Estive pensando…

Idéias sortidas e abstratas, filosofias de buteco, crônicas e trovas eventuais.

Guia prático de como escrever um best-seller

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Que feio, depois de mais de um mês sem escrever no blog, estou apelando para um texto velho. Este foi escrito no blog antigo, o Rapsódia, em 12/04/2005. Mas há pelo menos duas boas razões (desculpas) para eu requentá-lo aqui, agora. O primeiro, óbvio, é pra tirar a poeira de cá e ir aquecendo para voltar à ativa. O segundo motivo é que estou preparando um novo texto para o Mondo Redondo com temática parecida: de que é feito um grande escritor. Menos irônico que o texto abaixo, mas nem tão sério quanto parece. Aviso aqui quando estiver pronto lá.
  • O ponto de partida é a única etapa realmente criativa. Pense numa sacada legal… Algo como uma analogia, ou algo “denorex” (parece, mas não é…). Pode ser algo advindo de uma anedota mesmo, com potencial a ser explorado, ou alguma brecha não explicada nos livros de história. Neste ponto não se preocupe com o enredo.
  • Delineie sua história com tudo aquilo que as pessoas gostariam de ouvir. Fale mal de algo que elas queiram se livrar, massageie seus egos, dê-lhes novas (boas) perspectivas.
  • Com o arcabouço da sua história traçado, agregue a ela fatos reais. Misture realidade e ficção aleatoriamente e mexa bastante. O ponto ideal é quando estiver imperceptível, no texto, o que é fato e o que é criação imaginativa.
  • Adicione ainda alguns elementos que façam parecer que você está transmitindo algum tipo de informação/cultura útil aos leitores. Deixe que eles pensem que estão ficando mais inteligentes ao lerem seu livro.
  • Envie seu trabalho para uma editora especializada em marketing. De preferência uma daquelas que compra toda a primeira tiragem só para o livro aparecer na lista dos mais vendidos.
  • Venda o livro como uma ficção com um pouco de verdade, ou como verdade com um pouco de ficção… Mas demonstre confiança no que diz. As pessoas adoram acreditar no que lêem.

A morte do parágrafo

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Há uma tendência crescente entre jornalistas-blogueiros.

A de escrever tudo assim…

Uma coisa por linha.

Sem parágrafos.

Ou com todas as orações tranformando-se em um novo.

Eu não sei quem começou com isso.

Mas virou moda.

Gente boa, que admiro, ou admirava, agora escreve assim…

Talvez porque sintam-se mais inteligentes.

Querem reinventar a escrita.

Dizem que torna a leitura mais prática pra Web.

Não torna.

É chato!

É sem sentido!

É linguisticamente pobre.

E nem é correto.

Embora eu não seja nenhum especialista para dizer isso.

Quebra o fluxo natural da leitura.

Tira a coesão do texto.

Voltem para o ensino básico.

E reaprendam as regras para quebra de parágrafos.

E parem com essa frescura do cacete!

Madrigal

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Meu texto preferido dos vigésimos terceiros dias de setembro, por razões óbvias, desde 2004, quando o publiquei no Mondo Redondo.

A julgar por tua beleza natural,
pela fragrância que emites silenciosa,
pelo néctar que ofereces ao admirador,
ou pelas cores que de ti a mim refletem,
poderia afirmar que és a mais bela flor,
fruto da Primavera, que com ela nasceste,
e a ela concedeste mais beleza e vida.

Mas revelou-me um sonho primaveral,
por um arcanjo de feição formosa,
que era invertida a intenção do Criador.
“Pela autoridade que a mim competem,
e pela afeição que demonstraste a teu amor,
conto-te que cada Primavera floresceu
em celebração ao nascer de tua querida”.

Primavera

Fat is the forgotten black

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Estava acompanhando um tópico por aí que seguia mais ou menos assim. Apresentaram uma piada, até que bem legal, e todos riam, até que alguém surgiu dizendo:

- Ah! Mas quem escreveu isso foi fulana.

- E o que tem? A piada não é boa?

- Mas é que fulana é gorda…

A sequência não foi exatamente essa, mas resumindo, foi mais ou menos o que quiseram dizer.

Aí, como se fosse uma licença depreciativa, todos os debatentes começaram achincalhar a pessoa, afinal, ser gordo, ou ter sido gordo um dia, autoriza os outros a te ridicularizarem, fazerem piadas com você e traçarem o perfl completo de sua personalidade, ainda que quem faça tudo isso não lhe conheça. E não te dá direito de rebater a nada, pois está em condição inferior: a de ridículo. Ou quiçá vagabundo, pois já li de gente por quem até tenho certo apreço e respeito que obesidade é intolerável, pura ausência de força de vontade.

O país parece estar aprendendo a lidar com diferenças étnicas, sexuais e raciais… Quer dizer, não acredito piamente que as pessoas extirparam esses preconceitos de dentro delas, já que em conversas privadas você ainda escuta o mesmo tipo de piada ridícula e ultrapassada que ajudou a massificar essas idéias que para elas parecem ainda serem verdades, mas ao menos já aprenderam que não podem ou não devem expressar isso publicamente. Porém, ridicularizar qualquer gordo só para não perder a piada continua valendo.

Não pretendo que se inicie nenhum tipo de movimento pró-gordinhos ou contra o preconceito pelo tamanho da circunferência abdominal, até porque quase toda iniciativa a favor de minorias (e os sobrepesos nem são tão minoria assim) acaba ficando um saco, ou criando aberrações como cotas segregacionistas ou carnavais fora de época. Nem tenho nada contra brincadeiras oportunas, pelo contrário, eu mesmo vivo fazendo chacota com meu peso. Gordinho sofre, brinco. Só não posso deixar de achar bizarras ou hipócritas algumas situações, do tipo:

  • Aquela pessoa que bota no Facebook frases como “campanha pela vida: cada um cuida da sua”, e depois vai dar aquele “toque de amigo”, do tipo “engordou hein?”, como se o gordo não tivesse espelho em casa.
  • Diálogos que se desenrolam mais ou menos na base do: “É bonita? “Não, é gorda”, como se fossem coisas necessariamente mutuamente excludentes, e como se gosto não fosse subjetivo. Eu, por exemplo, não gosto de mulher musculosa (músculos enrijecidos em excesso).
  • A mesma indústria de consumo que trata de te empurrar junk food é incapaz de produzir roupas de tamanho adequado para todos os biotipos. Tente, por curiosidade, entrar numa C&A ou Pernambucanas da vida e encontrar uma camiseta maior que GG… Depois me conta.
  • Fala-se tanto em acessibilidade aos portadores de deficiência e continuam disponibilizando o mesmo tipo de assento estreito para todos. Eu já vi, em ambiente de trabalho (não foi comigo, que fique claro), entregarem uma cadeira que não durou uma semana para um funcionário obeso, e quando este foi reclamar falaram que a culpa era dele, por ser tão gordo!

Ah! Mas claro, deficiência física não é uma opção. Ser gordo é, e é uma vergonha! Pelo menos é o que fazem parecer.

Quem é o autor da próxima novela das nove mesmo? Acho que vou enviar uma cartinha sugerindo incluírem um casal de gordinhos e suas mazelas no enredo, sem que façam deles o núcleo cômico da trama. Parece ser a receita para fazer a população refletir sobre respeito às diferenças (ou pelo menos deve ser, dada a insistência em inserções de debates sobre “minorias” no plim-plim).

Nota: o título deste texto é em alusão à expressão Fat is the New Black. Léo Jaime escreveu em seu blog um texto interessante com essa mesma expressão traduzida (“Gordo é o novo preto“), em Março passado. Mas eu mudei a essência dela porque de “novo” esse preconceito tem muito pouco.

Love, Love, Love…

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The Beatles - Love Is

Defendo-me então dos que me acusarem de infidelidade. Pois, quem pode afirmar não se sensibilizar com tanta beleza vária? Sim, me apaixono todo dia, e a cada dia por uma diferente. Em meu canto, e em meu pranto, cada uma delas tem seu valor. Se hoje eu pensar mais em fulana, ou em beltrana, terá sido por influência de algumas horas de convivência, ou de algum pensamento turvo que sobressalta no meio da noite.

Tolo do que acha que eu deveria amar biunivocamente. Amo a todas, e em cada dia amo mais uma ou outra, e nem por isso cada uma das anteriores terão menos valor. Todas me aprazem, todas permeiam em minha mente e me conduzem em delírios vociferozes. Ainda que peçam que eu me decida por uma única entre todas as belas, será meramente um formalismo. Em meu sonho estará sempre a amada do dia, e mesmo que seja a mesma eleita por vários dias, nunca será única, pois sou sensível à beleza de todas as canções dos Bealtes…

Deixo cá minha homenagem à amada do dia.

Here, There and Everywhere
Lennon/McCartney

To lead a better life,
I need my love to be here.

Here, making each day of the year
Changing my life with a wave of her hand
Nobody can deny that there’s something there.

There, running my hands through her hair
Both of us thinking how good it can be
Someone is speaking but she doesn’t know he’s there.

I want her everywhere
and if she’s beside me I know I need never care.
But to love her is to need her

Everywhere, knowing that love is to share
each one believing that love never dies
watching her eyes and hoping I’m always there.

I want her everywhere
and if she’s beside me I know I need never care.
But to love her is to need her.

Everywhere, knowing that love is to share
each one believing that love never dies
watching her eyes and hoping I’m always there.

I will be there, and everywhere.
Here, there and everywhere.

Nota: Texto originalmente escrito em 12/07/2004 para o site Mondo Redondo. Só que na ocasião a “amada do dia” era Across The Universe.

Eu não escrevo bem, é TOC

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Eu não acho que escrevo tão bem, e essa convicção aumenta quando leio tantas pessoas que admiro. Meus conhecimentos ortográficos, gramaticais e sintáxicos são limitados, e ando dedicando pouquíssimo tempo à leitura formal – o que invariavelmente afeta a qualidade das minhas produções textuais. Mas já recebi elogios, inclusive de pessoas que me são muito caras e as quais agradeço imensamente. Elogiam sobretudo a correção do que escrevo, a atenção aos detalhes para que eu falhe pouco, mesmo em mensagens informais.

Sinto frustrar essas pessoas agora, mas acabo de identificar isso como mais um sintoma de algo que tem se tornado evidente e intenso em mim. Eu tenho TOC!

É comum em portadores do Transtorno Obsessivo-Compulsivo ficar verificando as coisas, e sentir extremo desconforto ao ver algo “desalinhado”. Eu apresento isso das mais diversas formas. E parece que foi pior no período em que morei sozinho, antes de me casar. A mais bizarras das obsessões/compulsões era a necessidade de manter os interruptores de lâmpadas alinhados, o que me fazia, às vezes, atravessar um cômodo só para apertar o interruptor do outro lado e manter todos, do lado de cá, apertados para o mesmo lado.

Acontece algo parecido quando estrou escrevendo. Geralmente escrevo uma frase, e logo releio-a para ver se nada ficou fora do lugar, e se a idéia está coesa. Mesmo assim o produto final fica uma coisa escandalosamente cheia de falhas, o que é natural. Mas aí, quando qualquer pessoa normal apertaria a tecla ‘Enter‘ e mandaria a mensagem – afinal às vezes é só um bate-papo informal, ou um comentário em alguma rede social – eu resolvo reler. E de novo, e de novo. E a cada leitura, novos erros, e simplesmente não consigo deixar como está. Tenho que alterar, ajustar, alinhar… Isso é TOC!

Eu poderia tirar vantagem disso, e já que tenho essa compulsão, usa-la a meu favor e escrever melhor. Mas aí esbarro em dois problemas. O primeiro são as limitações do português. Eu só posso identificar um erro se eu conhecê-lo. E mais do que isso, eu normalmente não notarei algo que eu não esteja treinado para identificar. O segundo problema é o tempo…

Me lembro que uma vez, logo após postar um texto neste blog, conversava com meu primo Leandro e ele perguntou quanto tempo eu levava, em média, para conceber e escrever um algo aqui. Eu acho que menti, e disse que demorava em torno de uma hora, se não tivesse que fazer nenhum tipo de consulta ou tratamento de imagem, e etc. Menti porque já achei absurdo uma hora para uma lauda. Jornalistas provavelmente morreriam de fome se levassem essa proporção de tempo em coisas maiores e mais sérias. Mas a verdade é que normalmente levo até mais do que isso! E a coisa só não fica pior porque, depois de um tempo eu me dou conta do tempo que estou “perdendo” – e quem me conhece sabe bem como tempo anda escasso – e simplesmente desisto de novas releituras.

Mas os erros continuam lá… E se eu resolver reler mais uma vez daqui uma semana, um mês, um ano, vou ser novamente acometido por uma absurda ansiedade, só que dessa vez somada a um leve desconforto por aquilo ter ficado ali “desalinhado” por tanto tempo.

Sócrates era programador

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Nota inicial: como tenho muitos amigos/leitores corinthianos, e costumeiramente falo de futebol por aqui, vale o alerta de que o referido no título deste post não é o Doutor, o Magrão, aquele que talvez seja meu maior ídolo na história do alvinegro do Parque São Jorge, não só pelo que jogou mas principalmente pelo que representou para o clube e para o contexto social do início dos anos 80. No caso, estou falando do filósofo grego mesmo. De qualquer forma, é só uma referência inicial, e não o assunto central deste texto.

Sócrates era programador, ou pelo menos é o que me parece sempre que começo a estudar uma nova técnica, uma nova ferramenta, uma nova metodologia, e etc. Só sei que nada sei (teria dito o filósofo), e quanto mais me aprofundo nos livros, exemplos e tutoriais, mais ciente eu fico do tamanho da minha ignorância! Mais perdido me sinto.

É verdade que os profissionais de TI ainda carregam o fardo de os leigos acharem que, por sermos da área, saberemos resolver qualquer problema que eles tenham ao manipular qualquer dispositivo que opere com sinais de dois bits. O que até poderia fazer algum sentido 20, 30 anos atrás (duvido muito), mas que hoje só me faz lembrar daquela perguntinha básica: e se os motoristas fossem contratados como profissionais de TI?

Não dá para saber bem sobre muitas coisas em TI, mas ainda que tudo ficasse restrito a única ferramenta, a uma única linguagem de programação, num único paradigma, ainda assim, toda a literatura, todas as possibilidades de arquiteturas, patterns e frameworks disponíveis e atualizadas e distribuídas em novas versões quase que diariamente, eu não daria conta de conhecer o suficiente para estar certo de fazer sempre as melhores escolhas. Até porque, mesmo as melhores escolhas de hoje (se é que isso existe) tornam-se obsoletas muito rapidamente.

Agora imagina eu ter que trabalhar todos os dias com pelo menos duas plataformas (ASP.NET e PHP) totalmente diferentes, sem contar as infindáveis ferramentas e tecnologias orbitantes (SQL Server, MySQL, PostgreSQL, Javascript, JQuery, AJAX, MVC, WebService, ORM, TDD, DDD, JSON, XML, XSL, CSS, RSS, SOA, REST, e o raio que o parta)… Eu não dou conta!

Um erro comum que costumo cometer é achar que, por ignorar tanta coisa, o outro está sempre na minha frente. Dia desses vi um dos caras mais influentes num determinado grupo que participo apanhando para configurar o teclado de seu notebook! Ou seja, há menos diferença cognitiva entre as pessoas do que diferenças de valores, de objetivos, culturais e de experiência de vida. É por isso que respeito os mais velhos, pois mesmo os que têm menos estudo, em algum ou em vários assuntos são muito mais sábios do que eu. E é por isso também que não posso entender ou aceitar a arrogância humana.

Conhece-te a ti mesmo (outra frase atribuída a Sócrates), e verás quão ignorante é!

Think different

Pense diferente

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Durante minha graduação, trabalhei por algum tempo num projeto de pesquisa de Iniciação Científica. O estudo era sobre Algoritmos Evolutivos (ou Genéticos), uma subárea de Inteligência Artificial que consiste, a grosso modo, em buscar uma solução muito boa para um problema muito complexo que não exige um resultado preciso.

Algoritmos Evolutivos

Baseado no processo evolutivo natural, os AEs classificam possíveis soluções do problema que se propõem a otimizar, selecionam as melhores, e, a partir delas, geram mutações, soluções combinadas, que geram um novo conjunto de possíveis soluções, dando início a um novo ciclo do processo. Essa técnica é muito utilizada para projetos de rede (de computadores, elétrica, de dados, etc.), onde múltiplos “pontos” ou “malhas” podem se interconectar de diversas formas, gerando redes completamente diferentes, produnzido resultados mais ou menos satisfatórios, dependendo do resultado esperado. Os AEs são usados, inclusive, em uma outra subárea de IA, as Redes Neurais Artificiais, baseada no processo cognitivo humano.

Estudar AEs me ensinou muito mais do que técnicas para otimizações computacionais, ou qualquer conhecimento correlato da biologia. O que aprendi com essa e outras experiências de vida é que a evolução se alimenta das diferenças. Quando você trabalha sempre em cima da mesma gama de informações, por mais que evolua dentro dela, estará limitado. Enquanto quando insere uma informação nova, de natureza diferente, gera novas combinações de idéias.

É como acontece em nossa rede de neurônios. Um conjunto enorme de informações e sensações se aproximam e podem ou não se conectar, através das sinapses. A chance desses estímulos resultarem em diferentes conexões sinápticas aumentam conforme aumenta a diversidade da natureza das informações e sensações absorvidas.

Tenho percebido uma grande tendência para o pensamento especializado, de certa forma até estimulada por “especialistas” (mas especialistas em quê?). Dizem que, diante de tanta informação que nos é transmitida, e cada vez mais, é importante não querer saber sobre tudo, mas ter um conhecimento aprofundado sobre um assunto específico.

Pode ser que essa idéia esteja produzindo profissionais especialistas melhores. Tenho dúvidas. Mas certamente não produz pessoas melhores, capazes de irem além de escolher o melhor método para resolver o seus problemas, e pensarem no propósito do que estão fazendo e seu desencadeamento global. Ou simplesmente pensarem em situações absolutamente a parte de seus contextos individuais, mas que ajude a aguçar novos sentidos, dando novas perspectivas ao indivíduo.

Claro que não é possível e nem conveniente querer conhecer sobre todos os assuntos, ainda que minimamente. Conheço pessoas de conhecimentos gerais impressionantes e sem desenvolvimento pessoal algum. Sem sucesso em nada. A alguma área, em algum momento de nossas vidas, temos que nos dedicar. Mas é importante o exercício de pensar diferente, seja em pequenas ocasiões, por exemplo, escolhendo argumentos opostos aos que acreditamos sobre um tema, mas principalmente através de hábitos que nos dêem uma formação cultural mais ampla e variada.

Think Different era o slogan de uma campanha publicitária da Apple (sempre as melhores) em 1997. O texto abaixo é de uma das versões do comercial de TV da campanha.

Isto é para os loucos. Os desajustados. Os rebeldes. Os arruaceiros. Os pinos redondos nos buracos quadrados. Os que vêem as coisas de forma diferente. Eles não gostam de regras. E eles não têm nenhum respeito pelo status quo. Você pode citá-los, discordar deles, glorificá-los ou caluniar. Sobre a única coisa que você não pode fazer é ignorá-los. Porque as coisas mudam. Eles empurram a raça humana para frente. E enquanto alguns podem vê-los como loucos, nós vemos gênios. Porque as pessoas que são loucas o suficiente para pensar que podem mudar o mundo, são as que o fazem. – A Apple Inc.

engavetamento

Carrodependência e a Indústria do Caos

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Plorifera-se pelo país manifestações contra o aumento nos preços dos combustíveis. Protestos contra postos organizados via redes sociais, correntes de e-mail convocando a boicotar distribuidoras, aplicativos online para sinalizar os melhores preços, etc, etc.

Poderia me comover toda essa atitude popular e coletiva. O problema é a motivação individual indelével. Garantir que todos possam continuar andando sozinhos em seus carros, que caberiam quatrou ou cinco, a um custo que caiba no bolso do motorista. Esqueça. Não há futuro nisso. O transporte individual, sobretudo no Brasil, acelera forte rumo ao caos. E não há volta. Qualquer tentativa de atenuar os problemas decorrentes disso só levarão a novos problemas.

É muito carro! É insustentável! Só na minha cidade, cuja população gira em torno de 220 mil habitantes, a frota de veículos ultrapassa 140 mil! Arrisco dizer que há mais carros do que motoristas habilitados. Não por acaso, o transporte coletivo na cidade é considerado caro, ineficiente e de péssima qualidade.

Por que então não há mais investimento em transporte coletivo? Por que o uso de carros não é desestimulado? Porque nossa sociedade, e o Brasil em especial, está organizada hoje em torno dos automóveis.

Eu não tenho aqui dados estatísticos, mas vamos tentar dimensionar: quantas pessoas hoje sobrevivem, direta ou indiretamente, da indústria automobilística? Só nas montadoras são tantos empregos que municípios comumente travam batalhas fiscais a fim de atrair novas instalações, que rapidamente passam a ser a engrenagem econômica das regiões em que se instalam. E junto vem concessionárias/distribuidoras, oficinas, auto-peças, seguradoras, financiadoras, postos de gasolina, e uma infinidade de serviços, principalmente públicos.

E aí começamos a pensar quanto do nosso dinheiro é gasto para manter tudo isso. Não apenas o que deixamos no posto de gasolina, mas em todo o gasto público com infraestrutura de transporte, que hoje é o assunto número um de qualquer administração municipal ou estadual. Ou vamos negar que quase sempre julgamos nossos governantes pela quantidade de vias e pontes que fazem, pelos buracos que deixam de tapar, pelo efetivo de segurança que dispõem para problemas no trânsito, pelos pedágios e multas que cobram dos motoristas…

É tanto dinheiro envolvido que, não por acaso, o Brasil só se esquivou da crise mundial em 2008/2009 devido a incentivos fiscais para… Compra de veículos, é claro. Da mesma forma, outros países sucumbiram também pela crise na indústria automobilística. Guerras são travadas por combustível. Florestas são derrubadas para abrir espaço para biocombustível. Comida deixa de ser feita para a produção de biocombustível!

Já chegamos a este ponto? Vivemos para abastecer, e não o contrário? O que se chamava de “meio” de transporte agora é o próprio fim?

Santa Faustina

"Você é cristão? Acha que Deus ficaria feliz com você celebrando a morte?"

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Eu já havia tratado da morte de Osama Bin Laden nos drops do post anterior. Mas faltou comentar sobre a beatificação de João Paulo II, também ocorrida neste 1º de Maio. Deixaria passar em branco, não fosse a ironia da coincidência das datas e algumas leituras que me levaram a um estreito laço sobre todos esses fatos.

A primeira dessas leituras, que compartilharei aqui com vocês, teve grande repercussão durante todo o dia posterior à morte de Bin Laden. Foram declarações do jogador da NBA Chris Douglas-Roberts, do Milwaukee Bucks, sobre as comemorações dos americanos pela morte de Osama Bin Laden.

Isso é uma celebração? Seria o começo de uma grande guerra religiosa? Espero que não.

Eu sou o idiota? Você é cristão? Acha que Deus ficaria feliz com você celebrando a morte? Ou é sua religião, “Americano”?

Perdemos 919,967 de vidas para matar aquele único cara.

Levou 10 anos e 2 guerras para matar aquele… cara.

Custou para nós (EUA) aproximadamente $1,188,263,000,000 para matar aquele… cara. Mas estamos vencendo. Haaaa (Sarcamo)

Retirado do twitter de Chris Douglas-Roberts.

Se você não é cristão, não precisa se atentar à pergunta do título deste post, proposta por Douglas-Roberts. Mas se é, convido-o a uma reflexão.

Primeiro é importante lembrar que a escolha da data de beatificação de João Paulo II não foi aleatória. Ela aconteceu no 2º Domingo de Páscoa, quando se celebra a Divina Misericórdia, festa instaurada pelo então Papa João Paulo II, em 30 de Abril de 2000. Mesma data em que concluiu a canonização de Irmã Faustina Kowalska, iniciado em 1965 pelo próprio Karol Wojtyla, então Cardeal Arcebispo de Cracóvia.

Santa Faustina entregou sua vida pelos pecadores.

… O próprio Senhor Jesus Cristo começa a se manifestar à Irmã Faustina de um modo particular, revelando de um modo extraordinário a centralidade do mistério da misericórdia divina para o mundo e a história – presente em todo o agir divino, particularmente na Cruz Redentora de Cristo – e novas formas de culto e apostolado em prol desta sua divina misericórdia.

Trecho sobre a vida de Santa Faustina, retirado do site misericordia.org.br.

O Beato João Paulo II também dedicou sua vida à Divina Misericórdia, e deixou como principal legado a luta contra o mal pelo bem.

À humanidade, que no momento parece desfalecida e dominada pelo poder do mal, do egoísmo e do medo, o Senhor ressuscitado oferece como dom o seu amor que perdoa, reconcilia e abre novamente o ânimo à esperança. Quanta necessidade tem o mundo de compreender e de acolher a Divina Misericórdia!

Mensagem póstuma deixada por João Paulo II, retirada do site zenit.org

Para receber a misericórdia divina é preciso o arrependimento. Mas oferecer o bem contra o mal é aproximar-se da Sua misericórdia. Sede misericordiosos como também vosso Pai é misericordioso (Lc 6,36).

A morte de Osama Bin Laden é o uso do mal contra o mal. Celebrar sua morte com alegria é o mesmo que incitar o ódio e venerar o sentimento de vingança. É preciso de uma vez por todas entendermos as súplicas da Santa Faustina e do Beato João Paulo II, de que a única salvação possível está na prática misericordiosa.

Abri o Meu Coração como fonte viva de misericórdia; que dela tirem vida todas as almas, que se aproximem desse mar de misericórdia com grande confiança. Os pecadores alcançarão justificação, e os justos serão confirmados no bem…

e tanto o pecador como o justo necessitam da Minha misericórdia. A conversão e a perseverança são uma graça da Minha misericórdia.

Trechos do Diário de Santa Irmã Faustina, retirados do site jesus-misericordioso.com

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