My Wonder Years
Série esporádica de posts despretensiosos sobre histórias inusitadas, em ordem descontínua, de minha vida pacata.
Nem Alexandre, nem Wanderson…
2Depois de ter sido chamado de Alexandre por um colega de trabalho pela segunda vez na semana, não tive como não lembrar de um texto sobre o meu nome que postei no Rapsódia (antigo blog) há oito anos.
(texto originalmente escrito em 28/02/2003)
Meu nome é Anderson, e talvez por eu usá-lo desde que nasci, pra mim é um nome super comum e de fácil pronuncia e escrita. Gostaria até da opinião de meus amigos leitores. É um nome muito complicado é? Pois as pessoas insistem em trocá-lo por qualquer outra coisa, muitas vezes até mais complicado.
Bom, a confusão começou logo quando eu nasci. Meu irmãozinho com seus dois anos de idade achava muito complicado o nome e, com sua simplicidade infantil, passou a me chamar de Nenê. Até aí tudo bem, exceto pelo fato de minha família me chamar assim até hoje e de ainda haver quem faça piadinha sem noção.
Vamos lá, não é tão difícil. AN – DER – SON. Simples.
Hoje mesmo já me chamaram de Anselmo (?) e Wanderson. WANDERSON NÃO!!!! É engraçado que eu ache meu nome tão bonito e a simples inclusão de um W torne-o TÃO ridículo¹. Mas a lista de nomes que usam é grande. Alguns são sonoramente perdoáveis, como Éderson, Adson… Adilson, forçando a barra. Agora, o mais comum deles, ninguém vai acreditar. Por algum motivo que mentes humanas jamais explicarão, pessoas diferentes de lugares remotos têm uma insistência incontrolável de achar que me chamo Alexandre. Valha-me!!!
O engraçado é que eu não gosto de ficar corrigindo. As vezes alguém passa tempos me chamando por um outro nome e só depois é que ficam sabendo que estavam pronunciando errado. Mas quando eu invento de corrigir… Um advogado/amigo/cliente, por mais que eu o corrigisse, me chamava de Alexandre, e me chamaria ainda hoje caso o encontrasse. Assim como quem me confunde com o meu irmão, mas aí o problema é outro, já que André é bem diferente.
Pra vocês, amigos “digitais”, pode ser Andy² mesmo. Mesmo que eu, aqui, pronuncie ândi, enquanto todos pronunciam, até mais corretamente, endi. Sintam-se a vontade, desde que não me chamem de Wanderson*.
- Se alguém aí se chamar Wanderson, ou tiver alguém próximo com esse nome, não leve a mal. Nada contra. Só não gosto pra mim.
- Naquele tempo ainda usava Andy, mas depois de um tempo acabei adotando Ândi mesmo, assim já resolve a dúvida na pronúncia.
O dia em que desisti de ter uma banda
2(série esporádica de posts despretensiosos sobre histórias inusitadas, em ordem descontínua, de minha vida pacata)
Eu nunca fui um músico minimamente razoável, mas sempre quis ter uma banda. E o mais perto que cheguei disso foi entre o final de 99, começo de 2000. Foi a época em que eu mais treinava com meu violão Di Giorgi e a velha Dolphin, uma guitarra que comprei uns dois anos antes.
Duas curiosidades sobre minha antiga guitarra:
- Comprei-a usada. Quem me vendeu foi o meu professor de violão/guitarra da época. Segundo ele, a guitarra era de uma menina, que resolvera vende-la pois agora estava mais interessada em tocar outros “instrumentos”…
- Quando fui comprar um amp pra ela, numa velha loja de um velho rabugento bem conhecido entre os músicos da cidade, o velho me deu sua simpática opinião sobre a minha nova aquisição: “se a Dolphin fosse boa a fábrica não tinha falido”.
Eu não sabia tocar muita coisa, mas para Rock Nacional não é preciso muito também. Dava pra fazer umas bagunças, e foi numa delas, com amigos do Tiro de Guerra, que alguns colegas que estavam começando uma banda me convidaram para ensaiar com eles.
Isso foi em Dezembro de 99, mas como era fim de ano, festas e viagens, a primeira oportunidade para ensaio veio só no dia 14 de Janeiro de 2000.
Claro que nenhum desses colegas eram corinthianos, pois se fossem, teriam lembrado que esse era o dia da final do 1º Mundial de Clubes da Fifa!
Mesmo assim eu topei. Afinal, o horário combinado era mais ou menos o previsto para o término do jogo… Chegaria um pouco atrasado, mas, tudo bem.
O jogo transcorreu naquela tensão, e praticamente não me lembrei do tal ensaio até a metade do 2º tempo. Só que o jogo continuava 0 x 0, e eu me toquei que, com prorrogação, eu atrasaria ainda mais. Deixei tudo preparado, guitarra no case, amplificador e cabos já desplugados e separados… Mas nada de gol. Nem no jogo, nem na prorrogação. Decisão nos penaltis.
Eu sabia que a melhor chance de eu ir ao tal ensaio era se o pior acontecesse, mas a essa altura eu já dava o título como certo, afinal, nós tínhamos Dida no gol! E ele não decepcionou, pegou a cobrança do Gilberto do Vasco. Mas o Marcelinho errou a dele, e o título acabou vindo, por ironia do destino, no erro do Edmundo, velho ídolo do rival Palmeiras.
A maior alegria do torcedor corinthiano (pelo menos em importância). Tinha que ser comemorada como tal! Mas e o ensaio? Dane-se! Mas e se nunca mais te chamarem para outro ensaio? Dane-se! É o Timão! Campeão do Mundo!
Ainda consegui, mesmo em momento de euforia extrema, ligar para meu amigo e avisá-lo que eu não poderia ir, pois estava saindo para comemorar o título. Me pareceu a forma mais honesta de tentar deixar o convite aberto, mas a verdade é que nunca houve uma segunda oportunidade com eles.
É muito provável que eu não tivesse vida longa na música, e que aquela ocasião não passasse de uma brincadeira de amigos. Mas se era a oportunidade de eu ter uma banda, ainda que de garagem, naquele dia eu perdi.
Mas quem se importa? Que corinthiano não trocaria isso pelo título mais importante de sua história?
My Wonder Years – Ando meio desligado
1(série esporádica de posts despretensiosos sobre histórias inusitadas, em ordem descontínua, de minha vida pacata)
(texto originalmente escrito em 26/12/2005)
Eu e minha velha mania de relacionar músicas à minha personalidade. Lembro-me do dia em que estava assistindo o show do Pato Fú e comentei com minha namorada: “repare se essa não é a minha música”. A gargalhada dela depois do primeiro verso já entrega: “Ando meio desligado…”.
Eu sou, desde sempre, extremamente, excepcionalmente, incrivelmente, imensuravelmente distraído. O engraçado é que tenho (pelo menos dizem que tenho) memória de elefante pra certas coisas. Esta série é um bom exemplo, já que se trata de memórias de minha vida, mesmo de datas bastante remotas. Mas, ao mesmo tempo, sou incapaz de me lembrar de uma conta à pagar ou, muito comumente, de uma consulta médica agendada. Isso já me trouxe complicações em escalas distintas. No trabalho, por exemplo, quase me compliquei ao faltar por três vezes no exame médico periódico. Por sorte, na terceira vez, em que eu já estava me esquecendo novamente, a funcionária do centro médico me ligou (na hora em que eu devia estar lá) e pediu que eu corresse lá. Este fato, aliado a tantos outros, me renderam uma agenda como “presente-sacanagem” numa ocasião de confraternização. Logicamente, não me lembrei de usá-la…
Mas, dentre tantas histórias pitorescas, das mais versáteis, acho difícil que alguma supere a ocorrida no fim de semana de 16 e 17 de Dezembro deste ano. Às 2:30 da manhã, eu ainda acordado, resolvo “encafifar” com a compra que eu havia feito havia poucas horas. Passei no supermercado pouco antes da meia-noite, próximo ao horário de fechamento do mesmo. Meio quilo de mussarela, meio de presunto, meio de carne moída… E mais umas pilhas, típica coisa que nos lembramos de comprar enquanto estamos na fila do caixa. A conta, R$ 19,xx.
Uma pequena digressão antes da sequência da história: sempre que vou a este supermercado, que é novo, ocorre algo inusitado. Só neste dia, por exemplo, ocorreram dois (ou três, se considerarmos o fato que vou contar adiante). A funcionária do balcão de frios veio me perguntar quanto era “um quarto de mussarela”. Não sei se eu deveria me espantar com a pergunta. Na hora, me pareceu óbvio que se tratava de 250 gramas, mas, confirmando a expressão exatamente como foi dita, eu tranquilizei a moça, dizendo que a pessoa havia pedido muito mal. Um quarto de mussarela poderia ser meu quarto inteiro cheio de mussarela, ou uma peça de mussarela dividida em quatro! Mas enfim… Além disso, quase minha compra embarca com a cliente que passou na minha frente no caixa. Chegou a ir pro carrinho de compras dela, até que a confusão fosse desfeita.
Voltando à narrativa principal. Por algum motivo, quase três horas depois, me toquei de que não havia guardado o que comprei. Dei uma conferida, e não encontrei. “Droga, esqueci no carro”, comentei. Pacientemente, me calcei e desci… Até o estacionamento, onde, finalmente, me lembrei que também seria interessante se eu tivesse pegado a chave do carro! Parei, voltei, peguei a chave, já puto da vida com minha displicência. Ao descer de novo, já com a útil chave do carro, tive o desprazer de constatar que havia atingido o recorde mór em distração humana: esqueci minha compra no supermercado.
Indignado comigo mesmo, e prestes a perder os 19,xx (como se eu pudesse), resolvi que voltaria logo pela manhã, a fim de salvar a lasanha que minha mãe, que vinha de Campinas, havia prometido pro almoço. Eu tinha a pretensão de encontrar a sacola no mesmo lugar, visto que saí quase na hora de fechar. Mas uma amiga, que acompanhou o drama todo pelo MSN, advertiu: “leve dinheiro”.
Coloquei o relógio para despertar às 7:45, em pleno domingo, mas nem foi preciso esperar tanto. A partir das 7:30, os rojões da bambizada, que se desvairava por conta da final do mundial, já não me deixavam dormir.
Se sou distraído, pelo menos às vezes sou salvo pela sorte (ou pela paciência alheia). Todos os ítens esquecidos por mim estavam anotados numa folha, e como (por milagre) eu havia guardado o cupom fiscal (e até me lembrei de levar, incrível!), pude reaver minha compra. Mas, a frase que ouvi da funcionária que me atendeu, resume toda a repugnância que a situação me causou: “Como assim? São todos os ítens da nota? Você saiu daqui sem nada?”.
É, minha senhora. Fui ao supermercado e saí sem sacola.
My Wonder Years – Merdas acontecem, mas essa…
0(série esporádica de posts despretensiosos sobre histórias inusitadas, em ordem descontínua, de minha vida pacata)
(texto originalmente publicado no Mondo Redondo, em 15/01/2004)
O serviço extra (famoso bico), que eu fora fazer em um residencial afastado alguns kilometros do perímetro urbano, não estava dando muito certo. Quando finalmente abandonei a casa do cliente, prometendo volta no dia seguinte, já era 1 da manhã.
Enfim, ia pra casa, depois de cinco horas de sofrimento lutando contra uma caixa de portas-lógicas (percebe que é nisso que um computador consiste?). Na saída do residencial, para tomar a rodovia que me levaria de volta pra casa, havia um retorno enorme, recém construído. Fazer todo aquele balão para tomar uma entrada a poucos metros a esquerda parecia desnecessário, ainda mais àquela hora. Cortei caminho e peguei a entrada que me parecia óbvia. Se eu tivesse feito o balão, teria lido as placas…
Rodados alguns metros além, percebi que a estrada onde eu deveria estar passava ao lado, separado de mim por grama e cerca. Mas o meu caminho seguia estritamente paralelo, porém em meio ao nada. Logo imaginei que não asfaltariam um trecho no meio do mato que não levasse a lugar algum, e segui. Talvez pelo sono, a única possibilidade que procurava era de haver uma passagem que me levasse de volta à estrada. Assim segui, até que a rua em que estava me apresentou uma curva à direita (minha estrada estava à esquerda!), voltada para o nada.
Com certeza foi o sono… Por um momento pensei virar 180º e voltar ao retorno, o que deveria ter feito de cara. Mas não… Tomado sabe-se lá por qual força do mal, “vi” diante de mim, onde a rua virava, um rastro de terra que “me levaria à minha estrada, enfim”. Fui, devagar… Farol alto, pois, claro, uma rua no meio do nada não tinha luz. Farol alto de fusca ilumina muito bem o que estiver muito à frente, porém não iluminou o buraco que se apresentou a minha frente. Buraco? Na verdade era uma vala. Caberia eu deitado nela (e olha que sou gordinho), tranqüilamente.
Primeiro caíram as rodas da frente no buraco. Na vã esperança de sair dali, engatei a marcha ré… Nada. Sabia que o melhor a fazer era deixar como estava e pedir ajuda. Mas, hei, eu estava no meio do nada, perto de lugar nenhum, a uma e quinze da manhã, sozinho, e sem o celular que eu havia esquecido. Então, desesperadamente, tentei acelerar rapidamente para frente. Consegui enfiar as duas rodas traseiras sentadinhas no buraco, de onde não saíram mais.
Travei todas as portas e liguei o alarme. Escondi o rádio, claro. Saí meio sem rumo em busca de ajuda. Resolvi andar, primeiramente, na direção da rua que subia, aparentemente em direção a nada, pois vi algo que parecia uma fábrica à distância. Chegando lá em cima, descobri que aquele era o fundo da fábrica, mas não havia ninguém ali. Dar a volta nela toda demoraria demais, então resolvi descer. Pulei a grade de arame-farpado que me separava da estrada e caminhei até uma fabrica mais adiante. Ali eu sabia que era a frente da fábrica e tinha vigia, mas nem foi necessário, pois logo avistei um orelhão.
Claro, disquei para casa. Ajuda fraterna as 2 da matina é muito bem-vinda. A partir daí, muito sofrimento para tirar o carro de lá, tanto que foi necessário ainda acordar um tio nosso que morava perto, coitado. Mas, o importante é que eu não estava mais sozinho. É uma sensação horrível.
Não foi possível levantar o carro para tirá-lo do buraco, pois no fusca o motor fica atrás e era muito peso. Então usamos foice e enxada para bolar uma espécie de rampa. Depois usamos algumas pedras para dar fricção às rodas. E, com muito custo, o carro saiu, as 3:35 AM.

- Meu fusca da época. Apesar das aventuras, ou até por elas, muita saudade dele.
My Wonder Years – A Valsa
0(ou o meu lado negro)
(série esporádica de posts despretensiosos sobre histórias inusitadas, em ordem descontínua, de minha vida pacata)
(texto originalmente escrito em 24/04/2005)

Como todo homem, eu já levei meus foras. No meu caso em específico, graças a meu físico avantajado (em volume), eles foram muitos, de todos os tipos. Alguns traumáticos, devido a forma grosseira como fui rejeitado. Mas, como homem (e agora estou falando da espécie humana), tenho meu lado negro, e já cometi as minhas grosserias estúpidas.
Quando me convidaram para minha primeira valsa em baile de debutante, confesso que, a despeito do receio de pagar mico e da precupação com roupa decente, eu me senti um pouco… digamos… satisfeito. Enfim, haviam reconhecido meu valor, e eu poderia participar da atração da festa não mais como mero espectador. Minha mente adolescente, inevitavelmente, também pensou na oportunidade de ter uma companheira de dança, o que para um garoto tímido em tempos de seca (como aqueles) era uma oportunidade quase que única para tentar algo.
Quando cheguei a festa, se apressaram em apresentar minha parceira. Logo percebi que, muito além da minha expectativa em relação a garota, estava a dela em relação a mim. Ou melhor, as delas, já que logo percebi que havia um complô para nos unir. Não por acaso. Era algo como: para a patinha feia, o patinho feio.
Sim, ela era feia. Claro que, como eu já deixei bem claro, eu tava longe de ser um galã. Mas, meu… Não adianta dizer que “o importante é ser uma pessoa bacana, beleza não importa”. Quando você tem 15 anos, e está numa festa como aquela, não tem como você se interessar por uma menina que você nem conhece se ela for feia! Ainda mais [mode cabeça_de_adolescente on] feia daquele tanto [mode off]!
“O negócio é beber. Bebe que ela fica mais bonita. Ou, pelo menos, você fica bêbado e nem vai ligar”. E foi assim que, incentivado pelos meus (muy)amigos, comecei a beber, e beber, e beber… Meu intuito era ao menos conseguir dançar. Se ela ficasse bonita o suficiente pra eu ficar com ela (e ela ainda esperava por isso)… Mas nem toda a cerveja daquela noite resolveu de alguma coisa.
Pois acontece que exagerei na dose. Quando a valsa começou, eu estava muito drunk. A primeira coisa que ela me disse, foi: “tá bêbado né?”. Que isso… Só um pouquinho…
Foi, certamente, a música mais longa de toda minha vida. E não (só) pela companhia, mas enquanto a música tocava, e a gente girava, minha cabeça girava, e meu estômago então… Fui tomado por uma náusea incontrolável. Quando bateu a primeira vontade de vomitar, eu pedi imediatamente: “acho melhor a gente parar de girar um pouco”. Mas, a essa altura, pouco adiantava. A música era realmente interminável, e quando ela cessou, logo outra começou a tocar. Eu, imediatamente, já com a sensação de dever cumprido, pedi licença a menina e corri para chamar o Hugo.
Sim, foi horrível. Eu fui realmente estúpido naquele dia. Mas, a consciência só pesou anos depois, com a maturidade. A grande lição para o adolescente Anderson, aquele dia, foi que: se é verdade que não existe mulher feia, a gente é que não bebeu o suficiente, então, em alguns casos, o “suficiente” é muito além do que nosso organismo pode suportar.
My Wonder Years – A Velha Infância Campineira
2(série esporádica de posts despretensiosos sobre histórias inusitadas, em ordem descontínua, de minha vida pacata)
(texto originalmente escrito em 25/01/2005)
“Kibon” era tomar sorvete Yopa e, com sorte, encontrar um palito premiado. Pegar a Caloicross e correr pra 1Sergel pra trocar por outro sorvete. E quando não tinha palito premiado, comprar sorvete com 2passe de ônibus. Ou, lá pelas quatro e meia da tarde, ir comprar o delicioso pãozinho do 3Estrela pra comer com doce de leite Nestlé (aqueles de copo de vidro). Depois das cinco, ir correr na 4lagoa com meu pai. Enquanto ele se exercitava, eu brincava. Não no pedalinho… Pra falar a verdade, não me lembro de ter passeado nele, mas certamente devo ter feito isso quando menor.
Bom até mesmo ficar em casa. Abrir meu baú de brinquedos e espalhar a bagunça pelo quarto, ou pela casa toda. Brincar de arquiteto com o Lego. Jogar futebol de botão com os amigos, ou até mesmo sozinho! (O Corinthians sempre era campeão). Estragar a coleção de revistas Placar só pra recortar o rosto dos jogadores e colar no botão.
Foi meu irmão que me ensinou minha primeira atividade lucrativa. Em uma pequena tábua, com dez pregos em cada extremidade (direita e esquerda), enrola-se linhas paralelas. Depois, passa outra trançando. Pronto, muitas pulseirinhas prontas para serem vendidas por míseros cruzeiros, ou cruzados, ou cruzados novos, ou cruzeiros reias, ou… Enfim…
Agora, bom mesmo era juntar com meus irmãos, André e Adriana, e meus primos, Cris, Ricardo e Fabiana, e jogar Banco Imobiliário, Jogo da Vida, Interpol, Guerra ou Paz, Sem Censura, Imagem & Ação, Detetive, Porco, Stop…
Notas:
1Sorveteria do bairro Parque Taquaral, em Campinas;
2Vale-transporte;
3Supermercado também do bairro Parque Taquaral (do lado da Sergel, embora por referência, era o contrário). Depois trocou de nome e agora nem existe mais;
4Parque Portugal, mais conhecido como Taquaral. Parque campineiro com uma lagoa no meio. Local de lazer e atividades esportivas. Em volta da lagoa há uma pista para corridas. Mas as pessoas também gostam de correr na calçada, em volta do parque, perdendo o visual da água.
My Wonder Years – Período pós-cirurgico
0(série esporádica de posts despretensiosos sobre histórias inusitadas, em ordem descontínua, de minha vida pacata)
(texto originalmente escrito em 24/01/2005)
Enquanto o lombo pendia para os céus, pós cirurgia (vide primeiro post da série), as coisas sucediam em minha vida. Incrível como aquele período me afetou, direta e indiretamente. Passei a maior parte do tempo lendo ou vendo filmes (a conta na locadora foi alta), exceto no horário do Chaves e Chapolim (a grande vantagem de estar em casa em dia de semana à tarde). E creio que principalmente pelos livros, mas também por passar tempo demais ocioso, minha cabeça mudou bastante. Começava a vislumbrar uma vida diferente para mim. Tudo estava tão igual havia tanto tempo, e a oportunidade de mudar batia à porta. Foram dias difíceis (não só estes como os que precederam), e eu estava desapontado com algumas coisas e pessoas. O namoro não ía bem, o emprego não ía bem…
Minha personalidade canceriana sempre evitou mudanças bruscas em minha vida. Eu me apegava demais a tudo que me cercava, e tinha extrema dificuldade em romper com o que quer que fosse. Pois, acho que foram os livros… Os de filosofia, em especial… Ou talvez tenha sido a recente e dolorosa experiência por qual passara. Só sei que eu estava extremamente frio e calculista naqueles dias, naquela “cama” (na verdade eu pus o colchão na sala). Dei fim ao namoro que eu relutava em aceitar que já havia acabado. Aceitei uma proposta de trabalho que veio, convenientemente, nos últimos dias do tratamento. E, por fim, as tão esperadas aprovações nos três vestibulares que prestei.
Todos estes fatos, desde às últimas provas dos vestibulares até as aprovações, passando por cirurgia, término de namoro e proposta de emprego, ocorreram em um curto período de no máximo 45 dias. O marco foi o dia 1º de Março de 2002, quando no mesmo dia, com a cabeça já raspada, eu ingressava na universidade e iniciava em um novo emprego, após mais de cinco anos.
Mas um dia ainda vou contar aqui, nesta série, sobre a véspera desse dia 1º de Março, que teve um churrasco com a galera do cursinho que foi aprovada. Um dos dias mais gostosos de toda a minha vida…
Adhoc: Está na hora de eu começar a colocar trilha sonora nessa série. Claro, sempre músicas que eu ouvia, relacionadas com as histórias.
A música abaixo era a trilha de um dos filmes que assisti no período de recuperação. Coincidência ou não, tem tudo a ver com o que contei acima.
Things Have Changed
Bob DylanA worried man with a worried mind
No one in front of me and nothing behind
There’s a woman on my lap and she’s drinking champagne
Got white skin, got assassin’s eyes
I’m looking up into the sapphire tinted skies
I’m well dressed, waiting on the last trainBridge #1:
Standing on the gallows with my head in a noose
Any minute now I’m expecting all hell to break looseChorus
People are crazy and times are strange
I’m locked in tight, I’m out of range
I used to care, but things have changedThis place ain’t doing me any good
I’m in the wrong town, I should be in Hollywood
Just for a second there I thought I saw something move
Gonna take dancing lessons do the jitterbug rag
Ain’t no shortcuts, gonna dress in drag
Only a fool in here would think he’s got anything to proveBridge #2
Lot of water under the bridge, Lot of other stuff too
Don’t get up gentlemen, I’m only passing through(chorus)
I’ve been walking forty miles of bad road
If the bible is right, the world will explode
I’ve been trying to get as far away from myself as I can
Some things are too hot to touch
The human mind can only stand so much
You can’t win with a losing handBridge #3
Feel like falling in love with the first woman I meet
Putting her in a wheel barrow and wheeling her down the street(chorus)
I hurt easy, I just don’t show it
You can hurt someone and not even know it
The next sixty seconds could be like an eternity
Gonna get low down, gonna fly high
All the truth in the world adds up to one big lie
I’m in love with a woman who don’t even appeal to meBridge #4
Mr. Jinx and Miss Lucy, they jumped in the lake
I’m not that eager to make a mistake(chorus)
My Wonder Years – O Vestibular
3No meu antigo blog eu cheguei a escrever cerca de uma dezena de textos numa série a qual dei o nome de My Wonder Years, e a descrevia como uma série esporádica de posts despretensiosos sobre histórias inusitadas, em ordem descontínua, de minha vida pacata. Resolvi transpor os textos dessa série pra cá, um por semana. Talvez pule alguns, porque tem histórias que ficaram chatinhas. Quando acabar, tento contar mais histórias curiosas dos meus anos idos.
O Vestibular – Janeiro de 2002
(texto originalmente escrito em 17/01/2005)
É a velha mania de deixar tudo pra depois. Eu estava com um problema na região do cóccix, causado por uma fístula (mas isso só vim a saber depois), que me acometia aleatoriamente desde 99. Sempre que inflamava, eu mal podia me sentar. Secreções sangüíneas apareciam às vezes. Era uma dor terrível, mas mesmo assim, prorroguei a resolução do problema (não me pergunte por quê, mas provavelmente por aquilo acontecer muito de vez em quando e sumir em poucos dias).
Pois era a véspera da primeira prova da segunda fase da Fuvest quando a inflamação resolver ter sua pior crise. Começou na noite de sexta pra sábado. Uma dor que de tão insuportável, me deixou na dúvida entre ficar quieto, gemendo, ou ir até o pronto-socorro, tendo que sentar e dirigir (eu estava sozinho em casa). Fui, e tomei uma injeção que amenizou a dor, mas não resolveu o problema. Tanto que não consegui dormir.
Duranto o sábado, eu queria acreditar que a dor passaria, mas não passava. Ao contrário, aumentava, e voltei ao pronto-socorro. Depois de muito esperar, fui atendido, e o plantonista me disse que, possívelmente, eu precisaria passar por cirurgia, mas que devia procurar um especialista na segunda. Segunda? A prova do vestibular era no domingo! “Bom, tome estes remédios. São analgésicos. Amanhã, antes de ir fazer a prova, passe para tomar uma injeção de Voltaren, pra suportar a dor”.
Naquele dia ainda briguei com a namorada (da época), que me chamou de irresponsável por não ter visto isso antes.
Foi deste jeito que fui para a prova que decidiria meu futuro: duas noites praticamente sem dormir, brigado com a namorada, e com aquela dor totalmente insuportável. Pensei várias vezes em desistir, mas depois de tanto sofrimento pra conseguir uma vaga em cursinho popular… De tanto empenho pra estudar e trabalhar… Cogitei então faltar àquela prova apenas. Mas era a prova de português e redação. As outras seriam de Matemática e Física, então eu sabia que era naquela que eu tinha que ir bem. Fui ao pronto-socorro, e depois para o local da prova, no banco de trás do carro, deitado. Como iria aguentar quatro horas sentado? Suava muito. E não era o calor do verão, porque o dia até estava fresco. Durante o tempo que precedeu a prova, fiquei em pé na porta da sala. Várias fiscais vieram me perguntar se eu estava bem, e se tinha condições de fazer a prova. Eu disse que sim, mas que por favor, me deixassem em pé até que começasse a prova.
A prova começou, e sentei na ponta da cadeira. Comecei pelas questões, e pelo menos o medo de ir mal devido a tantos problemas, começou a se afastar. Eu estava destruindo a prova! Respondi todas as questões, embora uma ou duas tenham sido bem no chute mesmo (até que é uma boa média pra segunda fase). O tema da redação era educação familiar, ou coisa assim. Mas pouco importa, fiz ela toda, sem muita enrolação, e saí dali, mancando de tanto me apoiar em um lado só. De lá fui direto para outro pronto-socorro, tomar outra injeção de Voltaren. Estava demais.
No mesmo dia, a inflamação estourou, e o que parecia que seria pior, foi o que começou a aliviar a dor. A segunda prova da segunda fase era apenas na quarta, e até lá eu já estava melhor, embora ainda precisasse me equilibrar na cadeira pra fazer a prova.
Tinha mesmo que ser. Foi justamente aquela prova de Português que me fez passar. Dos 40 pontos possíveis, fiz mais de 30, o que me colocou acima da média dos candidatos (nesta prova). E no dia 23 de Janeiro, após as provas do vestibular da UFSCar, fiz a remoção do cisto pilonidal, o que me deixou mais de um mês, literalmente, “com a bunda pra lua”. Mas isto é uma outra história. E é apenas o começo de meses turbulentos que mudaram a minha vida.
PS: Nem preciso dizer que todas aquelas histórias (como chocolate, alongamento, comer isso, não comer aquilo) pra “relaxar” na hora da prova e manter a concentração, pra mim, é lenda né? Levem caneta, lápis, borracha, água, conhecimento e cérebro. É do que precisam.


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