É bizarro, mas o eleitor são-carlense terá que ir às urnas no próximo domingo pela décima vez consecutiva desde 2000 tendo que escolher, para o cargo executivo, basicamente entre o candidato do PT e o candidato do PSDB. Isso sem contar votações de segundo turno, nas eleições para governador e presidente. Não que não existam outras opções. Eu mesmo geralmente tenho escolhido as “terceiras vias”, fugindo dessa dicotomia. Mas na eleição municipal, por não haver segundo turno por aqui, sou geralmente levado a usar estratégia que não gosto, que é o tal “voto útil”.

É o que acontecerá neste ano. Como o meu candidato de preferência tem sido citado por algo em torno de 2% dos entrevistados nas pesquisas eleitorais, me verei mais uma vez obrigado a escolher entre um dos dois partidos que dividem o poder de nosso estado e país há 20 anos. E neste caso sou obrigado a recorrer aos meus valores e a trajetória de cada lado.

Muita gente considera não haver diferenças significativas entre um e outro, e não existir mais ideologia partidária – e não estão errados em pensar assim, pois quando trata-se de garantir os interesses de seus grupos em detrimento dos interesses públicos eles realmente se igualam bastante. Porém, ainda existem divergências claras nas ideias defendidas por tucanos e petistas. E o reflexo disso é muito evidente nos eleitores. Até mesmo para aqueles que, como eu, preferiam não ter que votar nessas duas opções, a tendência de escolha entre um e outro traduz muito o perfil da pessoa e seus valores.

O partido de FHC e José Serra continua sendo a opção preferida para parte da elite mais pragmática e a classe média mais conservadora, e com o perdão do clichê, mais reacionária. Daqueles que esperam repressão no combate à violência, que rejeitam os programas sociais transferência de renda, e etc. Enquanto que o partido de Lula e Dilma é o escolhido pelos grupos mais pobres e pelas pessoas de maior diversidade cultural, de ideais mais humanitários e sociais, seja de que poder aquisitivo for.

Entenda: eu não acho que esses partidos representam bem cada um desses grupos, mas é assim que normalmente eles são identificados por seus eleitorados. E peço que me perdoem pela generalização, certamente cheia de exceções, por razões diversas.

Para mim, além dessas diferenças, pesa muito aquilo a que dou mais importância: a educação. Pode parecer demagogia, mas quem me conhece sabe que sempre bati nessa tecla. Não vejo outro caminho que não seja aprendermos a votar em quem realmente dê importância destacada à educação, acima de todas as outras coisas. E é esse o meu problema com o PSDB. O partido que arruinou a educação paulista nos últimos 20 anos. O partido do desastre chamado Paulo Renato. Os tucanos, até hoje, nunca conseguiram demonstrar qualquer aptidão ou preocupação com a educação pública (e isso para mim tem razões mais profundas, segmentárias, mas essa é uma discussão mais longa e polêmica, que fica para depois). Por tudo isso, geralmente, essa é uma opção para mim totalmente descartada na hora do pleito. Acho que preferiria anular o voto do que no quatro-cinco. Mas não é o caso para esta eleição.

Eu não posso dizer que estou totalmente satisfeito com a administração municipal atual em São Carlos, tanto que admiti lá em cima que a princípio meu candidato seria outro. Concordo com algumas críticas de que os petistas “deitaram em berço esplêndido” na cidade, e é provavelmente por essa acomodação que estão pagando agora, numa disputa bem mais acirrada do que deveria ser contra um candidato tão despreparado e ultrapassado. Mas também considero exageradas algumas críticas, normalmente baseadas em argumentos do tipo “ai, eu levei 10 minutos a mais para chegar ao trabalho porque estavam recapeando a rua tal”. Não que a falta de planejamento no recape das vias não seja um erro administrativo, mas pautar-se por questões deste tipo na hora de escolher o candidato é ter uma visão por demais limitada do cenário político municipal. Chega a ser preocupante!

Eu avalio como positiva a administração de Oswaldo Barba como prefeito de São Carlos, nos últimos quatro anos, e do PT como um todo nos últimos doze. Talvez tenha sido menos boa do que deveria, nos anos mais recentes, tanto que por algumas vezes fiz duras críticas aqui neste espaço. Em compensação, foi especialmente positiva justamente no que mais prezo, que é a educação – e isso é muito além de trânsito chato e coisas do tipo. As escolas municipais, mesmo com seus problemas, são modelos, e estão muito a frente das estaduais, de responsabilidade dos tucanos.

Eu até acharia interessante uma renovação de poder – que é salutar em toda democracia – até para dar um choque nos acomodados petistas. Mas quando o concorrente é um senhor obcecado pelo poder, sem ideias consistentes e com o mesmo discurso derrotado dos anos 90, minha escolha só poderia ser Barba, 13.

Vereador

Seria bastante lógico eu repetir o voto que dei na última eleição para a Câmara. Afinal, como já contei por aqui, fiz questão de acompanhar o “meu candidato” e os seus posicionamentos em muitas das votações mais relevantes e polêmicas dessa gestão. Me senti muito bem representado em todas elas. Acho importante que os eleitores façam esse acompanhamento, afinal, é essa a finalidade dos cargos representativos: levar a vontade de seu eleitorado para as decisões mais importantes do legislativo.

No entanto, comecei a acompanhar as propostas de outra candidata, com quem muito me identifiquei. Provavelmente um pouco pelas ideias jovens, novas, e pela “presença virtual”, no Facebook, Twitter, e etc, que acontece de uma forma muito mais espontânea do que fazem normalmente os políticos. Também influenciou um pouco as boas referências que me deram sobre ela, especialmente quanto ao trabalho desenvolvido no projeto cultural Janela Aberta – e cultura é outro valor a que dou importância destacada, até pela sua estreita relação com a já citada educação. Mas acho que me decidi por votar na Wendy Palo sobretudo pelas bandeiras que ela defende, das quais muitas compartilho. E isso remete de novo à ideia de representatividade de nossos ideais e interesses na Câmara (sem ingenuidades, já que sabemos que muitas decisões são meramente políticas).

Não considero incoerência nem injustiça com o candidato anterior, pois são da mesma legenda, e ele com certeza será mais votado. Ou seja, o meu voto continuará contribuindo para sua reeleição. Mas ao mesmo tempo estarei tentando aumentar a minha representatividade lá, além de contribuir para renovar um pouco o quadro de vereadores da cidade.

Para quem quiser conhecer um pouco do trabalho e das propostas da Wendy Palo, visite o site (www.wendypalo.com.br).

Fiz até um slogan: O Ândi vota na Wendy! 😛

 

anderson

3 Responses to “Minhas escolhas para a eleição municipal, a quem interessar possa”

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