Música
Rapsódia do canto
1Cantar
Tudo o que vier na cabeça eu vou cantar
Até que o dia amanheça eu vou tocar, tocar, tocar
Cantar não deixa a alegria ir embora
O meu cantar não deixa a alegria ir embora
Cantar quase sempre nos faz recordar sem querer
Um beijo, um sorriso, ou uma outra aventura qualquer
Cantando aos acordes do meu violão
É que mando depressa ir-se embora a saudade que mora no meu coração
Por isso uma força me leva a cantar,
Por isso essa força estranha no ar
Por isso é que eu canto, não posso parar
Por isso essa voz tamanha
Tem gente que recebe Deus quando canta
Tem gente que canta procurando Deus
Eu sou assim com a minha voz desafinada
Peço a Deus que me perdoe no camarim
Eu sou assim, canto pra me mostrar de besta
Quando eu soltar a minha voz, por favor entenda
É apenas o meu jeito de viver o que é amar
Legenda
(Clique, ouça e veja a letra completa)
Cantar – Raul Seixas
Cantar – Natiruts
Cantar – Beto Guedes
Força Estranha – Roberto Carlos
Quando Eu Estiver Cantando – Cazuza
Sangrando – Gonzaguinha
Quando um ídolo se vai
4Devo confessar que comecei este texto pelo título, embora normalmente deixe-o por último. A razão para esta inversão foi a decisão sobre usar ou não a palavra “ídolo”. Normalmente ela causa certa repulsa nas pessoas. Se nos restringirmos à definição mais estrita do verbete, realmente, não há adoração devida que não seja a Deus (pela minha crença). Mas para mim a palavra “ídolo” sempre denotou algo bem mais simples. Ídolo é aquela pessoa famosa que mesmo distante é capaz de afetar nosso humor ou influenciar nossos gostos. Não a ponto de fazer aceitar prontamente qualquer palavra dita por esta personalidade, muito menos fazer seguir seus passos. Mas que nos comova com intensidade suficiente para, por exemplo, nos fazer chorar sua morte.
Quando morreu Sid Vicious, vocalista da banda punk inglesa Sex Pistols, em Fevereiro de 1979, um jovem de Brasília de 18 anos chorou. “Nada me atingiu do jeito que a morte de Sid me atingiu. Chorei a noite toda, e era como uma espécie de grito, doloroso…”, disse ele em uma carta enviada a uma revista inglesa, assinada como Eric Russel. Mas o nome dele não era Eric. Era Renato.
Quando Renato Russo morreu, há exatos 15 anos, eu tinha 16. E chorei, como só chorara na morte de outro ídolo, Ayrton Senna, dois anos antes. Mas diferente de 94, onde o choro foi crescendo aos poucos, e se arrastando pelo resto do dia – e talvez por alguns outros – a morte de Renato me causou reação explosiva imediata. Uma inquietação que martelava em minha cabeça dizendo: “acabou”. Meu irmão, ao meu lado, tirou sarro, mas como disse o próprio Renato em sua carta sobre a morte do Sid: “Pode rir, você não entende”. Me lembro até hoje, recebi a notícia no horário do almoço. A tarde fui trabalhar vestindo uma camiseta com a imagem de Renato que tomava toda a frente, e nas mãos o CD “A Tempestade ou O Livro dos Dias”, recém-lançado, e que claro, eu já possuía. A camiseta era preta, o álbum fúnebre (para muitos, o mais depressivo da banda). E no encarte os dizeres:
O Brasil é uma República Federativa cheia de árvores e gente dizendo adeus.
Abaixo a íntegra da carta enviada por Renato Manfredini Júnior, publicada no Melody Maker, da Inglaterra, sobre a morte de Sid Vicious. (retirei daqui)
Acho que meu pai sabia, ele provavelmente viu na TV ou leu nos jornais, mas não me contou. Um amigo me disse e eu não acreditei. Tive que ligar para meu professor de violão e perguntar se ele tinha ouvido alguma coisa. Aconteceu numa sexta-feira, mas eu só soube da notícia domingo à noite. Nada me atingiu do jeito que a morte de Sid me atingiu. Chorei a noite toda, e era como uma espécie de grito, doloroso, não só por Syd, mas por tudo. Perdi completamente o controle de mim mesmo. Sabe, nada acontece aqui, nunca. Eu sempre recebo as notícias duas semanas atrasado. Não se lança nada de new wave (ou qualquer outra coisa boa que interesse) aqui, eu tenho que comprar importados no Rio. Tudo é discoteca, Travolta ou samba.
Quando a coisa do punk começou, eu e meus amigos entramos de cabeça porque alguma coisa estava acontecendo. Nos envolvemos com a música como não acontecia desde os Beaties e os Stones. Era diferente. Sid, John e o Clash, eram todos heróis. Eles pensavam do jeito que a gente pensava; nem mesmo o Airplane (Jefferson Airplane, grupo psicodélico formado em São Francisco, no auge do flower power) tinha batido tão perto em mim. Dava um certo medo, era como dividir alguma coisa, não era apenas ser um fã burro. (…) Ele morreu por causa do que era. E como Brian (Jones, guitarrista dos Stones), Jim (Morrison, vocalista dos Doors) e Gram (Parsons, ex-The Byrds, pioneiro do country rock que morreu em 1973, de uma overdose de morfina e tequila, em Joshua Tree, Califórnia), as pessoas só vão entender depois de alguns anos. Alguns vão esquecer, outros não, alguns já esqueceram, mas quando um herói éde verdade (eu digo herói mesmo), ele sobrevive. Aposto que alguém vai rir lendo isso. Pode rir, você não entende. (…) Eu cresci milênios de 75 para cá. Mas ainda tenho 18 anos. Vejo as coisas um pouco diferentes agora, e odeio… Mas vou passar por isso e não vou perder (ganhar) como Sid Vicious fez. E eu vou fazer por ele porque ele fez por mim
Dica musical da semana – Luz
0Djavan é daqueles artistas que causam amor ou ódio nas pessoas. Ou talvez não seja bem ódio, mas sim tédio. Mas eu estou no primeiro time, embora já tenha passado por fases mais “Djavan”.
Para quem gosta, dou uma dica importante: vá atrás das originais. Quase todas as músicas mais populares do cantor ficaram conhecidas por versões ao vivo, acústicas, ou algum rearranjo-anos-90. Ou ainda por regravações de outros cantores. Mas eu gosto mesmo é das originais!
A música abaixo eu só conheço a versão original. Talvez não esteja entre as mais pops, embora dê título ao melhor dos “LPs” do Djavan, de 1982. Mas deve lhe soar familiar. E é ótima!
Luz
DjavanNo burro a canga, na menina a tanga
O verde do mar é um
Verde num tom quase azul
Do infinito ao zoom
Marelou, Candomblé, Oxum
Zamburar pra tirar egum
O que não se vê tá aí
Como tudo o que háMinha fé riu-se de mim
Pelo quanto triste eu falei de dor
Como se no fundo da dor
Não vivesse a paixãoMal-me-quer
A vida segue seu lamento um tanto flor
Um leito de rio no cio
Um cheiro de amorÉ amor quando não diz
É fogo por um triz
Um trem entrou no meu eu
E divagou felizE na dor eu passo um giz
Arco-irisando a solidão
Na lição que o sol me traduz:
Viver da própria luz
Love, Love, Love…
1Defendo-me então dos que me acusarem de infidelidade. Pois, quem pode afirmar não se sensibilizar com tanta beleza vária? Sim, me apaixono todo dia, e a cada dia por uma diferente. Em meu canto, e em meu pranto, cada uma delas tem seu valor. Se hoje eu pensar mais em fulana, ou em beltrana, terá sido por influência de algumas horas de convivência, ou de algum pensamento turvo que sobressalta no meio da noite.
Tolo do que acha que eu deveria amar biunivocamente. Amo a todas, e em cada dia amo mais uma ou outra, e nem por isso cada uma das anteriores terão menos valor. Todas me aprazem, todas permeiam em minha mente e me conduzem em delírios vociferozes. Ainda que peçam que eu me decida por uma única entre todas as belas, será meramente um formalismo. Em meu sonho estará sempre a amada do dia, e mesmo que seja a mesma eleita por vários dias, nunca será única, pois sou sensível à beleza de todas as canções dos Bealtes…
Deixo cá minha homenagem à amada do dia.
Here, There and Everywhere
Lennon/McCartneyTo lead a better life,
I need my love to be here.Here, making each day of the year
Changing my life with a wave of her hand
Nobody can deny that there’s something there.There, running my hands through her hair
Both of us thinking how good it can be
Someone is speaking but she doesn’t know he’s there.I want her everywhere
and if she’s beside me I know I need never care.
But to love her is to need herEverywhere, knowing that love is to share
each one believing that love never dies
watching her eyes and hoping I’m always there.I want her everywhere
and if she’s beside me I know I need never care.
But to love her is to need her.Everywhere, knowing that love is to share
each one believing that love never dies
watching her eyes and hoping I’m always there.I will be there, and everywhere.
Here, there and everywhere.
Coisas que pensei após a morte da Amy
1- Deve ter sido a segunda vez em anos que a Globo me surpreende com uma notícia, mesmo eu estando online no mesmo momento. E tirando as transmissões ao vivo, isso tem sido bem raro. Mesmo quando foram divulgar o resultado oficial das últimas eleições, todos na Web já sabiam. Dessa vez a notícia veio antes pela TV. Até fui conferir no twitter, na hora do anúncio da morte da cantora no Jornal Hoje, se alguém já havia mencionado algo, e não encontrei nada. Apenas entre os Trending Topics mundiais o nome dela aparecia, ainda sem muita evidência.
- Por falar em “notícias”, e “surpresas”, o que houve de mais surpreendente nesta morte anunciada foi ouvir nos noticiários que “Amy lutava contra as drogas” e que “os fãs estão em choque”. Talvez por causa da música mais conhecida dela, nunca a imaginei “lutando” contra isso, e sua morte, se causa tristeza até a mim, que pouco ouvia (embora reconheça o talento), faço idéia da comoção que causa aos fãs. Mas o estado de choque costuma aparecer em situações absolutamente inesperadas. Não parece ser o caso.
- A lista dos artistas que morreram aos 27, mais ou menos com a mesma sentença, impressiona pela qualidade e impacto. Jimi, Jim, Janis, Brian, Kurt… E agora Amy. Aí me peguei pensando: foram talentos vencidos pelas drogas, ou as drogas ajudaram a construir os mitos e depois apenas cobraram o preço? Não é raro encontrar casos de artistas que só produziram coisas boas, ou que produziram as suas melhores obras enquanto dopados. Para ficar só em um exemplo big, as melhores músicas dos Beatles coincidem com a fase em que dizem ser a de maior consumo de drogas dos Fab Four.
- Além da lamentação pela vida humana perdida, uma das coisas mais tristes de quando um grande talento se vai cedo demais é que ficamos pensando quanta coisa boa esse artista poderia produzir e deixar como legado por gerações e gerações. É o que sempre penso, por exemplo, quando escuto as músicas de outro artista que morreu jovem. Não aos 27, mas aos 31, minha idade atual. E é com ele que encerro este post.
Rock do meu jeito #diamundialdorock
2Eu não gosto dessas besteiras de “dia mundial” disso ou daquilo, mas, já que no dia de hoje a palavra Rock está pipocando tanto na Web, por conta do que gostam de chamar de Dia Mundial do Rock, vai aqui minha contribuição.
Sou fã de um estilo musical que costumam classificar como Folk-Rock, ou simplesmente Rock Clássico, ou ambos. Recentemente fiz uma seleção de artistas desse “gênero” (segundo classificação do Last.fm) para ouvir no carro.
Abaixo a lista do artistas selecionados, bem como algumas das respectivas músicas.
- Bob Dylan: Blowin’ in the Wind, It’s All Over Now Baby Blue, Just Like a Woman, Like a Rolling Stone, The Times They Are A-Changin’
- Buffalo Springfield: For What It’s Worth, On The Way Home
- Cat Stevens: Father & Son, Wild World
- James Taylor: You’ve Got A Friend
- Joan Baez: Diamonds and Rust
- Joni Mitchell: A Case Of You, Both Sides Now, Carey, The Circle Game, The Last Time I Saw Richard
- Neil Young: Cinnamon Girl, Cowgirl In The Sand, Heart of Gold, Hey Hey, My My
- Simon & Garfunkel: America, I Am A Rock, Mrs. Robinson, The Boxer, The Sound Of Silence
- The Byrds: Turn! Turn! Turn!, Mr. Tambourine Man
Pronto, já é brinquedinho suficiente para o resto do tal #diamundialdorock. E pra mais alguns…
Outra banda clássica do Rock que tenho escutado muito nos últimos tempos é The Beach Boys. Especialmente a música abaixo, que deixo como a homenagem definitiva do dia.
God Only Knows
I may not always love you
But long as there are stars above you
You never need to doubt it
I’ll make you so sure about itGod only knows what I’d be without you
If you should ever leave me
Though life would still go on believe me
The world could show nothing to me
So what good would living do meGod only knows what I’d be without you
God only knows what I’d be without you
If you should ever leave me
Well life would still go on believe me
The world could show nothing to me
So what good would living do meGod only knows what I’d be without you
God only knows what I’d be without you
God only knows
Decadence Avec Elegance
0Decadência sim, mas com elegância, por favor. De todo o meu passado, boas e más recordações. Nossos ídolos ainda são os mesmos, mas a aparência e a postura… envelheceram, e muito.
Até bem pouco tempo atrás, poderíamos mudar o mundo. Mas já não somos tão jovens, nem crianças a ponto de saber tudo. Um dia, saímos daquela febre de juventude e já não temos dedos pra contar os problemas e frustrações. Instintivamente, passamos a ver o lado prático, mas eficaz. O capital também ganha seu valor, ou melhor, passamos a notá-lo com maior evidência. E meus bons amigos, onde estão?
Aqueles homens do bom e velho Rock’N'Roll que fizeram nossas cabeças há anos atrás são pessoas como nós. No começo, havia ideologia. Havia ímpeto. Havia sede de protesto e mudança. E mesmo pra falar de amor, falava-se com rebeldia. Porém, o tempo passa e nem tudo fica. A música envelhece. Começam a gravar Roberto Carlos, ou pior, passam a lançar discos da moda voltados para o público da mesma idade de quando a gente ouvia… Tentam fazer sucesso antes que isto seja tarde. Mas eles não percebem que antes faziam o que sentiam, e agora fazem papel de bobos. Contrato milionário, grana, fama e mulheres. A música não importa, o importante é a renda.
Além de assistir nossos antigos ídolos cantando bla bla blá, eu te amo no rádio, me preocupo com esta juventude carente de ideologia. Como é que vão crescer sem ter com quem se rebelar?
O lema agora é: Mim quer tocar, Mim gosta ganhar dinheiro, mesmo que seja fazendo acústico pra MTV e cantando com playback em programa de auditório.
Lobão – Decadence Avec Elegance, Radio Bla Blá
Ira! – Flores em Você
Belchior – Como Nossos Pais
Legião Urbana – Quando o Sol Bater…, Tempo perdido e Quase Sem Querer
Lulu Santos – Tudo Bem
Guilherme Arantes – O Lado Prático
Barão Vermelho – Meus Bons Amigos
Cazuza – Ideologia
Nenhum de Nós – Sobre o Tempo
Plebe Rude – Minha Renda
Ultraje a Rigor – Rebelde Sem Causa e Mim Quer Tocar
5 no Palco
0Em 1998, cinco nomes “emergentes” da MPB se reuniram em São Carlos, e por uma semana, trabalharam no projeto que recebeu o nome de 5 no Palco. Percorreram, depois, outras nove unidades do SESC, mas a primeira apresentação, é claro, foi na unidade daqui. Eu estava lá, e considero, até hoje, um dos mais completos shows que já assisti.
No palco, os cinco eram Zeca Baleiro, Lenine, Chico César, Paulinho Moska e Marcos Suzano.
Encontrei o video abaixo hoje, e aparentemente foi gravado na apresentação daqui mesmo. Uma pequena amostra do que foi aquele dia (pra quem gosta, é claro):
Dica musical da semana – That's What Friends Are For
4Como estou numa semana bem Dionne Warwick, fica a dica dessa música que é beeeem melosa, eu sei. Mas não é exatamente romântica. Como o nome sugere, é uma música sobre amizade.
Velha não, clássica!
;
That’s What Friends Are For
And I never thought I’d feel this way
And as far as I’m concerned
I’m glad I got the chance to say
That I do believe I love youAnd if I should ever go away
Well then close your eyes and try
To feel the way we do today
And then if you can rememberKeep smiling, keep shining
Knowing you can always count on me, for sure
That’s what friends are forFor good times and bad times
I’ll be on your side forever more
That’s what friends are forWell you came in loving me
And now there’s so much more I see
And so by the way I thank youOh and then for the times when we’re apart
Well then close your eyes and know
The words are coming from my heart
And then if you can rememberKeep smiling, keep shining
Knowing you can always count on me, for sure
That’s what friends are forIn good times and bad times
I’ll be on your side forever more
That’s what friends are forKeep smiling, keep shining
Knowing you can always count on me, for sure
That’s what friends are forFor good times and bad times
I’ll be on your side forever more
That’s what friends are forKeep smiling, keep shining
Knowing you can always count on me, for sure
That’s what friends are forFor good times and for bad times
I’ll be on your side forever more
That’s what friends are for
(Thats what friends are for)
Não gosto de traduções, mas pra quem quiser, tem aqui.



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