Eu já era contra a incursão da PM na USP desde antes dela acontecer, porque o desfecho era previsível. E não precisa voltar aos anos 60 para entender, basta lembrar disso ou disso.

Não estou muito a fim de me alongar nesse debate de prós e contras, porque os argumentos que costumam apresentar colocam muitos defensores da PM na Cidade Universitária lado a lado com os defensores do armamento da sociedade civil como forma de “proteção”. Mas, vá lá, são opiniões condizentes com os perfis dessas pessoas – muitas delas de dentro da própria USP.

O que gostaria de fazer neste post é questionar algumas das inúmeras e incontáveis baboseiras que se espalham pela Web desde o início da polêmica ocupação da FFLCH e posteriormente da Reitoria da USP por estudantes que são contra a presença policial no campus.

Independente da sua posição nesse debate, considere dar uma olhada nos “toques” que dou abaixo, já que alguns fatos parecem não ser do conhecimento da maioria que se pronuncia sobre o assunto. E se depois disso continuar achando que “tem que descer o cacete mesmo nesse bando de playboy maconheiro”, aí tudo bem. Pelo menos já saberei como pensa o debatedor.

  1. A concentração dos estudantes que participam dessa manifestação está, basicamente, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. E, francamente, o perfil de estudante da fefeleche costuma passar longe do perfil “playboy”.
  2. Sim, a maior parte dos alunos da USP preenchem o tal perfil “reaça”, mas isso também passa longe da FFLCH. E em hipótese alguma esses alunos agora revoltosos estão entre os que pediam a presença policial no campus. São perfis completamente opostos!
  3. Já o esteriótipo de “maconheiro” costuma ser mais atribuído aos alunos da unidade. Mas acredite: há mais ideologia por trás de toda essa confusão do que gente preocupada em fumar um sossegado. Troque dois minutos de conversa com esses alunos e identificará isso. Aí você pode achar a ideologia uma porcaria, e que a PM tem todo o direito de estar lá e prender quem infringe a lei. Só não saia por aí falando que a questão se resume ao consumo de drogas que pega mal pra você mesmo.
  4. Preocupe-se mais com a “juventude perdida” do lado de fora da universidade. A que é incapaz de indagar ou entender onde a força militar indevida é nociva, dentro ou fora do campus. Contestação nunca foi sintoma de alienação – é justamente o contrário.
  5. Troque um pouco de canal. Recupere o hábito de ler textos maiores que 140 caracteres. Talvez isso te leve a uma realidade um pouco diferente do que está vendo. Porque um lado da história vocês já tem. Está todos os dias em todos os veículos de mídia e na boca dos “formadores de opinião” de quinta que influenciam a nova geração. Agora é bom ouvir o outro lado também, desprovido de preconceitos. Deixo até boas sugestões de leituras abaixo. E não espero que com elas você mude sua opinião. Mas é bom saber um pouco mais do assunto antes de replicar humoristas bobalhões ou figurinhas de incitação ao ódio aos estudantes.

Dicas de leitura: