Já há alguns anos, São Carlos não permite a realização dos famosos rodeios – aquela coisa do boi pulando com um animal montado em seu lombo – tão populares no interior paulista. O argumento principal para a proibição (ou inibição, não sei ao certo) é a alegação de que os animais sofrem maus tratos. Essa peleja tem produzido debates fervorosos nos últimos anos na cidade, inclusive com o surgimento de fanáticos grupos de apoio e de repúdio aos rodeios, passando invariavelmente pela política local.

Neste último final de semana (de 28 a 31 de Julho) aconteceu o XXV Rodeio de Ibaté, cidade vizinha de mais fácil e rápido acesso ao São-carlense. E aí, é claro, suscitou novamente o debate e a troca de gentilezas entre as partes, para não falar do chororô recorrente. Os pró-rodeio tentando demonstrar quão bonita e lucrativa é a festa que São Carlos “está perdendo”, e os anti-rodeio agradecendo por não ter isso aqui, ao mesmo tempo em que reclamam que exista lá (até porque, aqui ou ali, dá praticamente na mesma).

O debate é válido, os dois lados tem suas razões e seus exageros. Triste são os argumentos das partes. De um lado, político falastrão que defende que “boi de rodeio nasceu pra rodá e pulá”, e coisas do tipo. Do outro, onde costumo me colocar inclusive, vejo gente criticando os rodeios porque “odeio esse tipo de música e de festa”. Essa semana li que alguém é contra rodeio porque “só dá gente feia”.

Quando a coisa começa a descambar para o preconceito e desrespeito à diversidade cultural, perde-se a razão.

Em 2009 foi feita uma consulta pública pela Câmara de Vereadores de São Carlos sobre a realização de rodeios na cidade. Eu enviei na época a minha opinião, que é a mesma que mantenho hoje e reproduzo abaixo: