(série esporádica de posts despretensiosos sobre histórias inusitadas, em ordem descontínua, de minha vida pacata)

Eu nunca fui um músico minimamente razoável, mas sempre quis ter uma banda. E o mais perto que cheguei disso foi entre o final de 99, começo de 2000. Foi a época em que eu mais treinava com meu violão Di Giorgi e a velha Dolphin, uma guitarra que comprei uns dois anos antes.

Duas curiosidades sobre minha antiga guitarra:

  • Comprei-a usada. Quem me vendeu foi o meu professor de violão/guitarra da época. Segundo ele, a guitarra era de uma menina, que resolvera vende-la pois agora estava mais interessada em tocar outros “instrumentos”
  • Quando fui comprar um amp pra ela, numa velha loja de um velho rabugento bem conhecido entre os músicos da cidade, o velho me deu sua simpática opinião sobre a minha nova aquisição: “se a Dolphin fosse boa a fábrica não tinha falido”.

Eu não sabia tocar muita coisa, mas para Rock Nacional não é preciso muito também. Dava pra fazer umas bagunças, e foi numa delas, com amigos do Tiro de Guerra, que alguns colegas que estavam começando uma banda me convidaram para ensaiar com eles.

Isso foi em Dezembro de 99, mas como era fim de ano, festas e viagens, a primeira oportunidade para ensaio veio só no dia 14 de Janeiro de 2000.

Claro que nenhum desses colegas eram corinthianos, pois se fossem, teriam lembrado que esse era o dia da final do 1º Mundial de Clubes da Fifa!

Mesmo assim eu topei. Afinal, o horário combinado era mais ou menos o previsto para o término do jogo… Chegaria um pouco atrasado, mas, tudo bem.

O jogo transcorreu naquela tensão, e praticamente não me lembrei do tal ensaio até a metade do 2º tempo. Só que o jogo continuava 0 x 0, e eu me toquei que, com prorrogação, eu atrasaria ainda mais. Deixei tudo preparado, guitarra no case, amplificador e cabos já desplugados e separados… Mas nada de gol. Nem no jogo, nem na prorrogação. Decisão nos penaltis.

Eu sabia que a melhor chance de eu ir ao tal ensaio era se o pior acontecesse, mas a essa altura eu já dava o título como certo, afinal, nós tínhamos Dida no gol! E ele não decepcionou, pegou a cobrança do Gilberto do Vasco. Mas o Marcelinho errou a dele, e o título acabou vindo, por ironia do destino, no erro do Edmundo, velho ídolo do rival Palmeiras.

A maior alegria do torcedor corinthiano (pelo menos em importância). Tinha que ser comemorada como tal! Mas e o ensaio? Dane-se! Mas e se nunca mais te chamarem para outro ensaio? Dane-se! É o Timão! Campeão do Mundo!

Ainda consegui, mesmo em momento de euforia extrema, ligar para meu amigo e avisá-lo que eu não poderia ir, pois estava saindo para comemorar o título. Me pareceu a forma mais honesta de tentar deixar o convite aberto, mas a verdade é que nunca houve uma segunda oportunidade com eles.

É muito provável que eu não tivesse vida longa na música, e que aquela ocasião não passasse de uma brincadeira de amigos. Mas se era a oportunidade de eu ter uma banda, ainda que de garagem, naquele dia eu perdi.

Mas quem se importa? Que corinthiano não trocaria isso pelo título mais importante de sua história?

anderson

2 Responses to “O dia em que desisti de ter uma banda”

  1. Eu acho que você se cobra demais… o seu conhecimento musical, teórico e prático, é bem maior do que o de muita gente que está no mainstream, vendendo CD e botando a cara na TV. Quanto a tocar pra comemorar um título, eu sou praticante: no ano passado, saí debaixo do toró com a guitarra na mão pra levar um som com o pessoal no boteco, amarradão!

    Aproveitando que você tá de violão novo, acho que é hora de montar a Mondo Rodondo Blues Band. hahahaha

    Abração!

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