Rola por aí
O meu ponto de vista sobre o que acontece (ou não) em qualquer parte e assunto.
Da possível (ou provável) queda de Ricardo Teixeira e suas consequências
2Quem acompanha os noticiários esportivos que tratam dos bastidores do mundo da bola deve estar atento aos rumores crescentes de uma possível (e cada vez mais provável) saída de Ricardo Teixeira do comando da CBF. Há inclusive quem diga que isso tem data para acontecer: nesta quinta-feira, dia 16/02.
Bom demais para ser verdade? Mais ou menos. Na verdade, não é tão bom quanto parece, e sim, pode ser verdade. A conferir amanhã, ou num futuro breve. Ou não.
Mas como o cara que “sobreviveu” à CPI do futebol em 2001, e tem mandato assegurado até 2015, com uma Copa do Mundo para sediar um ano antes, iria perder força e ceder o cargo justo agora? Os reais motivos não sabemos, e talvez nunca venhamos a saber, mas dá para elencar algumas possibilidades.
- Saúde. Esse deve ser o motivo alegado – lembrando que o presidente da CBF passou por internação há quatro meses e tem histórico de problemas cardíacos. Pode ser que tenha mesmo que se cuidar, mas certamente não é razão para afastá-lo do cargo pelo qual tem tanto apreço.
- Manobras do Planalto Central. Dizem alguns cronistas que Ricardo Teixeira perdeu força com a saída de Lula. E que Dilma “não vai com a cara” do sujeito. Sabemos que Dilma é um tanto quanto intolerante mesmo com esse tipo de coisa, mas que não pode interferir diretamente na Confederação Brasileira de Futebol. Mas trocar Orlando Silva, que já havia tornado-se amiguinho de Teixeira, por Aldo Rebelo, justamente o relator da CPI do Futebol em 2001, pode ter sido o caminho que ela encontrou para pressioná-lo.
- FIFA. Os planos de Ricardo Teixeira provavelmente envolviam deixar a presidência da CBF em 2015 para tentar a da Fifa, no mesmo ano. Joseph Blatter, o atual presidente da entidade máxima do futebol, não quer isso, e trabalha forte nos bastidores para queimar Teixeira. Na briga entre ambos, sobram ameaças de denúncias de participação em esquemas de suborno e coisas do tipo. Essa briga só não teria eclodido até então porque ambos tem cartas na manga, e ninguém quer pagar para ver.
- Superfaturamento em amistosos da seleção. A Folha de S. Paulo publicou na edição desta quarta provas da ligação de Ricardo Teixeira com empresas “fantasmas” que receberam milhões de dólares para a organização de amistosos da Seleção Brasileira de Futebol. Essas denúncias ligam-se a outras, que em cascata desenham um cenário do qual o dirigente dificilmente conseguirá se desvincular.
Para mim, toda essa história lembra alguns mitos antigos, como o de Ícaro, que quis voar cada vez mais alto, e o sol derreteu suas asas e o fez cair e morrer afogado. Teixeira, de tanto ter poder e de tanto querer mais, não soube medir corretamente sua força, e pode sucumbir diante de forças não mais justas, mas certamente mais poderosas.
E quais seriam as consequências imediatas do fim de uma gestão de nada menos que 23 anos? Bom, tenho alguns palpites.
- Antes que muitos se animem, é preciso cautela. A saída de Teixeira, se ocorrer, não significa nenhum ganho imediato para o futebol brasileiro. Seu sucessor mais provável é José Maria Maurin, sujeito de índole talvez pior que o Ricardão, se é que isso é possível.
- Maurin, dizem, é estreitamente ligado a Marco Polo Del Nero, atual presidente da Federação Paulista de Futebol. Que, IMHO, tem se mostrado péssimo administrador esportivo (para não falar de suas “qualidades” morais).
- Se muitos apostavam que a ida do ex-presidente corinthiano Andrés Sanchez para o esquisito cargo de Diretor de Seleções da entidade era um passo para começar a direcioná-lo para suceder Teixeira em 2015, a queda precipitada do dirigente em meio a escândalos e perda de força política deve fazer sucumbir também os planos de Sanchez, que sequer manteria o atual cargo.
- No mundo dos clubes, alguns que recentemente entraram em rota de colisão com o comando da CBF poderiam voltar a sonhar com os conchavos de antigamente. Porque, não se engane, TODOS estão interessados apenas no benefício próprio. A única variante é o alinhamento de interesses, ora com uns, ora com outros.
- Para as TVs, talvez nada mude. É verdade que a Globo foi velha aliada de Teixeira nesses 23 anos, e que o presidente da CBF exerceu papel importante nos bastidores da renovação dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro, assunto bastante polêmico do ano passado. Mas também é fato que a relação Globo-Teixeira andava estremecida, cheia de represálias de parte a parte, talvez já sintoma da perda de força do dirigente (e a Globo não é boba de morrer abraçada com ele).
Enfim, até mesmo quando algo tão desejado pelos apaixonados pelo futebol brasileiro está prestes a acontecer, as perspectivas são pouco animadoras. O único alento que fica é que, normalmente, derrubar uma gestão de décadas é sempre um bom primeiro passo. Talvez seu sucessor, por pior que seja, e talvez justamente por isso, não consiga se manter por muito tempo no cargo. E, quem sabe, por que não sonhar, dias melhores virão… Só não sabemos quanto tempo isso ainda vai levar!
Ou pode ser que nada aconteça, e numa manobra acrobática de bastidores, num nó político bem dado, toda a costura seja feita para salvar Teixeira e manter intacto os planos ambiciosos de sua trupe. Dá para duvidar?
E tudo isso faltando apenas dois anos para a Copa no Brasil!
Sobre o direito de compartilhar opiniões
0A maioria dos visitantes deste blog e/ou meus amigos (normalmente as duas coisas coincidem) já devem conhecer o site Os Comilões. Ele foi criado com o propósito de compartilhar opiniões e dicas sobre restaurantes, bares e lanchonetes de São Carlos (a princípio).
A idéia nunca foi apresentar uma opinião formal, como explicamos na seção Quem Somos do site, posto que não somos especialistas da culinária ou turismo gastronômico. A idéia é mesmo fazer uma troca de experiências, dar aquela dica de amigo, sempre com o intuito mais de divulgar boas opções do que sair criticando os lugares (e eu até já recebi críticas por essa opção). Afinal, como costumo dizer, se o serviço é honesto, gostar ou não é questão de preferência pessoal. Cada um tem a sua. Inclusive é uma das propostas do site torna-lo uma ferramenta colaborativa, aceitando postagens de colaboradores, e principalmente comentários que agregassem opiniões diversas sobre cada lugar visitado.
Nesses oito meses de existência, o site não tornou-se nenhuma referência no assunto na cidade, mas muita gente que visita sempre volta para pegar algumas dicas diferentes de lugares para conhecer. Acaba sendo um meio legal e democrático de divulgação das opções gastronômicas da cidade. Bom para os comerciantes. Nós nada ganhamos com isso, a não ser o prazer de compartilhar opiniões e boas dicas. Porque aquilo que você dá, também recebe.
Infelizmente, apesar das boas intenções do site e da boa vontade na maioria das resenhas feitas, Os Comilões estão sob risco. Lamentavelmente, o que deveria ser um aliado dos comerciantes, devido à publicidade gratuita e incentivo à atividade, parece transformar-se em ameaça para alguns deles.
Eu brinco com meus colegas comilões que, não importa quanto elogio seja feito, se houver uma única crítica, é essa que vai doer ao dono do estabelecimento. É até natural e saudável, posto que a maioria busca (ou deveria buscar) incessantemente a excelência no atendimento. Mas não deixa de ser irônico que, entre dez elogios e um único comentário mais crítico, seja este último a chamar mais a atenção, e fazer parecer que o texto todo foi para falar mal do lugar. E não foi. Nunca é. Não temos essa pretensão.
Se nossas críticas pontuais em meio a outros elogios incomoda, que dirá os comentários de nossos visitantes – sobre os quais o único controle que temos é o da aprovação ou reprovação, e que por princípio democrático optamos pela primeira opção em 90% dos casos (os 10% restantes são os reservados para os que partem para ameaças físicas, acusações graves sobre a reputação dos comerciantes, ou coisas do tipo, quase sempre com uso de palavrões). E é com os comentários que começaram a surgir os primeiros problemas…
Primeiro foi uma pizzaria delivery que não gostou de um comentário dizendo que o pizzaiolo era ruim, e alegando estar sob nova direção, exigiu que o comentário – e o texto – fosse retirado, o que recusamos. O que poderia ser feito neste caso é uma nova experiência, sem aviso prévio, para que tenhamos a nova impressão do lugar. Mas as opiniões expressas nos comentários são pessoais, e de responsabilidade do visitante.
Mais recentemente, no texto sobre um estabelecimento do qual já escrevemos três vezes (tratando serviços diferentes), e em que todos haviam muito mais elogios do que críticas, e as críticas eram sobretudo pela demora no atendimento, um comentário de um visitante que não conhecemos criticando justamente este problema – talvez de forma agressiva e até preconceituosa, é verdade – causou uma reação desproporcional de pessoas envolvidas com o restaurante (alguns se identificando como funcionários, outro que parecia ser o dono, e por aí vai).
Eu entendo que esses comerciantes sejam pessoas honestas que dão o duro para manterem seus negócios, e é difícil receber críticas, sobretudo as agressivas. Mas não pode ser que eles achem que reações agressivas contra clientes insatisfeitos melhorará a imagem do lugar. Perdem a oportunidade de esclarecer o problema, trazer o cliente de volta, e ganhar o respeito dos demais que acompanham o caso.
O maior exemplo disso aconteceu no último final de semana. Em um texto que era só elogios sobre uma pizzaria, um visitante havia deixado o seguinte comentário:
Douglas on 16 de janeiro de 2012 às 6:50Lugar muito bonito, pena que ontem dia 16/01/2012 caiu uma barata no braço da minha namorada, que passou pelo prato dela, caiu no chão e depois subiu pela minha minha perna pelo lado de dentro da calça. Tive que esmagar ela com a minha calça e ir no banheiro tirar…
Todo mundo viu, todos os garçon e simplesmente cobraram a pizza e nem desculpa pelo ocorrido pediram.
Pena na hora não ter feito um vídeo pra postar…
E aí eu pergunto aos meus amigos: o que deveríamos fazer? Reprovar um comentário com nome e data, narrando um fato relevante e pessoal?
Do mesmo modo que abrimos o espaço para qualquer visitante deixar seu depoimento, ele fica aberto para que o estabelecimento dê sua versão dos fatos. Mas ao contrário disso, o que recebemos foi uma espécie de ameaça:
antonio carlos on 12 de fevereiro de 2012 às 15:19boa tarde parabens pelo trabalho de vcs, acredito que nao devam ter autorizacao para direito de imagem muito menos divulgarem comentarios maldosos, sendo que um dos padroes e objetivos da casa e zelar pela higiene e qualidade, gostaria que retirassem o nome da pizzaria {nome da pizzaria} desse site caso contrario resolveramos atraves da justica.
As fotos usadas nos posts são tiradas com nossa própria câmera, e para falar a verdade não mostram muita coisa. Normalmente é o prato servido e uma foto da fachada. Quanto ao fato comentado pelo visitante, talvez seja invenção (como vamos saber?), mas se o comentarista “antonio carlos” for algum representante da pizzaria, não teria sido mais elegante se dispor a esclarecer o fato, convidar o tal Douglas a explicar o ocorrido, e mostrar atenção e preocupação com o atendimento? Afinal, uma barata isolada no estabelecimento não significa necessariamente falta de zelo pela limpeza e higiene, posto que é um inseto que pode vir da rua num abrir e fechar de portas…
Depois de algumas manifestações de apoio que recebemos nos comentários deste mesmo post, e também pelo Facebook, veio um novo comentário, agora sim identificando-se pela pizzaria…
{nome da pizzaria}* on 13 de fevereiro de 2012 às 9:28Bom dia a todos em nome da pizzaria {nome da pizzaria}*, gostariamos de esclarecer e nos desculpar que tal comentario nao foi feito por NOS. deve ter ocorrido um mal entendido ou ALGUMA BRINCADEIRA DE MAL GOSTO QUE TAMBEM ACHAMOS UM POUCO INDELICADA, MESMO ASSIM PEDIMOS DESCULPAS PELO MAL ENTENDIDO.
Não dá para afirmar se foi realmente um mal entendido, ou se voltaram atrás quanto a reação que tiveram. De qualquer forma, bem melhor assim.
Mas deixo cá a pergunta para nossos amigos, principalmente os que entendem da legislação e o mundo “virtual”. E se a ameaça se concretizasse? E se outras vierem? E se o estabelecimento sentir-se prejudicado? Estamos errados em expor nossas opiniões, e liberar as de nossos visitantes? Como funciona esse tipo de direito para redes colaborativas, sobretudo as que trabalham especificamente com isso, como Foursquare e Google Places?
Gostamos do nosso site e sempre desejamos que ele fosse útil para os muitos comilões são-carlenses – e quem sabe num futuro breve em outras praças também. Agora, se for para prejudicar comerciantes honestos ou limitar as opiniões do público, não vale a pena…
Guia prático de como escrever um best-seller
0- O ponto de partida é a única etapa realmente criativa. Pense numa sacada legal… Algo como uma analogia, ou algo “denorex” (parece, mas não é…). Pode ser algo advindo de uma anedota mesmo, com potencial a ser explorado, ou alguma brecha não explicada nos livros de história. Neste ponto não se preocupe com o enredo.
- Delineie sua história com tudo aquilo que as pessoas gostariam de ouvir. Fale mal de algo que elas queiram se livrar, massageie seus egos, dê-lhes novas (boas) perspectivas.
- Com o arcabouço da sua história traçado, agregue a ela fatos reais. Misture realidade e ficção aleatoriamente e mexa bastante. O ponto ideal é quando estiver imperceptível, no texto, o que é fato e o que é criação imaginativa.
- Adicione ainda alguns elementos que façam parecer que você está transmitindo algum tipo de informação/cultura útil aos leitores. Deixe que eles pensem que estão ficando mais inteligentes ao lerem seu livro.
- Envie seu trabalho para uma editora especializada em marketing. De preferência uma daquelas que compra toda a primeira tiragem só para o livro aparecer na lista dos mais vendidos.
- Venda o livro como uma ficção com um pouco de verdade, ou como verdade com um pouco de ficção… Mas demonstre confiança no que diz. As pessoas adoram acreditar no que lêem.
Tapa não educa os filhos. Proibí-lo não educa os pais.
2A famosa Lei da Palmada – que proíbe que pais, professores e outros usem de castigos corporais em crianças - tem caráter assertivo, tal como a política de cotas amplamente adotada para acesso às universidades. Há quem ache ótimo medidas assertivas e afirmativas para intervir com imediatismo em “equívocos” sociais e culturais. Eu não gosto. Tenho receio. E explico.
De fato, nenhuma criança será melhor educada a tapas do que sem eles. A violência não educa, e ainda serve de contra-exemplo para os valores que realmente desejamos deixar para as novas gerações. Pais bem instruídos sabem disso. Os ignorantes não sabem, e não vão aprender com a proibição. Provavelmente continuarão a fazê-lo, e terão novos problemas com isso. Ou deixarão de fazê-lo, sem nenhuma substituição, simplesmente deixando para lá, criando crianças ainda mais sem limites.
No entanto, diferentemente do que penso sobre as cotas raciais, não sou totalmente contra a tal Lei da Palmada. Pode servir ao menos para que as famílias repensem seus hábitos e suas crenças na educação dos menores. Ao contrário das cotas, que não contribui para que os negros sejam mais respeitados, mas aumentam a segregação e discriminação, por basear-se na distinção de raças para reserva de direitos.
Não, proibir as palmadas não gera distorções deste nível, mas também não melhora a qualidade da educação dos filhos, porque não melhora a qualidade da educação de quem os educam.
A melhor maneira de garantir uma boa educação às crianças é investindo na educação dos pais e educadores, assim como a melhor forma de equilibrar a proporção de negros nas universidades é dando acesso à educação de qualidade para todos. Mesmo que leve mais cem anos até que formemos pais que entendam, de uma vez por todas, que dor física não forma caráter.
“Ser Campeão é Detalhe”
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Cheguei um pouco tarde para ver a brilhante passagem do Dr. Sócrates pelo Timão. Nascido em 80, tinha apenas dois anos em 82, três em 83, e minhas lembranças mais remotas de torcedor Corinthiano são de 85, mais ou menos. Ainda assim, vi Sócrates exibir seu elegante futebol na Copa de 86, que foi tão intensa para mim. E sempre o via como um ídolo da Fiel. Mas, por razões óbvias, meus primeiros grandes ídolos alvinegros foram Ronaldo, Biro-Biro, Neto… Ou seja, jogadores que me trouxeram as alegrias das conquistas em 88, 90, e daí por diante.
Minha admiração maior por Sócrates começou tardia, conforme me aprofundava na história do nosso Todo Poderoso, e foi se solidificar e intensificar mais e mais muito tempo depois, quando já maduro, comecei a delinear minhas orientações políticas e valores pessoais.
Quando finalmente entendi o que significou aquela tal de Democracia Corinthiana no contexto histórico brasileiro, eu já conhecia muito sobre a história de fundação do clube, sua origem popular, a brava luta operária para prevalecer num universo dominado pela elite paulistana, e etc. E a partir de então, Sócrates Brasileiro passou a representar, para mim, a personificação mais clara do que é o Corinthians, da sua razão de existir e de seus valores indeléveis. E esta razão pode ser expressada em uma só palavra que o Doutor adorava usar: povo.
Por tudo isso, ontem, ao saber de sua morte, resumi dizendo que:
Sócrates talvez não seja o melhor jogador da história do Corinthians (mas é um dos melhores), e certamente não é o mais vencedor com a camisa do Timão. Mas é aquele de quem mais me orgulho.
A perda
Ao saber da notícia, senti uma tristeza profunda, como é difícil sentir por alguém que não conhecemos pessoalmente. Mas às vezes acontece, como já contei aqui recentemente.
Esse tipo de dor é maior quando sentimos que havia muita contribuição a ser dada ainda. E na cabeça do Doutor ainda fervilham idéias geniais e um espírito crítico aguçado como poucos, como podemos detectar em sua crônica recentíssima, de menos de 10 dias, no Carta Capital.
Perdemos alguém que nos levava a pensar diferente. E eu perdi a esperança de um sonho: ver Sócrates e Wladimir, de alguma forma, no comando do Sport Club Corinthians Paulista. Algo que volta e meia era levantado por torcedores, mas que eu sei que dificilmente aconteceria, e que nem sei se seria uma boa mesmo. Mas seria no mínimo diferente – como tudo que o Doutor fazia.
O Penta
Para Sócrates, ser campeão não era o mais importante. Para a Fiel também não é. Mas é ótimo! E o Doutor sempre soube disso. Costumava dizer que as conquistas do campo amplificavam a voz do povo.
E como bem disse o Magrão certa vez…
Num país em que os mais fracos social, política e economicamente não têm voz nunca, neste caso têm. Através do Corinthians, eles conseguem se manifestar, quer dizer, a torcida corinthiana utiliza o seu clube, o seu time, a sua expressão física, como forma de contestação de tudo aquilo que não lhe é dado de direito
Ontem o povo do Dr. Sócrates chorou sua morte, mas bradou feliz: Corinthians Pentacampeão Brasileiro! Uma conquista com cara de Corinthians, com cara de povo. Sofrida, batalhada com gana mais do que técnica. E só nós, Corinthianos, sabemos o quão longa e difícil foi essa batalha. Quanta coisa ouvimos, quanto preconceito enfrentamos, quanta inveja e “secadeira”… Tudo porque o Corinthians se tornou o time mais odiado do país. Em partes por culpa de seus dirigentes e suas alianças obscuras, é verdade, mas principalmente por conta de perseguições e maquiavelismos com os quais temos que lutar todos os dias, desde 1910.
Tivemos que aturar um técnico que parece ter sido feito para o Corinthians, pois garante sofrimento extremo até o último instante, e que ontem abusou da irritabilidade. Colocamos medalhões no banco e vencemos com guerreiros incansáveis, com o Liédson que, mesmo com dores, foi um dos principais responsáveis pela arrancada final, com gols decisivos, como sempre. Seguramos e enervamos nossos rivais, com provocações malandras, mas dignamente populares, como Luizinho fazia ao sentar na bola em frente ao zagueiro deles, ou como Edílson e suas embaixadinhas…
Eu não sei até que ponto a morte do Doutor pode ter influenciado o desempenho dos jogadores… É difícil imaginar isso. Mas certamente ajudou para que a Fiel, ainda mais emotiva, ainda mais “louca”, bradasse e cantasse pelos quase 100 minutos de jogo!
E circula pela Web uma frase que ele teria dito em entrevista nos anos 80. Não pude confirmar a veracidade da autoria, mas nem é preciso: se ele disse isso, fantástica coincidência, mas se não disse, certamente pensava. Tem a cara dele.
Quero morrer num Domingo, e com o Corinthians Campeão
Este título é para você, Doutor! O título que lhe faltou com a camisa do Timão, mas que ajudou a conquistar ontem, inflamando os corações da Fiel que empurrou o time em mais uma batalha contra o maior rival.
A homenagem
Senti muita vontade de estar no Pacaembu ontem, para sentir a emoção daquele título mais de perto. Lamentei um monte de decisões que me levaram a não estar lá. Mas o que mais queria ter presenciado e vivido foi o momento da homenagem da Fiel nas arquibancadas e dos Mosqueteiros em campo. Uma das imagens mais lindas desses mais de 30 anos de torcida pelo Timão. E que infelizmente as TVs não souberam captar em sua essência. Queria estar lá… Mas essa torcida me enche de orgulho! Obrigado a todos os amigos Corinthianos que estavam lá, gritaram por mim e que cerraram seus punhos ao alto para eternizar este ídolo!
Um busto é justo
Sócrates nunca abraçou a atual diretoria corinthiana. Discordava de uma série de coisas que aconteceram na gestão Sanchez, como os altos valores para manter o Ronaldo na equipe para pouco retorno técnico, e estratégias de “business” que só afastam o que há de mais popular nesses 101 anos de história do Time do Povo.
Por conta disso, ou por medo da força política do Doutor, dirigentes e principalmente adestrados dessa administração achincalharam e tentaram manchar a imagem do ídolo da Fiel.
Com sua morte, vejo os mesmos que o chamavam de coisas que nem quero repetir aqui agora reverenciando seu nome. Ótimo. Tarde, mas melhor assim. E se o medo político se foi com sua morte, seria justo agora dedicar a ele um busto no clube. Ou uma estátua de sua imagem com o punho cerrado. Simbólico.
O filme
A frase do título deste post também está no título do documentário “Ser Campeão é Detalhe: Democracia Corinthiana”, que, coincidentemente, será lançado nesta semana (dia 8/12, quinta-feira). O projeto vem sendo trabalhado há 3 anos. No início, de forma independente, a partir de um trabalho de conclusão de curso de estudantes da Midialogia da Unicamp. Agora, com produção da DNA Filmes.
O filme conta com vários depoimentos de jogadores do time da democracia (82-83), inclusive, é claro, o nosso eterno Dr. Sócrates.
Não dá pra não assistir. A boa notícia é que a partir de Sexta-feira, dia 9, ele estará disponível gratuitamente pela Internet!
Pequenas dicas para quem quer discutir o caso da PM na USP sem passar vergonha
6Eu já era contra a incursão da PM na USP desde antes dela acontecer, porque o desfecho era previsível. E não precisa voltar aos anos 60 para entender, basta lembrar disso ou disso.
Não estou muito a fim de me alongar nesse debate de prós e contras, porque os argumentos que costumam apresentar colocam muitos defensores da PM na Cidade Universitária lado a lado com os defensores do armamento da sociedade civil como forma de “proteção”. Mas, vá lá, são opiniões condizentes com os perfis dessas pessoas – muitas delas de dentro da própria USP.
O que gostaria de fazer neste post é questionar algumas das inúmeras e incontáveis baboseiras que se espalham pela Web desde o início da polêmica ocupação da FFLCH e posteriormente da Reitoria da USP por estudantes que são contra a presença policial no campus.
Independente da sua posição nesse debate, considere dar uma olhada nos “toques” que dou abaixo, já que alguns fatos parecem não ser do conhecimento da maioria que se pronuncia sobre o assunto. E se depois disso continuar achando que “tem que descer o cacete mesmo nesse bando de playboy maconheiro”, aí tudo bem. Pelo menos já saberei como pensa o debatedor.
- A concentração dos estudantes que participam dessa manifestação está, basicamente, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. E, francamente, o perfil de estudante da fefeleche costuma passar longe do perfil “playboy”.
- Sim, a maior parte dos alunos da USP preenchem o tal perfil “reaça”, mas isso também passa longe da FFLCH. E em hipótese alguma esses alunos agora revoltosos estão entre os que pediam a presença policial no campus. São perfis completamente opostos!
- Já o esteriótipo de “maconheiro” costuma ser mais atribuído aos alunos da unidade. Mas acredite: há mais ideologia por trás de toda essa confusão do que gente preocupada em fumar um sossegado. Troque dois minutos de conversa com esses alunos e identificará isso. Aí você pode achar a ideologia uma porcaria, e que a PM tem todo o direito de estar lá e prender quem infringe a lei. Só não saia por aí falando que a questão se resume ao consumo de drogas que pega mal pra você mesmo.
- Preocupe-se mais com a “juventude perdida” do lado de fora da universidade. A que é incapaz de indagar ou entender onde a força militar indevida é nociva, dentro ou fora do campus. Contestação nunca foi sintoma de alienação – é justamente o contrário.
- Troque um pouco de canal. Recupere o hábito de ler textos maiores que 140 caracteres. Talvez isso te leve a uma realidade um pouco diferente do que está vendo. Porque um lado da história vocês já tem. Está todos os dias em todos os veículos de mídia e na boca dos “formadores de opinião” de quinta que influenciam a nova geração. Agora é bom ouvir o outro lado também, desprovido de preconceitos. Deixo até boas sugestões de leituras abaixo. E não espero que com elas você mude sua opinião. Mas é bom saber um pouco mais do assunto antes de replicar humoristas bobalhões ou figurinhas de incitação ao ódio aos estudantes.
Dicas de leitura:
- Reitoria promove a militarização para não discutir a USP, dizem manifestantes – no Blog do Sakamoto
- A USP, a polícia, o futuro – no blog Dia de greve, dia de trabalho, onde também vale a leitura do texto Violência e estupidez, de maio de 2011, ou seja, de antes do convênio PM-USP.
- O verso e o anverso na USP – de Jorge Luiz Souto Maior, Professor livre-docente da Faculdade de Direito da USP, no blog Ocupa USP Contra a Repressão, que também merece outras leituras.
Quando um ídolo se vai
4Devo confessar que comecei este texto pelo título, embora normalmente deixe-o por último. A razão para esta inversão foi a decisão sobre usar ou não a palavra “ídolo”. Normalmente ela causa certa repulsa nas pessoas. Se nos restringirmos à definição mais estrita do verbete, realmente, não há adoração devida que não seja a Deus (pela minha crença). Mas para mim a palavra “ídolo” sempre denotou algo bem mais simples. Ídolo é aquela pessoa famosa que mesmo distante é capaz de afetar nosso humor ou influenciar nossos gostos. Não a ponto de fazer aceitar prontamente qualquer palavra dita por esta personalidade, muito menos fazer seguir seus passos. Mas que nos comova com intensidade suficiente para, por exemplo, nos fazer chorar sua morte.
Quando morreu Sid Vicious, vocalista da banda punk inglesa Sex Pistols, em Fevereiro de 1979, um jovem de Brasília de 18 anos chorou. “Nada me atingiu do jeito que a morte de Sid me atingiu. Chorei a noite toda, e era como uma espécie de grito, doloroso…”, disse ele em uma carta enviada a uma revista inglesa, assinada como Eric Russel. Mas o nome dele não era Eric. Era Renato.
Quando Renato Russo morreu, há exatos 15 anos, eu tinha 16. E chorei, como só chorara na morte de outro ídolo, Ayrton Senna, dois anos antes. Mas diferente de 94, onde o choro foi crescendo aos poucos, e se arrastando pelo resto do dia – e talvez por alguns outros – a morte de Renato me causou reação explosiva imediata. Uma inquietação que martelava em minha cabeça dizendo: “acabou”. Meu irmão, ao meu lado, tirou sarro, mas como disse o próprio Renato em sua carta sobre a morte do Sid: “Pode rir, você não entende”. Me lembro até hoje, recebi a notícia no horário do almoço. A tarde fui trabalhar vestindo uma camiseta com a imagem de Renato que tomava toda a frente, e nas mãos o CD “A Tempestade ou O Livro dos Dias”, recém-lançado, e que claro, eu já possuía. A camiseta era preta, o álbum fúnebre (para muitos, o mais depressivo da banda). E no encarte os dizeres:
O Brasil é uma República Federativa cheia de árvores e gente dizendo adeus.
Abaixo a íntegra da carta enviada por Renato Manfredini Júnior, publicada no Melody Maker, da Inglaterra, sobre a morte de Sid Vicious. (retirei daqui)
Acho que meu pai sabia, ele provavelmente viu na TV ou leu nos jornais, mas não me contou. Um amigo me disse e eu não acreditei. Tive que ligar para meu professor de violão e perguntar se ele tinha ouvido alguma coisa. Aconteceu numa sexta-feira, mas eu só soube da notícia domingo à noite. Nada me atingiu do jeito que a morte de Sid me atingiu. Chorei a noite toda, e era como uma espécie de grito, doloroso, não só por Syd, mas por tudo. Perdi completamente o controle de mim mesmo. Sabe, nada acontece aqui, nunca. Eu sempre recebo as notícias duas semanas atrasado. Não se lança nada de new wave (ou qualquer outra coisa boa que interesse) aqui, eu tenho que comprar importados no Rio. Tudo é discoteca, Travolta ou samba.
Quando a coisa do punk começou, eu e meus amigos entramos de cabeça porque alguma coisa estava acontecendo. Nos envolvemos com a música como não acontecia desde os Beaties e os Stones. Era diferente. Sid, John e o Clash, eram todos heróis. Eles pensavam do jeito que a gente pensava; nem mesmo o Airplane (Jefferson Airplane, grupo psicodélico formado em São Francisco, no auge do flower power) tinha batido tão perto em mim. Dava um certo medo, era como dividir alguma coisa, não era apenas ser um fã burro. (…) Ele morreu por causa do que era. E como Brian (Jones, guitarrista dos Stones), Jim (Morrison, vocalista dos Doors) e Gram (Parsons, ex-The Byrds, pioneiro do country rock que morreu em 1973, de uma overdose de morfina e tequila, em Joshua Tree, Califórnia), as pessoas só vão entender depois de alguns anos. Alguns vão esquecer, outros não, alguns já esqueceram, mas quando um herói éde verdade (eu digo herói mesmo), ele sobrevive. Aposto que alguém vai rir lendo isso. Pode rir, você não entende. (…) Eu cresci milênios de 75 para cá. Mas ainda tenho 18 anos. Vejo as coisas um pouco diferentes agora, e odeio… Mas vou passar por isso e não vou perder (ganhar) como Sid Vicious fez. E eu vou fazer por ele porque ele fez por mim
Manter o “técnico” é bom quando ele é bom
0No futebol brasileiro, a troca dos “técnicos” de tempos em tempos, de acordo com a sequência recente de resultados tornou-se uma coisa banalizada. Diante disso vieram as críticas ferrenhas dos formadores de opinião, “comentaristas esportivos”, e etc. A alegação é que os clubes que trocam menos de técnico conseguem melhores resultados. E de que boa parte dos problemas dos clubes é pelo imediatismo na troca do treinador.
De fato, a crítica é válida em muitos casos. Por exemplo, em 2009, quando o São Paulo demitiu Muricy Ramalho após eliminação da Libertadores daquele ano, fazia algum sentido? Futebolisticamente, nenhum. O cara havia ganho os últimos três campeonatos brasileiros pelo clube do Morumbi, mesmo sem ter sempre em mãos muitos talentos. Fez com jogadores medianos um time extremamente eficaz e regular. O resultado da demissão foi o óbvio: Muricy voltou a ser campeão brasileiro em 2010, pelo Fluminense, e em 2011 já acumula os títulos Paulista e da Libertadores. E segue muito bem. Já o São Paulo não ganhou mais nada, e trocou novamente de comandante mais três ou quatro vezes.
Agora, vamos combinar, todo esse discurso politicamente correto não vale para quando a opção escolhida para o cargo é obviamente um grande e absurdo equívoco desde o início! Nenhuma empresa manda embora um diretor que sempre deu bons resultados no primeiro período de baixa, com o mercado enfraquecido… Mas também é verdade que nenhuma empresa minimamente séria e organizada contrata um profissional fracassado, despreparado, e o dá um cargo de alto escalão! E se comete esse equívoco de avaliação inicial, não pensa duas vezes para rever e substituir a diretoria. Imediatamente!
Quando Andrés Sanchez, o presidente do Corinthians, vem a público dizer que “não mando técnico embora”, e que “se o problema fosse treinador, eu já teria tirado”, ele não está sendo um dirigente diferenciado. Ele está, no mínimo, relutante em assumir o erro de sua escolha, que nunca, NUNCA funcionou! Como não poderia funcionar mesmo! O Tite nunca teve sucesso por clube algum! Nunca conseguiu um bom trabalho de longo prazo. E nunca, jamais poderia ser técnico de um clube do tamanho do Corinthians!
Mas, claro, no fundo eu não acredito que o problema do Sanchez seja só erro de avaliação. É que para uma gestão em que “futebol é business”, “futebol é detalhe”, ganhar ou perder, tanto faz…
#ForaTite
“O problema não é o Tusca”
1Ano passado, depois da morte do aluno da Poli, que caiu no córrego voltando “pra casa”, bêbado, na noite do Corso do TUSCA (Taça Universitária de São Carlos), eu falei aqui no blog sobre o chato embate que sempre acontece nesse período entre os estudantes com seus excessos e os minhocas que acham que “é tudo culpa desses estudantes vagabundos que só querem encher a cara e se drogar”.
Ontem aconteceu novamente o Corso, dessa vez numa região sem muitas casas. E mais uma tragédia aconteceu. Ironicamente, a vítima é um são-carlense, não-universitário, o que deveria eliminar a teoria provinciana (mas não duvido que alguns ainda façam a relação descabida). E se em 2010 eu achei exageradas as críticas ao evento e sua organização, pelo fato de a morte do estudante ter ocorrido enquanto ele voltava pra casa – e, como eu disse na época, “não há evento no país que se responsabilize por entregar todos os bêbados (ou não) sãos e salvos às suas casas” – dessa vez a coisa é mais polêmica, já que a morte aconteceu no próprio percurso do Corso.
Fatalidade? Falha na organização? Teremos que lamentar esse tipo de consequência todos os anos, ou o TUSCA deve acabar? Sinceramente, não gosto de nenhuma das idéias, mas também não tenho mais opinião definitiva formada para o assunto. Coloquei abaixo algumas das argumentações e contra-argumentações que tenho ouvido. Por último a de um jornalista da EPTV, em seu Facebook, que de tudo que li, é o que mais faz sentido pra mim, até então.
- O evento é mal organizado. Uma festa com 30 mil jovens não pode mais ser tratada como uma simples festa universitária.
- Mas como impedir que, em meio a dezenas de milhares de pessoas, aconteça uma briga que acabe como acabou esta?
- A culpa é do poder público. Quando o Corso era organizado só pelos estudantes, não ouvíamos falar de mortes. Desde que passou a ser um evento oficial do município, em 2010, acontece isso.
- Não acontecia ou não ficávamos sabendo? Se não chegava a tanto, um rastro de destruição era deixado no percurso. A maior organização trouxe melhorias importantes, através de exigências mínimas, como atendimento médico de urgência, banheiros químicos, e etc.
- É fatalidade. E se for pensar, um único incidente como este num evento deste porte não é absurdo.
- Se fosse assim, todo show popular e todo jogo de futebol seria seguido por uma manchete trágica, e Graças a Deus não é assim.
- Mas em nenhuma dessas festas ocorrem excessos na proporção que ocorrem no TUSCA.
- Se fosse assim, todo show popular e todo jogo de futebol seria seguido por uma manchete trágica, e Graças a Deus não é assim.
- O problema é que, para os estudantes, a proposta básica do TUSCA é o famoso “pode tudo”. O dia dos exageros. Não pode ser assim.
- Mas se fizerem um negócio comportado, regrado, controlado em excesso, não vai ser o TUSCA. Vai minguar.
- Mas tem que acabar mesmo!
- É, aí daqui a pouco não tem uma festa, nada, porque excesso tem em todas, e fatalidades podem acontecer em qualquer uma.
- Mas tem que acabar mesmo!
- Por Luis Antonio Garmendia: “O problema não é o Tusca senhoras e senhores. O problema é nossa juventude sem limites. Onde é preciso beber até passar mal, e perder o melhor da festa, aliás… O que acontece no Tusca não é diferente de nenhuma outra festa com jovens no nosso país. Ou alguém acha que o carnaval, orgulho nacional, é diferente? Mais do que proibir ou mudar eventos, precisamos mudar e educar nossa juventude“.
- Mas se fizerem um negócio comportado, regrado, controlado em excesso, não vai ser o TUSCA. Vai minguar.
A praça não é nossa
4A Prefeitura de São Carlos iniciou – ou melhor, reiniciou, já que processo semelhante foi feito em 2009 – a retirada de quiosques e ambulantes de praças ou outros espaços públicos. Por exemplo, a remoção do garapeiro que ficava em frente ao cemitério Nossa Senhora do Carmo, ou dos quiosques da Praça Brasil, na Vila Nery. É lei, eu sei, mas a quem isso beneficia? De uma só vez detonam com tradições locais e com o sustento de famílias honestas, que estavam ali trabalhando, e do dia para a noite estão sem nada. E tudo isso sem oferecer uma única alternativa equivalente aos comerciantes ou mesmo à população, que utilizavam-se do serviço ou dos produtos desses autônomos.
Recordo que há coisa de dois ou três anos critiquei duramente a atitude da Prefeitura de São Paulo de proibir as famosas barracas de sanduíche de pernil nos arredores dos estádios. Agora, me fala: quer coisa mais tradicional, bacana e popular que ir ao Pacaembu e, enquanto espera a hora do jogo, saborear um suculento sanduíche de pernil? Imagina o cidadão que sai de casa cedo, leva duas horas pra chegar ao estádio, mais duas até o jogo começar, mais duas de jogo e, pra terminar, outras duas para chegar em casa… São oito horas, e quais são alternativas? O mini dog seco e caro da lanchonete do estádio; Alguma padaria abarrotada e distante das imediações; Com sorte, encontrará algum ambulante com uma cesta ou caixa de isopor vendendo o sanduíche que fez em casa bem mais cedo, mais enxuto e já frio. E nessa já morre o argumento da vigilância sanitária.
A ironia é que quando me contaram sobre o fim das barracas no entorno do Paca, eu usei justamente a Prefeitura de São Carlos como exemplo. Ainda nos primeiros anos do primeiro mandato do Prof. Newton Lima, a administração municipal quis remover todos os ambulantes da “baixada do Mercado”. Mas ao invés de simplesmente “limpá-los” dali, dizimando o sustento de muita gente e o tradicional comércio popular, optou-se por regularizá-los e alocá-los em espaço apropriado, com boxes feitos com alvenaria, com mais estrutura e etc. O tal “camelódromo”, popularmente conhecido em Sanca com “Shopping Beira-Rio” (se bem que deveria ser Beira-Córrego).
Agora, já com outro prefeito – mas praticamente a mesma gestão – simplesmente varrem essas pessoas das praças, em que, vamos falar a verdade, só íamos para consumir deles. Dizem estar cumprindo a lei de autoria do vereador Dorival Mazola – que por sinal, faleceu hoje, que Deus o tenha. Mas qual o sentido disso? Deixar as praças mais limpas e vazias? Ou alguém ainda vai às praças, sobretudo a noite, só para passear? Eu me lembro que no período em que estudei no Industrial, a Praça Brasil à noite era virtualmente dividida em duas. A parte de cima, próxima à escola, onde estavam as barracas e o pessoal frequentava para comer algo, e a parte de baixo, populada por usuários e vendedores de drogas. Agora a praça é toda dos traficantes, suponho, assim como a Praça Charles Miller (em frente ao Paca) continua dominada pelos cambistas. E esses ninguém remove!
Admito que é injusto que comerciantes sofram para manter seus comércios regularizados, com alta carga tributária, enquanto outros simplesmente instalam-se em espaços públicos estratégicos, de forma irregular e sem nenhuma preocupação legal ou sanitária. O que defendo é que instalações de décadas, tradicionais e de grande aceitação e benefício popular, não sejam simplesmente extirpadas desses locais, mas sim regularizadas, seguindo requisitos mínimos e factíveis. E que se proíba apenas novas instalações.






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