Quem acompanha os noticiários esportivos que tratam dos bastidores do mundo da bola deve estar atento aos rumores crescentes de uma possível (e cada vez mais provável) saída de Ricardo Teixeira do comando da CBF. Há inclusive quem diga que isso tem data para acontecer: nesta quinta-feira, dia 16/02.

Bom demais para ser verdade? Mais ou menos. Na verdade, não é tão bom quanto parece, e sim, pode ser verdade. A conferir amanhã, ou num futuro breve. Ou não.

Mas como o cara que “sobreviveu” à CPI do futebol em 2001, e tem mandato assegurado até 2015, com uma Copa do Mundo para sediar um ano antes, iria perder força e ceder o cargo justo agora? Os reais motivos não sabemos, e talvez nunca venhamos a saber, mas dá para elencar algumas possibilidades.

  1. Saúde. Esse deve ser o motivo alegado – lembrando que o presidente da CBF passou por internação há quatro meses e tem histórico de problemas cardíacos. Pode ser que tenha mesmo que se cuidar, mas certamente não é razão para afastá-lo do cargo pelo qual tem tanto apreço.
  2. Manobras do Planalto Central. Dizem alguns cronistas que Ricardo Teixeira perdeu força com a saída de Lula. E que Dilma “não vai com a cara” do sujeito. Sabemos que Dilma é um tanto quanto intolerante mesmo com esse tipo de coisa, mas que não pode interferir diretamente na Confederação Brasileira de Futebol. Mas trocar Orlando Silva, que já havia tornado-se amiguinho de Teixeira, por Aldo Rebelo, justamente o relator da CPI do Futebol em 2001, pode ter sido o caminho que ela encontrou para pressioná-lo. 
  3. FIFA. Os planos de Ricardo Teixeira provavelmente envolviam deixar a presidência da CBF em 2015 para tentar a da Fifa, no mesmo ano. Joseph Blatter, o atual presidente da entidade máxima do futebol, não quer isso, e trabalha forte nos bastidores para queimar Teixeira. Na briga entre ambos, sobram ameaças de denúncias de participação em esquemas de suborno e coisas do tipo. Essa briga só não teria eclodido até então porque ambos tem cartas na manga, e ninguém quer pagar para ver. 
  4. Superfaturamento em amistosos da seleção. A Folha de S. Paulo publicou na edição desta quarta provas da ligação de Ricardo Teixeira com empresas “fantasmas” que receberam milhões de dólares para a organização de amistosos da Seleção Brasileira de Futebol. Essas denúncias ligam-se a outras, que em cascata desenham um cenário do qual o dirigente dificilmente conseguirá se desvincular. 

Para mim, toda essa história lembra alguns mitos antigos, como o de Ícaro, que quis voar cada vez mais alto, e o sol derreteu suas asas e o fez cair e morrer afogado. Teixeira, de tanto ter poder e de tanto querer mais, não soube medir corretamente sua força, e pode sucumbir diante de forças não mais justas, mas certamente mais poderosas.

E quais seriam as consequências imediatas do fim de uma gestão de nada menos que 23 anos? Bom, tenho alguns palpites.

  1. Antes que muitos se animem, é preciso cautela. A saída de Teixeira, se ocorrer, não significa nenhum ganho imediato para o futebol brasileiro. Seu sucessor mais provável é José Maria Maurin, sujeito de índole talvez pior que o Ricardão, se é que isso é possível.
  2. Maurin, dizem, é estreitamente ligado a Marco Polo Del Nero, atual presidente da Federação Paulista de Futebol. Que, IMHO, tem se mostrado péssimo administrador esportivo (para não falar de suas “qualidades” morais).
  3. Se muitos apostavam que a ida do ex-presidente corinthiano Andrés Sanchez para o esquisito cargo de Diretor de Seleções da entidade era um passo para começar a direcioná-lo para suceder Teixeira em 2015, a queda precipitada do dirigente em meio a escândalos e perda de força política deve fazer sucumbir também os planos de Sanchez, que sequer manteria o atual cargo.
  4. No mundo dos clubes, alguns que recentemente entraram em rota de colisão com o comando da CBF poderiam voltar a sonhar com os conchavos de antigamente. Porque, não se engane, TODOS estão interessados apenas no benefício próprio. A única variante é o alinhamento de interesses, ora com uns, ora com outros.
  5. Para as TVs, talvez nada mude. É verdade que a Globo foi velha aliada de Teixeira nesses 23 anos, e que o presidente da CBF exerceu papel importante nos bastidores da renovação dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro, assunto bastante polêmico do ano passado. Mas também é fato que a relação Globo-Teixeira andava estremecida, cheia de represálias de parte a parte, talvez já sintoma da perda de força do dirigente (e a Globo não é boba de morrer abraçada com ele).

Enfim, até mesmo quando algo tão desejado pelos apaixonados pelo futebol brasileiro está prestes a acontecer, as perspectivas são pouco animadoras. O único alento que fica é que, normalmente, derrubar uma gestão de décadas é sempre um bom primeiro passo. Talvez seu sucessor, por pior que seja, e talvez justamente por isso, não consiga se manter por muito tempo no cargo. E, quem sabe, por que não sonhar, dias melhores virão… Só não sabemos quanto tempo isso ainda vai levar!

Ou pode ser que nada aconteça, e numa manobra acrobática de bastidores, num nó político bem dado, toda a costura seja feita para salvar Teixeira e manter intacto os planos ambiciosos de sua trupe. Dá para duvidar?

E tudo isso faltando apenas dois anos para a Copa no Brasil!

anderson

3 Responses to “Da possível (ou provável) queda de Ricardo Teixeira e suas consequências”

  1. Olá, só confere o tempo que ele é presidente, ele está na CBF desde 1989, então são 23 anos em junho. Mesmo assim muito tempo pra um governante. Abraço!

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