Uma coisa que aprendi com os blogs é que ninguém está interessado em seus “grandes” feitos (que no fundo só são grandes para você mesmo), em suas virtudes ou em seus problemas. Preferem ler/ouvir seus tropeços, seus micos, ou, no máximo, suas peripécias, loucuras e transgressões. Schadenfreude explica? Pode ser, mas é que, de fato é bem chatinho ver gente contando vantagem, posando de santo, desancando reclamações, e bla bla blá.

E não é só no mundo virtual que esses assuntos são os mais populares. Tente se lembrar das conversas de mesa de bar ou dos churrascos com os amigos da época da escola. As histórias mais atraentes sempre foram aquelas em que narramos, ou outros narraram as próprias travessuras. A cola coletiva na prova de química, as imitações dos professores, o dia em que chaparam tanto que não se lembram de como voltaram para casa, ou, o tema número um, as gozações com outro colega, às vezes nem tão colega assim.

Não é em prol das boas conversas de rodas que falo agora, mas é preciso reconhecer o importante papel dos politicamente incorretos. Ou das esporádicas ações politicamente incorretas, mesmo dos mais “certinhos”. Afinal, como andaríamos vestidos hoje se não tivéssemos zuado tanto aquele professor de geometria que dava aula com camisa social e calça de moleton? Que tipo de desodorante barato usaríamos se aquele amiguinho não tivesse ganhado o apelido de gambazão no dia em que ficou sem banho? Que piadas estúpidas estaríamos compartilhando na roda do café se não tivessem gargalhado da sua cara, e não da última piada que contou? Questão de bom senso, mas o que é a sensatez se não o acúmulo de experiências com ações e consequências?

São exemplos caricatos, mas às vezes preocupa o excesso de zelo pelo politicamente correto. Atualmente a moda é a caça ao bullying. Sim, quando a coisa extrapola os limites, chegando à violência física ou às gozações excessivas, vexatórias e continuadas, é preciso coibir. E não serei eu, que já sofri com isso na infância (mas isso é assunto para outra oportunidade) que irei dizer o contrário. Só é preciso tomar cuidado para não acabar com esse, vou exagerar, importante fator de sociabilização e senso coletivo do ridículo, sob o risco de formarmos uma geração de completos tapados.

 

anderson

4 Responses to “Os politicamente incorretos são essenciais para o senso do ridículo”

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