O Sport Club Corinthians Paulista completa neste 1º de Setembro 100 anos de existência. É claro que eu não poderia deixar de falar sobre isso extensamente aqui, e quem me conhece sabe disso. Mas por mais que eu tente, não consigo traduzir em palavras toda a paixão e todo o orgulho que sinto pelo Alvinegro do Parque São Jorge.

Também não convém contar aqui a história dos cinco operários que fundaram o clube no Bom Retiro, sobre a luz do lampião, inspirados pelo time inglês (quase) homônimo. Ou tentar explicar porque o Corinthians é diferente, porque o corinthiano é mais Fiel, até porque, ainda bem, não sei como é não ser corinthiano. E quem não é, nunca saberá como é ser…

Então resolvi fazer algo mais simples. Até por ser um blog pessoal, vou usar o espaço e a data para mostrar um pouco dos meus 30 anos nesses 100. Ou melhor, desses 100 anos que vivi em 30.

Sócrates, Casagrande, Wladimir, entre outros, ajudaram a "politizar" o meio futebolístico

Nascido em preto e branco

Nasci corinthiano, de pai corinthiano e irmão corinthiano, em 4 de Julho de 1980. Portanto, com o Corinthians campeão (sagrou-se campeão do Paulista de 79 em 10/02/1980 – eu já estava a caminho). E mais do que isso, com o Corinthians vivendo uma fase de esplendor. Não tanto pelo time, que era bom, com Sócrates e Palhinha… Não, o Timão sempre foi mais que isso, e essa fase era a da redenção do clube que passou 23 anos sem títulos, tornou-se a representação máxima do povo oprimido pelo regime militar, e voltou a vencer em 77, 79, e virou símbolo da manifestação popular em 82-83, com a Democracia Corinthiana.

Hey! Anos 80!

A primeira lembrança que tenho como Corinthiano traz imagens vagas de o Timão jogando com sua tradicional camisa preta com listras brancas finas, e duas cabeleiras: a mais chamativa era de Biro-Biro, um jogador incansável e popular por quem passava quase todas as bolas em nosso meio campo; a outra era de Carlos, o goleiro, que pouco tempo depois seria nosso representante na meta do gol do Brasil, na Copa de 86. O que só era ainda mais motivo de orgulho.

Em pé: Jacenir, Paulo, Pinella, Wilson Mano, Carlos e Edson Boaro. Agachados: Casagrande, Cristovão, Ricardo, Biro-Biro e João Paulo.

A história corinthiana

Nos anos 80 não havia Internet, não para os meros mortais, muito menos no Brasil. Mas haviam os álbuns de figurinha, e havia a Placar semanal. Sem dúvida, foram as duas principais fontes para que eu conhecesse mais sobre o Corinthians e o futebol.

E foi mais ou menos entre 87 e 88 que, numa edição especial da Placar, pude conhecer a fundo a gloriosa história do Coringão. Sua origem popular, seu início democrático, suas conquistas, o tri-Tri paulista, os centenários da Independência e da Cidade de São Paulo, Neco, Domingos da Guia, o ataque dos cem gols (Luizinho, Cláudio e Baltazar), a Fiel Torcida… Se eu não fosse corinthiano, me tornaria ali mesmo, porque é incrível a identificação que tenho com o clube.

O Brinco de Ouro e o “primeiro título”

Embora eu tenha nascido em 80, e o Timão tenha sido campeão em 82 e 83, eu só pude comemorar de fato um título em 1988. O que para uma criança de oito anos já era uma espera interminável. E o título foi conquistado justamente em Campinas, onde eu morava na época. Não que eu tenha ido ao estádio naquele dia, mas era ali, no Brinco de Ouro da Princesa, onde eu já havia ido diversas vezes, e onde vi o Timão ao vivo pela primeira vez (e essa lembrança é ainda mais vaga na minha cabeça). O clima na cidade era diferente. E a emoção do gol num carrinho do Viola, no segundo tempo da prorrogação, foi o primeiro grande teste do Coração Corinthiano!

Ronaldo

É preciso entender que quando um corinthiano fala em ídolos, tem uma conotação um pouco diferente do que a maioria dos torcedores está habituada. Biro-Biro foi ídolo. Wilson Mano foi ídolo. Porque não se trata de técnica, mas de identificação com o clube. Mas o Ronaldo (o goleiro, é claro) foi talvez meu primeiro grande ídolo no futebol, tanto pela identificação quanto pela técnica. E costumo dizer que foi o maior deles, até hoje. Foram várias brincadeiras de criança jogando a bola na parede, e saltando para pegá-la gritando: ESPAAAAAALMA RONAAAAAAAAAALDOOOO!

Campeão Brasileiro

Sempre que alguém levanta alguma teoria de que o Corinthians jamais irá vencer a Libertadores, pela pressão que envolve o clube para esta conquista, eu lembro de três episódios dos 100 anos de história do Timão. Dois eu não presenciei, mas por relatos, é fácil notar a pressão que existiu para que vencêssemos o Santos nos anos 60, um tabu que durou onze anos (vencemos em 68), e o jejum de títulos de 54 a 77. O outro episódio eu vivi. Até 1990, as brincadeiras em torno do fato de o maior vencedor paulista não ter um título nacional era parecida com o que vivemos hoje pela competição sulamericana. Graças a Deus (também chamado de Neto por muitos corinthianos), a conquista veio, de forma mais heróica que brilhante, em cima do segundo maior rival, que na época tinha um grande time.

A maior emoção da minha vida alvinegra

De 91 a 94 o Corinthians não foi campeão. E isso aconteceu justamente na minha dolescência, um período em que minha paixão pelo Timão só crescia. Não bastasse, vimos os maiores rivais viverem seus períodos de glória, com muitas conquistas. Por tudo isso, e pela espinha de porco entalada na garganta, posso garantir que ver o Timão campeão paulista em cima do Palmeiras em 1995 foi a maior emoção que senti em toda minha vida corinthiana. Porque é assim: para os corinthianos não é o tamanho do título que importa, nem a quantidade. É a emoção, a explosão… E no dia 6 de Agosto daquele ano, eu chorei. De alegria!

Quase sem graça

Muitos corinthianos costumam dizer que depois de 95 ficou “sem graça”. Claro que é mentira, a sequência de títulos e títulos que estariam por vir foram o período de ouro do Timão. Mas não é raro figurar na lista dos momentos mais marcantes dos últimos 15 anos situações de sofrimento, angústia, sempre findo com êxtase. Como os dois pênaltis cobrados pelo sãopaulino Raí, carrasco da Fiel, e defendidos por Dida. No mesmo e decisivo jogo. Ou o gol do Ricardinho no último lance da semifinal do Paulistão de 2001. No gol do Betão, sim, do criticado e eterno Betão, que quebrou incômodo tabu contra os sãopaulinos, em 2007. Ou mais recentemente no gol de Cristian, contra o mesmo tricolor paulista, também no último lance do jogo, pra não falar do gol do Ronaldo contra o Palmeiras, o primeiro dele pelo Timão… Momentos de alegria alucinada da Fiel, como poucos títulos são.

15 de Dezembro de 2007 – Parque São Jorge

Foi neste dia em que fiz a primeira visita ao clube, acompanhado dos colegas da 1910 (comunidade do Orkut). Conhecer o memorial, os troféus, várias histórias, vídeos e fotos que eu nunca havia visto, o ginásio, a Fazendinha, e cada cantinho do clube, foi uma sensação plena.

17 de Junho de 2009

Esse dia foi especial para mim. Eu estava no Pacaembu, e foram muitas alegrias, incluindo a eliminação dos arquirrivais palmeirenses da Libertadores, ouvida via rádio e comemorada com todo o estádio, antes do Timão entrar em campo.

Eu já havia estado ali, no Pacaembu, poucos dias antes, para ver o Timão ser Campeão Paulista de 2009, de forma invicta, o único título que comemorei no estádio. Mas naquele dia eu estava ali para o primeiro jogo da final da Copa do Brasil. Como já havia estado um ano antes no Morumbi, também para a primeira final da Copa do Brasil, contra o Sport. Nos dois jogos o Timão venceu. O saldo também foi o mesmo, dois gols. Mas o 3×1 de 2008, com gol do time de Recife no finalzinho do jogo, não foram suficientes para o título. Em 2009, porém, saímos sem levar gols, e eu sabia que aquele título estava muito, muito próximo. E veio. Além disso, naquele dia eu pude ver ao vivo, a poucos metros a minha frente, Ronaldo, o Fenômeno, um dos maiores ou talvez o maior jogador de minha era fazendo um gol pelo meu Timão.

A seleção de todos os tempos

Muitos gostam de fazer a seleção dos que viram jogar. Pelo que já li e vi a respeito da história do Timão, me arrisco a escalar 11 dos 100 anos.

Gylmar; Zé Maria, Domingos da Guia, Gamarra e Wladimir; Sócrates, Rivellino, Luizinho e Marcelinho; Edílson e Tevez. Técnico: Osvaldo Brandão.

E ainda ficaram de fora dois dos maiores ídolos: Neto e Ronaldo (o goleiro). Sem falar do Ronaldo (o fenômeno) de 2009.

O melhor time de todos os tempos

Durante muito tempo considerei o esquadrão da década de 50, mais especificamente de 51 a 54, que conquistou a Pequena Taça do Mundo e o IV Centenário da Cidade de São Paulo, o maior time que o Corinthians já teve. O time tinha Gilmar dos Santos Neves, Idário, Homero, Roberto Belangero, Carbone, Rafael, Luzinho, Claudio e Baltazar, entre outros.

Porém, em 2000 eu tive que me curvar e admitir que aquele Corinthians que conquistou o mundo, e nos deu o maior e mais importante título de nossos 100 anos, foi o melhor time que vi com a camisa do Timão:

Em pé: Dida, Kleber, Fabio Luciano, Vampeta, Rincón e Adilson. Agachados: Luizão, Índio, Ricardinho, Marcelinho e Edílson.

O banco ainda tinha Edu, Marcos Senna, Fernando Baiano, entre outros.

Do time titular, apenas Índio nunca passou pela seleção. Dos onze, cinco foram posteriormente pentacampeões mundiais em 2002.

Meu amor ao Timão

Pra concluir, uma musiquinha que tem tudo a ver com o Coringão, e vale como minha declaração também.

Demônios da Garoa – Meu amor ao Timão

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anderson

4 Responses to “30 anos em 100, 100 anos em 30”

  1. parabens nação corinthianaa!!
    A festa ontem foi linda e emocionante…eu como um fanatico to colecionando até o album do brasileirao..respeito muito o futebol e até outros times por isso quero meu album completo sem preconceito..hehe e graças a internet da pra completar de graça… no twitter @torcidapanini e no
    http://torcidapanini.virgula.uol.com.br/….galera vc pode ganahr até a camisa do seu time…nao é propaganda..é q tem muita gente q nao sabe o q ta rolando e nao custa avisar né…

    Valewww

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