Ver a principal emissora do país atuar parcialmente em prol dos partidos de direita não é algo tão novo assim, pelo contrário. Mas não me lembro de uma campanha tão aberta da Globo num período eleitoral desde o episódio de 89.

Depois de passar mais de uma semana forçando a barra com o assunto da quebra de sigilo na Receita Federal (sem querer tirar o mérito da questão, mas basta uma visita na Santa Efigênia pra você ter acesso aos dados de todos os contribuintes), e ver que a estratégia não surtiu efeito nas pesquisas, começaram a veicular uma série de reportagens que seriam subliminares, não fossem tão descaradas.

Ontem acordei vendo o Bom Dia Brasil lançar no ar uma dobradinha de reportagens comentadas pela tão “imparcial” Miriam Leitão, que me tirou muitos risos. Porque foi muito patética a tentativa tola de influenciar a opinião popular.

As reportagens tentavam contrastar o déficit de saneamento básico no país com a expansão da telefonia pós-privatização. Uma tentativa baixa e tola de pegar a única área em que a privatização foi benéfica, pela concorrência gerada e não pela mão “gentil” da iniciativa privada, em contraposição com algo tão fundamentalmente público como as redes de esgoto. O que a reportagem mostrou, mas não destacou, foi um gráfico que mostra a estagnação do saneamento básico nos anos 90, e a crescente (e ainda insuficiente) melhora na área desde 2002, saindo de 50 para 60% de abrangência.

No dia anterior, o Jornal da Globo abriu com o William Waack falando de pesquisas do IBGE que mostram um Brasil “muito diferente do que dizem as propagandas” (só faltou dizer que são as propagandas petistas). Que há gente passando fome, e gente analfabeta, entre outras coisas.

É óbvio que existe! Até porque há estados em que a (falta de) educação de base faz com que pessoas cheguem ao quinto ano escolar sem saber ler (né Alckmin?)!O que o comentarista não cita é que a taxa de analfabetismo cai, sistematicamente há SEIS anos. São oito anos tentando melhorar um pouco o estrago feito em oito anos de descaso dos tucanos com a sociedade.

Hoje na “sabatina” (quase que homenagem) do Serra para O Globo, os jornalistas voltaram a enaltecer as maravilhas das privatizações, abrindo espaço para o candidato tucano enfatizar suas proposições, e criticar o governo federal.

É, a Globo e a Abril compraram de vez a briga eleitorial. E na falta de críticas ao governo atual e de propostas para um novo governo, se apegam nas duas únicas coisas que podem: uma polêmica mal explicada e forçada sobre declarações do IR, e as privatizações, que são tudo e só o que os tucanos podem oferecer.

Eles seriam mais felizes criticando a relação do PT com o Sarney e o Collor…

Enquanto isso, no meio desse tiroteio, a Marina segue ilesa. PENSA BRASIL!

anderson

2 Responses to “Globo abre campanha pró-tucanos, sem discrição”

  1. Acho que isso é procurar pelo em ovo. Nessas reportagens sobre os dados do IBGE mostraram muitos dados pró-governo também, como a queda do analfabetismo, o aumento da inclusão digital, etc…

    Acho que o teu anti-serrismo tá falando mais alto, véi… =P

    • É, que eu não suporto o Serra é verdade mesmo, e não sem motivo. Agora, se fosse só eu que tivesse percebido essa campanha global, poderia até concordar com você. Mas não é o caso.

      Perca um tempinho assistindo o Bom Dia Brasil de ontem (quinta). Depois leia a transcrição da “sabatina” de hoje com o Serra para O Globo. Se ainda achar que estou caçando pelo em ovo…

      Os dados pró-governo, que você diz que eles mostraram, dependem da interpretação. Você pode ter feito. Eu citei aqui no post uma também. Mas as análises, principalmente da Miriam Leitão (que é PSDB, todo mundo sabe), não mostraram isso. Pelo contrário, tentaram justificar que tudo que aconteceu de bom nos últimos oito anos foram graças ao que aconteceu nos anos 90. Pura palhaçada!

      Por exemplo, hoje tinha uma reportagem na globo.com mostrando a diminuição da pobreza e o crescimento da classe média desde 2003. Ótimo elogio ao governo, não fosse uma nota no fim do texto dando todos os méritos dessa “evolução social” às “transformações sociais” dos anos 90.

      Cara, respeito sua opinião, mas não é possível que você seja inocente de não ler essas entrelinhas.

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