This is my man, right here, I love this guy.

Barack Obama sobre Lula (2009)

A famosa frase é a dita por Obama sobre Lula. Mas poderia ser minha. E o fato dela ter partido do presidente dos Estados Unidos não soa como demérito para muitos, como poderia parecer no começo da década. Chico Buarque explica melhor:

A forma de governar de Lula é diferente. Ele não fala fino com Washington, nem fala grosso com Bolívia e Paraguai. Por isso, é ouvido e respeitado no mundo todo. Nunca houve na História do país algo assim.

Chico Buarque (2010)

E muito antes de qualquer número, de qualquer virtude econômica, antes mesmo dos importantes e consolidados programas sociais do Governo Lula, é essa sua característica humana, humanista e humanitária de Lula que faz com que eu me sinta agora, no fim do mandato do presidente, extremamente orgulhoso por ter sido contemporâneo desse homem, desse mito. Um homem de jeito simples, de discurso fácil e popular, e de carisma único.

Dois fatos razoavelmente recentes, ainda frescos na minha memória, exemplificam o Lula e merecem menção destacada, embora tenham sido de resultado praticamente nulo.

O primeiro, em 2009, foi a liderança e luta quase incessante por um acordo minimamente eficaz na Conferência do Clima, em Copenhague. Não saiu nada. Mas nas palavras de Lula eu deposito toda minha identificação e todo o meu orgulho desse brasileiro, e faço delas também as minhas.

A fragilidade de alguns países não pode servir de pretexto. A hora de agir é esta. O veredito da história não poupará os que falharem com sua responsabilidade neste momento.

Lula em Copenhague (2009).

A segunda história é sobre a relação de Lula com o Irã, e talvez não caiba exatamente como um fato, posto que nada aconteceu, mas num conjunto de ações que demonstram a postura do governo de Lula diante de conflitos históricos, culturais, e que são sempre o ponto de partida para as grandes guerras. Lula preferiu tentar um acordo. Para muitos, uma jogada unicamente política e falsa, para outros pura ingenuidade. Lula não é ingênuo, mas também não é maquiavélico. Lula é bem intencionado, é humano, e é sensível ao povo, seja ele qual for.

Foto de blog.planalto.gov.br

E é assim, menos nos resultados e mais em sua postura, suas convicções e em seus discursos, ainda que politicamente elaborados, que me tornei hoje um lulista convicto. Isso sem ter votado nele em 1º turno uma única vez… Em 2002 votei em Ciro Gomes (nem sei bem por quê), em 2006 em Cristovam Buarque (o homem que teve a coragem de colocar a educação como plano fundamental de seu programa de governo), e agora em 2010 votei em Marina Silva. Deixei para o 2º turno os votos em Lula e em Dilma, a candidata dele, em todas  essas eleições. Mas hoje não consigo me imaginar não votando em Lula para qualquer eleição que seja. Pois se um dia eu julguei que boa formação era requisito imprescindível para um governante público, hoje não tenho dúvida de que para governar pessoas é preciso, acima de tudo, gostar de pessoas.

Eu sei, e acho justo que um grupo de pessoas tenha se decepcionado com Lula. Petistas “das antigas”, convictos da necessidade de uma revolução social no país, que depositaram o voto em Lula em todas as eleições desde 1989, ou antes, e que se sentiram vitoriosos e esperançosos de mudanças drásticas após sua eleição. Esquecem-se, porém, que o Lula de 89, de 94 e de 98 foi rejeitado pelos eleitores brasileiros. Foi o Lula de 2002, muito mais ao centro que à esquerda, de discurso moderado, de alianças com os liberais, que, finalmente, foi eleito pela maioria. E esse é mais um mérito do Luiz Inácio. Ele não se esqueceu disso, ainda bem. Traição seria se tivesse retrocedido ao que já havia sido reprovado, e agisse diferente do que dizia quando eleito. Não, não queríamos aquele Lula, não a maioria. Queríamos esse, capaz de manter o equilíbrio econômico, uma das poucas boas heranças dos tucanos.

Talvez não precisasse ter exagerado tanto na dose de liberalismo. Lembro que um dos grandes choques que levei com Lula nos últimos oito anos foi quando estourou a crise em 2008, e nosso presidente veio a público pedir para os brasileiros consumirem! Se tal postura postura foi um espanto para mim, faço idéia o que sentiram os mais comunistas.

Amargo ou não, o remédio funcionou, embora para mim o essencial para que da crise só pegássemos a marola não tenha sido exatamente o auxílio às montadoras, disfarçado de incentivo fiscal aos consumidores, mas os investimentos públicos do Governo Federal. E essa foi outra bola dentro de Lula. Com o PAC, o país encontrou o caminho para crescer. Agora terá que arcar com a falta de liquidez e a ameaça da inflação, mas isso será problema para Dilma resolver.

Lula se despede amanhã do Palácio da Alvorada com mais de 80% de aprovação, um legado promissor e uma marca para a história.

Em 2001, quando eu fazia o Cursinho Pré-Vestibular na UFSCar, lembro-me que após uma aula de História do Brasil, fiz uma pergunta quase de criança ao professor: quem foi o melhor presidente do Brasil?

Não houve resposta conclusiva. Poderia ser Getúlio, pelos primeiros anos, pelos conquistas sociais, populares… Mas a história faz pesar contra ele o fato de ter assumido o poder atrávés de golpe, continuado nele por 15 anos através de outro golpe, e o “mar de lama” que culminou em seu suicídio. Poderia ser Juscelino Kubitschek, por todas as suas realizações ambiciosas e pelo desenvolvimento econômico durante seu governo, apesar de ter deixado, alegam alguns, o legado de inflação e dívidas. Até FHC poderia pleitear tal honra, se a história de seu mandato fosse contada de 93 a 97, e não de 94 a 2002.

Já há alguns anos que afirmo sem medo de errar: pelos miseráveis que passaram a comer; pelos pobres que deixaram de ser pobres; pelos filhos de pobres que chegaram às universidades; pelas crises superadas com investimentos; pelo crescimento gerado; pelo respeito conquistado internacionalmente; pelo orgulho recuperado; mas sobretudo por seu jeito simples e humano, é Lula o maior presidente da história da República Federativa do Brasil.

anderson

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