Ano passado, depois da morte do aluno da Poli, que caiu no córrego voltando “pra casa”, bêbado, na noite do Corso do TUSCA (Taça Universitária de São Carlos), eu falei aqui no blog sobre o chato embate que sempre acontece nesse período entre os estudantes com seus excessos e os minhocas que acham que “é tudo culpa desses estudantes vagabundos que só querem encher a cara e se drogar”.

Ontem aconteceu novamente o Corso, dessa vez numa região sem muitas casas. E mais uma tragédia aconteceu. Ironicamente, a vítima é um são-carlense, não-universitário, o que deveria eliminar a teoria provinciana (mas não duvido que alguns ainda façam a relação descabida). E se em 2010 eu achei exageradas as críticas ao evento e sua organização, pelo fato de a morte do estudante ter ocorrido enquanto ele voltava pra casa – e, como eu disse na época, “não há evento no país que se responsabilize por entregar todos os bêbados (ou não) sãos e salvos às suas casas” – dessa vez a coisa é mais polêmica, já que a morte aconteceu no próprio percurso do Corso.

Fatalidade? Falha na organização? Teremos que lamentar esse tipo de consequência todos os anos, ou o TUSCA deve acabar? Sinceramente, não gosto de nenhuma das idéias, mas também não tenho mais opinião definitiva formada para o assunto. Coloquei abaixo algumas das argumentações e contra-argumentações que tenho ouvido. Por último a de um jornalista da EPTV, em seu Facebook, que de tudo que li, é o que mais faz sentido pra mim, até então.

 

  • O evento é mal organizado. Uma festa com 30 mil jovens não pode mais ser tratada como uma simples festa universitária.
    • Mas como impedir que, em meio a dezenas de milhares de pessoas, aconteça uma briga que acabe como acabou esta?
  • A culpa é do poder público. Quando o Corso era organizado só pelos estudantes, não ouvíamos falar de mortes. Desde que passou a ser um evento oficial do município, em 2010, acontece isso.
    • Não acontecia ou não ficávamos sabendo? Se não chegava a tanto, um rastro de destruição era deixado no percurso. A maior organização trouxe melhorias importantes, através de exigências mínimas, como atendimento médico de urgência, banheiros químicos, e etc.
  • É fatalidade. E se for pensar, um único incidente como este num evento deste porte não é absurdo.
    • Se fosse assim, todo show popular e todo jogo de futebol seria seguido por uma manchete trágica, e Graças a Deus não é assim.
      • Mas em nenhuma dessas festas ocorrem excessos na proporção que ocorrem no TUSCA.
  • O problema é que, para os estudantes, a proposta básica do TUSCA é o famoso “pode tudo”. O dia dos exageros. Não pode ser assim.
    • Mas se fizerem um negócio comportado, regrado, controlado em excesso, não vai ser o TUSCA. Vai minguar.
      • Mas tem que acabar mesmo!
        • É, aí daqui a pouco não tem uma festa, nada, porque excesso tem em todas, e fatalidades podem acontecer em qualquer uma.
    • Por Luis Antonio Garmendia: “O problema não é o Tusca senhoras e senhores. O problema é nossa juventude sem limites. Onde é preciso beber até passar mal, e perder o melhor da festa, aliás… O que acontece no Tusca não é diferente de nenhuma outra festa com jovens no nosso país. Ou alguém acha que o carnaval, orgulho nacional, é diferente? Mais do que proibir ou mudar eventos, precisamos mudar e educar nossa juventude“.

anderson

One Response to ““O problema não é o Tusca””

  1. ola,concordo plenamente com o luis antonio e escrevi a mesma coisa no meu blog.o problema nao e o tusca,mas das criancas que participam desse evento e a falta de estrutura de marketing porque ninguem lembra que o proposito sao os jogos,etc , mas sim o beber sem parar.
    belo post!

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