A crucificação de Neymar – Capa da Placar do mês de Setembro

“Por que crucificam tanto o Neymar?”

A imprensa esportiva pergunta, mas ela é a resposta. De fato, seu caráter enquanto jogador não é muito abaixo da média dos jogadores de futebol brasileiros – como pontua a última edição da revista Placar (capa ao lado). Mas sua fama e badalação é muito acima – em proporção muito maior que sua superioridade técnica.

Isso não é uma novidade. A mídia – e alguns veículos em especial – tem necessidade de criar ídolos “incontestáveis”. Fabricam heróis nacionais. E deu para perceber nitidamente como esse processo iniciou-se com Neymar, como uma verdadeira passagem de bastão do ocupante anterior deste posto: Ronaldo Fenômeno.

A partir de então, Neymar passou a ser o grande nome, a grande referência do futebol brasileiro. Mas ficou uma pendência importante: o que o jogador santista já fez pelo torcedor brasileiro para receber essa atribuição de novo herói nacional? Teve grande oportunidade para isto nos jogos olímpicos de Londres, e falhou. E não merece ser crucificado ou excessivamente cobrado por isso. Por outro lado, não justificou as honras que lhe dão. É claro que pode conquistar amanhã, ano que vem, ou em 2014, e aí merecerá todos os aplausos. Mas hoje, olhando sua trajetória com a amarelinha, o que o coloca acima de qualquer outro jogador brasileiro?

Mas a fabricação da idolatria segue. No primeiro jogo do Superclássico das Américas, contra a Argentina, em uma péssima partida da Seleção Brasileira e de Neymar, o jovem teve a oportunidade de cobrar a penalidade marcada no último lance do jogo. Méritos por estar lá e ser escolhido. Méritos pela execução. Mas nada que justificasse os exageros que vieram em sequência:

  • “Herói, Neymar comemora” (ESPN)
  • “Neymar Salva!” (Esporte Interativo)
  • “Neymar Salva Mano (Lance!)

O torcedor que acompanha futebol, que acompanhou o jogo, já começa a olhar desconfiado.

Agora, às vésperas do segundo confronto contra a Argentina pela antiga Copa Roca, reportagem do Jornal Nacional apresentou Neymar como “o incansável”. Para justificar, uma série de imagens mostrando o quanto o jogador santista é “caçado” em campo, mas não se machuca. Mas é claro que não se machuca, ele mal é tocado pelos adversários antes de seus saltos ornamentais! Alguns irão dizer que é por puro senso de defesa. Não discuto. O problema é a inversão dos papéis proposta, transformando-o em vítima. Ao mostrar lance da última rodada do Campeonato Brasileiro, que motivou sua expulsão contra o Grêmio, a reportagem transformou a atitude violenta do jogador em mero “revide”, como se o fato de ter sofrido uma agressão anteriormente atenuasse sua deslealdade no lance. Muricy, que sempre vem a público pedir uma superproteção ao “astro”, revoltou-se com a expulsão – como se não tivesse sido realmente merecida.

Crucificado ou vitimado, poucos (e loucos) contestam as qualidades de Neymar. É craque, mais ou menos do que pintam, mas é. Mas esse protecionismo exacerbado e injustificado dedicado pela imprensa esportiva por um cara que ainda não deu alegria nenhuma ao torcedor brasileiro – claro que excetuando os santistas – tratando-o como herói nacional, isento de críticas, “crucificado” em capa de revista, vitimado quando é expulso por atitude violenta, etc, etc, etc… Isso tudo só distancia os torcedores desse falso ídolo.

A culpa não é nossa.

anderson

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