É natural pensarmos que as escolhas que realizamos na vida são feitas com base nos nossos valores e nas nossas opiniões. Mas existe uma peculiaridade de nossa espécie que talvez inverta essa ordem: a de criar teorias e hipóteses que fundamentem as escolhas realizadas.

Acontece o tempo todo e pode ser notada em qualquer roda de boteco. O sujeito que trocou de carro, o que não quer trocar, o que casou e o que não quer casar, o que aproveitou uma oferta imperdível da Black Friday Brasil para comprar um super ultra equipamento moderno que ele nunca vai usar, o que vendeu seus imóveis para comprar ações de uma companhia de mineração em ascensão…

Não importa qual seja o tema, qual seja o conhecimento da pessoa sobre o assunto, quais as projeções e tendências globais. Toda a linha de argumentação do interlocutor sempre será fundamentada na defesa de suas próprias escolhas. Sempre mostrando que todas as decisões foram fielmente realizadas seguindo uma brilhante linha de raciocínio que o colocará em vantagem sobre todas as pessoas, e lhe tornará uma pessoa plenamente feliz e bem sucedida. Tudo de modo inconsciente, é claro.

Sabe a história da grama do vizinho ser mais verde? Pois, ainda que seja, ninguém quer que pareça assim. Mas como não conhecemos o tipo de grama utilizado, nem as técnicas de plantio, cultivo e manutenção, nos resta subir um muro, uma cerca viva, construir uma fonte, ou até pintar a grama. É mais do que mostrar aos outros, é um processo retroalimentável de auto convencimento infinito. E pouco eficiente. E ninguém está isento. Eu, pelo menos, não estou. Você também não está.

anderson

8 Responses to “O processo retroalimentável de convencimento infinito”

  1. hum, papo cabeça. interessante. não vou discutir, já que concordo que ninguém está isento… mas acredito que existe, ainda, um certo tipo que escolhe sem embasamento e tampouco liga pra se justificar com teorias inventadas…
    não, não, eu, infeliz – ou felizmente, não pertenço ao tal grupo…

    bjos 😉

    • Pode ser, mas sabe, como é um processo de auto convencimento, normalmente involuntário, penso que mesmo esses que demonstram estar “nem aí” para o que os outros pensam, lutam contra si mesmo para provar que fizeram as escolhas certas. Por isso insisto que ninguém está isento. 🙂

    • Valeu! 🙂

      Sabe que ultimamente eu também decidi ler muito mais sobre os assuntos que me chamam a atenção para “não ser um idiota” comentando sobre. Hehe. Só que eu tenho o péssimo hábito de só querer ler aqueles com quem me identifico. O que, no caso, me distancia MUITO do Olavo de Carvalho. Hehe.

      Mas qualquer dia eu tento esse exercício. Já me falaram algumas vezes para ler mais pontos-de-vista contrários aos meus, para me ajudar a questionar mais minhas opiniões. Quem sabe… Vou ver um dia que estiver com o estômago em ordem. rs

  2. Sensacional Anderson, curti muito o texto. Acho que esse convencimento faz parte da nossa aceitação, ou seja, precisamos nos convencer de que agimos de maneira correta para não ficarmos frustrados com o que poderia ter sido. Como sempre dizem o “se” não existe, o que importa é o que de fato ocorreu, seja comprando um tablet na black friday, seja escolhendo “a mulher da sua vida”. Beijos!

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