhorará a imagem do lugar. Perdem a oportunidade de esclarecer o problema, trazer o cliente de volta, e ganhar o respeito dos demais que acompanham o caso.

O maior exemplo disso aconteceu no último final de semana. Em um texto que era só elogios sobre uma pizzaria, um visitante havia deixado o seguinte comentário:

Douglas on 16 de janeiro de 2012 às 6:50

Lugar muito bonito, pena que ontem dia 16/01/2012 caiu uma barata no braço da minha namorada, que passou pelo prato dela, caiu no chão e depois subiu pela minha minha perna pelo lado de dentro da calça. Tive que esmagar ela com a minha calça e ir no banheiro tirar…

Todo mundo viu, todos os garçon e simplesmente cobraram a pizza e nem desculpa pelo ocorrido pediram.

Pena na hora não ter feito um vídeo pra postar…

 

E aí eu pergunto aos meus amigos: o que deveríamos fazer? Reprovar um comentário com nome e data, narrando um fato relevante e pessoal?

Do mesmo modo que abrimos o espaço para qualquer visitante deixar seu depoimento, ele fica aberto para que o estabelecimento dê sua versão dos fatos. Mas ao contrário disso, o que recebemos foi uma espécie de ameaça:

antonio carlos on 12 de fevereiro de 2012 às 15:19

boa tarde parabens pelo trabalho de vcs, acredito que nao devam ter autorizacao para direito de imagem muito menos divulgarem comentarios maldosos, sendo que um dos padroes e objetivos da casa e zelar pela higiene e qualidade, gostaria que retirassem o nome da pizzaria {nome da pizzaria} desse site caso contrario resolveramos atraves da justica.

 

As fotos usadas nos posts são tiradas com nossa própria câmera, e para falar a verdade não mostram muita coisa. Normalmente é o prato servido e uma foto da fachada. Quanto ao fato comentado pelo visitante, talvez seja invenção (como vamos saber?),  mas se o comentarista “antonio carlos” for algum representante da pizzaria, não teria sido mais elegante se dispor a esclarecer o fato, convidar o tal Douglas a explicar o ocorrido, e mostrar atenção e preocupação com o atendimento? Afinal, uma barata isolada no estabelecimento não significa necessariamente falta de zelo pela limpeza e higiene, posto que é um inseto que pode vir da rua num abrir e fechar de portas…

Depois de algumas manifestações de apoio que recebemos nos comentários deste mesmo post, e também pelo Facebook, veio um novo comentário, agora sim identificando-se pela pizzaria…

{nome da pizzaria}* on 13 de fevereiro de 2012 às 9:28

Bom dia a todos em nome da pizzaria {nome da pizzaria}*, gostariamos de esclarecer e nos desculpar que tal comentario nao foi feito por NOS. deve ter ocorrido um mal entendido ou ALGUMA BRINCADEIRA DE MAL GOSTO QUE TAMBEM ACHAMOS UM POUCO INDELICADA, MESMO ASSIM PEDIMOS DESCULPAS PELO MAL ENTENDIDO.

 

Não dá para afirmar se foi realmente um mal entendido, ou se voltaram atrás quanto a reação que tiveram. De qualquer forma, bem melhor assim.

Mas deixo cá a pergunta para nossos amigos, principalmente os que entendem da legislação e o mundo “virtual”. E se a ameaça se concretizasse? E se outras vierem? E se o estabelecimento sentir-se prejudicado? Estamos errados em expor nossas opiniões, e liberar as de nossos visitantes? Como funciona esse tipo de direito para redes colaborativas, sobretudo as que trabalham especificamente com isso, como Foursquare e Google Places?

Gostamos do nosso site e sempre desejamos que ele fosse útil para os muitos comilões são-carlenses – e quem sabe num futuro breve em outras praças também. Agora, se for para prejudicar comerciantes honestos ou limitar as opiniões do público, não vale a pena…

 

*Nota: optei por omitir os nomes dos estabelecimentos, sobretudo da pizzaria do caso da barata, porque não é o objetivo desse post depor contra, mas apenas levantar o debate – e pode até ser que cheguemos a conclusão de que eles estão certos, no direito deles. E, no caso das baratas, principalmente, pode tratar-se de um mal entendido mesmo, ou até uma história inventada, e não quero ser injusto. Sem contar a possibilidade de a ameaça ter sido real, e aí é melhor evitar mais problemas com eles… :P

 

Atari 2600 - o mais clássico console

Depois do Atari…

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Atari 2600 - o mais clássico console

O Atari deve ter sido o primeiro video game de todas as crianças que hoje tem mais de 30. Foi também o  primeiro lá em casa. E era daquele modelo mais clássico, o 2600, até meio feio, mas que na época, nossa! E ganhamos ele até que cedo, provavelmente em 84 (foi lançado no Brasil em 83), então aquele jogo eletrônico era algo incrivelmente novo.

Como o Atari era BOM, e como seus principais sucessores (leia-se Master System e Nintendo) só começaram a surgir no Brasil com força no começo dos anos 90, ficamos com ele por anos e anos. É verdade que quase ganhamos um Nintendo uma vez, mas meu pai preferiu nos dar um brinquedo que era mistura de autorama com ferrorama (que seria a glória para muitas crianças, e certamente foi mais construtivo, mas eu preferia o video game mesmo).

Anúncio do MSX Hotbit

O fato é que depois do Atari, nunca mais tive um video game de verdade. Pelo menos não um console propriamente dito. Isso porque, após muito insistir por algo melhor (mais evoluído, porque melhor é difícil) que o Atari, ganhamos um MSX Hotbit.

Para quem não conhece, o MSX é digamos algo que foi projetado para ser um computador. Tinha saída para drive de disquetes, editor de texto, e etc… Embora quase todo mundo que já teve um na vida usava basicamente para jogar (e é nessa hora que os MSXzeiros mais nerds começam a me xingar, mas não tenho culpa – o negócio aceitava cartuchos, era ligado na TV e vinha com um joystick de brinde!). Então, a partir dali, eu tinha mais que um novo video game: tinha meu primeiro protótipo de computador. E devo dizer que isso teve impacto profundo na minha incursão na área, já que rodar um game em BASIC naquela plataforma nem sempre era coisa trivial.

Como também não foi trivial rodar os primeiros jogos no primeiro PC 386. Não que fosse algo muito mais difícil que digitar no console:

cd  \jogos
cd stunts
stunts

Mas em tempos em que não havia Internet e a mídia disponível para compartilhar jogos com os amigos eram maltratados disquetes, e na ânsia por fazer rodar novos jogos, ou na insistência para contornar erros de discos ou senhas embutidas, entre um print aqui e um scandisk lá, já estava absolutamente habituado ao mundo da Computação.

Ao contrário do que eu imaginava, talvez para tentar me consolar por não ter um console poderoso, o mundo dos games não convergiu para os PCs. Mas conquanto houvesse lá pelo menos a série Fifa da Eletronic Arts para sustentar meu vício cada vez mais controlado, não me importava. E assim fiquei pelos últimos quase 20 anos: jogando praticamente só no PC, e basicamente futebol (pelo menos nos últimos 10).

Esse ano, há menos de um mês, já com mais de 30 nas costas e agora com o poder de decidir o que comprar ou não (claro que com algum trabalho de convencimento junto à esposinha querida), me rendi novamente a um console. E não apenas um console, mas uma nova forma de jogar. Fiz do Xbox meu primeiro console desde o Atari, e revivo com o Kinect a mesma admiração ao novo que sentia lá atrás.

Guia prático de como escrever um best-seller

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Que feio, depois de mais de um mês sem escrever no blog, estou apelando para um texto velho. Este foi escrito no blog antigo, o Rapsódia, em 12/04/2005. Mas há pelo menos duas boas razões (desculpas) para eu requentá-lo aqui, agora. O primeiro, óbvio, é pra tirar a poeira de cá e ir aquecendo para voltar à ativa. O segundo motivo é que estou preparando um novo texto para o Mondo Redondo com temática parecida: de que é feito um grande escritor. Menos irônico que o texto abaixo, mas nem tão sério quanto parece. Aviso aqui quando estiver pronto lá.
  • O ponto de partida é a única etapa realmente criativa. Pense numa sacada legal… Algo como uma analogia, ou algo “denorex” (parece, mas não é…). Pode ser algo advindo de uma anedota mesmo, com potencial a ser explorado, ou alguma brecha não explicada nos livros de história. Neste ponto não se preocupe com o enredo.
  • Delineie sua história com tudo aquilo que as pessoas gostariam de ouvir. Fale mal de algo que elas queiram se livrar, massageie seus egos, dê-lhes novas (boas) perspectivas.
  • Com o arcabouço da sua história traçado, agregue a ela fatos reais. Misture realidade e ficção aleatoriamente e mexa bastante. O ponto ideal é quando estiver imperceptível, no texto, o que é fato e o que é criação imaginativa.
  • Adicione ainda alguns elementos que façam parecer que você está transmitindo algum tipo de informação/cultura útil aos leitores. Deixe que eles pensem que estão ficando mais inteligentes ao lerem seu livro.
  • Envie seu trabalho para uma editora especializada em marketing. De preferência uma daquelas que compra toda a primeira tiragem só para o livro aparecer na lista dos mais vendidos.
  • Venda o livro como uma ficção com um pouco de verdade, ou como verdade com um pouco de ficção… Mas demonstre confiança no que diz. As pessoas adoram acreditar no que lêem.
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