O problema do caso Palocci, que centralizou todo o debate político do país nas últimas semanas, é que não importa o que consigam provar ou não. Não importa se tenha ficado algum rastro ou não. Não importa o quão caro Palocci tenha cobrado as consultorias que prestou antes de assumir o Ministério da Casa Civil. Na verdade, a essa altura, aos olhos populares, pouco importa até a legalidade do enriquecimento do ministro. Ninguém confia em alguém que enriquece tão rápido, exceto, é claro, premiados na loteria, artistas e jogadores de futebol.

A realidade do povo mostra que a ascensão econômica individual não se dá de forma tão rápida, exceto quando se usa de subterfúgios ilegais e/ou imorais. E num país com tanta injustiça social e com tanta corrupção, é difícil olhar com simpatia para um político que enriquece rapidamente.

Uma simples dedução que se pode ter sobre o caso Palocci, para não entrarmos em hipóteses de corrupção (que no Brasil são as mais prováveis, e para Palocci não seria novidade) é de que ele tenha usado de sua influência junto ao Governo Federal para vender informações privilegiadas às empresas. O que não deixaria de ser uma consultoria, e pela qual, sim, poderia ter sido muito bem pago. E que, mesmo sendo ilegal (e imoral certamente é), é algo quase impossível de provarem e principalmente de punirem. Claro que é só uma hipótese, mas provavelmente a história verdadeira é ainda pior. Ou alguém acreditaria que suas habilidades profissionais lhe renderam em quatro anos muito além do que renderam todos os outros anos de sua carreira?

Toda essa polêmica em torno do enriquecimento do petista é resultado da sua força e influência política, que além da desconfiança da população, causa a repulsa dos opositores e um grande desconforto dos situacionistas. E disso Dilma não pode se queixar, pois conhecia o risco de colocar no cargo mais importante da coordenação política de seu governo um homem com o escândalo do caseiro no histórico. Mas talvez não tenha tido opção…

Certo é que inocentado ou não, Palocci continuará a incomodar, porque sua presença no governo é um erro, uma imposição. Sua imagem está desgastada, e não é de agora. Ninguém confia nem passará a confiar nele. E eu não confio em milionários.

anderson

2 Responses to “Eu não confio em milionários”

  1. É mais ou menos o acreditar no “rouba, mas faz”. Palocci tem o nome sujo não só por causa do Francenildo. Mas é um excelente articulador entre a classe política e os empresários. Talvez a base aliada não tenha ninguém mais competente. Então…

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