Eu me tornei fã incondicional da série O Guia do Mochileiro das Galáxias, de Douglas Adams, logo no primeiro capítulo do primeiro livro, quando o personagem central, Arthur Dent, tentava impedir que sua casa fosse demolida para a construção de um desvio.

- O senhor teve um longo prazo a seu dispor para fazer quaisquer sugestões ou reclamações, como o senhor sabe - disse o Sr. Prosser.

- Um longo prazo? - exclamou Arthur. - Longo prazo? Eu só soube dessa história quando chegou um operário na minha casa ontem. Perguntei a ele se tinha vindo para lavar as janelas e ele respondeu que não, vinha para demolir a casa. É claro que não me disse isso logo. Claro que não. Primeiro lavou umas duas janelas e me cobrou cinco pratas. Depois é que me contou.

– Mas, Sr. Dent, o projeto estava à sua disposição na Secretaria de Obras há nove meses.

– Pois é. Assim que eu soube fui lá me informar, ontem à tarde. Vocês não se esforçaram muito para divulgar o projeto, não é verdade? Quer dizer, não chegaram a comunicar às pessoas nem nada.

- Mas o projeto estava em exposição…

– Em exposição? Tive que descer ao porão pra encontrar o projeto.

– É no porão que os projetos ficam em exposição.

– Com uma lanterna.

- Ah, provavelmente estava faltando luz.

– Faltavam as escadas, também.

- Mas, afinal, o senhor encontrou o projeto, não foi?

- Encontrei, sim - disse Arthur. – Estava em exibição no fundo de um arquivo trancado, jogado num banheiro fora de uso, cuja porta tinha a placa: Cuidado com o leopardo.

A burocracia é o mecanismo inventado pelos corruptos para que ninguém tenha acesso ao que não é interessante, para eles, que seja divulgado, ao mesmo tempo em que cumprem a mera obrigação de tornar a informação “disponível”. Ou pelo menos criar esse “álibi” quando alguém vier reclamar da falta de lisura e transparência.

anderson

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