Futebol
Da possível (ou provável) queda de Ricardo Teixeira e suas consequências
2Quem acompanha os noticiários esportivos que tratam dos bastidores do mundo da bola deve estar atento aos rumores crescentes de uma possível (e cada vez mais provável) saída de Ricardo Teixeira do comando da CBF. Há inclusive quem diga que isso tem data para acontecer: nesta quinta-feira, dia 16/02.
Bom demais para ser verdade? Mais ou menos. Na verdade, não é tão bom quanto parece, e sim, pode ser verdade. A conferir amanhã, ou num futuro breve. Ou não.
Mas como o cara que “sobreviveu” à CPI do futebol em 2001, e tem mandato assegurado até 2015, com uma Copa do Mundo para sediar um ano antes, iria perder força e ceder o cargo justo agora? Os reais motivos não sabemos, e talvez nunca venhamos a saber, mas dá para elencar algumas possibilidades.
- Saúde. Esse deve ser o motivo alegado – lembrando que o presidente da CBF passou por internação há quatro meses e tem histórico de problemas cardíacos. Pode ser que tenha mesmo que se cuidar, mas certamente não é razão para afastá-lo do cargo pelo qual tem tanto apreço.
- Manobras do Planalto Central. Dizem alguns cronistas que Ricardo Teixeira perdeu força com a saída de Lula. E que Dilma “não vai com a cara” do sujeito. Sabemos que Dilma é um tanto quanto intolerante mesmo com esse tipo de coisa, mas que não pode interferir diretamente na Confederação Brasileira de Futebol. Mas trocar Orlando Silva, que já havia tornado-se amiguinho de Teixeira, por Aldo Rebelo, justamente o relator da CPI do Futebol em 2001, pode ter sido o caminho que ela encontrou para pressioná-lo.
- FIFA. Os planos de Ricardo Teixeira provavelmente envolviam deixar a presidência da CBF em 2015 para tentar a da Fifa, no mesmo ano. Joseph Blatter, o atual presidente da entidade máxima do futebol, não quer isso, e trabalha forte nos bastidores para queimar Teixeira. Na briga entre ambos, sobram ameaças de denúncias de participação em esquemas de suborno e coisas do tipo. Essa briga só não teria eclodido até então porque ambos tem cartas na manga, e ninguém quer pagar para ver.
- Superfaturamento em amistosos da seleção. A Folha de S. Paulo publicou na edição desta quarta provas da ligação de Ricardo Teixeira com empresas “fantasmas” que receberam milhões de dólares para a organização de amistosos da Seleção Brasileira de Futebol. Essas denúncias ligam-se a outras, que em cascata desenham um cenário do qual o dirigente dificilmente conseguirá se desvincular.
Para mim, toda essa história lembra alguns mitos antigos, como o de Ícaro, que quis voar cada vez mais alto, e o sol derreteu suas asas e o fez cair e morrer afogado. Teixeira, de tanto ter poder e de tanto querer mais, não soube medir corretamente sua força, e pode sucumbir diante de forças não mais justas, mas certamente mais poderosas.
E quais seriam as consequências imediatas do fim de uma gestão de nada menos que 23 anos? Bom, tenho alguns palpites.
- Antes que muitos se animem, é preciso cautela. A saída de Teixeira, se ocorrer, não significa nenhum ganho imediato para o futebol brasileiro. Seu sucessor mais provável é José Maria Maurin, sujeito de índole talvez pior que o Ricardão, se é que isso é possível.
- Maurin, dizem, é estreitamente ligado a Marco Polo Del Nero, atual presidente da Federação Paulista de Futebol. Que, IMHO, tem se mostrado péssimo administrador esportivo (para não falar de suas “qualidades” morais).
- Se muitos apostavam que a ida do ex-presidente corinthiano Andrés Sanchez para o esquisito cargo de Diretor de Seleções da entidade era um passo para começar a direcioná-lo para suceder Teixeira em 2015, a queda precipitada do dirigente em meio a escândalos e perda de força política deve fazer sucumbir também os planos de Sanchez, que sequer manteria o atual cargo.
- No mundo dos clubes, alguns que recentemente entraram em rota de colisão com o comando da CBF poderiam voltar a sonhar com os conchavos de antigamente. Porque, não se engane, TODOS estão interessados apenas no benefício próprio. A única variante é o alinhamento de interesses, ora com uns, ora com outros.
- Para as TVs, talvez nada mude. É verdade que a Globo foi velha aliada de Teixeira nesses 23 anos, e que o presidente da CBF exerceu papel importante nos bastidores da renovação dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro, assunto bastante polêmico do ano passado. Mas também é fato que a relação Globo-Teixeira andava estremecida, cheia de represálias de parte a parte, talvez já sintoma da perda de força do dirigente (e a Globo não é boba de morrer abraçada com ele).
Enfim, até mesmo quando algo tão desejado pelos apaixonados pelo futebol brasileiro está prestes a acontecer, as perspectivas são pouco animadoras. O único alento que fica é que, normalmente, derrubar uma gestão de décadas é sempre um bom primeiro passo. Talvez seu sucessor, por pior que seja, e talvez justamente por isso, não consiga se manter por muito tempo no cargo. E, quem sabe, por que não sonhar, dias melhores virão… Só não sabemos quanto tempo isso ainda vai levar!
Ou pode ser que nada aconteça, e numa manobra acrobática de bastidores, num nó político bem dado, toda a costura seja feita para salvar Teixeira e manter intacto os planos ambiciosos de sua trupe. Dá para duvidar?
E tudo isso faltando apenas dois anos para a Copa no Brasil!
“Ser Campeão é Detalhe”
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Cheguei um pouco tarde para ver a brilhante passagem do Dr. Sócrates pelo Timão. Nascido em 80, tinha apenas dois anos em 82, três em 83, e minhas lembranças mais remotas de torcedor Corinthiano são de 85, mais ou menos. Ainda assim, vi Sócrates exibir seu elegante futebol na Copa de 86, que foi tão intensa para mim. E sempre o via como um ídolo da Fiel. Mas, por razões óbvias, meus primeiros grandes ídolos alvinegros foram Ronaldo, Biro-Biro, Neto… Ou seja, jogadores que me trouxeram as alegrias das conquistas em 88, 90, e daí por diante.
Minha admiração maior por Sócrates começou tardia, conforme me aprofundava na história do nosso Todo Poderoso, e foi se solidificar e intensificar mais e mais muito tempo depois, quando já maduro, comecei a delinear minhas orientações políticas e valores pessoais.
Quando finalmente entendi o que significou aquela tal de Democracia Corinthiana no contexto histórico brasileiro, eu já conhecia muito sobre a história de fundação do clube, sua origem popular, a brava luta operária para prevalecer num universo dominado pela elite paulistana, e etc. E a partir de então, Sócrates Brasileiro passou a representar, para mim, a personificação mais clara do que é o Corinthians, da sua razão de existir e de seus valores indeléveis. E esta razão pode ser expressada em uma só palavra que o Doutor adorava usar: povo.
Por tudo isso, ontem, ao saber de sua morte, resumi dizendo que:
Sócrates talvez não seja o melhor jogador da história do Corinthians (mas é um dos melhores), e certamente não é o mais vencedor com a camisa do Timão. Mas é aquele de quem mais me orgulho.
A perda
Ao saber da notícia, senti uma tristeza profunda, como é difícil sentir por alguém que não conhecemos pessoalmente. Mas às vezes acontece, como já contei aqui recentemente.
Esse tipo de dor é maior quando sentimos que havia muita contribuição a ser dada ainda. E na cabeça do Doutor ainda fervilham idéias geniais e um espírito crítico aguçado como poucos, como podemos detectar em sua crônica recentíssima, de menos de 10 dias, no Carta Capital.
Perdemos alguém que nos levava a pensar diferente. E eu perdi a esperança de um sonho: ver Sócrates e Wladimir, de alguma forma, no comando do Sport Club Corinthians Paulista. Algo que volta e meia era levantado por torcedores, mas que eu sei que dificilmente aconteceria, e que nem sei se seria uma boa mesmo. Mas seria no mínimo diferente – como tudo que o Doutor fazia.
O Penta
Para Sócrates, ser campeão não era o mais importante. Para a Fiel também não é. Mas é ótimo! E o Doutor sempre soube disso. Costumava dizer que as conquistas do campo amplificavam a voz do povo.
E como bem disse o Magrão certa vez…
Num país em que os mais fracos social, política e economicamente não têm voz nunca, neste caso têm. Através do Corinthians, eles conseguem se manifestar, quer dizer, a torcida corinthiana utiliza o seu clube, o seu time, a sua expressão física, como forma de contestação de tudo aquilo que não lhe é dado de direito
Ontem o povo do Dr. Sócrates chorou sua morte, mas bradou feliz: Corinthians Pentacampeão Brasileiro! Uma conquista com cara de Corinthians, com cara de povo. Sofrida, batalhada com gana mais do que técnica. E só nós, Corinthianos, sabemos o quão longa e difícil foi essa batalha. Quanta coisa ouvimos, quanto preconceito enfrentamos, quanta inveja e “secadeira”… Tudo porque o Corinthians se tornou o time mais odiado do país. Em partes por culpa de seus dirigentes e suas alianças obscuras, é verdade, mas principalmente por conta de perseguições e maquiavelismos com os quais temos que lutar todos os dias, desde 1910.
Tivemos que aturar um técnico que parece ter sido feito para o Corinthians, pois garante sofrimento extremo até o último instante, e que ontem abusou da irritabilidade. Colocamos medalhões no banco e vencemos com guerreiros incansáveis, com o Liédson que, mesmo com dores, foi um dos principais responsáveis pela arrancada final, com gols decisivos, como sempre. Seguramos e enervamos nossos rivais, com provocações malandras, mas dignamente populares, como Luizinho fazia ao sentar na bola em frente ao zagueiro deles, ou como Edílson e suas embaixadinhas…
Eu não sei até que ponto a morte do Doutor pode ter influenciado o desempenho dos jogadores… É difícil imaginar isso. Mas certamente ajudou para que a Fiel, ainda mais emotiva, ainda mais “louca”, bradasse e cantasse pelos quase 100 minutos de jogo!
E circula pela Web uma frase que ele teria dito em entrevista nos anos 80. Não pude confirmar a veracidade da autoria, mas nem é preciso: se ele disse isso, fantástica coincidência, mas se não disse, certamente pensava. Tem a cara dele.
Quero morrer num Domingo, e com o Corinthians Campeão
Este título é para você, Doutor! O título que lhe faltou com a camisa do Timão, mas que ajudou a conquistar ontem, inflamando os corações da Fiel que empurrou o time em mais uma batalha contra o maior rival.
A homenagem
Senti muita vontade de estar no Pacaembu ontem, para sentir a emoção daquele título mais de perto. Lamentei um monte de decisões que me levaram a não estar lá. Mas o que mais queria ter presenciado e vivido foi o momento da homenagem da Fiel nas arquibancadas e dos Mosqueteiros em campo. Uma das imagens mais lindas desses mais de 30 anos de torcida pelo Timão. E que infelizmente as TVs não souberam captar em sua essência. Queria estar lá… Mas essa torcida me enche de orgulho! Obrigado a todos os amigos Corinthianos que estavam lá, gritaram por mim e que cerraram seus punhos ao alto para eternizar este ídolo!
Um busto é justo
Sócrates nunca abraçou a atual diretoria corinthiana. Discordava de uma série de coisas que aconteceram na gestão Sanchez, como os altos valores para manter o Ronaldo na equipe para pouco retorno técnico, e estratégias de “business” que só afastam o que há de mais popular nesses 101 anos de história do Time do Povo.
Por conta disso, ou por medo da força política do Doutor, dirigentes e principalmente adestrados dessa administração achincalharam e tentaram manchar a imagem do ídolo da Fiel.
Com sua morte, vejo os mesmos que o chamavam de coisas que nem quero repetir aqui agora reverenciando seu nome. Ótimo. Tarde, mas melhor assim. E se o medo político se foi com sua morte, seria justo agora dedicar a ele um busto no clube. Ou uma estátua de sua imagem com o punho cerrado. Simbólico.
O filme
A frase do título deste post também está no título do documentário “Ser Campeão é Detalhe: Democracia Corinthiana”, que, coincidentemente, será lançado nesta semana (dia 8/12, quinta-feira). O projeto vem sendo trabalhado há 3 anos. No início, de forma independente, a partir de um trabalho de conclusão de curso de estudantes da Midialogia da Unicamp. Agora, com produção da DNA Filmes.
O filme conta com vários depoimentos de jogadores do time da democracia (82-83), inclusive, é claro, o nosso eterno Dr. Sócrates.
Não dá pra não assistir. A boa notícia é que a partir de Sexta-feira, dia 9, ele estará disponível gratuitamente pela Internet!
Manter o “técnico” é bom quando ele é bom
0No futebol brasileiro, a troca dos “técnicos” de tempos em tempos, de acordo com a sequência recente de resultados tornou-se uma coisa banalizada. Diante disso vieram as críticas ferrenhas dos formadores de opinião, “comentaristas esportivos”, e etc. A alegação é que os clubes que trocam menos de técnico conseguem melhores resultados. E de que boa parte dos problemas dos clubes é pelo imediatismo na troca do treinador.
De fato, a crítica é válida em muitos casos. Por exemplo, em 2009, quando o São Paulo demitiu Muricy Ramalho após eliminação da Libertadores daquele ano, fazia algum sentido? Futebolisticamente, nenhum. O cara havia ganho os últimos três campeonatos brasileiros pelo clube do Morumbi, mesmo sem ter sempre em mãos muitos talentos. Fez com jogadores medianos um time extremamente eficaz e regular. O resultado da demissão foi o óbvio: Muricy voltou a ser campeão brasileiro em 2010, pelo Fluminense, e em 2011 já acumula os títulos Paulista e da Libertadores. E segue muito bem. Já o São Paulo não ganhou mais nada, e trocou novamente de comandante mais três ou quatro vezes.
Agora, vamos combinar, todo esse discurso politicamente correto não vale para quando a opção escolhida para o cargo é obviamente um grande e absurdo equívoco desde o início! Nenhuma empresa manda embora um diretor que sempre deu bons resultados no primeiro período de baixa, com o mercado enfraquecido… Mas também é verdade que nenhuma empresa minimamente séria e organizada contrata um profissional fracassado, despreparado, e o dá um cargo de alto escalão! E se comete esse equívoco de avaliação inicial, não pensa duas vezes para rever e substituir a diretoria. Imediatamente!
Quando Andrés Sanchez, o presidente do Corinthians, vem a público dizer que “não mando técnico embora”, e que “se o problema fosse treinador, eu já teria tirado”, ele não está sendo um dirigente diferenciado. Ele está, no mínimo, relutante em assumir o erro de sua escolha, que nunca, NUNCA funcionou! Como não poderia funcionar mesmo! O Tite nunca teve sucesso por clube algum! Nunca conseguiu um bom trabalho de longo prazo. E nunca, jamais poderia ser técnico de um clube do tamanho do Corinthians!
Mas, claro, no fundo eu não acredito que o problema do Sanchez seja só erro de avaliação. É que para uma gestão em que “futebol é business”, “futebol é detalhe”, ganhar ou perder, tanto faz…
#ForaTite
Drops da Copa América
0- Durante toda a competição vi brasileirinhos tirando onda após cada tropeço da Argentina, e em seguida vendo o Brasil cair no mesmo erro. E nem assim aprendiam, pois continuavam zombando dos hermanos e pagando mico logo em seguida. A verdade é que a campanha das duas potências foi praticamente idêntica. Dois empates sofridos e decepcionantes nos dois primeiros jogos, e uma vitória convincente no terceiro jogo. Aí caíram nas quartas contra os países teoricamente subsequentes em força futebolística, nos penaltis, consagrando como melhor do jogo o goleiro adversário. E cada qual com seu mico. O dos Argentinos foi ter jogado mais de 45 minutos com um jogador a mais, e não demonstrar superioridade em nenhum instante. Já o Brasil foi superior o tempo todo contra o Paraguai, mas não fez o gol. Nem nas quatro cobranças de penalidades.
- Já ouvi todo o tipo de teoria para o vexame brasileiro nos penaltis. De fato o gramado prejudicou, isso foi notório. A questão é que o Paraguai se adaptou rapidamente ao problema, e praticaram cobranças simples, no meio do gol. Os brasileiros… Bom, os brasileiros pareciam estar alheios ao que estava acontecendo.
- Por mais vergonhoso que tenha sido, o Brasil não perdeu essa Copa América nos penaltis. Perdeu durante todo o jogo, em que foi melhor o tempo inteiro, e não soube fazer os gols. Problema que vem se repetindo já há vários jogos (exceção feita ao jogo contra o Equador). E como não vamos participar das Eliminatórias para a próxima Copa, teremos pouca ou nenhuma referência decente para avaliar a evolução desse time. Se serve de consolo, campanhas pré-Copa quase nunca dizem nada sobre o desempenho no Mundial. Basta lembrar que para as Copas de 94 e 2002 nos classificamos às duras penas, e vencemos. Já para 2006 e 2010, chegamos com ótima campanha, e caímos fora rapidinho. Mas eu ainda preferia o Muricy.
- Nem a eliminação do time da casa para o bom time uruguaio, nem a derrocada brasileira contra o chato time paraguaio… As grandes zebras das quartas-de-finais, para quem acompanha a competição, foram as classificações de Peru e Venezuela. O Peru, para quem não sabe, foi para a competição com nove desfalques importantes, como Farfán e Pizarro. Pra não falar do Corinthiano Cachito Ramirez (:P). E a Venezuela, que já não é aquela Venezuela saco-de-pancadas, mas também não é uma maravilha, eliminou o que pra mim era o melhor time da Copa América: o Chile.
- Ouvi muita piada de anti-corinthiano no Sábado a noite pelo fato de o único a ter perdido penalti na eliminação argentina ter sido o Tevez. Mal sabem que essa eliminação precoce facilitará ainda mais o retorno do Carlitos para o Timão, já que agora o jogador está livre para falar com os ingleses e definir essa situação. E quem sabe já ser apresentado à Fiel Torcida! Ou não…
- E por falar em futebol de clubes, confesso aqui meu alívio (e minha risada) ao ver o anúncio do novo técnico do time do Jardim Leonor. Não é que seja impossível o Adílson Baptista ter bons resultados lá (e certamente no começo terá), afinal, até o Tite está fazendo boa campanha neste Brasileirão. Mas é fato que se o São Paulo se credenciava ao título com as ótimas contratações que vem fazendo (Luís Fabiano, Cícero, Denilson…), apostar em um técnico que teve três fracassos pitorescos em menos de um ano…
- Para alguns clubes, perder para o Corinthians causa abalos sísmicos. O time de chorões do sul que o diga…
As alegrias alvinegras do Domingo
0- River Plate na segunda divisão da Argentina.
- Palmeiras perdendo a invencibilidade pro Vozão.
- Hat-trick do Liédshow, exterminando bambis desde 2003. E com requintes de crueldade (veja a maldade com que ele toca sutilmente na bola pra encobrir o frang… ops, o Ceni).
- Não saiu o centésimo gol (Fifa) do Rogério Ceni contra o Timão, mas aumentou a contagem dos frangos.
- Duplo rolinho de Emerson Sheik.
- Dagoberto admitindo que o São Paulo voltou à sua realidade com a goleada sofrida pro Timão.
- Freguesia satisfeita! Presenteados com chocolate no dia da parada gay.
Os estádios do Corinthians
5O amor e ódio que envolve o alvinegro do Parque São Jorge faz surgirem algumas lendas. e entre elas, a de que o Corinthians não conseguiu ter um estádio em 100 anos, e que isso diminui o clube de alguma forma.
Conversa de torcedor, tão sem sentido quanto reduzir o tamanho do Corinthians por ainda não ter uma conquista de Libertadores. E quanto a isso sempre traço uma analogia com a Seleção Inglesa. Campeã mundial uma vez, jogando em seu próprio país, assim como o Corinthians, ninguém que entenda o mínimo de futebol (e de lógica) reduz sua importância esportiva por nunca ter vencido o torneio continental, a Eurocopa.
Ter ou não ter um estádio
Quanto a estádio, ter ou não ter é mera questão administrativa. Nem sempre é vantajoso ter. Nem todo grande clube tem. Milan e Internazionale, os rivais de Milão, na Itália, por exemplo, dividem o mesmo espaço público, algo que é feito no Rio de Janeiro e em Minas Gerais há décadas com muita tranquilidade, e sem grande ônus. Ter um estádio próprio é uma estratégia de negócios, que pode ou não ser lucrativa, dependendo de como se equacionam as bilheterias, publicidades e lojas instaladas com os custos de construção e manutenção.
Não vejo a construção de um novo estádio para o Corinthians como uma necessidade. A utilização do Pacaembu como palco da Fiel tem atendido à demanda razoavelmente desde 1940. Claro que um espaço onde coubessem mais torcedores tornariam os jogos mais rentáveis e mais bonitos, mas nada que não fosse possível fazer com um projeto de modernização do estádio municipal – e para mim estaria ok continuar mandando os jogos lá e pagando aluguel.
No entanto, construir seu estádio próprio é uma oportunidade que, com a Copa de 2014 no Brasil, o Corinthians não poderia deixar passar. Não pode!
Só é preciso separar as coisas aqui. A oportunidade existe, e a atual diretoria do Corinthians tem obrigação de aproveitá-la. Deve isso aos corinthianos, e só aos corinthianos. A responsabilidade de o estado de São Paulo ter um estádio para receber a abertura da Copa, ou qualquer jogo que seja, é do poder público paulista, e não do Corinthians, como muitos tentam atribuir ultimamente.
Itaquerão
É um jogo político e de negócios muito elaborado. Um jogo de xadrez, ou de poker, visto que muitas das movimentações são apostas cegas, onde não se sabe as cartas que o “oponente” mostrará. E aqui é bom que se diga: não há santos nesse enredo.
A estratégia corinthiana começou quando Andrés Sanchez, presidente do Corinthians, passou a rechaçar o estádio do Morumbi, então palco de todos os clássicos paulistas, como alternativa para os jogos do Timão. Pouco tempo depois, o Palmeiras era convencido a adotar a mesma estratégia, que pode ter tido como objetivo tirar o foco do Morumbi como palco principal do futebol em São Paulo. Em seguida, coincidentemente ou não com uma estranha aproximação de Andrés Sanchez, presidente do Corinthians, com Ricardo Teixeira, o manda-chuva eterno da CBF, o estádio são-paulino foi descartado como sede dos jogos da Copa em São Paulo.
Foi então que uma das muitas propostas para a construção de um estádio para a Fiel Torcida em Itaquera, na Zona Leste, reduto corinthiano, ganhou força e foi apresentada no clube como projeto de estádio para o Corinthians – e não para a Copa. O projeto custaria em torno de R$ 350 milhões, a serem viabilizados por crédito à construtora Odebrecht, e pagos pelo Corinthians com a venda de naming rights (direitos sobre o nome do estádio). O estádio teria capacidade para 45 mil pessoas, o que o clube calcula ser suficiente para atender o público médio das partidas de futebol, e poderia ser cedido “generosamente” como palco dos jogo da Copa.
O problema é que para receber a abertura da copa, o Estádio necessita ter capacidade mínima de 65 mil lugares. E a diretoria alvinegra sempre soube disso, mas por adotar o discurso de que o estádio era para o Corinthians, e não para a Copa, ela jogava ao poder público ou aos organizadores do evento (no caso a Fifa) a responsabilidade de arcar com essas diferenças – as quais foram estimadas, inicialmente, em torno de mais 400 milhões.
É claro que este estádio não seria erguido com “apenas” 350 mi. Como também é evidente que o Corinthians não conseguiria todo esse montante sem o advento da copa. Ou seja, sem Copa, sem estádio novo. A aposta corinthiana, desde o princípio, era criar a alternativa, adotar um discurso de indiferença com a competição de 2014, e a partir disso atrair recursos (públicos, talvez) para que erguessem seu estádio sem que a conta fosse para o Parque São Jorge. Conseguiu, por enquanto, algum esforço burocrático para a liberação de financiamento via BNDES para o pagamento da diferença de valores, o qual promete pagar com recursos do naming rights (mas hein? Esse dinheiro já não estava comprometido para pagar os primeiros 350?). Porém, tem esbarrado na forte opinião pública e principalmente na guerra política que, ao mesmo tempo em que pressiona o governo do estado para acelerar o passo de seu estádio para 2014, exige que não haja injeção de dinheiro público nas obras.
Sem perspectivas de garantias financeiras, pelo contrário, com o surgimento de estimativas de aumento nos gastos para construção de seu estádio, e com o prazo para início das obras cada vez mais apertado, o Corinthians ganhou tempo. Fechou com a Odebrecht, isoladamente, o trabalho de terraplanagem do local destinado ao estádio – etapa que deve levar alguns meses – enquanto continua no seu trabalho de bastidores para reduzir custos e atrair recursos externos.
Até então, dirigentes são-paulinos, inconformados com a “perda” da abertura da Copa em seu estádio (porque também eles planejavam angariar fundos públicos para reforma do Morumbi, e principalmente para investimentos em melhorias públicas nos arredores, que hoje é o principal problema do estádio tricolor), tentaram todo tipo de influência política para atrapalhar a idéia corinthiana. Mas hoje, 37 meses antes do início da Copa, não restou alternativas à São Paulo. Ou é o estádio do Corinthians a receber os jogos da Copa 2014 no estado, ou não haverão jogos aqui, o que teria impacto político mais negativo do que assumirem as contas agora, mesmo contra a opinião pública.
Eu não sei se esse estádio em Itaquera vai sair. Como corinthiano, espero que sim. Como cidadão paulista e brasileiro, espero não ter que pagar essa conta, ainda que disfarçada, como já pagamos outrora a construção do Morumbi, entre tantas outras obras que não nos interessavam. Mas com tanto olho gordo só pra justificar a manutenção de piadinhas sem sentido, nada mais conveniente do que iniciar os trabalhos de terraplanagem com uma oração.
Algo importante a ser dito: o estádio em Itaquera não será o primeiro do Timão em 100 anos. Será o terceiro, sem contar o Pacaembu, que até então sempre foi a verdadeira casa corinthiana. É que um estádio proporcional à dimensão da Fiel Torcida nunca poderá ser construído mesmo.
Abaixo, um pouco dos estádios corinthianos em sua história.
Ponte Grande
Em seus primeiros anos de vida, o time do povo alugava para jogar uma várzea no Bom Retiro, bairro onde nasceu o clube. E foi com o suor dos próprios corinthianos que foi erguido o primeiro estádio, na Ponte Grande (atual Ponte das Bandeiras). Lá o Corinthians jogou de 1918 a 1927, período que inclui o primeiro tricampeonato paulista (1922, 1923 e 1924). Em 1928, com a mudança para o Parque São Jorge, o estádio foi cedido para a Associação Atlética São Bento.
Fazendinha
O Sport Club Corinthians Paulista adquiriu a área do Parque São Jorge em 1926, e dois anos depois fazia sua estréia em sua nova casa, que depois receberia o nome de Estádio Alfredo Schurig. Jogou lá com alguma regularidade até a década de 70, embora a maioria dos grandes jogos acontecessem mesmo no estádio municipal do Pacaembu.
O recorde de público é de 28 mil pessoas, num Corinthians x Santos em 1947.
A última partida oficial do Corinthians na Fazendinha foi em 2002.
Referência: livro “Timão 100 anos – 100 jogos – 100 ídolos”, de Celso Unzelte.
Drops futebolísticos
0- As finais de ontem dos campeonatos regionais comprovam que futebol, embora tenha suas surpresas de vez em quando (e o Vitória-BA que o diga), geralmente tende à normalidade. Ou seja, os melhores times vencem. E infelizmente foi assim em SP (Santos campeão), em MG (Cruzeiro campeão) e no RS (Internacional campeão), a despeito dos surpreendentes resultados do fim de semana passado nesses dois últimos.
- Outra coisa óbvia confirmada ontem é a de que goleiro frangueiro, de vez em sempre, toma seus frangos.
- O futuro do Corinthians em 2011 é pouco promissor. Ainda que consiga confirmar todas as especulações de contratações, o que é pouco provável, de que adianta ter Alex, Seedorf, André, Fabio Simplício, Ganso! (piada né?), e quem mais viesse, se no banco o técnico é o Tite? Se no gol temos o Horácio da Fiel? E se esses jogadores todos só poderiam jogar a partir da 14ª rodada do Brasileirão? Até lá vamos com Weldinho, Endenilson e Gilberto? E o lateral vai ser o Fabio Santos mesmo?
- A boa notícia é que em 2012 o presidente será outro. Mas será bom mesmo? O cenário político do Parque São Jorge segue mais feio que time do Tite… #ForaSanchez #ForaTite
- Mas, tudo bem. Poderia ser pior. Poderia ser palmeirense… (toc toc toc na madeira).
Fora Tite?
4O que já era convicção para os corinthianos mais sensatos, virou certeza para a maioria após a sequência de fracassos do time.
Tirar o Tite do Corinthians não vai resolver o problema, nós sabemos, afinal, nem Mourinho faria um bom time sem laterais e com Morais de armador. Mas com o gaúcho no comando, pode vir Alex, Seedorf e Ganso (e é claro que não virá nenhum deles) que ele não conseguirá fazer o time jogar bola.
Portanto, apóio a campanha #foratite (desde que ele foi contratado), que tentam emplacar via Twitter. Porém, deixo cá o comentário que fiz em outro blog, e que resume bem o papel deste “filósofo” no atual contexto alvinegro.
No fundo esse cara é o pateta perfeito pra esse time. Um falso técnico, com uma “fama” fabricada (e pouco ou quase nada no currículo que ratifique isso), pra dirigir um elenco de merda, com o aval de uma diretoria especializada em produzir aplausos para os fracassos, enquanto se ocupam em desviar o nosso dinheiro em negócios obscuros e inexplicáveis.
Que técnico seria melhor que ele para esse personagem?
Na verdade, tinha um, o Mano, já que esse pelo menos conseguia convencer mais gente por mais tempo.
Drops fenomenais
0- Ronaldo, vulgo Fenômeno, vulgo Gordo, anuncia a aposentadoria hoje. Quase dois anos depois de parar de jogar futebol.
- Dizem as más línguas que em três semanas estará com a aparência do Tim Maia (antes do Tim morrer, claro). Não seria de se estranhar. Sempre me questionei como pode uma pessoa, que ainda que não seja dedicada e cometa excessos, treinava todos os dias pelo menos três ou quatro horas, estar tão gordo. E eu querendo perder minha pança com uma hora de academia…
- Corremos o risco de vê-lo na Vila, como mascote do Santos?
- É curioso, até Sábado, tudo que eu ouvia de outros corinthianos a respeito dele era xingamento. Hoje, só homenagens. Acho justo. Mas não se engane: essa exaltação toda é fruto da alegria da boa notícia. Estão todos tão felizes com o anúncio que até esquecem que estavam decepcionados.
- A minha preocupação nessa história é meramente financeira. Como ficam os contratos de publicidade do Corinthians vinculados ao jogador? Tecnicamente, é uma benção essa aposentadoria. Mas espero que sirva para se mexerem e trazer um novo atacante. Claro, se não for dar muito trabalho ao Sanchez. Não queremos importuná-lo.
- Obrigado, Ronaldo, pelos três meses de genialidade que prestou ao Sport Club Corinthians Paulista. Espero que leve da Fiel apenas as boas lembranças, e não as últimas. As que terei de você com o manto alvinegro são as melhores. Especialmente dos momentos abaixo, contra nossos principais rivais.










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