Aconteceu comigo

Desabafos do meu cotidiano e histórias de fatos passados.

Atari 2600 - o mais clássico console

Depois do Atari…

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Atari 2600 - o mais clássico console

O Atari deve ter sido o primeiro video game de todas as crianças que hoje tem mais de 30. Foi também o  primeiro lá em casa. E era daquele modelo mais clássico, o 2600, até meio feio, mas que na época, nossa! E ganhamos ele até que cedo, provavelmente em 84 (foi lançado no Brasil em 83), então aquele jogo eletrônico era algo incrivelmente novo.

Como o Atari era BOM, e como seus principais sucessores (leia-se Master System e Nintendo) só começaram a surgir no Brasil com força no começo dos anos 90, ficamos com ele por anos e anos. É verdade que quase ganhamos um Nintendo uma vez, mas meu pai preferiu nos dar um brinquedo que era mistura de autorama com ferrorama (que seria a glória para muitas crianças, e certamente foi mais construtivo, mas eu preferia o video game mesmo).

Anúncio do MSX Hotbit

O fato é que depois do Atari, nunca mais tive um video game de verdade. Pelo menos não um console propriamente dito. Isso porque, após muito insistir por algo melhor (mais evoluído, porque melhor é difícil) que o Atari, ganhamos um MSX Hotbit.

Para quem não conhece, o MSX é digamos algo que foi projetado para ser um computador. Tinha saída para drive de disquetes, editor de texto, e etc… Embora quase todo mundo que já teve um na vida usava basicamente para jogar (e é nessa hora que os MSXzeiros mais nerds começam a me xingar, mas não tenho culpa – o negócio aceitava cartuchos, era ligado na TV e vinha com um joystick de brinde!). Então, a partir dali, eu tinha mais que um novo video game: tinha meu primeiro protótipo de computador. E devo dizer que isso teve impacto profundo na minha incursão na área, já que rodar um game em BASIC naquela plataforma nem sempre era coisa trivial.

Como também não foi trivial rodar os primeiros jogos no primeiro PC 386. Não que fosse algo muito mais difícil que digitar no console:

cd  \jogos
cd stunts
stunts

Mas em tempos em que não havia Internet e a mídia disponível para compartilhar jogos com os amigos eram maltratados disquetes, e na ânsia por fazer rodar novos jogos, ou na insistência para contornar erros de discos ou senhas embutidas, entre um print aqui e um scandisk lá, já estava absolutamente habituado ao mundo da Computação.

Ao contrário do que eu imaginava, talvez para tentar me consolar por não ter um console poderoso, o mundo dos games não convergiu para os PCs. Mas conquanto houvesse lá pelo menos a série Fifa da Eletronic Arts para sustentar meu vício cada vez mais controlado, não me importava. E assim fiquei pelos últimos quase 20 anos: jogando praticamente só no PC, e basicamente futebol (pelo menos nos últimos 10).

Esse ano, há menos de um mês, já com mais de 30 nas costas e agora com o poder de decidir o que comprar ou não (claro que com algum trabalho de convencimento junto à esposinha querida), me rendi novamente a um console. E não apenas um console, mas uma nova forma de jogar. Fiz do Xbox meu primeiro console desde o Atari, e revivo com o Kinect a mesma admiração ao novo que sentia lá atrás.

Telemuda

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Com a incompetências de empresas prestadoras de serviço o brasileiro aprendeu a conviver. Não que aceite, nem deve, mas já se acostumou. O duro mesmo é lidar com desonestidade, canalhice. E é esse hoje o maior problema da Telefônica.

Mas se a empresa espanhola já trazia essa fama há tempos, por que, mesmo assim, eu ainda insistia em ser cliente dela?

Explico.

Desde quando me mudei para minha atual casa no final de 2006, e até meados de 2010, a única opção de Internet Banda Larga na minha região era o Speedy. E, como sabemos, é impossível ter Speedy sem ter uma linha telefônica da mesma empresa (ou se não é impossível, tornam inviável). Para TV por assinatura, optei inicialmente pela NET, mas como ofereceram descontos para adesão à TV Digital Telefônica, e como eu já estava amarrado à empresa, eu troquei. Este foi meu primeiro erro.

Em Janeiro de 2010 resolvi cancelar os serviços de TV, que vamos combinar, são uma porcaria (imagem pixelizada, de baixa definição). Já havia agendado a entrega dos decodificadores quando me ligaram com uma proposta tentadora: eu pagaria apenas 30 reais pelo mesmo pacote, ficaria isento de pagamento do ponto adicional, e ainda ganharia 50% de desconto na mensalidade do Speedy, para sempre, mesmo que posteriormente eu cancelasse a TV novamente.

Aqui vale um parênteses: quem é cliente do Speedy há vários anos, provavelmente passou pelo mesmo problema. Você assina um plano de, sei lá, 60 reais, e vê reajustes anuais sobre ele que o levam a 100. Ainda que o mesmo plano seja vendido para novos usuários por uns 50. Aí você liga para migrar para um plano inferior, e isso não é possível. Então sugere cancelar seu plano, e assinar um novo, e aí dizem que não garantem a disponibilidade do serviço, porque “há fila de espera” (não para novos usuários, provavelmente). Ou seja, você está preso num plano que vai tomando proporções estratosféricas.

Voltando à oferta, é claro que topei. Afinal, poderia aproveitar o desconto do Speedy e cancelar a TV alguns meses depois. E foi aí que cometi meu segundo erro. Neste intervalo de tempo, assinei os canais PFC (canais pay-per-view de futebol), cujo contrato tinha durabilidade mínima de oito meses (e isso é bem questionável, mas enfim…). Neste mesmo período, a NET, finalmente, passou a oferecer o serviço de banda-larga Virtua para a minha região. O preço da combo com TV, Internet e Telefone era bom, mas a Telefônica ainda dava todos aqueles descontos…

Até que, do nada, a conta da TV Digital triplicou! Fui ver o extrato, e o desconto concedido simplesmente cessara! Liguei para questionar e me disseram que o desconto era temporário. Só que a essa altura eu já estava preso pelo contrato do PFC, cuja multa para cancelamento quase equivalia a continuar com o plano.

Somente no mês passado, quando finalmente encerrou-se o contrato com o PFC, pude pedir o cancelamento da TV da Telefonica. Só que como continuava pagando muito pouco pelo Speedy, com o desconto concedido, não optei pela combo da NET, e sim pela TV da Via Embratel, que tem qualidade de imagem melhor e plano HD opcional.

Para minha surpresa (se é que ainda dá para surpreender-se com isso), ontem, em meu terceiro dia com linha muda, e eu pensando seriamente em me livrar definitivamente dessa empresa sem vergonha, me chega a fatura mensal, sem o desconto (lembra aquele “eterno”?) do Speedy.

Chega, eu desisto de lidar com essa empresa. Faz mal para o bolso e para a saúde. Só não vou poder trocar pela combo da NET, porque agora é com a Embratel que tenho contrato com fidelidade de um ano. Mas que seja só o NET Fone e o Virtua, ou só o Livre… Chega desses “espanhóis” malditos!

Apelidos

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Pegando gancho no post anterior, sobre o meu nome, cito alguns dos apelidos que já tive, e seus respectivos contextos.

  • Nenê - Como já havia contado, é como a maioria da minha família me chama até hoje. Às vezes quando vão falar diretamente comigo, evitam, e falam meu nome mesmo, mas quando vão se referir a mim em conversa indireta é “Nenê” mesmo. Chega a ser engraçado. Acho que o grande problema com esse apelido é que eu o rejeitei por muito tempo. Se tivesse adotado de vez, teria sido mais fácil… É até legal. Só tem dois problemas com ele: 1 – os cariocas insistem em chamar de “Neném”, e “Neném” não dá, né?; 2 – Sempre que eu fazia algo errado, alguém dizia: “mas é nenê mesmo”.
  • Paçoca – Sabe aqueles apelidos bobos que te dão na escola, e você fica absolutamente contrariado, e aí alguns “amigos” fazem questão de chamá-lo assim só pra provocar? Então, é o caso. Mas não pegou. Praticamente só o criador, um amigo de infância, me chamava assim. Começou com Cara-de-paçoca, e depois ficou só Paçoca mesmo.
  • Dudu - Criação dos amigos “da rua” em Campinas. Tudo porque um deles (o Pezão) achava que eu tinha “cara de Dudu”. Depois veio variações, do tipo DumDum. Os amigos e parentes de Campinas ainda me chamaram de Dudu por muito tempo.
  • Gordo – Apelido ganho no colégio técnico (Industrial), por motivos óbvios. A curiosidade dele é que havia mais dois “Gordos” na nossa turminha. De porte e de apelido. Aí quando alguém chamava “ô Gordo!”, os três atendiam.
  • Fofão – É ritual de universitário batizar a todos com apelidos, logo no primeiro semestre. E eu tinha o meu e nem sabia! Quando mandamos fazer camisas personalizadas com os respectivos apelidos, e eu coloquei Anderson mesmo, é que vieram me questionar “por que não colocou Fofão?”. Foi nesse dia que eu descobri. Mas também não pegou muito. Acho que só usavam quando precisavam diferenciar de algum outro Anderson. “Ah, o Anderson Fofão”. Curiosidade: o número que escolhi para a camisa foi 80. E nada mais oitentista do que o Fofão.
  • Dedé - Esse é usado pela minha esposa e cunhados, mas é só quando querem fazer graça mesmo. Não faço idéia como chegaram nele…
  • Ândi - Nick adotado no mundo virtual. Nasceu como Andy, na verdade, meio que como abreviação do nome, mas eu sempre pronunciei ‘andi’. Como muitos diziam ‘endi’, que para mim soava estranho, aportuguesei o nick. Já pensei em abandoná-lo, mas nas comunidades do orkut que ainda participo já virou meio que identificação. Fica mais fácil assim. Esse nick já passou por relações com o personagem Andy Panda, e por trocadilhos com a Cordilheira dos Andes.

Nem Alexandre, nem Wanderson…

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Depois de ter sido chamado de Alexandre por um colega de trabalho pela segunda vez na semana, não tive como não lembrar de um texto sobre o meu nome que postei no Rapsódia (antigo blog) há oito anos.

Filho de André

(texto originalmente escrito em 28/02/2003)

Meu nome é Anderson, e talvez por eu usá-lo desde que nasci, pra mim é um nome super comum e de fácil pronuncia e escrita. Gostaria até da opinião de meus amigos leitores. É um nome muito complicado é? Pois as pessoas insistem em trocá-lo por qualquer outra coisa, muitas vezes até mais complicado.

Bom, a confusão começou logo quando eu nasci. Meu irmãozinho com seus dois anos de idade achava muito complicado o nome e, com sua simplicidade infantil, passou a me chamar de Nenê. Até aí tudo bem, exceto pelo fato de minha família me chamar assim até hoje e de ainda haver quem faça piadinha sem noção.

Vamos lá, não é tão difícil. AN – DER – SON. Simples.

Hoje mesmo já me chamaram de Anselmo (?) e Wanderson. WANDERSON NÃO!!!! É engraçado que eu ache meu nome tão bonito e a simples inclusão de um W torne-o TÃO ridículo¹. Mas a lista de nomes que usam é grande. Alguns são sonoramente perdoáveis, como Éderson, Adson… Adilson, forçando a barra. Agora, o mais comum deles, ninguém vai acreditar. Por algum motivo que mentes humanas jamais explicarão, pessoas diferentes de lugares remotos têm uma insistência incontrolável de achar que me chamo Alexandre. Valha-me!!!

O engraçado é que eu não gosto de ficar corrigindo. As vezes alguém passa tempos me chamando por um outro nome e só depois é que ficam sabendo que estavam pronunciando errado. Mas quando eu invento de corrigir… Um advogado/amigo/cliente, por mais que eu o corrigisse, me chamava de Alexandre, e me chamaria ainda hoje caso o encontrasse. Assim como quem me confunde com o meu irmão, mas aí o problema é outro, já que André é bem diferente.

Pra vocês, amigos “digitais”, pode ser Andy² mesmo. Mesmo que eu, aqui, pronuncie ândi, enquanto todos pronunciam, até mais corretamente, endi. Sintam-se a vontade, desde que não me chamem de Wanderson*.

Notas

  1. Se alguém aí se chamar Wanderson, ou tiver alguém próximo com esse nome, não leve a mal. Nada contra. Só não gosto pra mim.
  2. Naquele tempo ainda usava Andy, mas depois de um tempo acabei adotando Ândi mesmo, assim já resolve a dúvida na pronúncia.
Fabbinho-Corinthians-Primeiro-Campeao-Mundial

O dia em que desisti de ter uma banda

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(série esporádica de posts despretensiosos sobre histórias inusitadas, em ordem descontínua, de minha vida pacata)

Eu nunca fui um músico minimamente razoável, mas sempre quis ter uma banda. E o mais perto que cheguei disso foi entre o final de 99, começo de 2000. Foi a época em que eu mais treinava com meu violão Di Giorgi e a velha Dolphin, uma guitarra que comprei uns dois anos antes.

Duas curiosidades sobre minha antiga guitarra:

  • Comprei-a usada. Quem me vendeu foi o meu professor de violão/guitarra da época. Segundo ele, a guitarra era de uma menina, que resolvera vende-la pois agora estava mais interessada em tocar outros “instrumentos”
  • Quando fui comprar um amp pra ela, numa velha loja de um velho rabugento bem conhecido entre os músicos da cidade, o velho me deu sua simpática opinião sobre a minha nova aquisição: “se a Dolphin fosse boa a fábrica não tinha falido”.

Eu não sabia tocar muita coisa, mas para Rock Nacional não é preciso muito também. Dava pra fazer umas bagunças, e foi numa delas, com amigos do Tiro de Guerra, que alguns colegas que estavam começando uma banda me convidaram para ensaiar com eles.

Isso foi em Dezembro de 99, mas como era fim de ano, festas e viagens, a primeira oportunidade para ensaio veio só no dia 14 de Janeiro de 2000.

Claro que nenhum desses colegas eram corinthianos, pois se fossem, teriam lembrado que esse era o dia da final do 1º Mundial de Clubes da Fifa!

Mesmo assim eu topei. Afinal, o horário combinado era mais ou menos o previsto para o término do jogo… Chegaria um pouco atrasado, mas, tudo bem.

O jogo transcorreu naquela tensão, e praticamente não me lembrei do tal ensaio até a metade do 2º tempo. Só que o jogo continuava 0 x 0, e eu me toquei que, com prorrogação, eu atrasaria ainda mais. Deixei tudo preparado, guitarra no case, amplificador e cabos já desplugados e separados… Mas nada de gol. Nem no jogo, nem na prorrogação. Decisão nos penaltis.

Eu sabia que a melhor chance de eu ir ao tal ensaio era se o pior acontecesse, mas a essa altura eu já dava o título como certo, afinal, nós tínhamos Dida no gol! E ele não decepcionou, pegou a cobrança do Gilberto do Vasco. Mas o Marcelinho errou a dele, e o título acabou vindo, por ironia do destino, no erro do Edmundo, velho ídolo do rival Palmeiras.

A maior alegria do torcedor corinthiano (pelo menos em importância). Tinha que ser comemorada como tal! Mas e o ensaio? Dane-se! Mas e se nunca mais te chamarem para outro ensaio? Dane-se! É o Timão! Campeão do Mundo!

Ainda consegui, mesmo em momento de euforia extrema, ligar para meu amigo e avisá-lo que eu não poderia ir, pois estava saindo para comemorar o título. Me pareceu a forma mais honesta de tentar deixar o convite aberto, mas a verdade é que nunca houve uma segunda oportunidade com eles.

É muito provável que eu não tivesse vida longa na música, e que aquela ocasião não passasse de uma brincadeira de amigos. Mas se era a oportunidade de eu ter uma banda, ainda que de garagem, naquele dia eu perdi.

Mas quem se importa? Que corinthiano não trocaria isso pelo título mais importante de sua história?

A voz de dentro

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Eu sempre acreditei no talento como um mero atalho, pois em quase tudo que alguém se proponha a fazer, esforço e muito treino são mais importantes e levam aos mesmos resultados, ainda que se tome o dobro, o triplo do tempo, ou mais.

Foi assim, por exemplo, que eu, um descoordenado motor por excelência, consegui tardiamente me adaptar a uma caligrafia legível, e aprendi, ainda que toscamente, a tocar violão.

Com a maturidade, no entanto, entendi que há coisas para as quais não se dá jeito. O Souza, por exemplo, nunca vai se tornar um jogador de futebol, por mais que treine. Eu nunca serei criativo, até porque, criatividade não se treina (embora dê pra aprender técnicas que enganem bem). E não, definitivamente, não conseguirei me tornar um cantor.

Essa última constatação foi sem dúvida a mais difícil de aceitar. Sempre fui apaixonado por música, sempre gostei de cantar, mais ainda depois que comecei a tocar violão, e sempre/definitivamente fui/serei desafinado. E olha que tentei…

Há cerca de dez anos, após mais de um ano e meio fazendo aulas de violão, resolvi que queria e precisava aprender a cantar, treinar um pouco a voz. Afinal, o grande barato do violão em relação a outros instrumentos (salvo piano/teclado) é sua autonomia completa. Um baterista não funciona sem uma banda. Um gaiteiro (estou falando do instrumento de sopro, viu gaúchos?) pode fazer uma bela melodia sozinho, mas ou ele toca, ou ele canta… Já o violão permite melodia, ritmo e voz feitos por uma única pessoa. Mas voltando ao assunto, resolvi então entrar para um curso de Técnica Vocal, na mesma escola de música em que fazia violão. Desisti, após oito meses ouvindo o professor dizer: “bota a voz pra fora”…

Nota: foi comum, em toda a minha vida, e até hoje, ouvir essa expressão, “bota a voz pra fora”. Ou então as pessoas me dizerem que eu “falo pra dentro”. Eu não sei bem como isso funciona. Se a voz já vem de dentro, como eu consigo enfiá-la guela abaixo novamente?

Mas entendo o que eles querem dizer. E acho que meu modo de falar é fruto da timidez que sempre tive (mais aguda quando eu era menor). Como mecanismo de defesa, passei a falar pouco, quase nada, e quando falava era baixo, “pra dentro”, apenas pra cumprir a obrigação da comunicação, mas sem fazer muita questão de ser escutado.

Eu não me lembro se fui eu que desisti realmente, ou se o professor é quem desistiu de mim. Lembro-me dele, algumas vezes, questionando se eu não poderia estar “travado”, fisicamente, por conta do serviço militar (foi o ano do meu Tiro de Guerra).

Acredito que meu problema seja sim físico, mas vai além de um esgotamento ocasional. Ou talvez seja psicológico. Mas é intrínseco! Eu falo assim, “pra dentro”! E, na hora de cantar, minha voz continua saindo como sempre saiu, com as mesmas travas e a mesma sonoridade abafada.

Recentemente, por algum motivo que nem sei bem ao certo qual é (já que a fase de sonhar ser cantor já passou faz tempinho), essa característica começou a me incomodar mais. Aliás, não sei se “incomodar” é a palavra, mas passei a me questionar se eu não poderia trabalhar melhor isso. Não só para o canto, mas para melhorar a comunicação com as pessoas, para ter uma apresentação melhor, e etc. Aí veio a dúvida: procuro um fonoaudiólogo ou um psicólogo?

Fiz algumas pesquisas no Google. Encontrei a técnica da caneta na boca, e uma outra que envolvia sentar de cócoras (taí outra coisa para a qual treino não resolveu meu problema, sentar-se de cócoras), mas o que mais pareceu funcionar, pelo menos na hora de cantar (isso sempre trancado no quarto com meu violão, que fique claro), foi a idéia de soltar o ar pelo nariz. Ou algo assim, não sei explicar.

Mas tudo isso foi pra dizer que, ainda que não tenha mais pretensões musicais, tenho pensado seriamente em voltar a fazer um curso de Técnica Vocal. Talvez agora que conheço melhor os meus problemas e minhas limitações eu obtenha mais êxito na tentativa de liberar a minha voz. :)

My Wonder Years – Ando meio desligado

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(série esporádica de posts despretensiosos sobre histórias inusitadas, em ordem descontínua, de minha vida pacata)

(texto originalmente escrito em 26/12/2005)

Eu e minha velha mania de relacionar músicas à minha personalidade. Lembro-me do dia em que estava assistindo o show do Pato Fú e comentei com minha namorada: “repare se essa não é a minha música”. A gargalhada dela depois do primeiro verso já entrega: “Ando meio desligado…”.

Eu sou, desde sempre, extremamente, excepcionalmente, incrivelmente, imensuravelmente distraído. O engraçado é que tenho (pelo menos dizem que tenho) memória de elefante pra certas coisas. Esta série é um bom exemplo, já que se trata de memórias de minha vida, mesmo de datas bastante remotas. Mas, ao mesmo tempo, sou incapaz de me lembrar de uma conta à pagar ou, muito comumente, de uma consulta médica agendada. Isso já me trouxe complicações em escalas distintas. No trabalho, por exemplo, quase me compliquei ao faltar por três vezes no exame médico periódico. Por sorte, na terceira vez, em que eu já estava me esquecendo novamente, a funcionária do centro médico me ligou (na hora em que eu devia estar lá) e pediu que eu corresse lá. Este fato, aliado a tantos outros, me renderam uma agenda como “presente-sacanagem” numa ocasião de confraternização. Logicamente, não me lembrei de usá-la…

Mas, dentre tantas histórias pitorescas, das mais versáteis, acho difícil que alguma supere a ocorrida no fim de semana de 16 e 17 de Dezembro deste ano. Às 2:30 da manhã, eu ainda acordado, resolvo “encafifar” com a compra que eu havia feito havia poucas horas. Passei no supermercado pouco antes da meia-noite, próximo ao horário de fechamento do mesmo. Meio quilo de mussarela, meio de presunto, meio de carne moída… E mais umas pilhas, típica coisa que nos lembramos de comprar enquanto estamos na fila do caixa. A conta, R$ 19,xx.

Uma pequena digressão antes da sequência da história: sempre que vou a este supermercado, que é novo, ocorre algo inusitado. Só neste dia, por exemplo, ocorreram dois (ou três, se considerarmos o fato que vou contar adiante). A funcionária do balcão de frios veio me perguntar quanto era “um quarto de mussarela”. Não sei se eu deveria me espantar com a pergunta. Na hora, me pareceu óbvio que se tratava de 250 gramas, mas, confirmando a expressão exatamente como foi dita, eu tranquilizei a moça, dizendo que a pessoa havia pedido muito mal. Um quarto de mussarela poderia ser meu quarto inteiro cheio de mussarela, ou uma peça de mussarela dividida em quatro! Mas enfim… Além disso, quase minha compra embarca com a cliente que passou na minha frente no caixa. Chegou a ir pro carrinho de compras dela, até que a confusão fosse desfeita.

Voltando à narrativa principal. Por algum motivo, quase três horas depois, me toquei de que não havia guardado o que comprei. Dei uma conferida, e não encontrei. “Droga, esqueci no carro”, comentei. Pacientemente, me calcei e desci… Até o estacionamento, onde, finalmente, me lembrei que também seria interessante se eu tivesse pegado a chave do carro! Parei, voltei, peguei a chave, já puto da vida com minha displicência. Ao descer de novo, já com a útil chave do carro, tive o desprazer de constatar que havia atingido o recorde mór em distração humana: esqueci minha compra no supermercado.

Indignado comigo mesmo, e prestes a perder os 19,xx (como se eu pudesse), resolvi que voltaria logo pela manhã, a fim de salvar a lasanha que minha mãe, que vinha de Campinas, havia prometido pro almoço. Eu tinha a pretensão de encontrar a sacola no mesmo lugar, visto que saí quase na hora de fechar. Mas uma amiga, que acompanhou o drama todo pelo MSN, advertiu: “leve dinheiro”.

Coloquei o relógio para despertar às 7:45, em pleno domingo, mas nem foi preciso esperar tanto. A partir das 7:30, os rojões da bambizada, que se desvairava por conta da final do mundial, já não me deixavam dormir.

Se sou distraído, pelo menos às vezes sou salvo pela sorte (ou pela paciência alheia). Todos os ítens esquecidos por mim estavam anotados numa folha, e como (por milagre) eu havia guardado o cupom fiscal (e até me lembrei de levar, incrível!), pude reaver minha compra. Mas, a frase que ouvi da funcionária que me atendeu, resume toda a repugnância que a situação me causou: “Como assim? São todos os ítens da nota? Você saiu daqui sem nada?”.

É, minha senhora. Fui ao supermercado e saí sem sacola.

My Wonder Years – Merdas acontecem, mas essa…

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(série esporádica de posts despretensiosos sobre histórias inusitadas, em ordem descontínua, de minha vida pacata)

(texto originalmente publicado no Mondo Redondo, em 15/01/2004)

O serviço extra (famoso bico), que eu fora fazer em um residencial afastado alguns kilometros do perímetro urbano, não estava dando muito certo. Quando finalmente abandonei a casa do cliente, prometendo volta no dia seguinte, já era 1 da manhã.

Enfim, ia pra casa, depois de cinco horas de sofrimento lutando contra uma caixa de portas-lógicas (percebe que é nisso que um computador consiste?). Na saída do residencial, para tomar a rodovia que me levaria de volta pra casa, havia um retorno enorme, recém construído. Fazer todo aquele balão para tomar uma entrada a poucos metros a esquerda parecia desnecessário, ainda mais àquela hora. Cortei caminho e peguei a entrada que me parecia óbvia. Se eu tivesse feito o balão, teria lido as placas…

Rodados alguns metros além, percebi que a estrada onde eu deveria estar passava ao lado, separado de mim por grama e cerca. Mas o meu caminho seguia estritamente paralelo, porém em meio ao nada. Logo imaginei que não asfaltariam um trecho no meio do mato que não levasse a lugar algum, e segui. Talvez pelo sono, a única possibilidade que procurava era de haver uma passagem que me levasse de volta à estrada. Assim segui, até que a rua em que estava me apresentou uma curva à direita (minha estrada estava à esquerda!), voltada para o nada.

Com certeza foi o sono… Por um momento pensei virar 180º e voltar ao retorno, o que deveria ter feito de cara. Mas não… Tomado sabe-se lá por qual força do mal, “vi” diante de mim, onde a rua virava, um rastro de terra que “me levaria à minha estrada, enfim”. Fui, devagar… Farol alto, pois, claro, uma rua no meio do nada não tinha luz. Farol alto de fusca ilumina muito bem o que estiver muito à frente, porém não iluminou o buraco que se apresentou a minha frente. Buraco? Na verdade era uma vala. Caberia eu deitado nela (e olha que sou gordinho), tranqüilamente.

Primeiro caíram as rodas da frente no buraco. Na vã esperança de sair dali, engatei a marcha ré… Nada. Sabia que o melhor a fazer era deixar como estava e pedir ajuda. Mas, hei, eu estava no meio do nada, perto de lugar nenhum, a uma e quinze da manhã, sozinho, e sem o celular que eu havia esquecido. Então, desesperadamente, tentei acelerar rapidamente para frente. Consegui enfiar as duas rodas traseiras sentadinhas no buraco, de onde não saíram mais.

Travei todas as portas e liguei o alarme. Escondi o rádio, claro. Saí meio sem rumo em busca de ajuda. Resolvi andar, primeiramente, na direção da rua que subia, aparentemente em direção a nada, pois vi algo que parecia uma fábrica à distância. Chegando lá em cima, descobri que aquele era o fundo da fábrica, mas não havia ninguém ali. Dar a volta nela toda demoraria demais, então resolvi descer. Pulei a grade de arame-farpado que me separava da estrada e caminhei até uma fabrica mais adiante. Ali eu sabia que era a frente da fábrica e tinha vigia, mas nem foi necessário, pois logo avistei um orelhão.

Claro, disquei para casa. Ajuda fraterna as 2 da matina é muito bem-vinda. A partir daí, muito sofrimento para tirar o carro de lá, tanto que foi necessário ainda acordar um tio nosso que morava perto, coitado. Mas, o importante é que eu não estava mais sozinho. É uma sensação horrível.

Não foi possível levantar o carro para tirá-lo do buraco, pois no fusca o motor fica atrás e era muito peso. Então usamos foice e enxada para bolar uma espécie de rampa. Depois usamos algumas pedras para dar fricção às rodas. E, com muito custo, o carro saiu, as 3:35 AM.

Meu fusca da época. Apesar das aventuras, ou até por elas, muita saudade dele.

My Wonder Years – A Valsa

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(ou o meu lado negro)

(série esporádica de posts despretensiosos sobre histórias inusitadas, em ordem descontínua, de minha vida pacata)

(texto originalmente escrito em 24/04/2005)

Como todo homem, eu já levei meus foras. No meu caso em específico, graças a meu físico avantajado (em volume), eles foram muitos, de todos os tipos. Alguns traumáticos, devido a forma grosseira como fui rejeitado. Mas, como homem (e agora estou falando da espécie humana), tenho meu lado negro, e já cometi as minhas grosserias estúpidas.

Quando me convidaram para minha primeira valsa em baile de debutante, confesso que, a despeito do receio de pagar mico e da precupação com roupa decente, eu me senti um pouco… digamos… satisfeito. Enfim, haviam reconhecido meu valor, e eu poderia participar da atração da festa não mais como mero espectador. Minha mente adolescente, inevitavelmente, também pensou na oportunidade de ter uma companheira de dança, o que para um garoto tímido em tempos de seca (como aqueles) era uma oportunidade quase que única para tentar algo.

Quando cheguei a festa, se apressaram em apresentar minha parceira. Logo percebi que, muito além da minha expectativa em relação a garota, estava a dela em relação a mim. Ou melhor, as delas, já que logo percebi que havia um complô para nos unir. Não por acaso. Era algo como: para a patinha feia, o patinho feio.

Sim, ela era feia. Claro que, como eu já deixei bem claro, eu tava longe de ser um galã. Mas, meu… Não adianta dizer que “o importante é ser uma pessoa bacana, beleza não importa”. Quando você tem 15 anos, e está numa festa como aquela, não tem como você se interessar por uma menina que você nem conhece se ela for feia! Ainda mais [mode cabeça_de_adolescente on] feia daquele tanto [mode off]!

“O negócio é beber. Bebe que ela fica mais bonita. Ou, pelo menos, você fica bêbado e nem vai ligar”. E foi assim que, incentivado pelos meus (muy)amigos, comecei a beber, e beber, e beber… Meu intuito era ao menos conseguir dançar. Se ela ficasse bonita o suficiente pra eu ficar com ela (e ela ainda esperava por isso)… Mas nem toda a cerveja daquela noite resolveu de alguma coisa.

Pois acontece que exagerei na dose. Quando a valsa começou, eu estava muito drunk. A primeira coisa que ela me disse, foi: “tá bêbado né?”. Que isso… Só um pouquinho…

Foi, certamente, a música mais longa de toda minha vida. E não (só) pela companhia, mas enquanto a música tocava, e a gente girava, minha cabeça girava, e meu estômago então… Fui tomado por uma náusea incontrolável. Quando bateu a primeira vontade de vomitar, eu pedi imediatamente: “acho melhor a gente parar de girar um pouco”. Mas, a essa altura, pouco adiantava. A música era realmente interminável, e quando ela cessou, logo outra começou a tocar. Eu, imediatamente, já com a sensação de dever cumprido, pedi licença a menina e corri para chamar o Hugo.

Sim, foi horrível. Eu fui realmente estúpido naquele dia. Mas, a consciência só pesou anos depois, com a maturidade. A grande lição para o adolescente Anderson, aquele dia, foi que: se é verdade que não existe mulher feia, a gente é que não bebeu o suficiente, então, em alguns casos, o “suficiente” é muito além do que nosso organismo pode suportar.

My Wonder Years – A Velha Infância Campineira

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(série esporádica de posts despretensiosos sobre histórias inusitadas, em ordem descontínua, de minha vida pacata)

(texto originalmente escrito em 25/01/2005)

Kibon” era tomar sorvete Yopa e, com sorte, encontrar um palito premiado. Pegar a Caloicross e correr pra 1Sergel pra trocar por outro sorvete. E quando não tinha palito premiado, comprar sorvete com 2passe de ônibus. Ou, lá pelas quatro e meia da tarde, ir comprar o delicioso pãozinho do 3Estrela pra comer com doce de leite Nestlé (aqueles de copo de vidro). Depois das cinco, ir correr na 4lagoa com meu pai. Enquanto ele se exercitava, eu brincava. Não no pedalinho… Pra falar a verdade, não me lembro de ter passeado nele, mas certamente devo ter feito isso quando menor.

Bom até mesmo ficar em casa. Abrir meu baú de brinquedos e espalhar a bagunça pelo quarto, ou pela casa toda. Brincar de arquiteto com o Lego. Jogar futebol de botão com os amigos, ou até mesmo sozinho! (O Corinthians sempre era campeão). Estragar a coleção de revistas Placar só pra recortar o rosto dos jogadores e colar no botão.

Foi meu irmão que me ensinou minha primeira atividade lucrativa. Em uma pequena tábua, com dez pregos em cada extremidade (direita e esquerda), enrola-se linhas paralelas. Depois, passa outra trançando. Pronto, muitas pulseirinhas prontas para serem vendidas por míseros cruzeiros, ou cruzados, ou cruzados novos, ou cruzeiros reias, ou… Enfim…

Agora, bom mesmo era juntar com meus irmãos, André e Adriana, e meus primos, Cris, Ricardo e Fabiana, e jogar Banco Imobiliário, Jogo da Vida, Interpol, Guerra ou Paz, Sem Censura, Imagem & Ação, Detetive, Porco, Stop

Notas:
1Sorveteria do bairro Parque Taquaral, em Campinas;
2Vale-transporte;
3Supermercado também do bairro Parque Taquaral (do lado da Sergel, embora por referência, era o contrário). Depois trocou de nome e agora nem existe mais;
4Parque Portugal, mais conhecido como Taquaral. Parque campineiro com uma lagoa no meio. Local de lazer e atividades esportivas. Em volta da lagoa há uma pista para corridas. Mas as pessoas também gostam de correr na calçada, em volta do parque, perdendo o visual da água.

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