Tupãzinho, o amuleto da Fiel, num lance de raça e triunfo.

Por muito tempo fiz coro com grande parte da Fiel Torcida, que sempre defendeu a tese de que, no Corinthians, jogador não tem que ser craque. Tem que ter raça, entrega.

Ora, e o que há de errado com a técnica, com o talento? Com o tempo entendi que quando seu time fica limitado a jogadores raçudos, basta que o adversário tenha a mesma entrega, ou até um pouco menos, que vencerá. Pela competência. Aí então, vencer passa a ser um golpe de sorte, e sua torcida é por uma bola divida, uma bola rebatida, um rebote providencial, um gol mascado e a vitória por meio a zero.

A venda do Cristian foi marco simbólico dessa nova fase. Foi mais do que a perda técnica, foi como vender a alma do time.

O atual elenco do Corinthians, considerando aí o que temos desde Julho de 2009, me devolveu o apego à Garra Corinthiana. Mais do que isso, me evidenciou o porquê da eterna convicção alvinegra de que somos torcedores mais felizes, sofredores Graças a Deus. Porque, pela primeira vez, estamos nos vendo do outro lado. Do lado do time teoricamente superior tecnicamente, mas que é abatido pelo adversário mais frágil apenas pelo déficit de entrega ao jogo. E como é triste ir à arquibancada, ou sentar em frente a TV para ver seu time jogar, e não mais torcer por uma bola fortuita, um lance quase casual, mas sim torcer para que, naquele dia, seus jogadores, seus representantes em campo, estejam “a fim” de jogar bola – tarefa para a qual são muito bem pagos. Nessas horas, dá saudade de torcer pelo imponderável.

Como é ruim estar do outro lado…

Ser eliminado pelo Tolima já na pré-Libertadores, o terceiro time colombiano da competição, em tempos em que futebol na Colômbia não vai bem das pernas, seria inimaginável há pouco tempo. Mas quem imaginaria que o Corinthians teria que passar por isso, quando só precisava vencer a equipe reserva/sub-20 do Goiás na última rodada do Brasileirão 2010? Quem cogitaria um empate com o “todo poderoso” Norusca, com o time completo, a três dias do confronto que decidirá a sorte do Timão em 2011?

Mais do que possível, a eliminação precoce já pode ser considerada até benéfica. É claro que nenhum coração corinthiano conseguirá torcer por isso, mas com um pouco de sensatez é fácil dizer: é a única forma de tentar salvar o ano de 2011 para o alvinegro do Parque São Jorge. A gozação será enorme, pior que em qualquer outra eliminação da Libertadores (e sabemos bem como isso é intenso por parte dos anticorinthianos), mas como nossa preocupação é menos com os outros e mais com o nosso Corinthians, acreditem, fiéis, será melhor assim. Recomeçar do zero, limar esse técnico fracassado e covarde, limpar do elenco todos os vagabundos que usam o Corinthians em benefício próprio, sem retorno técnico, dar um basta à diretoria corrupta que é omissa por convenção… Porque ir adiante com esse time aí, não há futuro!

Nota adicional
Não acredito que a técnica deva ser preterida em relação à garra. Apenas ponderei que é menos decepcionante torcer pelo acaso que ver um time melhor sem brio, sem vontade, se entregando não ao jogo, mas ao adversário. Também não vou torcer pela eliminação precoce. Não conseguiria. Mas talvez tivesse mais efeito prático realmente.

anderson

3 Responses to “Como é ruim estar do outro lado”

  1. Em setembro de 1910, provavelmente no dia 7 de setembro, dia de Nossa Senhora, portanto feriado, foi feito o primeiro rachão, uma seleção dos jogadores que iriam compor o primeiro Timão da história.

    Naquele dia estavam presentes no Terrão do Lenheiro do Bom Retiro boa parte da nata boleira varzeana. Ali estava a Raça do antigo Botafogo da Paula Souza, e a técnica da própria Várzea de antigamente, que fez com que esse país se tornasse “o país do Futebol”.

    Havia um único mandamento. Na verdade dois. Porque são complementares.

    “QUEM FOR BOM DE BOLA E NÃO AFINAR EM DIVIDIDA FARÁ PARTE DO CORINTHIANS”

    E assim foi feito.
    Assim surgiu o Galo Brigador Varzeano que, PELO FUTEBOL APRESENTADO, alcançaria o campo onde a aristocracia apenas passava o tempo.

    Para os Corinthianos o Futebol nunca foi passatempo.

    Futebol é coisa séria, e mesmo o tão aclamado artilheiro das copas está desrespeitando a Deusa Bola.

    A coisa é gravíssima, meu irmão.

    Grande abraço

    VIVA O CORINTHIANS NOSSO DE CADA DIA!!!

  2. Como é difícil ver tradições sendo quebradas. E não simples paradigmas retrógrados, mas sim algo construído com suor e honra durante anos e anos.
    Se dedicar é o mínimo que um jogador de futebol tem que fazer, pois ele não representa a si próprio. Ele representa 30 milhões de “Eu’s”. E ainda há um agravante, não são apenas um numero elevado de pessoas indiferentes, são 30 milhões de corações apaixonados que sofrem, choram, riem, se emocionam de maneira geral com cada jogada. Ou, até mesmo antes disso, ao verem entrar em campo o escudo que representa o amor ao qual são devotos desde que nasceram. Um amor gratuito, límpido e quase visceral.
    Como é difícil constatar que o esporte sucumbiu aos pecados capitais. Os mesmos alertados pelo Papa Gregório como os mais perigosos, os pecados capazes de destruir os seres humanos. A Preguiça, Gula, Avareza, Lúxuria… Ganharam do Corinthians. E temo que sejam os adversários mais complexos e espinhosos destes 100 anos de história, pois não encerram objetivamente as ações, mas minam gradativamente a vontade de lutar.
    A esperança é que a virtude demonstrada por cada ato devoto da torcida contagie os corações inertes deste aglomerado de propensos ao ócio que infelizmente representam o Corinthians, atualmente.
    O mais difícil é morrer por aqueles (E morremos a cada jogo) que não vivem por nós.

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