Aconteceu comigo

Desabafos do meu cotidiano e histórias de fatos passados.

My Wonder Years – Período pós-cirurgico

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(série esporádica de posts despretensiosos sobre histórias inusitadas, em ordem descontínua, de minha vida pacata)

(texto originalmente escrito em 24/01/2005)

Enquanto o lombo pendia para os céus, pós cirurgia (vide primeiro post da série), as coisas sucediam em minha vida. Incrível como aquele período me afetou, direta e indiretamente. Passei a maior parte do tempo lendo ou vendo filmes (a conta na locadora foi alta), exceto no horário do Chaves e Chapolim (a grande vantagem de estar em casa em dia de semana à tarde). E creio que principalmente pelos livros, mas também por passar tempo demais ocioso, minha cabeça mudou bastante. Começava a vislumbrar uma vida diferente para mim. Tudo estava tão igual havia tanto tempo, e a oportunidade de mudar batia à porta. Foram dias difíceis (não só estes como os que precederam), e eu estava desapontado com algumas coisas e pessoas. O namoro não ía bem, o emprego não ía bem…

Minha personalidade canceriana sempre evitou mudanças bruscas em minha vida. Eu me apegava demais a tudo que me cercava, e tinha extrema dificuldade em romper com o que quer que fosse. Pois, acho que foram os livros… Os de filosofia, em especial… Ou talvez tenha sido a recente e dolorosa experiência por qual passara. Só sei que eu estava extremamente frio e calculista naqueles dias, naquela “cama” (na verdade eu pus o colchão na sala). Dei fim ao namoro que eu relutava em aceitar que já havia acabado. Aceitei uma proposta de trabalho que veio, convenientemente, nos últimos dias do tratamento. E, por fim, as tão esperadas aprovações nos três vestibulares que prestei.

Todos estes fatos, desde às últimas provas dos vestibulares até as aprovações, passando por cirurgia, término de namoro e proposta de emprego, ocorreram em um curto período de no máximo 45 dias. O marco foi o dia 1º de Março de 2002, quando no mesmo dia, com a cabeça já raspada, eu ingressava na universidade e iniciava em um novo emprego, após mais de cinco anos.

Mas um dia ainda vou contar aqui, nesta série, sobre a véspera desse dia 1º de Março, que teve um churrasco com a galera do cursinho que foi aprovada. Um dos dias mais gostosos de toda a minha vida…

Adhoc: Está na hora de eu começar a colocar trilha sonora nessa série. Claro, sempre músicas que eu ouvia, relacionadas com as histórias.

A música abaixo era a trilha de um dos filmes que assisti no período de recuperação. Coincidência ou não, tem tudo a ver com o que contei acima.

Things Have Changed
Bob Dylan

A worried man with a worried mind
No one in front of me and nothing behind
There’s a woman on my lap and she’s drinking champagne
Got white skin, got assassin’s eyes
I’m looking up into the sapphire tinted skies
I’m well dressed, waiting on the last train

Bridge #1:
Standing on the gallows with my head in a noose
Any minute now I’m expecting all hell to break loose

Chorus
People are crazy and times are strange
I’m locked in tight, I’m out of range
I used to care, but things have changed

This place ain’t doing me any good
I’m in the wrong town, I should be in Hollywood
Just for a second there I thought I saw something move
Gonna take dancing lessons do the jitterbug rag
Ain’t no shortcuts, gonna dress in drag
Only a fool in here would think he’s got anything to prove

Bridge #2
Lot of water under the bridge, Lot of other stuff too
Don’t get up gentlemen, I’m only passing through

(chorus)

I’ve been walking forty miles of bad road
If the bible is right, the world will explode
I’ve been trying to get as far away from myself as I can
Some things are too hot to touch
The human mind can only stand so much
You can’t win with a losing hand

Bridge #3
Feel like falling in love with the first woman I meet
Putting her in a wheel barrow and wheeling her down the street

(chorus)

I hurt easy, I just don’t show it
You can hurt someone and not even know it
The next sixty seconds could be like an eternity
Gonna get low down, gonna fly high
All the truth in the world adds up to one big lie
I’m in love with a woman who don’t even appeal to me

Bridge #4
Mr. Jinx and Miss Lucy, they jumped in the lake
I’m not that eager to make a mistake

(chorus)

Derby

Drops do final de semana – O Derby

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  • A foto acima resume bem o final de semana, especialmente o domingo de churras em dia de derby, para celebrar ao noivado dos cunhadinhos. Parabéns Welington e Aline! :)
  • Os palmeirenses eram maioria esmagadora em casa, mas só eu gritei gol, com Bruno César, um dos três melhores em campo, junto com Elias e Julio César.
  • Primeiro tempo impecável do Timão. No segundo tempo, Tite mostrou sua cara. Com ele, é isso aí. Fazer 1 x 0 e segurar pressão. Às vezes dá certo, às vezes não… Mas, por ontem, 1 x 0 foi goleada.
  • Não bastasse ganhar o Derby, o Timão ainda viu os principais rivais e os principais concorrentes ao título tropeçarem. O mais lindo foi o tropeço do Santos na Vila, depois de estar ganhando por 2 x 0, e com penalti perdido pelo Neymar no fim do jogo. Mas o golaço do Diego, ex-péssimo-zagueiro do Timão, em cima dos bambis também foi bacana!
  • O ótimo Domingo, no entanto, não começou muito bem. Resolvi jogar uma água no meu carro, e foi só quando descobri que algum CORNO bateu na traseira dele esses dias, E bateu forte, pelas marcas deixadas no para-choque. Provavelmente com ele estacionado né, ou fatalmente eu teria percebido. Nessas horas a gente para e pensa: bonzinho só se fode! É a segunda vez que batem na traseira dele em um ano. Da primeira o cara deu calote, e agora, nem sei onde foi! Em compensação, quando encostei no carro do vizinho ao sair da garagem, fui lá tocar a campainha dele… É isso, tem horas que ser honesto não compensa, porque ninguém é com a gente.
  • O Altas Horas foi legal de novo, especialmente pela participação do Teatro Mágico. Esteve também a Adriana Partimpim, e a platéia era toda formada por crianças. O que gerava perguntas e comentários curiosos… Mas dessa vez não deu pra assistir inteiro não.
  • Última semana de campanha eleitoral. UFA! Não vejo a hora que acaba isso tudo, porque está dando asco. Principalmente a “cobertura da imprensa”.
  • Ah, e não esqueça, dia 31 vote 13. :)

My Wonder Years – O Vestibular

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No meu antigo blog eu cheguei a escrever cerca de uma dezena de textos numa série a qual dei o nome de My Wonder Years, e a descrevia como uma série esporádica de posts despretensiosos sobre histórias inusitadas, em ordem descontínua, de minha vida pacata. Resolvi transpor os textos dessa série pra cá, um por semana. Talvez pule alguns, porque tem histórias que ficaram chatinhas. Quando acabar, tento contar mais histórias curiosas dos meus anos idos.


O Vestibular – Janeiro de 2002

(texto originalmente escrito em 17/01/2005)

É a velha mania de deixar tudo pra depois. Eu estava com um problema na região do cóccix, causado por uma fístula (mas isso só vim a saber depois), que me acometia aleatoriamente desde 99. Sempre que inflamava, eu mal podia me sentar. Secreções sangüíneas apareciam às vezes. Era uma dor terrível, mas mesmo assim, prorroguei a resolução do problema (não me pergunte por quê, mas provavelmente por aquilo acontecer muito de vez em quando e sumir em poucos dias).

Pois era a véspera da primeira prova da segunda fase da Fuvest quando a inflamação resolver ter sua pior crise. Começou na noite de sexta pra sábado. Uma dor que de tão insuportável, me deixou na dúvida entre ficar quieto, gemendo, ou ir até o pronto-socorro, tendo que sentar e dirigir (eu estava sozinho em casa). Fui, e tomei uma injeção que amenizou a dor, mas não resolveu o problema. Tanto que não consegui dormir.

Duranto o sábado, eu queria acreditar que a dor passaria, mas não passava. Ao contrário, aumentava, e voltei ao pronto-socorro. Depois de muito esperar, fui atendido, e o plantonista me disse que, possívelmente, eu precisaria passar por cirurgia, mas que devia procurar um especialista na segunda. Segunda? A prova do vestibular era no domingo! “Bom, tome estes remédios. São analgésicos. Amanhã, antes de ir fazer a prova, passe para tomar uma injeção de Voltaren, pra suportar a dor”.

Naquele dia ainda briguei com a namorada (da época), que me chamou de irresponsável por não ter visto isso antes.

Foi deste jeito que fui para a prova que decidiria meu futuro: duas noites praticamente sem dormir, brigado com a namorada, e com aquela dor totalmente insuportável. Pensei várias vezes em desistir, mas depois de tanto sofrimento pra conseguir uma vaga em cursinho popular… De tanto empenho pra estudar e trabalhar… Cogitei então faltar àquela prova apenas. Mas era a prova de português e redação. As outras seriam de Matemática e Física, então eu sabia que era naquela que eu tinha que ir bem. Fui ao pronto-socorro, e depois para o local da prova, no banco de trás do carro, deitado. Como iria aguentar quatro horas sentado? Suava muito. E não era o calor do verão, porque o dia até estava fresco. Durante o tempo que precedeu a prova, fiquei em pé na porta da sala. Várias fiscais vieram me perguntar se eu estava bem, e se tinha condições de fazer a prova. Eu disse que sim, mas que por favor, me deixassem em pé até que começasse a prova.

A prova começou, e sentei na ponta da cadeira. Comecei pelas questões, e pelo menos o medo de ir mal devido a tantos problemas, começou a se afastar. Eu estava destruindo a prova! Respondi todas as questões, embora uma ou duas tenham sido bem no chute mesmo (até que é uma boa média pra segunda fase). O tema da redação era educação familiar, ou coisa assim. Mas pouco importa, fiz ela toda, sem muita enrolação, e saí dali, mancando de tanto me apoiar em um lado só. De lá fui direto para outro pronto-socorro, tomar outra injeção de Voltaren. Estava demais.

No mesmo dia, a inflamação estourou, e o que parecia que seria pior, foi o que começou a aliviar a dor. A segunda prova da segunda fase era apenas na quarta, e até lá eu já estava melhor, embora ainda precisasse me equilibrar na cadeira pra fazer a prova.

Tinha mesmo que ser. Foi justamente aquela prova de Português que me fez passar. Dos 40 pontos possíveis, fiz mais de 30, o que me colocou acima da média dos candidatos (nesta prova). E no dia 23 de Janeiro, após as provas do vestibular da UFSCar, fiz a remoção do cisto pilonidal, o que me deixou mais de um mês, literalmente, “com a bunda pra lua”. Mas isto é uma outra história. E é apenas o começo de meses turbulentos que mudaram a minha vida.

PS: Nem preciso dizer que todas aquelas histórias (como chocolate, alongamento, comer isso, não comer aquilo) pra “relaxar” na hora da prova e manter a concentração, pra mim, é lenda né? Levem caneta, lápis, borracha, água, conhecimento e cérebro. É do que precisam.

Drops do final de semana

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  • O Altas Horas estava show de bola, na madrugada de sábado pra domingo. Dave Matthews e Regina Spektor, só com voz, violão e teclado, chegaram a arrepiar! E o Serginho é realmente um comunicador diferenciado. Há quem não goste do estilo, mas é raro ver um entrevistador puxar assuntos tão interessantes com estrelas da música internacional. E pra ajudar ainda mais, o sensacional e corinthianíssimo Dan Stulbach também participou do programa.
  • O biscoito da sorte que veio com a comida chinesa dizia: “seu corpo é um poço de energia sempre em movimento”. Acho que mandaram pra pessoa errada…
  • Marina Silva e o PV declararam independência. Mas hein? Na prática, Marina não declarará apoio a nenhum dos lados, como eu já previa (mas ainda acho que sei em quem ela votará).
  • Não vi o debate entre os candidatos a presidência, ontem, na Rede TV. Acho que não tenho mais estômago pra ouvir o Serra. Mas pelo que andei lendo, gostei da participação da Dilma. Fez, por exemplo, o questionamento que não vi nenhum candidato a governador de SP fazer, ao contestar a classificação da educação do estado no Ideb, sendo que um dos critérios leva em conta a aprovação de alunos, e, como sabemos, aqui todos são aprovados automaticamente. Mais uma farsa numérica dos tucanos.
  • Ronaldo voltou. Até que bem. Fez 2 gols, mas perdeu uma chance clara de fazer o 3º (que seria o primeiro a não ser anulado pelo árbitro). Deu pra sentir que o Corinthians tem por onde melhorar ainda, mas enquanto ver alguém como o Moacir em campo, fica difícil acreditar que alguém esteja levando a sério esse campeonato. Pra piorar, confirmaram o Tite como novo técnico. Aí fica difícil! Vendo os jogos que falta pro Timão, incluindo confronto com o líder, e dois clássicos, só há duas hipóteses: ou faz campanha de campeão nos nove jogos que faltam, ou nem Libertadores pega!
  • O Cruzeiro tropeçou, mas foi no forte time do Grêmio, que hoje eu diria que rouba fácil uma das vagas no G3. Ou do Corinthians, ou do Fluminense, que também segue patinando. E aquele Montillo joga demais!
  • Li algo ontem que sou obrigado a concordar: Marcos Assunção deve ser, hoje, o melhor cobrador de faltas do mundo!  Do Brasil, com certeza é.
  • Sansão foi um clássico muito bom! São Paulo ganhou no detalhe, mas foi melhor mesmo. Só acho que estão superestimando o Carpeggiani…
  • Horário de verão é legal, mas acordar as 6 da matina, não é bom, não.
  • Chove lá fora e aqui faz tanto frio…
 

9º Geinfo

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De Domingo a Quarta-feira desta semana, estive em Águas de Lindóia participando do 9º Geinfo – evento de integração e troca de experiências dos profissionais de TI da USP (e alguns da Unicamp também).

Lá, apresentamos um painel sobre o trabalho em que estive envolvido nos últimos dois anos, a Biblioteca Digital de Cartografia Histórica (lançada oficialmente no dia 1º deste mês).

E fiquei feliz por ter sido escolhido o melhor painel de desenvolvimento do evento. Até porque, além da satisfação pessoal pelo trabalho desenvolvido, rendeu alguns brindes. :)

Painel Geinfo - Biblioteca Digital de Cartografia Histórica

Painel premiado no 9º Geinfo

Para ver o painel em PDF, clique aqui.

Para ver algumas (porcas) fotos que tirei do evento, clique aqui.

Corinthians 100 anos

30 anos em 100, 100 anos em 30

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O Sport Club Corinthians Paulista completa neste 1º de Setembro 100 anos de existência. É claro que eu não poderia deixar de falar sobre isso extensamente aqui, e quem me conhece sabe disso. Mas por mais que eu tente, não consigo traduzir em palavras toda a paixão e todo o orgulho que sinto pelo Alvinegro do Parque São Jorge.

Também não convém contar aqui a história dos cinco operários que fundaram o clube no Bom Retiro, sobre a luz do lampião, inspirados pelo time inglês (quase) homônimo. Ou tentar explicar porque o Corinthians é diferente, porque o corinthiano é mais Fiel, até porque, ainda bem, não sei como é não ser corinthiano. E quem não é, nunca saberá como é ser…

Então resolvi fazer algo mais simples. Até por ser um blog pessoal, vou usar o espaço e a data para mostrar um pouco dos meus 30 anos nesses 100. Ou melhor, desses 100 anos que vivi em 30.

Sócrates, Casagrande, Wladimir, entre outros, ajudaram a "politizar" o meio futebolístico

Nascido em preto e branco

Nasci corinthiano, de pai corinthiano e irmão corinthiano, em 4 de Julho de 1980. Portanto, com o Corinthians campeão (sagrou-se campeão do Paulista de 79 em 10/02/1980 – eu já estava a caminho). E mais do que isso, com o Corinthians vivendo uma fase de esplendor. Não tanto pelo time, que era bom, com Sócrates e Palhinha… Não, o Timão sempre foi mais que isso, e essa fase era a da redenção do clube que passou 23 anos sem títulos, tornou-se a representação máxima do povo oprimido pelo regime militar, e voltou a vencer em 77, 79, e virou símbolo da manifestação popular em 82-83, com a Democracia Corinthiana.

Hey! Anos 80!

A primeira lembrança que tenho como Corinthiano traz imagens vagas de o Timão jogando com sua tradicional camisa preta com listras brancas finas, e duas cabeleiras: a mais chamativa era de Biro-Biro, um jogador incansável e popular por quem passava quase todas as bolas em nosso meio campo; a outra era de Carlos, o goleiro, que pouco tempo depois seria nosso representante na meta do gol do Brasil, na Copa de 86. O que só era ainda mais motivo de orgulho.

Em pé: Jacenir, Paulo, Pinella, Wilson Mano, Carlos e Edson Boaro. Agachados: Casagrande, Cristovão, Ricardo, Biro-Biro e João Paulo.

A história corinthiana

Nos anos 80 não havia Internet, não para os meros mortais, muito menos no Brasil. Mas haviam os álbuns de figurinha, e havia a Placar semanal. Sem dúvida, foram as duas principais fontes para que eu conhecesse mais sobre o Corinthians e o futebol.

E foi mais ou menos entre 87 e 88 que, numa edição especial da Placar, pude conhecer a fundo a gloriosa história do Coringão. Sua origem popular, seu início democrático, suas conquistas, o tri-Tri paulista, os centenários da Independência e da Cidade de São Paulo, Neco, Domingos da Guia, o ataque dos cem gols (Luizinho, Cláudio e Baltazar), a Fiel Torcida… Se eu não fosse corinthiano, me tornaria ali mesmo, porque é incrível a identificação que tenho com o clube.

O Brinco de Ouro e o “primeiro título”

Embora eu tenha nascido em 80, e o Timão tenha sido campeão em 82 e 83, eu só pude comemorar de fato um título em 1988. O que para uma criança de oito anos já era uma espera interminável. E o título foi conquistado justamente em Campinas, onde eu morava na época. Não que eu tenha ido ao estádio naquele dia, mas era ali, no Brinco de Ouro da Princesa, onde eu já havia ido diversas vezes, e onde vi o Timão ao vivo pela primeira vez (e essa lembrança é ainda mais vaga na minha cabeça). O clima na cidade era diferente. E a emoção do gol num carrinho do Viola, no segundo tempo da prorrogação, foi o primeiro grande teste do Coração Corinthiano!

Ronaldo

É preciso entender que quando um corinthiano fala em ídolos, tem uma conotação um pouco diferente do que a maioria dos torcedores está habituada. Biro-Biro foi ídolo. Wilson Mano foi ídolo. Porque não se trata de técnica, mas de identificação com o clube. Mas o Ronaldo (o goleiro, é claro) foi talvez meu primeiro grande ídolo no futebol, tanto pela identificação quanto pela técnica. E costumo dizer que foi o maior deles, até hoje. Foram várias brincadeiras de criança jogando a bola na parede, e saltando para pegá-la gritando: ESPAAAAAALMA RONAAAAAAAAAALDOOOO!

Campeão Brasileiro

Sempre que alguém levanta alguma teoria de que o Corinthians jamais irá vencer a Libertadores, pela pressão que envolve o clube para esta conquista, eu lembro de três episódios dos 100 anos de história do Timão. Dois eu não presenciei, mas por relatos, é fácil notar a pressão que existiu para que vencêssemos o Santos nos anos 60, um tabu que durou onze anos (vencemos em 68), e o jejum de títulos de 54 a 77. O outro episódio eu vivi. Até 1990, as brincadeiras em torno do fato de o maior vencedor paulista não ter um título nacional era parecida com o que vivemos hoje pela competição sulamericana. Graças a Deus (também chamado de Neto por muitos corinthianos), a conquista veio, de forma mais heróica que brilhante, em cima do segundo maior rival, que na época tinha um grande time.

A maior emoção da minha vida alvinegra

De 91 a 94 o Corinthians não foi campeão. E isso aconteceu justamente na minha dolescência, um período em que minha paixão pelo Timão só crescia. Não bastasse, vimos os maiores rivais viverem seus períodos de glória, com muitas conquistas. Por tudo isso, e pela espinha de porco entalada na garganta, posso garantir que ver o Timão campeão paulista em cima do Palmeiras em 1995 foi a maior emoção que senti em toda minha vida corinthiana. Porque é assim: para os corinthianos não é o tamanho do título que importa, nem a quantidade. É a emoção, a explosão… E no dia 6 de Agosto daquele ano, eu chorei. De alegria!

Quase sem graça

Muitos corinthianos costumam dizer que depois de 95 ficou “sem graça”. Claro que é mentira, a sequência de títulos e títulos que estariam por vir foram o período de ouro do Timão. Mas não é raro figurar na lista dos momentos mais marcantes dos últimos 15 anos situações de sofrimento, angústia, sempre findo com êxtase. Como os dois pênaltis cobrados pelo sãopaulino Raí, carrasco da Fiel, e defendidos por Dida. No mesmo e decisivo jogo. Ou o gol do Ricardinho no último lance da semifinal do Paulistão de 2001. No gol do Betão, sim, do criticado e eterno Betão, que quebrou incômodo tabu contra os sãopaulinos, em 2007. Ou mais recentemente no gol de Cristian, contra o mesmo tricolor paulista, também no último lance do jogo, pra não falar do gol do Ronaldo contra o Palmeiras, o primeiro dele pelo Timão… Momentos de alegria alucinada da Fiel, como poucos títulos são.

15 de Dezembro de 2007 – Parque São Jorge

Foi neste dia em que fiz a primeira visita ao clube, acompanhado dos colegas da 1910 (comunidade do Orkut). Conhecer o memorial, os troféus, várias histórias, vídeos e fotos que eu nunca havia visto, o ginásio, a Fazendinha, e cada cantinho do clube, foi uma sensação plena.

17 de Junho de 2009

Esse dia foi especial para mim. Eu estava no Pacaembu, e foram muitas alegrias, incluindo a eliminação dos arquirrivais palmeirenses da Libertadores, ouvida via rádio e comemorada com todo o estádio, antes do Timão entrar em campo.

Eu já havia estado ali, no Pacaembu, poucos dias antes, para ver o Timão ser Campeão Paulista de 2009, de forma invicta, o único título que comemorei no estádio. Mas naquele dia eu estava ali para o primeiro jogo da final da Copa do Brasil. Como já havia estado um ano antes no Morumbi, também para a primeira final da Copa do Brasil, contra o Sport. Nos dois jogos o Timão venceu. O saldo também foi o mesmo, dois gols. Mas o 3×1 de 2008, com gol do time de Recife no finalzinho do jogo, não foram suficientes para o título. Em 2009, porém, saímos sem levar gols, e eu sabia que aquele título estava muito, muito próximo. E veio. Além disso, naquele dia eu pude ver ao vivo, a poucos metros a minha frente, Ronaldo, o Fenômeno, um dos maiores ou talvez o maior jogador de minha era fazendo um gol pelo meu Timão.

A seleção de todos os tempos

Muitos gostam de fazer a seleção dos que viram jogar. Pelo que já li e vi a respeito da história do Timão, me arrisco a escalar 11 dos 100 anos.

Gylmar; Zé Maria, Domingos da Guia, Gamarra e Wladimir; Sócrates, Rivellino, Luizinho e Marcelinho; Edílson e Tevez. Técnico: Osvaldo Brandão.

E ainda ficaram de fora dois dos maiores ídolos: Neto e Ronaldo (o goleiro). Sem falar do Ronaldo (o fenômeno) de 2009.

O melhor time de todos os tempos

Durante muito tempo considerei o esquadrão da década de 50, mais especificamente de 51 a 54, que conquistou a Pequena Taça do Mundo e o IV Centenário da Cidade de São Paulo, o maior time que o Corinthians já teve. O time tinha Gilmar dos Santos Neves, Idário, Homero, Roberto Belangero, Carbone, Rafael, Luzinho, Claudio e Baltazar, entre outros.

Porém, em 2000 eu tive que me curvar e admitir que aquele Corinthians que conquistou o mundo, e nos deu o maior e mais importante título de nossos 100 anos, foi o melhor time que vi com a camisa do Timão:

Em pé: Dida, Kleber, Fabio Luciano, Vampeta, Rincón e Adilson. Agachados: Luizão, Índio, Ricardinho, Marcelinho e Edílson.

O banco ainda tinha Edu, Marcos Senna, Fernando Baiano, entre outros.

Do time titular, apenas Índio nunca passou pela seleção. Dos onze, cinco foram posteriormente pentacampeões mundiais em 2002.

Meu amor ao Timão

Pra concluir, uma musiquinha que tem tudo a ver com o Coringão, e vale como minha declaração também.

Demônios da Garoa – Meu amor ao Timão

revistaw

Escolhendo minhas leituras mensais

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Eu gosto muito do formato revista (em papel mesmo). Acho uma leitura prática, boa para ser feita circustancialmente, diferentemente de livros que exigem tempo e continuidade (mas claro que também gosto deles). Muita gente argumenta que o que sai em revista “tem tudo na Internet, e de graça”. É verdade, mas o notebook é um tanto quanto desajeitado para ler deitado no sofá, você não leva o notebook pro banheiro (pelo menos eu espero), e a tela do seu Smartphone é pequena. Além disso, mais do que disponibilizar os textos, a revista tem todo um conceito para formatar e “peneirar” os textos e pautas. E é isso que me interessa.

Então mês passado resolvi procurar pelo menos duas revistas para eu ler mensalmente. Pensei em ter uma mais técnica, mais próxima a minha área, para que eu possa saber das novidades sem depender de links fortuitos no twitter; e outra mais diversa, com curiosidades, conhecimentos gerais, típica revista pra ter assunto depois.

Mas quais? Como escolher? Afinal, é uma compra que valerá por pelo menos um ano. Há tempos eu não comprava um exemplar isolado, e a última assinatura que fiz deve ter sido da Placar, na adolescência (o que vale dizer que quem o fez, de fato, foi o meu pai).

Resolvi ir a uma banca e escolher algumas revistas que me parecessem atraentes, para que eu fizesse uma experiência, antes de fechar a assinatura. Foram cinco as escolhidas, e agora posso abstrair minhas opiniões sobre cada uma delas.

Revista Info (Editora Abril)

Eu pensei, bom, se preciso de uma revista da minha área, para manter-me atualizado sobre as novidades, que tal a mais conhecida delas? Tisc… A Info não é uma revista para profissionais de informática. É uma revista para consumidores de tecnologias.

Como bem disse minha irmã, “é mais fácil encontrar boas dicas de informática na Superinteressante do que na Info”.

Mas o twitter deles vale a pena. É melhor que a revista. E de graça.

Revista W (ou Www.com.br, da Editora Europa)

É uma revista essencialmente técnica, mas é bem “meu mundo”. Abrange quase tudo de Internet, desde redes sociais até dicas de CSS. Não é muito presunçosa, ou seja, não tenta descobrir tendências, mas apenas mostrar o que está acontecendo, e opiniões distintas de profissionais. Me ajudou bastante com idéias pro primeiro texto da série Criando seu próprio site, no Mondo Redondo.

Gostei bastante da abordagem dela. A formatação é que não é muito boa, não agrada muito à leitura, o que é irônico pra uma revista originalmente voltada a webdesigners (tá, eu sei que não é web, mas envolve bom senso estético).

Men’s Health (Editora Abril)

Me indicaram como sendo uma revista com boas dicas sobre o mundo masculino. Como se vestir, como se portar em situações formais, como se virar na cozinha, ou dicas de lazer… É, tem isso lá, ou algo parecido. Corresponde a 5% do conteúdo. Dos outros 95, 80% é fitness (e convenhamos, esse deveria ser o nome da revista, Fitness), e 15% é sobre como xavecar uma mulher, ou como agir na primeira transa, ou algo do tipo.

O que achei interessante é que a revista me passou a quase certeza de que ela é, pelo menos em sua maior parte, redigida e editada por mulheres. Cheias de fotos de “machos” sem camisa, e várias “dicas” que mais parecem súplicas do universo feminino. O curioso é que tem um viés machista.

Eu não culpo a revista por ela ser tão ruim (para mim). Certamente tem um público alvo muito específico. No qual obviamente (e ainda bem) eu não me enquadro. Talvez sirva mais para as mulheres que pra mim.

Minha Casa (Editora Abril)

Eu estava em dúvida entre algo mais voltado para arquitetura, para eu juntar idéias caso um dia resolvamos construir uma casa maior, do nosso jeito, ou algo mais voltado para decoração. Afinal, temos nossa casinha já, que é pequena, mas é legal mantê-la bonitinha, bem organizada e renovada.

Aí encontrei essa revista da Editora Abril, que se eu não me engano é nova. E é perfeita para estes casos. Tem muita dica legal para decorar, reformar ou construir. E com exemplos reais.

Tem muita propaganda também, é verdade. Mas além de tornar a revista muito barata (R$ 4,90 o exemplar), tem umas dicas úteis até. Tipo, tem lá um suporte multiuso, que na loja tal sai por tanto.

É só não querer comprar tudo que mostram que tudo bem.

Vida Simples (Editora Abril)

Eu queria uma revista com um pouco de tudo, mas tratando os temas com uma visão mais crítica, mais reflexiva. Algo com boas leituras para pensar, mas também com dicas e curiosidades “fáceis”. Vida Simples tem essa cara. Tem sim. O que pega é que muitas leituras dela chegam muito próximo de leituras de auto-ajuda (e sobre essas eu concordo com o que disse o Luiz Mendes Júnior, no Mondo).

Se eu quisesse uma revista de auto-ajuda, assinava a Playboy, convenhamos.

Mas a revista não é ruim não. Não está totalmente descartada. Aliás, talvez a melhor leitura que eu tenha feito nessas cinco revistas que citei foi uma crônica sobre Kierkegaard e a ansiedade, tema central da edição que comprei de Vida Simples.

As revistas “pop”, de frequência semanal (tipo Veja, Época ou Isto é), e que trazem notícias e reportagens sobre o que é notícia do momento, não me interessam muito. Porque é aquela coisa: um monte de informação que eu já li na Internet, ou vi na TV, com uma abordagem mais profunda, talvez, mas com prazo de validade curto também.

Claro que há revistas que eu conheço e gosto, e que não precisei comprar para “experimentar”, como a Super Interessante, e, mais ainda, a Galileu. Aliás, é bem capaz de eu optar por esta última, junto com a Revista W. Assim fujo da Abril. :)

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