Política
Tapa não educa os filhos. Proibí-lo não educa os pais.
2A famosa Lei da Palmada – que proíbe que pais, professores e outros usem de castigos corporais em crianças - tem caráter assertivo, tal como a política de cotas amplamente adotada para acesso às universidades. Há quem ache ótimo medidas assertivas e afirmativas para intervir com imediatismo em “equívocos” sociais e culturais. Eu não gosto. Tenho receio. E explico.
De fato, nenhuma criança será melhor educada a tapas do que sem eles. A violência não educa, e ainda serve de contra-exemplo para os valores que realmente desejamos deixar para as novas gerações. Pais bem instruídos sabem disso. Os ignorantes não sabem, e não vão aprender com a proibição. Provavelmente continuarão a fazê-lo, e terão novos problemas com isso. Ou deixarão de fazê-lo, sem nenhuma substituição, simplesmente deixando para lá, criando crianças ainda mais sem limites.
No entanto, diferentemente do que penso sobre as cotas raciais, não sou totalmente contra a tal Lei da Palmada. Pode servir ao menos para que as famílias repensem seus hábitos e suas crenças na educação dos menores. Ao contrário das cotas, que não contribui para que os negros sejam mais respeitados, mas aumentam a segregação e discriminação, por basear-se na distinção de raças para reserva de direitos.
Não, proibir as palmadas não gera distorções deste nível, mas também não melhora a qualidade da educação dos filhos, porque não melhora a qualidade da educação de quem os educam.
A melhor maneira de garantir uma boa educação às crianças é investindo na educação dos pais e educadores, assim como a melhor forma de equilibrar a proporção de negros nas universidades é dando acesso à educação de qualidade para todos. Mesmo que leve mais cem anos até que formemos pais que entendam, de uma vez por todas, que dor física não forma caráter.
Eu não confio em milionários
2O problema do caso Palocci, que centralizou todo o debate político do país nas últimas semanas, é que não importa o que consigam provar ou não. Não importa se tenha ficado algum rastro ou não. Não importa o quão caro Palocci tenha cobrado as consultorias que prestou antes de assumir o Ministério da Casa Civil. Na verdade, a essa altura, aos olhos populares, pouco importa até a legalidade do enriquecimento do ministro. Ninguém confia em alguém que enriquece tão rápido, exceto, é claro, premiados na loteria, artistas e jogadores de futebol.
A realidade do povo mostra que a ascensão econômica individual não se dá de forma tão rápida, exceto quando se usa de subterfúgios ilegais e/ou imorais. E num país com tanta injustiça social e com tanta corrupção, é difícil olhar com simpatia para um político que enriquece rapidamente.
Uma simples dedução que se pode ter sobre o caso Palocci, para não entrarmos em hipóteses de corrupção (que no Brasil são as mais prováveis, e para Palocci não seria novidade) é de que ele tenha usado de sua influência junto ao Governo Federal para vender informações privilegiadas às empresas. O que não deixaria de ser uma consultoria, e pela qual, sim, poderia ter sido muito bem pago. E que, mesmo sendo ilegal (e imoral certamente é), é algo quase impossível de provarem e principalmente de punirem. Claro que é só uma hipótese, mas provavelmente a história verdadeira é ainda pior. Ou alguém acreditaria que suas habilidades profissionais lhe renderam em quatro anos muito além do que renderam todos os outros anos de sua carreira?
Toda essa polêmica em torno do enriquecimento do petista é resultado da sua força e influência política, que além da desconfiança da população, causa a repulsa dos opositores e um grande desconforto dos situacionistas. E disso Dilma não pode se queixar, pois conhecia o risco de colocar no cargo mais importante da coordenação política de seu governo um homem com o escândalo do caseiro no histórico. Mas talvez não tenha tido opção…
Certo é que inocentado ou não, Palocci continuará a incomodar, porque sua presença no governo é um erro, uma imposição. Sua imagem está desgastada, e não é de agora. Ninguém confia nem passará a confiar nele. E eu não confio em milionários.
Quando o voto é bem dado
3Duas votações do Poder Legislativo essa semana me deixaram ainda mais desanimado com a política, e crente que certas coisas nunca vão mudar. Uma em âmbito municipal, outra nacional.
Em São Carlos, os vereadores aprovaram em primeiro turno o aumento no número de cadeiras, de 13 para 21. “Aumenta nossa representatividade”, diriam os defensores da idéia. Não, a única coisa que aumenta é a chance daqueles macaco-velhos, que haviam ficado de fora na úlima eleição, voltarem na próxima e continuarem com seus velhos esquemas de vantagens pessoais. Aumenta também a conta do povo, mesmo que lhe digam que não. Em compensação, diminui a qualidade da fiscalização popular. Se hoje não cuidamos de 13, que dirá de 21.
Em Brasília, passou pelo Congresso, de lavada, o novo e controverso Código Florestal, que, entre outras polêmicas, traz a anistia a alguns desmatadores. Uma decisão que me fez perceber que não há diferenças significativas entre o Brasil de hoje e o Brasil produtor de café de 100 anos atrás.
Entre as duas votações, dois pontos em comum.
- Nos dois casos, o PT (situação) se posicionou contra as aprovações. E, embora tenham maioria de bancada no governo, “perderam” em ambos basicamente pelo mesmo motivo: o PMDB. E aí vale lembrar aos petistas dois velhos e sábios provérbios.
Quem dorme com cobra, amanhece picado.
Quem com o diabo se deita, com o diabo amanhece.
- Se os resultados das duas votações me desagradaram, ao menos pude ver meus candidatos (àqueles em quem confiei meu voto) muito bem posicionados nas duas situações. Não apenas votando contra essas aberrações, como articulando para tentar reverter o quadro. Porque é nisso que se consiste a democracia. Você escolhe alguém que pense o mais próximo possível do que você pensa, para que possa defender suas opiniões no legislativo. E é tão raro podermos nos orgulhar dos votos que demos que, nesses dois casos, me senti bem representado. Mesmo sabendo que, quando o interesse próprio ou do partido falar mais alto, irei me decepcionar novamente.
Os muitos bolsonaros e o difícil exercício da tolerância
3
Querem, na escola, transformar seu filho de 6 a 8 anos em homossexual
A frase acima está em destaque no polêmico (e bizarro) panfleto ‘antigay’ produzido e divulgado pelo deputado Jair Bolsonaro. Mas repare: ela, por si só, não emite qualquer opinião preconceituosa (não explicitamente, pelo menos). É pior do que isso. O apelo tem como alvo o preconceito que existe em nós. Ou, pelo menos, em muita gente próxima a você (e a mim, e a todos).
Isso nos leva de volta ao debate sobre a presença de uma figura como Bolsonaro no Congresso Nacional. Ele representa uma parcela que não é pequena da população brasileira. E, não fossem algumas opiniões que de fato ultrapassaram o limite e caracterizaram-se como preconceituosas, sua presença na Câmara não seria ruim, enquanto democracia. Não é abafando pensamentos diferentes que se constrói um país livre. Ao contrário, só será possível dirimir o preconceito encarando-o de frente, ou seja, quando as pessoas conhecerem esse tipo de pensamento e o rejeitarem.
Eu não tenho medo de Bolsonaros e suas campanhas. De seus exageros a lei cuidará. As idéias que ele defende continuarão existindo no meio de nós, da pior forma, velada, e só podem ser combatidas com informação. Me assusta mais é a intolerância com que a ala ofendida lida com idéias tão discrepantes. Justamente a que clama por tolerância e diversidade.
Vampiro Maquiavélico
0Agora estão dizendo por aí que José Serra está a par de todos os movimentos do PSD, o novo partido criado por seu pupilo Kassab. Pode ser viagem minha, afinal, meus conhecimentos sobre os bastidores políticos são bem parcos, mas para mim está claro desde o anúncio de Kassab que Serra sempre esteve por trás dessa movimentação da direita.
Pensem comigo: Serra perdeu as eleições presidenciais do ano passado, e saiu com a imagem um pouco (ou um tanto, há controvérsias) desgastada. Muito pela campanha apelativa de sua coligação, com uso de apelos religiosos, encenação com bolinhas de papel, e etc. Em compensação, levou da campanha uma onda de conservadorismo que viu crescer entre seus eleitores, o que o deixou como um líder icônico de uma direita já moribunda no país. Uma direita na qual o PSDB nunca esteve verdadeiramente, exceto por suas mãos.
Serra viu crescer rapidamente o nome de Aécio Neves como principal nome de seu partido e candidato potencial à presidência em quatro anos. Sobraria a ele, então, as seguintes opções:
- Assimilar a derrota política e o papel de coadjuvante entre os tucanos.
- Deixar o partido pelas portas do fundo, evidenciando que ficou sem espaço por lá.
- Voltar pra catacumba de onde nunca deveria ter saído.
- Ou… Sair para um partido novo, aparentemente sem a sua participação, aliando metade da força do PSDB, sobretudo no estado de São Paulo, à ala ainda com alguma popularidade do também decadente DEM, com quem sempre teve relações estreitas.
Serra deixaria o PSDB teoricamente por cima, e surgiria então como liderança incontestável de um partido novo, livre das culpas do PFL, da decadência dos Democratas, e das besteiras dos tucanos, ainda que na prática tudo isso continue impregnado a esse novo velho grupo político da direita – e cada vez mais à direita – embora tenham cuidado para parecer que Kassab aproximara-se de Dilma com sua saída do DEM. Eu até poderia acreditar nisso, não fossem os nomes que o acompanharam.
Claro que tudo isso pode ser viagem minha, mas, se for verdade, serei obrigado a admitir: Serra, apesar de ser um safado sem escrúpulos, é muito esperto e muito ágil politicamente.
Lula é o cara
0
This is my man, right here, I love this guy.Barack Obama sobre Lula (2009)
A famosa frase é a dita por Obama sobre Lula. Mas poderia ser minha. E o fato dela ter partido do presidente dos Estados Unidos não soa como demérito para muitos, como poderia parecer no começo da década. Chico Buarque explica melhor:
A forma de governar de Lula é diferente. Ele não fala fino com Washington, nem fala grosso com Bolívia e Paraguai. Por isso, é ouvido e respeitado no mundo todo. Nunca houve na História do país algo assim.
Chico Buarque (2010)
E muito antes de qualquer número, de qualquer virtude econômica, antes mesmo dos importantes e consolidados programas sociais do Governo Lula, é essa sua característica humana, humanista e humanitária de Lula que faz com que eu me sinta agora, no fim do mandato do presidente, extremamente orgulhoso por ter sido contemporâneo desse homem, desse mito. Um homem de jeito simples, de discurso fácil e popular, e de carisma único.
Dois fatos razoavelmente recentes, ainda frescos na minha memória, exemplificam o Lula e merecem menção destacada, embora tenham sido de resultado praticamente nulo.
O primeiro, em 2009, foi a liderança e luta quase incessante por um acordo minimamente eficaz na Conferência do Clima, em Copenhague. Não saiu nada. Mas nas palavras de Lula eu deposito toda minha identificação e todo o meu orgulho desse brasileiro, e faço delas também as minhas.
A fragilidade de alguns países não pode servir de pretexto. A hora de agir é esta. O veredito da história não poupará os que falharem com sua responsabilidade neste momento.
Lula em Copenhague (2009).
A segunda história é sobre a relação de Lula com o Irã, e talvez não caiba exatamente como um fato, posto que nada aconteceu, mas num conjunto de ações que demonstram a postura do governo de Lula diante de conflitos históricos, culturais, e que são sempre o ponto de partida para as grandes guerras. Lula preferiu tentar um acordo. Para muitos, uma jogada unicamente política e falsa, para outros pura ingenuidade. Lula não é ingênuo, mas também não é maquiavélico. Lula é bem intencionado, é humano, e é sensível ao povo, seja ele qual for.
E é assim, menos nos resultados e mais em sua postura, suas convicções e em seus discursos, ainda que politicamente elaborados, que me tornei hoje um lulista convicto. Isso sem ter votado nele em 1º turno uma única vez… Em 2002 votei em Ciro Gomes (nem sei bem por quê), em 2006 em Cristovam Buarque (o homem que teve a coragem de colocar a educação como plano fundamental de seu programa de governo), e agora em 2010 votei em Marina Silva. Deixei para o 2º turno os votos em Lula e em Dilma, a candidata dele, em todas essas eleições. Mas hoje não consigo me imaginar não votando em Lula para qualquer eleição que seja. Pois se um dia eu julguei que boa formação era requisito imprescindível para um governante público, hoje não tenho dúvida de que para governar pessoas é preciso, acima de tudo, gostar de pessoas.
Eu sei, e acho justo que um grupo de pessoas tenha se decepcionado com Lula. Petistas “das antigas”, convictos da necessidade de uma revolução social no país, que depositaram o voto em Lula em todas as eleições desde 1989, ou antes, e que se sentiram vitoriosos e esperançosos de mudanças drásticas após sua eleição. Esquecem-se, porém, que o Lula de 89, de 94 e de 98 foi rejeitado pelos eleitores brasileiros. Foi o Lula de 2002, muito mais ao centro que à esquerda, de discurso moderado, de alianças com os liberais, que, finalmente, foi eleito pela maioria. E esse é mais um mérito do Luiz Inácio. Ele não se esqueceu disso, ainda bem. Traição seria se tivesse retrocedido ao que já havia sido reprovado, e agisse diferente do que dizia quando eleito. Não, não queríamos aquele Lula, não a maioria. Queríamos esse, capaz de manter o equilíbrio econômico, uma das poucas boas heranças dos tucanos.
Talvez não precisasse ter exagerado tanto na dose de liberalismo. Lembro que um dos grandes choques que levei com Lula nos últimos oito anos foi quando estourou a crise em 2008, e nosso presidente veio a público pedir para os brasileiros consumirem! Se tal postura postura foi um espanto para mim, faço idéia o que sentiram os mais comunistas.
Amargo ou não, o remédio funcionou, embora para mim o essencial para que da crise só pegássemos a marola não tenha sido exatamente o auxílio às montadoras, disfarçado de incentivo fiscal aos consumidores, mas os investimentos públicos do Governo Federal. E essa foi outra bola dentro de Lula. Com o PAC, o país encontrou o caminho para crescer. Agora terá que arcar com a falta de liquidez e a ameaça da inflação, mas isso será problema para Dilma resolver.
Lula se despede amanhã do Palácio da Alvorada com mais de 80% de aprovação, um legado promissor e uma marca para a história.
Em 2001, quando eu fazia o Cursinho Pré-Vestibular na UFSCar, lembro-me que após uma aula de História do Brasil, fiz uma pergunta quase de criança ao professor: quem foi o melhor presidente do Brasil?
Não houve resposta conclusiva. Poderia ser Getúlio, pelos primeiros anos, pelos conquistas sociais, populares… Mas a história faz pesar contra ele o fato de ter assumido o poder atrávés de golpe, continuado nele por 15 anos através de outro golpe, e o “mar de lama” que culminou em seu suicídio. Poderia ser Juscelino Kubitschek, por todas as suas realizações ambiciosas e pelo desenvolvimento econômico durante seu governo, apesar de ter deixado, alegam alguns, o legado de inflação e dívidas. Até FHC poderia pleitear tal honra, se a história de seu mandato fosse contada de 93 a 97, e não de 94 a 2002.
Já há alguns anos que afirmo sem medo de errar: pelos miseráveis que passaram a comer; pelos pobres que deixaram de ser pobres; pelos filhos de pobres que chegaram às universidades; pelas crises superadas com investimentos; pelo crescimento gerado; pelo respeito conquistado internacionalmente; pelo orgulho recuperado; mas sobretudo por seu jeito simples e humano, é Lula o maior presidente da história da República Federativa do Brasil.
Parece piada, mas não é…
7Veja esse sensacional vídeo do Comédia MTV, em que o Marcelo Adnet ironiza o preconceito de classe que ficou tão evidente na última eleição.
Agora veja esse vídeo, de uma filial da Globo em Santa Catarina:
Ou seja, o que era pra ser uma piada do Adnet, infelizmente, é o pensamento de muita gente!
Drops (pós-)eleitorais
0- É Dilma, então, a nova presidente do Brasil. A primeira mulher, e, independente do que vier, é um orgulho presenciar essa página da história, como já havia sido um orgulho ver o operário Lula lá.
- A sensação não é de euforia, longe disso. Talvez não fosse sequer se a minha candidata, Marina Silva, tivesse sido a eleita hoje. Porque nessa hora não vale a empolgação, vale o zelo, a vigilância. Estou como a maioria que NÃO votou na candidata eleita (somando-se aos votos do adversário os votos nulos, brancos e as abstenções). Preocupado. Incomodado de vê-la abraçando Sarney e Palocci, como eu já sabia que seria.
- Mas devo confessar que é sim uma grande sensação de alívio. Um alívio de quem presenciou, de maneira muito próxima, as atitudes anti-democráticas e a total ausência de sensibilidade social de José Serra. Um alívio para quem não concorda com a forma de governar dos tucanos, com exageros neoliberais e orientação para os números, com dependência externa e elevada exposição às crises globais.
- Alívio, acima de tudo, pelo fim da campanha eleitoral. Possivelmente a que mais me envolvi (no sentido de estar envolvido por, e não de participar efetivamente), muito por culpa das redes sociais. Debati, opinei, sei que fui chato muitas vezes, mas, de fato, minha indignação diante de preconceito e covardia é desmedida! E o que vi nesses tempos deu nojo, muito nojo! Começou antes mesmo do período eleitoral. Recebia e-mails já tentando “demonizar” a candidata petista. Mesmo não sendo a minha primeira opção, aquilo me causava repulsa, asco. Pintaram-na como terrorista, por ter pertencido a grupos revolucionários nos anos 60. Ora, ou essas pessoas faltaram às aulas de história, ou provavelmente alinham-se aos militares daquela época. Porque não faz sentido ignorar o contexto histórico daquele período. Na verdade, é quase certo que as mesmas pessoas que ajudaram a espalhar essa imagem da Dilma, votaram em Aloysio Nunes em São Paulo, ou no Gabeira no Rio, e por aí vai. É como citei sobre o assunto várias vezes: quem faz isso, ou é ignorante, leviano, ou age de má fé realmente, com hipocrisia. Porque não é possível! A campanha suja de boatos e ditorções ploriferou-se pela Internet em um volume ridículo e assustador! Inventaram até que Dilma não teria nascido no Brasil, ou que não pudesse pisar em solo americano! Isso menos de um ano do encontro dela com Obama! Foi um desfile cibernético de ódio e preconceito, de todas as espécies. Preconceito de classe, coisa mais antiga e inadequada! Preconceito regional, de gênero, até de opinião… Com o tempo, muitas pessoas passaram a ter um ódio e uma repulsa pela candidata, agora eleita, que, se você perguntasse, poucos conseguiam explicar! Porque não havia razão! Era só preconceito! E eu sei que esse preconceito vai continuar lá, e fico triste por saber que ele ainda existe com tanta força. Mas sinto alívio, sim, por saber que com o fim do período eleitoral não verei isso tão escancarado por algum tempo de novo.
- De longe, o fato que mais me chateou nesse período todo foi o envolvimento de religiosos. Não que eu não aceite que a Igreja mostre sua posição, defenda os valores que a norteiam e que são pilares de suas (nossas) crenças. O que eu não aceito e não entendo é que padres e bispos distorçam a realidade, e usem argumentos frágeis e falaciosos para sustentar o que são, na verdade, suas convicções pessoais, já que em nenhum momento a Igreja se posicionou oficialmente por um ou outro candidato. E tão decepcionante quanto ouvir isso dentro da Igreja que sigo, foi a reação causada por isso, e declarações absolutamente desrespeitosas e preconceituosas de quem está de fora – incluíndo aí, principalmente os petistas.
- Minha expectativa para o Governo Dilma é cautelosa. Não espero que seja melhor que o de Lula, porque, como sempre repito, considero o melhor da história da nossa república. Mas o contexto pode ajudar. O Brasil teve avanços importantes nos últimos anos, e tem uma série de planejamentos e de ações programadas para os próximos quatro anos. Mas vamos ver…
- O PSDB até que se saiu muito bem dessa eleição. Evitou um massacre da Dilma pra cima do Serra, e ficou com maioria esmagadora de estados. Eu só espero que enterrem de vez o José Serra, ou o transfiram pro DEM, que é muito mais a cara do candidato derrotado. Tinha até musiquinha subliminar na campanha: “O Serra é do DEM, o Serra é do DEM”. Bons nomes surgem para fazer uma oposição de verdade. Vejamos, por exemplo, como serão as atuações de Aloysio Nunes e Aécio Neves no Senado.
- Enfim, é muito bom que tudo isso tenha passado. Meus poucos leitores provavelmente agradecem. Hehe.
"Pelos olhos das pessoas"
5Alguns governos veem o mundo só pelos olhos da economia. Aí, tudo vira número.
Outros governos veem o mundo só pelos olhos das obras. Aí, tudo vira pedra, tijolo, prédio.
E há um tipo raro de governo que vê o mundo pelos olhos das pessoas.
Aí número vira gente, prédio vira gente, e gente vira muito mais gente.
É este governo, de olhar social, onde as pessoas são o centro de tudo que Lula vem fazendo.
E Dilma vai continuar e ampliar.
Foram com essas palavras que começou hoje, dia 28/10, o programa de Dilma Roussef, às 13:00. Pra mim, um dos melhores da candidata do PT durante toda a campanha. Justamente no último dia de propaganda eleitoral.
E pra mim, é exatamente isso que diferencia o governo FHC do governo Lula, é o que faz o segundo dar mais certo que o primeiro, é a essência da diferença entre as duas candidaturas deste 2º turno, e é motivo mais que suficiente para eu ter feito minha opção para o próximo domingo.
Espero que até lá mais algumas pessoas reflitam sobre isso e me acompanhem neste voto.
Drops do final de semana
3- O Altas Horas estava show de bola, na madrugada de sábado pra domingo. Dave Matthews e Regina Spektor, só com voz, violão e teclado, chegaram a arrepiar! E o Serginho é realmente um comunicador diferenciado. Há quem não goste do estilo, mas é raro ver um entrevistador puxar assuntos tão interessantes com estrelas da música internacional. E pra ajudar ainda mais, o sensacional e corinthianíssimo Dan Stulbach também participou do programa.
- O biscoito da sorte que veio com a comida chinesa dizia: “seu corpo é um poço de energia sempre em movimento”. Acho que mandaram pra pessoa errada…
- Marina Silva e o PV declararam independência. Mas hein? Na prática, Marina não declarará apoio a nenhum dos lados, como eu já previa (mas ainda acho que sei em quem ela votará).
- Não vi o debate entre os candidatos a presidência, ontem, na Rede TV. Acho que não tenho mais estômago pra ouvir o Serra. Mas pelo que andei lendo, gostei da participação da Dilma. Fez, por exemplo, o questionamento que não vi nenhum candidato a governador de SP fazer, ao contestar a classificação da educação do estado no Ideb, sendo que um dos critérios leva em conta a aprovação de alunos, e, como sabemos, aqui todos são aprovados automaticamente. Mais uma farsa numérica dos tucanos.
- Ronaldo voltou. Até que bem. Fez 2 gols, mas perdeu uma chance clara de fazer o 3º (que seria o primeiro a não ser anulado pelo árbitro). Deu pra sentir que o Corinthians tem por onde melhorar ainda, mas enquanto ver alguém como o Moacir em campo, fica difícil acreditar que alguém esteja levando a sério esse campeonato. Pra piorar, confirmaram o Tite como novo técnico. Aí fica difícil! Vendo os jogos que falta pro Timão, incluindo confronto com o líder, e dois clássicos, só há duas hipóteses: ou faz campanha de campeão nos nove jogos que faltam, ou nem Libertadores pega!
- O Cruzeiro tropeçou, mas foi no forte time do Grêmio, que hoje eu diria que rouba fácil uma das vagas no G3. Ou do Corinthians, ou do Fluminense, que também segue patinando. E aquele Montillo joga demais!
- Li algo ontem que sou obrigado a concordar: Marcos Assunção deve ser, hoje, o melhor cobrador de faltas do mundo! Do Brasil, com certeza é.
- Sansão foi um clássico muito bom! São Paulo ganhou no detalhe, mas foi melhor mesmo. Só acho que estão superestimando o Carpeggiani…
- Horário de verão é legal, mas acordar as 6 da matina, não é bom, não.
- Chove lá fora e aqui faz tanto frio…




Comentários Recentes