São Carlos

Sobre o direito de compartilhar opiniões

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A maioria dos visitantes deste blog e/ou meus amigos (normalmente as duas coisas coincidem) já devem conhecer o site Os Comilões. Ele foi criado com o propósito de compartilhar opiniões e dicas sobre restaurantes, bares e lanchonetes de São Carlos (a princípio).

A idéia nunca foi apresentar uma opinião formal, como explicamos na seção Quem Somos do site, posto que não somos especialistas da culinária ou turismo gastronômico. A idéia é mesmo fazer uma troca de experiências, dar aquela dica de amigo, sempre com o intuito mais de divulgar boas opções do que sair criticando os lugares (e eu até já recebi críticas por essa opção). Afinal, como costumo dizer, se o serviço é honesto, gostar ou não é questão de preferência pessoal. Cada um tem a sua. Inclusive é uma das propostas do site torna-lo uma ferramenta colaborativa, aceitando postagens de colaboradores, e principalmente comentários que agregassem opiniões diversas sobre cada lugar visitado.

Nesses oito meses de existência, o site não tornou-se nenhuma referência no assunto na cidade, mas muita gente que visita sempre volta para pegar algumas dicas diferentes de lugares para conhecer. Acaba sendo um meio legal e democrático de divulgação das opções gastronômicas da cidade. Bom para os comerciantes. Nós nada ganhamos com isso, a não ser o prazer de compartilhar opiniões e boas dicas. Porque aquilo que você dá, também recebe.

Infelizmente, apesar das boas intenções do site e da boa vontade na maioria das resenhas feitas, Os Comilões estão sob risco. Lamentavelmente, o que deveria ser um aliado dos comerciantes, devido à publicidade gratuita e incentivo à atividade, parece transformar-se em ameaça para alguns deles.

Eu brinco com meus colegas comilões que, não importa quanto elogio seja feito, se houver uma única crítica, é essa que vai doer ao dono do estabelecimento. É até natural e saudável, posto que a maioria busca (ou deveria buscar) incessantemente a excelência no atendimento. Mas não deixa de ser irônico que, entre dez elogios e um único comentário mais crítico, seja este último a chamar mais a atenção, e fazer parecer que o texto todo foi para falar mal do lugar. E não foi. Nunca é. Não temos essa pretensão.

Se nossas críticas pontuais em meio a outros elogios incomoda, que dirá os comentários de nossos visitantes – sobre os quais o único controle que temos é o da aprovação ou reprovação, e que por princípio democrático optamos pela primeira opção em 90% dos casos (os 10% restantes são os reservados para os que partem para ameaças físicas, acusações graves sobre a reputação dos comerciantes, ou coisas do tipo, quase sempre com uso de palavrões). E é com os comentários que começaram a surgir os primeiros problemas…

Primeiro foi uma pizzaria delivery que não gostou de um comentário dizendo que o pizzaiolo era ruim, e alegando estar sob nova direção, exigiu que o comentário – e o texto – fosse retirado, o que recusamos. O que poderia ser feito neste caso é uma nova experiência, sem aviso prévio, para que tenhamos a nova impressão do lugar. Mas as opiniões expressas nos comentários são pessoais, e de responsabilidade do visitante.

Mais recentemente, no texto sobre um estabelecimento do qual já escrevemos três vezes (tratando serviços diferentes), e em que todos haviam muito mais elogios do que críticas, e as críticas eram sobretudo pela demora no atendimento, um comentário de um visitante que não conhecemos criticando justamente este problema – talvez de forma agressiva e até preconceituosa, é verdade – causou uma reação desproporcional de pessoas envolvidas com o restaurante (alguns se identificando como funcionários, outro que parecia ser o dono, e por aí vai).

Eu entendo que esses comerciantes sejam pessoas honestas que dão o duro para manterem seus negócios, e é difícil receber críticas, sobretudo as agressivas. Mas não pode ser que eles achem que reações agressivas contra clientes insatisfeitos melhorará a imagem do lugar. Perdem a oportunidade de esclarecer o problema, trazer o cliente de volta, e ganhar o respeito dos demais que acompanham o caso.

O maior exemplo disso aconteceu no último final de semana. Em um texto que era só elogios sobre uma pizzaria, um visitante havia deixado o seguinte comentário:

Douglas on 16 de janeiro de 2012 às 6:50

Lugar muito bonito, pena que ontem dia 16/01/2012 caiu uma barata no braço da minha namorada, que passou pelo prato dela, caiu no chão e depois subiu pela minha minha perna pelo lado de dentro da calça. Tive que esmagar ela com a minha calça e ir no banheiro tirar…

Todo mundo viu, todos os garçon e simplesmente cobraram a pizza e nem desculpa pelo ocorrido pediram.

Pena na hora não ter feito um vídeo pra postar…

 

E aí eu pergunto aos meus amigos: o que deveríamos fazer? Reprovar um comentário com nome e data, narrando um fato relevante e pessoal?

Do mesmo modo que abrimos o espaço para qualquer visitante deixar seu depoimento, ele fica aberto para que o estabelecimento dê sua versão dos fatos. Mas ao contrário disso, o que recebemos foi uma espécie de ameaça:

antonio carlos on 12 de fevereiro de 2012 às 15:19

boa tarde parabens pelo trabalho de vcs, acredito que nao devam ter autorizacao para direito de imagem muito menos divulgarem comentarios maldosos, sendo que um dos padroes e objetivos da casa e zelar pela higiene e qualidade, gostaria que retirassem o nome da pizzaria {nome da pizzaria} desse site caso contrario resolveramos atraves da justica.

 

As fotos usadas nos posts são tiradas com nossa própria câmera, e para falar a verdade não mostram muita coisa. Normalmente é o prato servido e uma foto da fachada. Quanto ao fato comentado pelo visitante, talvez seja invenção (como vamos saber?),  mas se o comentarista “antonio carlos” for algum representante da pizzaria, não teria sido mais elegante se dispor a esclarecer o fato, convidar o tal Douglas a explicar o ocorrido, e mostrar atenção e preocupação com o atendimento? Afinal, uma barata isolada no estabelecimento não significa necessariamente falta de zelo pela limpeza e higiene, posto que é um inseto que pode vir da rua num abrir e fechar de portas…

Depois de algumas manifestações de apoio que recebemos nos comentários deste mesmo post, e também pelo Facebook, veio um novo comentário, agora sim identificando-se pela pizzaria…

{nome da pizzaria}* on 13 de fevereiro de 2012 às 9:28

Bom dia a todos em nome da pizzaria {nome da pizzaria}*, gostariamos de esclarecer e nos desculpar que tal comentario nao foi feito por NOS. deve ter ocorrido um mal entendido ou ALGUMA BRINCADEIRA DE MAL GOSTO QUE TAMBEM ACHAMOS UM POUCO INDELICADA, MESMO ASSIM PEDIMOS DESCULPAS PELO MAL ENTENDIDO.

 

Não dá para afirmar se foi realmente um mal entendido, ou se voltaram atrás quanto a reação que tiveram. De qualquer forma, bem melhor assim.

Mas deixo cá a pergunta para nossos amigos, principalmente os que entendem da legislação e o mundo “virtual”. E se a ameaça se concretizasse? E se outras vierem? E se o estabelecimento sentir-se prejudicado? Estamos errados em expor nossas opiniões, e liberar as de nossos visitantes? Como funciona esse tipo de direito para redes colaborativas, sobretudo as que trabalham especificamente com isso, como Foursquare e Google Places?

Gostamos do nosso site e sempre desejamos que ele fosse útil para os muitos comilões são-carlenses – e quem sabe num futuro breve em outras praças também. Agora, se for para prejudicar comerciantes honestos ou limitar as opiniões do público, não vale a pena…

 

*Nota: optei por omitir os nomes dos estabelecimentos, sobretudo da pizzaria do caso da barata, porque não é o objetivo desse post depor contra, mas apenas levantar o debate – e pode até ser que cheguemos a conclusão de que eles estão certos, no direito deles. E, no caso das baratas, principalmente, pode tratar-se de um mal entendido mesmo, ou até uma história inventada, e não quero ser injusto. Sem contar a possibilidade de a ameaça ter sido real, e aí é melhor evitar mais problemas com eles… :P

 

“O problema não é o Tusca”

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Ano passado, depois da morte do aluno da Poli, que caiu no córrego voltando “pra casa”, bêbado, na noite do Corso do TUSCA (Taça Universitária de São Carlos), eu falei aqui no blog sobre o chato embate que sempre acontece nesse período entre os estudantes com seus excessos e os minhocas que acham que “é tudo culpa desses estudantes vagabundos que só querem encher a cara e se drogar”.

Ontem aconteceu novamente o Corso, dessa vez numa região sem muitas casas. E mais uma tragédia aconteceu. Ironicamente, a vítima é um são-carlense, não-universitário, o que deveria eliminar a teoria provinciana (mas não duvido que alguns ainda façam a relação descabida). E se em 2010 eu achei exageradas as críticas ao evento e sua organização, pelo fato de a morte do estudante ter ocorrido enquanto ele voltava pra casa – e, como eu disse na época, “não há evento no país que se responsabilize por entregar todos os bêbados (ou não) sãos e salvos às suas casas” – dessa vez a coisa é mais polêmica, já que a morte aconteceu no próprio percurso do Corso.

Fatalidade? Falha na organização? Teremos que lamentar esse tipo de consequência todos os anos, ou o TUSCA deve acabar? Sinceramente, não gosto de nenhuma das idéias, mas também não tenho mais opinião definitiva formada para o assunto. Coloquei abaixo algumas das argumentações e contra-argumentações que tenho ouvido. Por último a de um jornalista da EPTV, em seu Facebook, que de tudo que li, é o que mais faz sentido pra mim, até então.

 

  • O evento é mal organizado. Uma festa com 30 mil jovens não pode mais ser tratada como uma simples festa universitária.
    • Mas como impedir que, em meio a dezenas de milhares de pessoas, aconteça uma briga que acabe como acabou esta?
  • A culpa é do poder público. Quando o Corso era organizado só pelos estudantes, não ouvíamos falar de mortes. Desde que passou a ser um evento oficial do município, em 2010, acontece isso.
    • Não acontecia ou não ficávamos sabendo? Se não chegava a tanto, um rastro de destruição era deixado no percurso. A maior organização trouxe melhorias importantes, através de exigências mínimas, como atendimento médico de urgência, banheiros químicos, e etc.
  • É fatalidade. E se for pensar, um único incidente como este num evento deste porte não é absurdo.
    • Se fosse assim, todo show popular e todo jogo de futebol seria seguido por uma manchete trágica, e Graças a Deus não é assim.
      • Mas em nenhuma dessas festas ocorrem excessos na proporção que ocorrem no TUSCA.
  • O problema é que, para os estudantes, a proposta básica do TUSCA é o famoso “pode tudo”. O dia dos exageros. Não pode ser assim.
    • Mas se fizerem um negócio comportado, regrado, controlado em excesso, não vai ser o TUSCA. Vai minguar.
      • Mas tem que acabar mesmo!
        • É, aí daqui a pouco não tem uma festa, nada, porque excesso tem em todas, e fatalidades podem acontecer em qualquer uma.
    • Por Luis Antonio Garmendia: “O problema não é o Tusca senhoras e senhores. O problema é nossa juventude sem limites. Onde é preciso beber até passar mal, e perder o melhor da festa, aliás… O que acontece no Tusca não é diferente de nenhuma outra festa com jovens no nosso país. Ou alguém acha que o carnaval, orgulho nacional, é diferente? Mais do que proibir ou mudar eventos, precisamos mudar e educar nossa juventude“.
Retirada de quiosque da Praça Brasil (foto: São Carlos Dia e Noite)

A praça não é nossa

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Retirada de quiosque da Praça Brasil (foto: São Carlos Dia e Noite)

A Prefeitura de São Carlos iniciou – ou melhor, reiniciou, já que processo semelhante foi feito em 2009 – a retirada de quiosques e ambulantes de praças ou outros espaços públicos. Por exemplo, a remoção do garapeiro que ficava em frente ao cemitério Nossa Senhora do Carmo, ou dos quiosques da Praça Brasil, na Vila Nery. É lei, eu sei, mas a quem isso beneficia? De uma só vez detonam com tradições locais e com o sustento de famílias honestas, que estavam ali trabalhando, e do dia para a noite estão sem nada. E tudo isso sem oferecer uma única alternativa equivalente aos comerciantes ou mesmo à população, que utilizavam-se do serviço ou dos produtos desses autônomos.

Recordo que há coisa de dois ou três anos critiquei duramente a atitude da Prefeitura de São Paulo de proibir as famosas barracas de sanduíche de pernil nos arredores dos estádios. Agora, me fala: quer coisa mais tradicional, bacana e popular que ir ao Pacaembu e, enquanto espera a hora do jogo, saborear um suculento sanduíche de pernil? Imagina o cidadão que sai de casa cedo, leva duas horas pra chegar ao estádio, mais duas até o jogo começar, mais duas de jogo e, pra terminar, outras duas para chegar em casa… São oito horas, e quais são alternativas? O mini dog seco e caro da lanchonete do estádio; Alguma padaria abarrotada e distante das imediações; Com sorte, encontrará algum ambulante com uma cesta ou caixa de isopor vendendo o sanduíche que fez em casa bem mais cedo, mais enxuto e já frio. E nessa já morre o argumento da vigilância sanitária.

A ironia é que quando me contaram sobre o fim das barracas no entorno do Paca, eu usei justamente a Prefeitura de São Carlos como exemplo. Ainda nos primeiros anos do primeiro mandato do Prof. Newton Lima, a administração municipal quis remover todos os ambulantes da “baixada do Mercado”. Mas ao invés de simplesmente “limpá-los” dali, dizimando o sustento de muita gente e o tradicional comércio popular, optou-se por regularizá-los e alocá-los em espaço apropriado, com boxes feitos com alvenaria, com mais estrutura e etc. O tal “camelódromo”, popularmente conhecido em Sanca com “Shopping Beira-Rio” (se bem que deveria ser Beira-Córrego).

Praça Brasil sem quiosque (foto: São Carlos em Rede)

Agora, já com outro prefeito – mas praticamente a mesma gestão – simplesmente varrem essas pessoas das praças, em que, vamos falar a verdade, só íamos para consumir deles. Dizem estar cumprindo a lei de autoria do vereador Dorival Mazola – que por sinal, faleceu hoje, que Deus o tenha. Mas qual o sentido disso? Deixar as praças mais limpas e vazias? Ou alguém ainda vai às praças, sobretudo a noite, só para passear? Eu me lembro que no período em que estudei no Industrial, a Praça Brasil à noite era virtualmente dividida em duas. A parte de cima, próxima à escola, onde estavam as barracas e o pessoal frequentava para comer algo, e a parte de baixo, populada por usuários e vendedores de drogas. Agora a praça é toda dos traficantes, suponho, assim como a Praça Charles Miller (em frente ao Paca) continua dominada pelos cambistas. E esses ninguém remove!

Admito que é injusto que comerciantes sofram para manter seus comércios regularizados, com alta carga tributária, enquanto outros simplesmente instalam-se em espaços públicos estratégicos, de forma irregular e sem nenhuma preocupação legal ou sanitária. O que defendo é que instalações de décadas, tradicionais e de grande aceitação e benefício popular, não sejam simplesmente extirpadas desses locais, mas sim regularizadas, seguindo requisitos mínimos e factíveis. E que se proíba apenas novas instalações.

15 de Agosto

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  • Eu sei que disse há alguns dias que não gosto dessas coisas de dia disso, dia daquilo, mas essa não podia deixar passar. Descobri há pouco que hoje é o Dia do Analista de Sistemas. Sim, obrigado.
  • Curiosamente é também o Dia dos Solteiros. Que tipo de associação fizeram pra colocar Analistas de Sistemas e Solteiros no mesmo dia?!
  • Mais importante que tudo isso, 15 de Agosto é a data em que é celebrada a Assunção de Maria. E talvez por isso seja o dia escolhido para a padroeira de várias cidades. E você vai se espantar ao ver a quantidade de cidades onde é feriado hoje. A grande maioria em Minas, inclusive na capital BH.
  • Em São Carlos é celebrado hoje o Dia de Nossa Senhora Aparecida da Babilônia. Abaixo deixo um texto que postei no Rapsódia (meu antigo blog) há exatos 5 anos.

Santuário de Nossa Senhora Aparecida, na Babilônia

Segundo relato de alguns moradores, entre os anos 1860, 1870, no mês de agosto, alastrou-se violente incêndio na invernada e na mata daquela localidade. Na manhã seguinte, os transeuntes notaram que, de toda a mata virgem, apenas uma árvore permanecia intacta, com galhos e folhas verdes, mostrando um brilho diferente. Movidos por curiosidade, aproximaram-se, atravessando em meio a troncos que ainda fumegavam.

Eis que ao pé da árvore, numa bifurcação do tronco, viram uma imagem de Nossa Senhora da Conceição. Não se podia explicar como a fúria do fogo teria poupado somente aquela única árvore, no meio de dez alqueires de floresta. Ali mesmo rezaram ao pé da imagem. A partir daquele dia, muitas pessoas das fazendas vizinhas acorreram para vê-la e orar diante dela.

Passados alguns anos, levantou-se uma capelinha, que funcionou até por volta de 1920, sendo nessa época iniciada a construção da nova Igreja, sendo interrompido em seguida, para, novamente em 1944 reiniciar os trabalhos de construção da Igreja. Hoje temos um santuário dedicado à Nossa Senhora da Aparecida.

Em 1968, o santuário foi incluído como um dos pontos turísticos e religiosos de São Carlos.

O dia 15 de agosto, foi instituído feriado municipal, em consideração aos milhares de peregrinos que vão até o santuário de Nossa Senhora da Babilônia.

Fonte: Revista 140 da Paróquia São Carlos Borromeu

Opinião em consulta pública sobre realização de rodeios

Sem rodeios nem preconceitos

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Já há alguns anos, São Carlos não permite a realização dos famosos rodeios – aquela coisa do boi pulando com um animal montado em seu lombo – tão populares no interior paulista. O argumento principal para a proibição (ou inibição, não sei ao certo) é a alegação de que os animais sofrem maus tratos. Essa peleja tem produzido debates fervorosos nos últimos anos na cidade, inclusive com o surgimento de fanáticos grupos de apoio e de repúdio aos rodeios, passando invariavelmente pela política local.

Neste último final de semana (de 28 a 31 de Julho) aconteceu o XXV Rodeio de Ibaté, cidade vizinha de mais fácil e rápido acesso ao São-carlense. E aí, é claro, suscitou novamente o debate e a troca de gentilezas entre as partes, para não falar do chororô recorrente. Os pró-rodeio tentando demonstrar quão bonita e lucrativa é a festa que São Carlos “está perdendo”, e os anti-rodeio agradecendo por não ter isso aqui, ao mesmo tempo em que reclamam que exista lá (até porque, aqui ou ali, dá praticamente na mesma).

O debate é válido, os dois lados tem suas razões e seus exageros. Triste são os argumentos das partes. De um lado, político falastrão que defende que “boi de rodeio nasceu pra rodá e pulá”, e coisas do tipo. Do outro, onde costumo me colocar inclusive, vejo gente criticando os rodeios porque “odeio esse tipo de música e de festa”. Essa semana li que alguém é contra rodeio porque “só dá gente feia”.

Quando a coisa começa a descambar para o preconceito e desrespeito à diversidade cultural, perde-se a razão.

Em 2009 foi feita uma consulta pública pela Câmara de Vereadores de São Carlos sobre a realização de rodeios na cidade. Eu enviei na época a minha opinião, que é a mesma que mantenho hoje e reproduzo abaixo:

 

UPA da Vila Prado

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O que você acharia se na sua cidade a prefeitura resolvesse interromper os serviços de um importante Pronto Socorro, por duas semanas, por motivos meramente políticos?

São Carlos ganhará muito em breve a tão esperada Unidade de Pronto Atendimento da região da Vila Prado, que atenderá principalmente as regiões Sul e Oeste da cidade. Colocada em lugar estratégico, a UPA ficou muito bonita, e num tamanho razoavelmente bom. Deverá ser de grande benefício para a cidade.

Até por tudo isso, não dá pra expressar outro sentimento que não seja o de indignação!

Inauguração da UPA Vila Prado é adiada para dia 4 de dezembro

A Prefeitura de São Carlos comunica que a inauguração da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Vila Prado, marcada inicialmente para o próximo dia 20 de novembro (sábado), às 10 horas, foi transferida para o dia 4 de dezembro (sábado).

O motivo do adiamento foi uma solicitação do Governo Federal, que pretende enviar uma autoridade para essa solenidade de inauguração.

Notícia retirada do site São Carlos Agora

Ou seja, a importante unidade de saúde, que poderia já estar funcionando desde o último Sábado, ficará parada por mais duas semanas, somente para que o PT possa enviar alguma “estrela” do partido pra posar na foto de inauguração!

Eu fico imaginando, esse adiamento aconteceu na Quarta-feira. Se a UPA iria ser inaugurada no Sábado, é natural imaginar que todos os equipamentos já estão disponíveis, todos os profissionais contratados… E a unidade ficará parada por duas semana!

As fotos abaixo foram tiradas no último Domingo. Tirem suas próprias conclusões.

  • UPA Vila Prado
  • UPA Vila Prado
  • UPA Vila Prado
  • UPA Vila Prado
  • UPA Vila Prado
  • UPA Vila Prado
  • UPA Vila Prado
  • UPA Vila Prado
  • UPA Vila Prado
De qualquer forma, aguardamos ansiosos pelo pleno funcionamento. Mas antes mesmo disso acontecer, algumas questões preocupam.
  1. Apesar da ótima localização, o acesso para atendimento apenas ocorrerá em um dos sentidos. Quem vier da Praça Itália ou Rua Larga terá que fazer o contorno por toda a unidade, e mais adiante, onde, aliás, a conversão está em péssimo sentido (diagonal ao contrário). Numa situação de emergência, poderia ser profidencial um acesso também pelo outro lado da Avenida Grécia.
  2. Essa dificuldade de acesso pode intensificar um problema que já é grave na região, especialmente em horários de pico: o trânsito. O pequeno balão que tem próximo à unidade é muito movimentado e já bastante perigoso. Vários acidentes ocorrem por ali semanalmente. É preciso estudar alguma forma de melhorar o fluxo por ali.
  3. Fizeram uma área de estacionamento própria para a utilização pelos usuários e funcionários da UPA. Porém, antes mesmo da inauguração, esse espaço já passa a maior parte do dia quase completamente utilizado. Será que haverá controle disso? Será que cabe algo assim? Um pouco de consciência dos comerciantes da região também não era nada mal.
  4. A grande preocupação de todo são-carlense: com a inauguração da UPA da Vila Prado, e o início das obras da UPA da Santa Felícia, o atendimento no Pronto Socorro da Avenida São Carlos será encerrado? Porque eu até acho que as novas instalações são muito mais acessíveis em casos de emergência, além de serem mais modernas e amplas. Mas a unidade da Av. São Carlos cumpre um importante papel de estar próxima da região central da cidade, numa região de grande movimentação de pessoas a pé, por conta do comércio tradicional da cidade. Eu não sei se isso já está definido, mas seria muito bom se continuasse funcionando, ainda que para pré-atendimentos.

Estudantes, minhocas e a difícil busca pelo bom senso

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Eu não me lembro onde vi, recentemente, uma reportagem que falava sobre brigas de irmão mais novo com irmão mais velho, e a conduta dos pais nessas situações. É muito comum os pais absolverem o mais novo e atribuírem ao mais velho a responsabilidade, já que, por ser mais velho, deveria ter mais consciência para evitar o conflito.

Essa postura dos pais, dizem os especialistas, gera um duplo problema. O mais velho passa a se sentir injustiçado, ficando desiludido com os pais e ainda mais raivoso com o irmão, e o mais novo passa a se sentir protegido nas suas travessuras.

Acho que foi esse o meu erro, e possivelmente de muitos outros, na difícil relação entre os são-carlenses e os universitários que para cá vem estudar. Porque, é incrível, parece absurdo, mas há uma rixa entre “eles”1 que lembra muito briga de irmãos. De crianças. E nessa batalha sem sentido e infantil, eu sempre esperei e cobrei mais maturidade dos estudantes. Afinal, são bem instruídos, e bastante inteligentes para não se envolverem em trocas de ofensas geralmente regadas a preconceitos.

Talvez esse seja o erro. Talvez de tanto protestar apenas com quem vem de fora e, vez em quando, se considera condição vital para a cidade, eu, e outros, tenhamos sido complacentes ou até tenhamos ignorado as manifestações de ódio e aversão dos munícipes aos universitários. E a coisa só cresceu.

Tentando explicar: a rixa tola que há por aqui faz com que um lado ache que sustenta o outro. Afinal, quem estuda é vagabundo (normalmente os universitários tem aula em período integral, e por isso não trabalham – entendeu o raciocínio dos espertos?). E quem não estuda é burro, incapaz. Para quem vem de fora, a cidade é pouco atraente, não há opções de lazer, o custo de vida (sobretudo o aluguel) é alto, e os “minhocas” (pessoas “da terra”, da cidade local) são agressivos e indispostos. Para quem é daqui, a cidade é boa e não tem a menor intenção de ser igual à capital, os estudantes são folgados e elevam o custo de vida (principalmente os aluguéis).

Na prática, ambos ganham. Os estudantes trazem algum dinheiro (não muito, é verdade), geram diversos empregos, diretos e indiretos, oportunidades de negócio, conhecimento e diversidade cultural, e encontram na cidade o curso de graduação ou de pós que desejam e a estrutura para habitação, alimentação, transporte, e etc. Vejam só, o dinheiro dos universitários gera trabalho para os são-carlenses, e o trabalho dos são-carlenses atende às necessidades dos universitários. Mas há outras cidades com boas universidades, assim como há diversas outras formas de se ganhar a vida e movimentar a economia da cidade. Ninguém depende de ninguém, mas juntos, todos ganham! Algo tão óbvio e tão difícil de se fazer entender…

Na última semana aconteceu por aqui o TUSCA (Taça Universitária de São Carlos), evento que reuniu mais de 30 mil pessoas, e estudantes de todo o estado. Logo no primeiro dia, durante o famoso CORSO, um jovem aluno da POLI morreu afogado num córrego pelo qual a multidão passou. Encontraram-o morto no dia seguinte, e as primeiras perícias indicam que ele teria morrido por volta de 11 da noite, dizem. Portanto, bem depois da passagem do CORSO. O que faz todo sentido, afinal, se não é difícil imaginar alguém bêbado caindo no córrego onde muitos param para urinar, seria improvável que, de 30 mil pessoas, ninguém tivesse notado isso. Deve ter acontecido na volta. E convenhamos, não há evento no país que se responsabilize por entregar todos os bêbados (ou não) sãos e salvos às suas casas.

No entanto, mais uma vez vimos todas as infelizes manifestações agressivas de parte a parte. Alguns são-carlenses estupefatos com a manifestação jovem de excessos alcoólicos, e o trágico desfecho para um deles, protestaram (como em todos os anos) contra o evento e contra os “vagabundos” que participaram do evento “ao invés de estudarem”. Universitários indignados por serem tratados como “vagabundos”, com generalizações, e reclamando de usarem uma fatalidade isolada para demonizarem todo o evento.

Eu não nasci em São Carlos, mas também não vim para a cidade para estudar. Posso dizer que me tornei são-carlense muito antes de me tornar um universitário. Porém, já estive “dos dois lados” (e como é ruim ter que separar isso assim). Entendo um pouco de cada, mas sei, principalmente, que essa divisão não leva a nada, e que análises generalizadas e agressivas só vão intensificar essa divisão boba.

Sobre os últimos acontecimentos, atrevo-me a tecer algumas opiniões:

  1. Primeiro de tudo, vamos combinar: ninguém vai à quermesse da igreja para rezar. Ninguém vai a um happy hour para trabalhar. Logo, é óbvio que ninguém vai ao TUSCA para estudar. Essa é a parte do lazer, justo e necessário a todos, e do qual tenho certeza que nenhum cidadão abre mão.
  2. Há sim um consumo deliberadamente excessivo de álcool durante o CORSO. É uma espécie de “licença” que os estudantes se dão para um dia de “pode tudo”. E aí, um excesso leva a outro. E o que costumamos ver durante o evento realmente choca qualquer capiau.
  3. Eu não sou a melhor pessoa para afirmar isso, mas olhando de fora, tive a impressão de que o CORSO desse ano foi um dos mais organizados e com ocorrências até que normais para um evento deste porte (pouco carnaval fora de época no país movimenta tanta gente). Quem conheceu o TUSCA dez anos atrás, quando deixava um rastro de destruição por onde passava, e não restava uma placa de sinalização de trânsito intacta, ficaria surpreso.
  4. Metade ou mais dos problemas dos quais reclamam seria resolvido se houvessem banheiros químicos durante todo o percurso. Eu faço idéia de que isso não seja algo tão simples e barato, mas evitaria cenas deprimentes de pessoas urinando e defecando em vias públicas aos olhos de todos, principalmente os bêbados nas beiras dos córregos.
  5. A morte do estudante da POLI precisa ser “desvendada” pela perícia ainda, antes de qualquer conclusão precipitada ou comentário maldoso. Não dá pra pôr na conta da organização do evento se, por exemplo, ele tiver caído na volta, sozinho.
  6. O objetivo do evento não é aglutinar pessoas mal intencionadas a fim de praticar cenas de vandalismo, sexo explícito e etc. O que não impede que, entre as 30 mil pessoas que participam do evento gratuíto, haja pessoas dispostas a isso.
Nota importante:
1Quando digo “eles”, é porque não me coloco em nenhum dos “lados” dessa pendenga. Ou me coloco dos dois, por já ter estado em ambos. Assim também acontece com muitos são-carlenses e muitos estudantes. O que exige outra ressalva importante: em todas as vezes que citei acima esses dois grupos, me referia apenas às pessoas desses grupos que sustentam essa bobagem. Claro que não são todos, e espero que nem seja a maioria. É bom que isso fique claro ou estaria eu agora caindo no mesmo erro da generalização.
CPF na Nota?

Drops do final de semana – Majestoso

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  • Mais um fim de semana com alegria garantida pelo Timão! Tudo bem que contra os bambis o resultado é previsível já, mas é sempre muito bom! A pergunta que fica ao freguês é: CPF na nota?
  • Vencer rival é bom, mas pro campeonato a rodada não ajudou em nada. Não que eu não acredite no meu time. Acredito, acho até que pode vencer os quatro jogos que faltam. Mas não acredito é no time dos outros! A única esperança do Fluminense perder pontos era contra o Vasco. Não deu. Agora eles tem dois jogos bônus, contra times provavelmente rebaixados (Goiás e Guarani), e dois jogos contra rivais nossos (São Paulo e Palmeiras). Nem preciso explicar minha desconfiança, né?
  • O GP do Brasil de Fórmula 1 foi a 237ª prova cabal de que Ayrton Senna faz falta demais! Que coisinha sem graça… Que saudade daquele tempo! Aliás, fiquei muito curioso para ver o filme que fizeram em sua homenagem, a ser lançado no Brasil no próximo mês. O trecho inédito exibido ontem no Fantástico só confirma o caráter íntegro e de vencedor do maior ídolo que já tive no esporte.
  • Vai ser difícil tirar esse título do Alonso…
  • Não só no fim de semana, como na semana passada inteira São Carlos estava bem parada! Efeito feriadão (além do dia de finados, na terça, foi aniversário da cidade na quinta, dia 4).
  • O comércio do centro é que deve ter tido prejuízo. Sempre fica aberto até mais tarde no primeiro (ou segundo, depende em que dia cai) fim de semana do mês, mas além da paradeira na cidade, teve chuva torrencial na sexta a noite!
  • E o ENEM? Como é que pode TANTA incompetência? Por que não contratam um instituto minimamente capaz para aplicar essas provas? Foram tantos os problemas que fica difícil remediar agora. Disseram que “nenhum candidato será prejudicado”… Mas como, se é uma prova classificatória para os vestibulares? Qualquer providência altera a classificação, e necessariamente afeta uma porção de pessoas. A única saída que consigo imaginar é a realização de uma nova prova, mas sem anulação da primeira. Assim, quem foi bem na primeira pode optar por fazer ou não a segunda, e utilizar a maior nota depois. Ainda assim haveriam reclamações, mas é uma forma de dar oportunidade a todos… Só que essa solução esbarra em dois problemas: custo e calendário. Mas vão ter que dar um jeito.
Região da Boa Vista, Redenção e Parte da Vila Prado - Foto São Carlos Dia e Noite

O Velho Oeste

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A região Oeste da cidade de São Carlos tem características muito peculiares e agradáveis. É um canto da cidade que por muitas vezes parece à parte do que acontece, por exemplo, no meio universitário, nos centros tecnológicos, ou em em eventos culturais. Há muita gente que vem pra cidade não chega a conhecer essa região. Mas forma, junto com a Zona Sul, a área de maior densidade demográfica da cidade.

Isso pode mudar. O Plano Diretor da cidade aponta em direção ao Noroeste da cidade, que cresce rapidamente. Naquela direção está, por exemplo, o 2º campus da USP na cidade.

O que não deve mudar, ao contrário, tende a intensificar-se, é a característica estritamente são-carlense do velho oeste da cidade. Sim, velho, pois essa é outra identidade marcante por aqui. A Grande Vila Prado e a Redenção é, para muitos são-carlenses ou ex-são-carlenses, onde fica a casa da vovó.

Região da Boa Vista, Redenção e Parte da Vila Prado - Foto do site São Carlos Dia e Noite

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