Duas votações do Poder Legislativo essa semana me deixaram ainda mais desanimado com a política, e crente que certas coisas nunca vão mudar. Uma em âmbito municipal, outra nacional.

Em São Carlos, os vereadores aprovaram em primeiro turno o aumento no número de cadeiras, de 13 para 21. “Aumenta nossa representatividade”, diriam os defensores da idéia. Não, a única coisa que aumenta é a chance daqueles macaco-velhos, que haviam ficado de fora na úlima eleição, voltarem na próxima e continuarem com seus velhos esquemas de vantagens pessoais. Aumenta também a conta do povo, mesmo que lhe digam que não. Em compensação, diminui a qualidade da fiscalização popular. Se hoje não cuidamos de 13, que dirá de 21.

Em Brasília, passou pelo Congresso, de lavada, o novo e controverso Código Florestal, que, entre outras polêmicas, traz a anistia a alguns desmatadores. Uma decisão que me fez perceber que não há diferenças significativas entre o Brasil de hoje e o Brasil produtor de café de 100 anos atrás.

Entre as duas votações, dois pontos em comum.

  1. Nos dois casos, o PT (situação) se posicionou contra as aprovações. E, embora tenham maioria de bancada no governo, “perderam” em ambos basicamente pelo mesmo motivo: o PMDB. E aí vale lembrar aos petistas dois velhos e sábios provérbios.

    Quem dorme com cobra, amanhece picado.

    Quem com o diabo se deita, com o diabo amanhece.

  2. Se os resultados das duas votações me desagradaram, ao menos pude ver meus candidatos (àqueles em quem confiei meu voto) muito bem posicionados nas duas situações. Não apenas votando contra essas aberrações, como articulando para tentar reverter o quadro. Porque é nisso que se consiste a democracia. Você escolhe alguém que pense o mais próximo possível do que você pensa, para que possa defender suas opiniões no legislativo. E é tão raro podermos nos orgulhar dos votos que demos que, nesses dois casos, me senti bem representado. Mesmo sabendo que, quando o interesse próprio ou do partido falar mais alto, irei me decepcionar novamente.

anderson

4 Responses to “Quando o voto é bem dado”

  1. Se é que no primeiro caso o interesse do partido já não falou mais alto.

    Na eleição passada, se fossem eleitos 21 nomes, o prefeito atual teria minoria na câmara. Nesse caso, seria mais interessante para o partido manter a câmara com 13 cadeiras…

    • Na eleição passada. Se algum partido toma alguma decisão como essa baseado em números da eleição anterior, é porque ainda não conhece o eleitorado que tem.

      Eu já tinha lido essa “teoria” lá no orkut, mas pra mim não faz o menor sentido.

      Que tem algum interesse do partido por trás, é quase certo. Pode até ser esse, mas aí seria burrice, na minha opinião.

  2. Nossa, toda vez que venho aqui está fervendo de temas sérioe e relevantes.

    Temos que nos educar e ter consiência. Parece clichê, mas deve ser uma das poucas esperanças para o país… ou para o mundo.

    Beijos

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