(série esporádica de posts despretensiosos sobre histórias inusitadas, em ordem descontínua, de minha vida pacata)

(texto originalmente escrito em 26/12/2005)

Eu e minha velha mania de relacionar músicas à minha personalidade. Lembro-me do dia em que estava assistindo o show do Pato Fú e comentei com minha namorada: “repare se essa não é a minha música”. A gargalhada dela depois do primeiro verso já entrega: “Ando meio desligado…”.

Eu sou, desde sempre, extremamente, excepcionalmente, incrivelmente, imensuravelmente distraído. O engraçado é que tenho (pelo menos dizem que tenho) memória de elefante pra certas coisas. Esta série é um bom exemplo, já que se trata de memórias de minha vida, mesmo de datas bastante remotas. Mas, ao mesmo tempo, sou incapaz de me lembrar de uma conta à pagar ou, muito comumente, de uma consulta médica agendada. Isso já me trouxe complicações em escalas distintas. No trabalho, por exemplo, quase me compliquei ao faltar por três vezes no exame médico periódico. Por sorte, na terceira vez, em que eu já estava me esquecendo novamente, a funcionária do centro médico me ligou (na hora em que eu devia estar lá) e pediu que eu corresse lá. Este fato, aliado a tantos outros, me renderam uma agenda como “presente-sacanagem” numa ocasião de confraternização. Logicamente, não me lembrei de usá-la…

Mas, dentre tantas histórias pitorescas, das mais versáteis, acho difícil que alguma supere a ocorrida no fim de semana de 16 e 17 de Dezembro deste ano. Às 2:30 da manhã, eu ainda acordado, resolvo “encafifar” com a compra que eu havia feito havia poucas horas. Passei no supermercado pouco antes da meia-noite, próximo ao horário de fechamento do mesmo. Meio quilo de mussarela, meio de presunto, meio de carne moída… E mais umas pilhas, típica coisa que nos lembramos de comprar enquanto estamos na fila do caixa. A conta, R$ 19,xx.

Uma pequena digressão antes da sequência da história: sempre que vou a este supermercado, que é novo, ocorre algo inusitado. Só neste dia, por exemplo, ocorreram dois (ou três, se considerarmos o fato que vou contar adiante). A funcionária do balcão de frios veio me perguntar quanto era “um quarto de mussarela”. Não sei se eu deveria me espantar com a pergunta. Na hora, me pareceu óbvio que se tratava de 250 gramas, mas, confirmando a expressão exatamente como foi dita, eu tranquilizei a moça, dizendo que a pessoa havia pedido muito mal. Um quarto de mussarela poderia ser meu quarto inteiro cheio de mussarela, ou uma peça de mussarela dividida em quatro! Mas enfim… Além disso, quase minha compra embarca com a cliente que passou na minha frente no caixa. Chegou a ir pro carrinho de compras dela, até que a confusão fosse desfeita.

Voltando à narrativa principal. Por algum motivo, quase três horas depois, me toquei de que não havia guardado o que comprei. Dei uma conferida, e não encontrei. “Droga, esqueci no carro”, comentei. Pacientemente, me calcei e desci… Até o estacionamento, onde, finalmente, me lembrei que também seria interessante se eu tivesse pegado a chave do carro! Parei, voltei, peguei a chave, já puto da vida com minha displicência. Ao descer de novo, já com a útil chave do carro, tive o desprazer de constatar que havia atingido o recorde mór em distração humana: esqueci minha compra no supermercado.

Indignado comigo mesmo, e prestes a perder os 19,xx (como se eu pudesse), resolvi que voltaria logo pela manhã, a fim de salvar a lasanha que minha mãe, que vinha de Campinas, havia prometido pro almoço. Eu tinha a pretensão de encontrar a sacola no mesmo lugar, visto que saí quase na hora de fechar. Mas uma amiga, que acompanhou o drama todo pelo MSN, advertiu: “leve dinheiro”.

Coloquei o relógio para despertar às 7:45, em pleno domingo, mas nem foi preciso esperar tanto. A partir das 7:30, os rojões da bambizada, que se desvairava por conta da final do mundial, já não me deixavam dormir.

Se sou distraído, pelo menos às vezes sou salvo pela sorte (ou pela paciência alheia). Todos os ítens esquecidos por mim estavam anotados numa folha, e como (por milagre) eu havia guardado o cupom fiscal (e até me lembrei de levar, incrível!), pude reaver minha compra. Mas, a frase que ouvi da funcionária que me atendeu, resume toda a repugnância que a situação me causou: “Como assim? São todos os ítens da nota? Você saiu daqui sem nada?”.

É, minha senhora. Fui ao supermercado e saí sem sacola.

anderson

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