Política
Drops do final de semana
3- O Altas Horas estava show de bola, na madrugada de sábado pra domingo. Dave Matthews e Regina Spektor, só com voz, violão e teclado, chegaram a arrepiar! E o Serginho é realmente um comunicador diferenciado. Há quem não goste do estilo, mas é raro ver um entrevistador puxar assuntos tão interessantes com estrelas da música internacional. E pra ajudar ainda mais, o sensacional e corinthianíssimo Dan Stulbach também participou do programa.
- O biscoito da sorte que veio com a comida chinesa dizia: “seu corpo é um poço de energia sempre em movimento”. Acho que mandaram pra pessoa errada…
- Marina Silva e o PV declararam independência. Mas hein? Na prática, Marina não declarará apoio a nenhum dos lados, como eu já previa (mas ainda acho que sei em quem ela votará).
- Não vi o debate entre os candidatos a presidência, ontem, na Rede TV. Acho que não tenho mais estômago pra ouvir o Serra. Mas pelo que andei lendo, gostei da participação da Dilma. Fez, por exemplo, o questionamento que não vi nenhum candidato a governador de SP fazer, ao contestar a classificação da educação do estado no Ideb, sendo que um dos critérios leva em conta a aprovação de alunos, e, como sabemos, aqui todos são aprovados automaticamente. Mais uma farsa numérica dos tucanos.
- Ronaldo voltou. Até que bem. Fez 2 gols, mas perdeu uma chance clara de fazer o 3º (que seria o primeiro a não ser anulado pelo árbitro). Deu pra sentir que o Corinthians tem por onde melhorar ainda, mas enquanto ver alguém como o Moacir em campo, fica difícil acreditar que alguém esteja levando a sério esse campeonato. Pra piorar, confirmaram o Tite como novo técnico. Aí fica difícil! Vendo os jogos que falta pro Timão, incluindo confronto com o líder, e dois clássicos, só há duas hipóteses: ou faz campanha de campeão nos nove jogos que faltam, ou nem Libertadores pega!
- O Cruzeiro tropeçou, mas foi no forte time do Grêmio, que hoje eu diria que rouba fácil uma das vagas no G3. Ou do Corinthians, ou do Fluminense, que também segue patinando. E aquele Montillo joga demais!
- Li algo ontem que sou obrigado a concordar: Marcos Assunção deve ser, hoje, o melhor cobrador de faltas do mundo! Do Brasil, com certeza é.
- Sansão foi um clássico muito bom! São Paulo ganhou no detalhe, mas foi melhor mesmo. Só acho que estão superestimando o Carpeggiani…
- Horário de verão é legal, mas acordar as 6 da matina, não é bom, não.
- Chove lá fora e aqui faz tanto frio…
A carta de Marina Silva, quando deixou o PT
1Estive lendo algumas notícias sobre a batalha interna no PV, onde o partido praticamente fecha questão no apoio a José Serra, como sempre pretendeu. Só que eles não contavam que a Marina Silva ganharia tanta força em sua campanha eleitoral. Nas palavras do próprio Fabio Feldman, candidato do PV ao governo de SP, hoje Marina é maior que o Partido Verde. E é mesmo.
E o que Marina Silva fará com essa poderosa influência em parte de seus eleitores? Talvez na urna, em seu voto secreto, ela vote 13, mas ela não poderia declarar isso publicamente, e ir contra o PV assim de forma tão incisiva.
Pode até acontecer de ela aceitar, democraticamente, a escolha da convenção do partido, após ela ter conseguido a inclusão de pessoas externas nesse debate e nessa decisão, que deve ocorrer no próximo final de semana. Porém, o mais provável é que ela fique neutra, já pensando em construir uma boa sustentação coerente para 2014. E aí, se ela declarar a neutralidade mesmo com o partido declarando apoio ao candidato tucano, será um recado mais do que claro a seus eleitores: “Serra nem pensar”!
A verdade é que Marina Silva conhece a diferença ideológica dos dois modelos de governos propostos neste segundo turno, e reconhece, com propriedade, todos os avanços sociais indiscutíveis e inquestionáveis do governo petista nos últimos oito anos.
Assim como já aconteceu com diversas histórias malacabadas e fantasiosas que circularam por e-mails, contra a candidata Dilma, tem sido espalhado pelos eleitores tucanos que Marina Silva foi destratada pelo PT, e teria saído de lá decepcionada e envergonhada. Não é verdade.
Encontrei a carta de Marina Silva dirigida ao presidente do Partido dos Trabalhadores na época de sua saída do partido. Leiam, e tirem suas próprias conclusões:
Caro companheiro Ricardo Berzoini,
Tornou-se pública nas últimas semanas, tendo sido objeto de conversa fraterna entre nós, a reflexão política em que me encontro há algum tempo e que passou a exigir de mim definições, diante do convite do Partido Verde para uma construção programática capaz de apresentar ao Brasil um projeto nacional que expresse os conhecimentos, experiências e propostas voltados para um modelo de desenvolvimento em cujo cerne esteja a sustentabilidade ambiental, social e econômica.
O que antes era tratado em pequeno círculo de familiares, amigos e companheiros de trajetória política, foi muito ampliado pelo diálogo com lideranças e militantes do Partido dos Trabalhadores, a cujos argumentos e questionamentos me expus com lealdade e atenção. Não foi para mim um processo fácil. Ao contrário, foi intenso, profundamente marcado pela emoção e pela vinda à tona de cada momento significativo de uma trajetória de quase trinta anos, na qual ajudei a construir o sonho de um Brasil democrático, com justiça e inclusão social, com indubitáveis avanços materializados na eleição do Presidente Lula, em 2002.
Hoje lhe comunico minha decisão de deixar o Partido dos Trabalhadores. É uma decisão que exigiu de mim coragem para sair daquela que foi até agora a minha casa política e pela qual tenho tanto respeito, mas estou certa de que o faço numa inflexão necessária à coerência com o que acredito ser necessário alcançar como novo patamar de conquistas para os brasileiros e para a humanidade. Tenho certeza de que enfrentarei muitas dificuldades, mas a busca do novo, mesmo quando cercada de cuidados para não desconstituir os avanços a duras penas alcançados, nunca é isenta de riscos.
Tenho a firme convicção de que essa decisão vai ao encontro do pensamento de milhares de pessoas no Brasil e no mundo, que há muitas décadas apontam objetivamente os equívocos da concepção do desenvolvimento centrada no crescimento material a qualquer custo, com ganhos exacerbados para poucos e resultados perversos para a maioria, ao custo, principalmente para os mais pobres, da destruição de recursos naturais e da qualidade de vida.
Tive a honra de ser ministra do Meio Ambiente do governo Lula e participei de importantes conquistas, das quais poderia citar, a título de exemplo, a queda do desmatamento na Amazônia, a estruturação e fortalecimento do sistema de licenciamento ambiental, a criação de 24 milhões de hectares de unidades de conservação federal, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e do Serviço Florestal Brasileiro. Entendo, porém, que faltaram condições políticas para avançar no campo da visão estratégica, ou seja, de fazer a questão ambiental alojar-se no coração do governo e do conjunto das políticas públicas.
É evidente que a resistência a essa mudança de enfoque não é exclusiva de governos. Ela está presente nos partidos políticos em geral e em vários setores da sociedade, que reagem a sair de suas práticas insustentáveis e pressionam as estruturas públicas para mantê-las.
Uma parte das pessoas com quem dialoguei nas últimas semanas perguntou-me por que não continuar fazendo esse embate dentro do PT. E chego à conclusão de que, após 30 anos de luta socioambiental no Brasil – com importantes experiências em curso, que deveriam ganhar escala nacional, provindas de governos locais e estaduais, agências federais, academia, movimentos sociais, empresas, comunidades locais e as organizações não-governamentais – é o momento não mais de continuar fazendo o embate para convencer o partido político do qual fiz parte por quase trinta anos, mas sim o do encontro com os diferentes setores da sociedade dispostos a se assumir, inteira e claramente, como agentes da luta por um Brasil justo e sustentável, a fazer prosperar a mudança de valores e paradigmas que sinalizará um novo padrão de desenvolvimento para o País. Assim como vem sendo feito pelo próprio Partido dos Trabalhadores, desde sua origem, no que diz respeito à defesa da democracia com participação popular, da justiça social e dos direitos humanos.
Finalmente, agradeço a forma acolhedora e respeitosa com que me ouviu, estendendo a mesma gratidão a todos os militantes e dirigentes com quem dialoguei nesse período, particularmente a Aloizio Mercadante e a meus companheiros da bancada do Senado, que sempre me acolheram em todos esses momentos. E, de modo muito especial, quero me referir aos companheiros do Acre, de quem não me despedi, porque acredito firmemente que temos uma parceria indestrutível, acima de filiações partidárias. Não fiz nenhum movimento para que outros me acompanhassem na saída do PT, respeitando o espaço de exercício da cidadania política de cada militante. Não estou negando os imprescindíveis frutos das searas já plantadas, estou apenas me dispondo a continuar as semeaduras em outras searas.
Que Deus continue abençoando e guardando nossos caminhos.
Saudações fraternas,
Marina Silva
José Serra e a USP
4Eu pensei em fazer uma lista de 10 boas razões para não votar em José Serra nas eleições do próximo fim de semana. Porém, teria grande dificuldade de separar “apenas” 10 motivos. Então, para tentar facilitar um pouco minha vida, vou me concentrar apenas na relação do ex-governador tucano com a USP, universidade onde estou inserido desde 2002, seja como aluno (de 2002 a 2005), seja como funcionário (de 2004 a 2007, e novamente desde 2008).
Antes, é preciso entender o funcionamento das universidades paulistas.
Desde 1989, USP, UNICAMP e UNESP trabalham com o que chamam de autonomia universitária. Através dessa, as três universidades recebem repasse direto de 9,57% do ICMS arrecadado no estado para manterem-se e, eventualmente, expandirem-se. E é graças a essa autonomia que elas conseguem, até então, manter o elevado padrão e a qualidade de ensino e pesquisa, a despeito da falta de investimento público e até de interesse político pela educação no estado de São Paulo, nos últimos 20 anos.
À diferença do modelo anterior, em que os recursos lhes eram repassados sob demanda – segundo a política do pires na mão, com sobressaltos de toda ordem -, a autonomia tornou possível às universidades projetar seu futuro e organizar seu dia-a-dia, estabelecer políticas próprias de racionalização e de investimentos de acordo com o fluxo das demandas sociais e o comportamento da economia, com a vantagem de trabalhar realisticamente sobre previsões orçamentárias.
(José Tadeu Jorge)
Todas as grandes decisões de interesse comum para distribuição e utilização desse repasse é feita pelo CRUESP – Conselho dos Reitores das Universidades Estaduais de São Paulo - que é sempre presidido por um dos três reitores (normalmente é feito um rodízio).
Isto esclarecido, vamos aos fatos gerados a partir da posse do nosso “querido” ex-governador.
1) Em seu primeiro mês de mandato, José Serra criou a Secretaria do Ensino Superior, a qual vinculou as três universidades paulistas. Fez mais: nomeou para esta secretaria José Aristodemo Pinotti, o qual, por decreto, passou a ser o novo presidente do CRUESP, com poderes de “super-reitor” das universidades.
Como consequência imediata desta ação autoritária e centralizadora, aconteceu o contingenciamento de parte do repasse às univesidades. Só no primeiro mês, a USP teve uma perda de R$ 11,5 mi, a UNESP recebeu apenas R$ 2,4 mi dos R$ 12,7 e a UNICAMP recebeu R$ 5,5 mi a menos.
Foi neste ano que aconteceu uma das mais cansativas greves na USP, com ocupação do prédio da reitoria, e longo embate até que o governo estadual retrocedesse e alterasse o texto do decreto, devolvendo às universidades parte da autonomia que lhes é de direito.
Mas isso não impediu que eles continuassem intervindo, negativamente, nas universidades, sobretudo na USP.
2) Em 2009, durante o período de negociação de pauta unificada, onde são discutidas as correções salariais para as três universidades, o arbitrário José Serra, numa demonstração de clara truculência e intolerância, enviou a tropa de choque da PM ao campus da Cidade Universitária, “a fim de garantir o livre acesso”. A própria presença da polícia tornou o ambiente, que ainda era de negociações e protestos pacíficos, num clima muito mais hostil. Um barril de pólvoras com resultado previsível, embora não fosse visto algo assim desde a década de 60, nos anos mais críticos da ditadura militar.
Mas nada que seja novidade. Os professores da rede pública estadual sabem bem que esse é o modus operandi de José Serra.
3) Em Janeiro de 2010, José Serra recebeu, em suas mãos, a “famosa” lista tríplice da USP, com os nomes dos três candidatos a reitoria mais votados dentro da universidade. Por tradição e bom senso, esta escolha sempre se resumiu a mera formalidade para nomear o candidato mais votado como reitor da USP.
Como estamos falando do arbitrário, centralizador e déspota José Serra, Glaucius Oliva, então diretor do Instituto de Física de São Carlos (IFSC), candidato mais votado com ampla vantagem nos dois turnos da eleição, foi preterido. E o escolhido a dedo pelo governador tucano foi apenas o segundo mais votado (104 votos, contra 161 de Glaucius Oliva e 101 de Armando Corbani Ferraz), João Grandino Rodas, que deixou a diretoria da Faculdade de Direito (FDUSP) para assumir a Reitoria.
No último dia como diretor da FDUSP, Rodas baixou portarias cujo conteúdo foi mantido em segredo por algum tempo. Uma delas nomeia duas salas da faculdade como Pinheiro Neto e Pedro Conde, como contrapartida a doações recebidas do escritório do primeiro e da família do segundo. Tais doações não teriam sido feitas de acordo com o regimento da Universidade e em desacordo com parecer da Consultoria Jurídica USP, que em caso semelhante na FEA, declarou inválida a modalidade de doação com contraprestação, mesmo que apenas moral. A negociação foi feita pelo presidente da Associação dos Antigos Alunos da FDUSP.
Outra portaria mandou a transferência do acervo das bibliotecas departamentais e da biblioteca circulante da Faculdade de Direito, para o prédio anexo IV, na rua Senador Feijó 205. O prédio, no entanto, carece de laudo pericial atestando a possibilidade de abrigar os acervos de mais de 150.000 livros e de condições mínimas de preservação do acervo. O qual está exposto a vários riscos.
(WikiPédia)
Rodas tem muito a ver com Serra. Dois anos antes do episódio da PM no campus da USP, Rodas já havia requisitado a presença da PM dentro da FDUSP para a expulsão de estudantes que manifestavam na Jornada em Defesa da Educação. Devo considerar a hipótese de tal nomeação ter sido uma retribuição do tucano pela inspiração…
“Coincidentemente”, um mês após a nomeação do novo reitor, foi aprovado no CRUESP, sem ressalvas, sem reivindicações, sem necessidade de qualquer tipo de manifestação, um aumento real de cerca de 6% aos servidores docentes, e apenas aos docentes das três universidades, pela “valorização dos recursos humanos”.
Nós, burros de carga servidores não-docentes da USP, por consequência, entendemos não estarmos enquadrados na classificação “humana”, segundo os mentores de tal benefício.
A atitude elitista e discriminatória foi encarada, evidentemente, como provocação. Era óbvio que tratava-se de mais uma manobra política, seja por retaliação aos eventos de 2009, ou seja simplesmente para que, posteriormente, eles tivessem a oportunidade de demonstrar mais uma vez a truculência e arbitrariedade que lhes é costumaz, em uma sucessão de ameaças e retaliações aos servidores que entraram em greve ou manifestaram-se contra tal atitude.
Essa é a forma como José Serra lida com as políticas sociais, a educação, os trabalhores…. É só como ele sabe fazer. Sua fama de centralizador e autoritário é reforçada por cada ação de seu governo.
E se depois de ler tudo isso você ainda considera a hipótese de votar neste déspota, não há muito mais o que argumentar. É uma questão de valores. Os meus, pelo menos, jamais aceitarão governantes com esse tipo de conduta.
Globo abre campanha pró-tucanos, sem discrição
2Ver a principal emissora do país atuar parcialmente em prol dos partidos de direita não é algo tão novo assim, pelo contrário. Mas não me lembro de uma campanha tão aberta da Globo num período eleitoral desde o episódio de 89.
Depois de passar mais de uma semana forçando a barra com o assunto da quebra de sigilo na Receita Federal (sem querer tirar o mérito da questão, mas basta uma visita na Santa Efigênia pra você ter acesso aos dados de todos os contribuintes), e ver que a estratégia não surtiu efeito nas pesquisas, começaram a veicular uma série de reportagens que seriam subliminares, não fossem tão descaradas.
Ontem acordei vendo o Bom Dia Brasil lançar no ar uma dobradinha de reportagens comentadas pela tão “imparcial” Miriam Leitão, que me tirou muitos risos. Porque foi muito patética a tentativa tola de influenciar a opinião popular.
As reportagens tentavam contrastar o déficit de saneamento básico no país com a expansão da telefonia pós-privatização. Uma tentativa baixa e tola de pegar a única área em que a privatização foi benéfica, pela concorrência gerada e não pela mão “gentil” da iniciativa privada, em contraposição com algo tão fundamentalmente público como as redes de esgoto. O que a reportagem mostrou, mas não destacou, foi um gráfico que mostra a estagnação do saneamento básico nos anos 90, e a crescente (e ainda insuficiente) melhora na área desde 2002, saindo de 50 para 60% de abrangência.
No dia anterior, o Jornal da Globo abriu com o William Waack falando de pesquisas do IBGE que mostram um Brasil “muito diferente do que dizem as propagandas” (só faltou dizer que são as propagandas petistas). Que há gente passando fome, e gente analfabeta, entre outras coisas.
É óbvio que existe! Até porque há estados em que a (falta de) educação de base faz com que pessoas cheguem ao quinto ano escolar sem saber ler (né Alckmin?)!O que o comentarista não cita é que a taxa de analfabetismo cai, sistematicamente há SEIS anos. São oito anos tentando melhorar um pouco o estrago feito em oito anos de descaso dos tucanos com a sociedade.
Hoje na “sabatina” (quase que homenagem) do Serra para O Globo, os jornalistas voltaram a enaltecer as maravilhas das privatizações, abrindo espaço para o candidato tucano enfatizar suas proposições, e criticar o governo federal.
É, a Globo e a Abril compraram de vez a briga eleitorial. E na falta de críticas ao governo atual e de propostas para um novo governo, se apegam nas duas únicas coisas que podem: uma polêmica mal explicada e forçada sobre declarações do IR, e as privatizações, que são tudo e só o que os tucanos podem oferecer.
Eles seriam mais felizes criticando a relação do PT com o Sarney e o Collor…
Enquanto isso, no meio desse tiroteio, a Marina segue ilesa. PENSA BRASIL!
Ficha Limpa – A derrota da sociedade
9Quando a tal lei Ficha Limpa foi aprovada, o país inteiro, exceto, é claro, os políticos – e eu diria ‘os corruptos‘, se não fosse pleonasmo – festejou a “conquista do povo”. Afinal, houve uma enorme pressão popular para que a lei fosse aprovada de imediato, antes do pleito deste ano. Recolheram milhões de assinaturas, fizeram passeatas e uma intensa mobilização pela Internet, até a importante conquista no combate à corrupção.
Não há como revogar o mérito da lei. Muito menos a importância da mobilização popular para que isso fosse posto em prática de imediato. Provavelmente muitos, como eu, se perguntaram: “ué, como é que isso não era assim antes?” É o mínimo! É o óbvio! Você não consegue emprego público concursado com a ficha suja, por que deveria pleitear um cargo público?
Agora, com a lei aprovada, e teoricamente “em prática”, a pergunta mais comum é: “será que vai pegar mesmo?”
Mas eu tenho outra pergunta a propor. Uma pergunta que não sei se ando fazendo sozinho ou se mais gente questiona isso…
Será mesmo que é uma conquista a ser comemorada?
Vamos combinar, o Ficha Limpa é uma derrota social sem precedentes. Num país democrático e livre – e somos um, razoavelmente – em que a grande maioria tem acesso às informações, e pode escolher seus candidatos, precisamos de uma lei que nos impeça de eleger corruptos condenados?
Na última eleição, algum paulista não sabia que o Maluf era um ladrão sem vergonha? E ele não foi o candidato a Deputado Federal mais votado no estado? E por acaso não será um dos mais votados de novo, mesmo com a ficha “suja”?
Cabe até a pergunta se essa lei é democrática, na essência. Num ambiente democrático ideal, o povo deveria ter o poder de decidir, por exemplo, entre um candidato com uma condenação suspeita (forjada) e “leve” (contravenção irrelevante), ou um sabidamente corrupto, extremista, mas que não tem condenação (o que, todos sabem, não é raro).
Eu sei que não vivemos em uma democracia ideal. Mas fica a pergunta: vale mesmo toda essa empolgação? O Ficha Lima é um motivo de orgulho pra você?
A bússola política
1Com quem você preferiria se identificar? Hitler, Stalin, Margaret Thatcher ou Gandhi?
Há alguns anos eu havia feito o teste abaixo, e me lembrava mais ou menos do resultado. Porém, embora tivesse procurado, não encontrava mais o site. Até que essa semana encontrei aqui.
A bússola politica é um gráfico que mostra sua orientação “ideológica” baseada num questionário com várias sentenças, com as quais você concorda ou não.
Os eixos do gráfico consideram o posicionamento sobre a economia no eixo horizontal (mais controlado à esquerda, e mais liberal à direita), e a dimensão social no eixo vertical (mais libertário para baixo, mais autoritário para cima).
Meu resultado
Tenho quase certeza que da outra vez tinha dado mais pro centro que pra esquerda, mas tudo bem. Provavelmente a diferença apareceu em sentenças como…
Se a globalização económica é inevitável, ela deve servir a humanidade e não os interesses das corporações transnacionais.
Com a qual eu “concordo plenamente” (pra usar a expressão do teste), hoje.
Agora explicando a pergunta inicial do post, veja o quadro abaixo, e compare com o meu resultado.
Cenário político atual
Muita gente fala que ideologia e orientação política não existe mais. Bons argumentos para isso não faltam:
- O PSDB, nascido de centro-esquerda, aliou-se ao PFL, depois DEM, e toda a herança da extrema direita nacional.
- O Partido dos Trabalhadores (PT), outrora símbolo máximo da esquerda do país, aliou-se ao Partido Liberal (PL – que depois da aliança com o PRONA virou PR – Partido da República), para finalmente assumir o Governo Federal.
Sentem a contradição disso?
Mas não se enganem. A disputa infelizmente polarizada no país opõe a visão direitista neoliberal da aliança PSDB-DEM, e a visão social mais keynesiana do PT. Não há confusão nisso. Basta ver o rumo que seguiu cada governo.
Os tucanos privatizaram a Vale do Rio Doce, a Telebrás, a Eletropaulo, o Banespa, a Nossa Caixa, entre outras. Quase conseguiram sucatear a Petrobrás. As universidades federais ficaram abandonadas, sem investimentos, com professores insatisfeitos e quase cogitaram privatizá-las, ou encerrá-las aos poucos. USP, Unicamp e Unesp seguem no mesmo caminho após 16 anos de governo tucano, e a degradação só é mais lenta graças a autonomia destas, que aliás, o Serra tentou revogar em seu primeiro mês de mandato.
Os petistas recuperaram e expandiram as universidades federais (e a UFSCar é um ótimo exemplo), criaram novas, fortaleceram a Embrapa e potencializaram a Petrobrás. Também fizeram algumas concessões de rodovias, o que não é de todo ruim, mas ao contrário das concessões tucanas, assumiram as rodovias federais as empresas que ofereceram MENOR pedágio.
A diferença é muito clara. Há quem prefira um modelo ou outro, prefere um estado mais ou menos presente. O que não pode, e espero que ninguém o faça, é ignorar o rumo para onde aponta a sua escolha.
Política Verde
Enquanto as noções de esquerda e direita remontam à Revolução Francesa, ainda que tenham sofrido modificações ao longo do tempo, os movimentos ambientalistas são mais recentes. Surigeram na década de 70, e intensificaram-se nos anos 80. Mas na política ainda tem pouca força. Ainda. Porque não vai demorar para nos darmos conta de que, antes das grandes empresas, e antes mesmo da sociedade, vem o planeta. Senão, nada faz sentido, nada sobrevive.
Vote no seu candidato! (A lógica das eleições com 2º turno)
2Às vezes tenho a sensação que brasileiro, até hoje, não aprendeu como funciona eleição com 2º turno.
Um dos erros mais comuns e absurdos que costumo ver é quando alguém desiste de seu candidato de preferência porque “ele não tem chance, não adianta”. Aí, motivado por pesquisas (normalmente duvidosas), a pessoa acaba limitando sua escolha entre um dos dois que lideram as pesquisas, por oposição ao outro.
Exemplo típico no cenário político atual: quem não gosta do PT, vota no PSDB, e quem não gosta dos tucanos, vota no PT. Mesmo que tenha outro candidato de preferência.
É uma questão de lógica: a eleição só é decidida em primeiro turno se um dos candidatos obtiver 50% dos votos válidos, mais um. Trocando em miúdos, os votos de todos e quaisquer candidatos do segundo colocado em diante contribuem para que a eleição não seja decidida em primeiro turno. E se o seu candidato for o primeiro colocado nas pesquisas, ora, melhor pra você se ele for eleito em primeiro turno!
Vamos usar a próxima eleição para presidente como exemplo.
Alguns comentários comuns, e errados:
Eu queria mesmo é votar no Plínio de Arruda, mas é jogar voto fora. Então vou votar no Serra pra forçar segundo turno, porque não gosto da Dilma.
Não! Você não precisa votar no Serra só porque ele é o segundo nas pesquisas, para assim forçar o segundo turno. Qualquer voto que você faça será somado ao total de votos válidos, e se o seu voto não for para o primeiro colocado, automaticamente contribuirá para o segundo turno com o segundo colocado, ainda que esse tenha apenas uns 10% dos votos válidos.
Eu gosto da Marina! Mas vou votar na Dilma porque não gosto do Serra.
Você não precisa fazer isso. Mais uma vez, entra a lógica matemática simples. Para a Dilma se eleger, ela terá que ter 50% dos votos válidos, mais um. Se ela tiver 50% da preferência, e for seu esse “mais um” de desempate, basta você votar nela no segundo turno, que ela se elege.
É para isso que serve o 2º turno. Para impedir que um candidato que tenha mais rejeição do que aprovação seja eleito. Então, vote no candidato que você considera ideal, sem se preocupar com nada disso. Deixa para votar por rejeição a outro candidato, se for o caso, apenas no segundo turno.
Eu sempre faço isso. Já votei em Ciro Gomes e Cristovam Buarque. E agora votarei na Marina!
Por que a propaganda eleitoral na TV será legal
5Eu sempre fico em dúvida entre assistir ao Globo Esporte ou curtir uma sesta.
Com o início do famigerado horário político hoje, eu vou poder assistir ao Globo Esporte enquanto esquento o rango e almoço, e cochilar em seguida.
Não é maravilhosa a política nacional?
Do twitter:
Horário político legal é de vereadores. Cada tipo! O resto não tem graça.
O teste que confirma a tese
2A tese é de que a Marina é a minha candidata para essas eleições.
O teste é o infográfico abaixo, feito no site da revista Veja (neste link enviado pelo meu cunhado na semana passada). Consiste em um “jogo” onde você escolhe uma dentre três declarações sobre 20 temas que envolvem o debate eleitoral, sem saber de que candidato foi a declaração.
Vale a ressalva: o teste é da Revista VEJA, da Editora ABRIL, o que explica o fato de o Serra ter ficado “a frente” da Dilma. A revista, tendenciosa como sempre, escolhia sempre a declaração mais rústica e simplista da candidata petista como opção. Não gosto realmente da postura da Dilma, e definitivamente a oratória não é uma de suas qualidades mais fortes (ao contrario de seu “padrinho” Lula), mas a enquete torna-a quase uma iletrada!
Nada que ameace a disparidade da Marina no meu teste, já que as opiniões da candidata do PV são realmente muito próximas das minhas. Mas certamente o Serra não é minha “segunda opção”, ou a opção para o cenário de segundo turno que vem se desenhando. Mas não mesmo!








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